Minha Doce Menina.

106 Noite de chuva.


O sol já aquecia as Terras do Oeste quando ela sentiu seu sono ir embora. Com algumas partes de seu corpo quentes pelo permanente contato do raio dourado do Astro Rei, Nobuko espreguiçou-se na cama e abriu os olhos.

Viu quem queria ver. Viu que era seu grande amor. Viu que era Yosuke. Teve a plena certeza de que tudo o que se lembrava da noite anterior não era apenas um sonho.

A humana abriu um dos mais belos sorrisos e direcionou ao youkai que estava sentado, com uma perna sobre a outra e vestia apenas uma calça branca. Ele olhava fixamente para frente, mas depois de alguns segundos olhou para ela.

– Bom dia. – Ela cumprimentou abrindo um enorme sorriso.

– Eu não diria isso. – Pronunciou-se o youkai e a expressão de confusão formou-se em seu rosto. Ele levantou os olhos para o céu e depois olhou para ela. – Acho que seria mais adequado dizer boa tarde.

– Oh! – Ela expressou e iria se levantar, mas a mão do youkai a parou e ela esperou.

– Não é necessário sair da cama. Depois da noite anterior, precisa recuperar suas energias. – Um tom malicioso pôde ser constatado na voz de Yosuke e Nobuko sentiu seu rosto esquentar. Olhou para baixo na ânsia de desviar seu olhar.

O youkai apenas sorriu e pegou algo que estava sobe a mesa de cabeceira. A humana o olhou para ver o que era e seus olhos se iluminaram.

– Sente-se. – Ele pediu.

Em suas mãos estava uma farta bandeja de café da manhã. A mulher sentiu seu coração bater mais forte no peito. Ninguém jamais havia feito isso por ela. Um simples gesto pode fazer alguém se encantar ainda mais.

Nobuko se levantou entusiasmada e esqueceu-se de que estava nua. Quando Yosuke olhou para ela novamente, seus orbes desceram até seus seios que estavam à mostra. Novamente a humana sentiu o rosto aquecer e procurou por seu quimono.

– Não precisa se vestir se não quiser. – Ele sorria ainda olhando seus seios.

– Yosuke! Pare com isso! – Ela pediu e ele deixou a bandeja de lado para pôr suas mãos sobre ela.

– Não é necessário ter vergonha de mim. Não agora que de fato você é minha mulher. –Nobuko sentiu-se derreter pela fala do youkai. Ele aproximou os lábios dos dela dando-lhe um singelo beijo. Separaram-se e ela o olhou seriamente, com o coração acelerado.

– Eu te amo, Yosuke. Eu realmente te amo. – Ele acariciou seu rosto.

– Não sabe o quanto esperei essas palavras, sendo ditas dessa maneira por você. – Eles aproximaram seus lábios e se beijaram outra vez.

Foi um beijo longo e apaixonado. As mãos da humana envolveram o youkai e ele também a abraçou. Continuaram se beijando até que o mesmo decidiu jogar seu peso sobre ela fazendo com que se deitasse.

O calor já começava a emanar de seus corpos quando as mãos da humana espalmaram sobre seu peito nu. Ele a olhou esperando alguma explicação.

– Não sou uma youkai. Preciso me alimentar se quiser fazer isso. – Ele sorriu e se levantou pegando novamente a bandeja.

– Alimente-se. Você terá muito que fazer por hoje. – Ela sorriu e começou a desfrutar do desjejum tão atrativo que ele levara para si em sua cama.

*

Com muita dificuldade, Rin caminhava pelo caminho que Kaname lhe direcionava. Além de sentir seu corpo quente, o calor estava insuportável. A visão de Rin começou a ficar turva e ela teve a sensação de que tudo girava.

Poucos minutos depois, seus olhos escureceram e a humana entendeu que não conseguiria mais caminhar. Com as pernas trêmulas e o olhar completamente perdido, Rin suava frio durante aquela caminhada e já não tinha mais forças para continuá-la.

– Kaname... – Chamou com a voz fraca. – Kaname eu... – Antes que pudesse terminar sua força se esgotou e iria de encontro ao chão se o youkai não fosse extremamente veloz.

Ao colocar suas mãos nela para ampará-la, Kaname pôde constatar que Rin ardia em febre. Questionava-se sobre o que haveria de ter causado isso e fechou os olhos para examinar com o faro seu corpo.

Sentiu cheiro de ferida aberta e percebeu que era no pé da moça. Não se lembrava de ter visto quando ela se machucou e o único momento que poderia ter sido era durante a cachoeira. Ele a colocou de pé e ela continuava completamente fora de si.

Sabendo que Rin não mais agüentaria, Kaname a pegou em seus braços e fechou os olhos para localizar um local onde pudesse ficar com ela. A humana nem mesmo reagia. Estava com os olhos fechados e os braços moles. A cabeça balançava a cada movimento de Kaname.

O youkai a amparou e levou para uma das cavernas mais próximas que pôde encontrar. Assim que chegaram lá, ele a sentou sobre uma pedra e mexendo na bagagem da jovem, achou alguns cobertores. Forrou o chão e fez com que Rin se deitasse.

Percebeu que seus lábios, outrora tão convidativos e vermelhos, agora estavam ficando roxo e batiam mediante ao frio que somente seu corpo estava sentindo. Pegou um dos cobertores que usaria para cobrir o chão e sacudiu. Depois, cobriu Rin que continuava sentindo muito frio.

Com cuidado, Kaname pousou sua mão sobre a testa suada da jovem que abriu os olhos no mesmo instante. Ele também a olhou e ambos ficaram assim como se estivessem paralisados pelo tempo.

O vento foi responsável pela quebra do olhar, pois ao atingir Rin, ela suspirou alto pelo que frio a tomou. O youkai se afastou naquele momento e ficou de pé olhando as nuvens que começavam a cobrir o céu.

– Você pisou em algum animal? – Ele questionou.

– Pisei em algo na cachoeira... – Ela não conseguiu terminar e nem precisava. Kaname já imaginava o que era.

Na área em que eles estavam àquela manhã, havia alguns animais venenosos, porém incapazes de matar qualquer ser humano. Provavelmente quando Rin se aproximou pisando em um deles, o bicho tratou de se defender.

– Vou buscar algumas frutas e água fresca para você. – Ele disse seriamente.

– Não Kaname... Por favor, fique aqui... – A voz de Rin era fraca e baixa. O youkai voltou para dentro da caverna e sentou-se frente à jovem. Ela ainda tremia e mantinha os olhos fechados.

Quando a noite chegou, as coisas não melhoraram para Rin. O céu claro e o dia calorento deram lugar a uma noite escura e chuvosa. À medida que se aproximavam da madrugada e a temperatura baixava, Rin sentia ainda mais frio e sua febre não havia cessado.

Kaname já havia saído, buscado frutas e água fresca. Já havia armado a fogueira e nada pareceu aquecê-la. Ela estava encolhida sobre o cobertor e os lábios ainda estavam roxos. De repente uma sombra negra cobriu os olhos da jovem que os abriu com dificuldade. Rin viu o youkai abrir a parte de cima de sua vestimenta e retirá-la.

– O... O q-que vai f-fazer? – Batendo o queixo, ela ainda ousou perguntar.

– Isso vai te aquecer. – Ele a cobriu com sua roupa e esta ação pareceu aquecê-la mais, embora não completamente.

Aproveitando que estava perto, Kaname apoiou um de seus joelhos no chão e estendeu a mão para novamente verificar a temperatura no rosto de Rin. Ela ainda estava muito quente e não havia se alimentado direito durante o dia.

– Sente-se Rin.

Ela bem que tentou, mas ficou tonta ao tentar o exercício. O youkai a segurou pela cintura e assentou. Tudo o que a cobria caiu em seu colo e o frio que ela sentia apenas aumentou.

Kaname levantou-se e pegou algumas das frutas que havia recolhido. Trouxe também a água e sentou-se perto dela.

– Você consegue comer sozinha? – Questionou de forma séria.

Rin apenas balançou a cabeça em confirmação, embora não estivesse com fome. Mas Kaname estava sendo tão cuidadoso e gentil, mesmo usando um tom áspero com ela. A humana não pôde deixar de olhar para ele e sorrir enquanto comia. Ele arqueou a sobrancelha, estranhando o fato.

– O que foi? Só perguntei se consegue comer sozinha. – Disse o youkai.

– Você está sempre usando sua postura de malvado. Mas, bem no fundo, você é um bom youkai. – Ela sorriu fracamente para ele que apenas fechou os olhos e balançou a cabeça.

– Com certeza essa febre está mexendo com seus miolos. – Rin sorriu para ele, mas logo sentiu dores por todo o seu corpo e o frio havia aumentado.

Ela voltou a se deitar na cama improvisada e se cobrir, no entanto, o frio continuava a afligi-la. O vento forte balançou as árvores do lado de fora e pingos de chuva começaram a cair. A temperatura baixaria ainda mais e Rin sofreria com isso.

Não demorou muito até que a chuva se fizesse presente e o vento continuava forte. O youkai apenas observava as reações de Rin para agir rapidamente caso necessitasse. Ela também o olhava naquele momento, mas os pensamentos que estavam em sua mente eram diferentes.

Tão diferentes que a levaram a segurar sua mão. Ele arqueou a sobrancelha e olhou em seus olhos. Ela apertou a mão do youkai e ele pôde sentir o quanto estava fria, tão diferente de seu olhar que lhe irradiava um calor intenso.

Um vento forte entrou no local e trouxe juntamente com ele a chuva. Para protegê-la, ele aproximou-se de Rin e serviu de empecilho para que a água não a atingisse. Isto resultou em uma proximidade enorme e em um contato visual intenso.

– Kaname... – Rin sussurrou com o rosto bem próximo ao dele.

– Não fale. Não diga coisas que a leve a se arrepender.

– Não há motivos para arrependimentos...

– Isto pode ser perigoso Rin.

– Não será... Não será... – Ela fechou os olhos e Kaname mordeu o lábio inferior virando a cabeça para o outro lado.

– Maldição! – Balbuciou para si mesmo controlando todos os seus instintos. Ele iria se levantar, mas ela não permitiu. Segurou seu corpo.

– Fique aqui...

– Não.

– Eu não sinto frio.

O youkai ficou em silêncio por algum tempo enquanto as mãos de Rin ainda seguravam seu corpo. Aos poucos foi cedendo ao toque das pequenas mãos da jovem mulher que dependia de seus cuidados naquele momento. Quando se deitou, Rin se aproximou dele e fechou os olhos para dormir.

Ela não sentia mais frio. E nem sentiria enquanto ele estivesse ali.

*

Os olhos vermelhos da pequena hanyo observavam atentamente a chuva que caía do lado de fora enquanto as mãos de sua mãe penteavam seus cabelos. Aquela era a parte do dia que menos gostava, pois tinha que parar de brincar.

– Venha filha. Vamos nos deitar. – Akiyo chamou e a pequenina obedeceu.

Levantou-se da cadeira e subiu na cama enquanto sua mãe fechava a janela. Depois que realizou tal ação, deitou-se na cama com a filha. Akiyo alisou os cabelos de Natsumi que abriu um sorriso pelo carinho.

Ficaram assim por bastante tempo até que a porta foi aberta e Natsumi despertou da sonolência em que se encontrava. Olhou para a porta e viu seu pai fechá-la para aproximar-se de sua cama.

Akiyo que estava deitava sentou-se na cama e ao perceber que sua roupa era a adequada para dormir, cobriu-se com o lençol. Olhou novamente para Raiden esperando o motivo pelo qual ele havia ido até ali.

– Vim lhe desejar boa noite minha princesa. – O youkai disse sentando-se na cama. A menina sorriu e estendeu a mão para ele.

– Papai... Dorme aqui comigo? – Pediu com os olhos fechados, esperando uma resposta do mesmo.

Akiyo arregalou os olhos pelo pedido da filha e olhou para o youkai. Pelo sorriso que ele abriu sabia que não iria negar.

– Está bem. – Disse o youkai sorrindo, vendo sua pequena filha também sorrir.

– Vem mamãe. Deite-se aqui comigo. – Natsumi pediu também estendendo a mão para ela.

Completamente sem jeito pela situação que a menina a colocara, Akiyo se deitou na cama, juntamente com o youkai. Um de cada lado, com a pequena filha no meio. A humana sentia-se completamente desconfortável com aquela situação.

– Eu estou muito feliz porque agora posso dormir com a minha mamãe e o meu papai. – Falou ainda Natsumi e foi inevitável os dois não se encararem.

Os olhos vermelhos pareciam engolir os olhos castanhos de Akiyo. A respiração parecia ter fugido de seus pulmões. Ela não estava preparada para aquilo, não estava preparada para tanta proximidade.

Raiden continuou olhando Akiyo sem qualquer hesitação. Algo dentro de si o impedia de terminar aquele ato. Ele ficou atento as batidas de seu coração, que ficaram mais fortes somente por estar mais próximo a ela.

O mágico momento foi quebrado pela hanyo entre eles que os abraçou. Ela ainda estava de olhos fechados, mas sorria levemente por estar ali. Aquele momento era muito importante para a jovenzinha.

– Mamãe... Cante para mim... – Pediu. Akiyo arregalou um pouco os olhos e olhou para Raiden, depois voltou a olhar para a filha.

– Eu acho melhor não...

– Por favor, mamãe. Cante para mim. – Pediu outra vez e ela não pôde mais negar. A humana respirou fundo e olhando para ela começou a canção.

– Natsuhiboshi, naze akai?

Yuube kanashii yume wo mita

Naite hanashita

Akai me yo

Raiden continuou olhando para Akiyo e ao ouvi-la cantar a musica lembrou-se das memórias que Yosuke lhe passou. Akiyo olhava somente para filha, mas seus olhos foram desviados para o youkai e ela continuou cantando.

– Natsuhiboshi, naze mayou?

Kieta warashi wo sagashiteru

Dakara kanashii yume wo miru

Quando terminou de cantar, seus olhos estavam cheios de lágrimas e ela sentia um aperto enorme em seu coração. Raiden estendeu sua mão e tocou o rosto de Akiyo secando algumas das lágrimas que ousaram cair. Ela fechou os olhos e continuou assim sentindo seu toque.

Era impossível dizer o que estavam sentindo naquela hora, só sabiam que era algo muito forte. Enquanto isso do lado de fora, a chuva continuava caindo. E caía juntamente com as lágrimas de Akiyo.

Notas finais
Rin está doente e só Kaname pode ajudá-la. Akiyo e Raiden sentiram algo mexer com seus corações pela proximidade em que se encontravam. Depois dessa noite de chuva, o que acontecerá entre eles?

Beijo e até a próxima.