Minha Doce Menina.
107 Duvidas perigosas.
Enquanto estava nos braços de Kaname, Rin sentia-se completamente segura e não desejava estar em outro lugar. Levantou os olhos para fitar o youkai e ele dormia tranquilamente enquanto a envolvia.
De repente uma neblina branca se apossou do local e a silhueta de alguém parou próxima ao youkai. Ele abriu os olhos dourados e se levantou, caminhando em direção aquele que o levava para o lado de fora.
Rin se levantou de onde dormia e correu atrás do youkai. Gritava por seu nome e pedia para que ele parasse e ficasse ao seu lado, mas Kaname não ouvia. Continuava caminhando sem olhar para trás.
Piscou e estava próxima a um precipício, a beira de cair. Olhou para os lados e viu Kaname parado olhando em sua direção. Sentindo algo lhe puxar mais para a ponta, ela gritava por socorro, implorava para que ele lhe atendesse, mas ele não a ouvia. Parecia estar hipnotizado.
Enquanto era arrastada viu a silhueta que levou Kaname passar a mão em seu rosto e só assim ele se moveu. Virou-se para o ser que ela não conseguia identificar o rosto e a beijou apaixonadamente. Depois do beijo, o youkai voltou a ficar parado e a sombra a olhou.
No momento em que seu olhar se cruzou, Rin caiu do precipício e acordou.
– Aconteceu alguma coisa? – Questionou Kaname já sentado ao lado de Rin.
– E-Eu tive um pesadelo horrível Kaname! Sonhei que alguém te hipnotizava e você me deixava morrer! – Os olhos de Rin estavam cheios de lágrimas e ela se encontrava muito nervosa.
– Acalme-se foi somente um sonho. – Ele disse de forma séria.
– Não! Eu senti essa presença várias vezes durante a noite, não pode ter sido somente um sonho! – Ela insistia.
– Se alguém estivesse por aqui eu teria sentido. Nada vai acontecer a você, eu garanto.
Rin olhou para Kaname e em um rompante o abraçou apertado. Não sabia por que, mas tinha a sensação de que algo ruim iria acontecer e que poderia custar sua vida.
– Prometa que vai me proteger Kaname. Prometa que não vai deixar algo ruim acontecer. – Ela implorava com os olhos cheios de lágrimas enquanto apertava o abraço. Rin estava muito nervosa, nunca teve um sonho tão real em sua vida.
O youkai demorou um pouco a ceder, mas devagar colocou os braços na cintura de Rin e a abraçou. Quando estavam abraçados e puderam sentir o calor um do outro, eles se olharam nos olhos e estavam tão próximos que podiam sentir suas respirações.
Kaname queria repeli-la, e Rin queria fazer o mesmo com ele, mas algo os impedia. Alguma espécie de atrativo fazia com que não conseguissem se mover.
– Eu sempre soube que não deveria ter aceitado aquela proposta de Sesshoumaru. – Ele revelou ainda olhando em seus olhos.
– Por que não?
– Porque sempre me cheirou a problemas.
– Você adora problemas.
– Eu sei.
Seus rostos estavam muito próximos e eles decidiram eliminar ainda mais a distância. Por quê? Por qual razão o proibido é sempre tão atrativo? Por qual razão o não sempre quer ser transformado em sim? Por que o proibido era sempre o preferido?
Kaname afastou-se de Rin no mesmo instante. A expressão em seu rosto era séria e o olhar duro. Todo o encantamento havia cessado a partir daquele olhar e Rin tentou recuperá-lo. Ele se levantou e caminhou para fora daquela caverna. Poucos raios de sol se destacaram entre as nuvens e refletiam sobre os cabelos dourados do youkai.
A humana se levantou e decidiu acompanhá-lo. Pelo rompante sentiu-se um pouco tonta, mas prosseguiu. Queria estar com Kaname. Queria saber o que era aquele sentimento também.
– Kaname... – Ela o chamou com sua voz melodiosa.
– Não me siga. – Ele ordenou.
– Por que está fugindo? Por que você sempre acaba irritado comigo? – Ela questionava enquanto o seguia e ele caminhava a sua frente.
– Não me siga Rin!
– Kaname o que você está sentindo? – E tudo aconteceu muito rápido.
De repente ele se virou e a segurou pela cintura. Segundos depois ela estava sentada sobre uma pedra e o youkai estava entre suas pernas. Ele colocou uma de suas mãos sobre seus cabelos e os puxou fazendo com que a cabeça de Rin fosse levada para trás. A outra mão segurava sua perna com força.
– Isso é o que eu sinto.
O youkai deslizou os lábios pelo pescoço de Rin e ela arfou. Ele soltou sua mão de seus cabelos e a humana voltou a olhar em seus olhos.
– Diga-me o que está sentindo. – Ele ordenou. Os olhos dourados cintilavam pela excitação que sentia, mas Rin nada falou, apenas sentiu-se arrepiar, sentiu os batimentos cardíacos acelerarem e a respiração falhar.
Kaname puxou seu quimono e logo sentiu sua pele quente e macia. Ele acariciava sua coxa e subia a mão enquanto seus lábios beijavam o pescoço de Rin. Seu outro braço a envolvia e fazia com que seu corpo estivesse colado ao dele.
A humana segurou com força os ombros do youkai e ele mordeu o lábio inferior. Continuou investindo nas carícias até que decidiu voltar à sua questão. Subiu o rosto até que ficasse cara a cara com Rin e os dois se olharam intensamente.
– Diga-me o que está sentindo. – Ele ordenou com a voz sensual e ela completamente entregue e hipnotizada por aquele olhar respondeu.
– Embora esteja sentindo intenso desejo por você, sinto como se estivesse traindo Sesshoumaru a cada segundo. – O olhar de Rin revelada dor pela realidade falada, mas era a verdade. Ele aproximou ainda mais seus lábios dos dela e quando pensou que ele iria lhe dar um beijo o youkai falou:
– É por isso que sempre irei me afastar de você. – Ele apertou ainda mais o abraço. — Ainda que sintamos desejo um pelo outro e a sensação de que devemos estar juntos nos domine quando estamos próximos, você é uma fêmea marcada de outro macho. Eu já matei pelo mesmo motivo. Não quero ser morto por tal. – O youkai a soltou e afastou-se dela dando-lhe as costas.
Rin tinha os olhos cheios de lágrimas pela realidade que lhe estapeava a face. Desceu da pedra e reuniu forças de onde nem sabia que tinha para dizer tudo o que estava preso em sua garganta.
– E você acha que é o que quero? Não é Kaname! Não é o que eu quero! Eu amo Sesshoumaru, sempre o amei e sempre o amarei! Mas quando estou próxima a você sinto como se tudo o que vivi até agora tivesse ficado para trás! Eu não amo você, mas também não te odeio! Eu não quero estar com você, mas também quero! — Rin parou e soluçou alto mediante as lágrimas que caiam de seus olhos.
– O que quer que eu faça? Espere até que se decida? – O youkai indagou com a sobrancelha arqueada.
– Não. Não é isso que quero. – Rin enxugou suas lágrimas. – O que quero é não dar lugar a esse sentimento que está me consumindo desde o dia em que voltamos da casa de Akiyo e você confessou o que eu lhe causo. O que quero é viver ao lado do meu filho e do meu marido. O que quero é que você se afaste de mim. Você não me deseja Kaname. Deseja a lembrança de Hyuna que eu desperto em seus pensamentos.
Kaname se virou para Rin e caminhou em sua direção. Com a expressão dura ele segurou em seus ombros e fez com que ela o encarasse.
– Acredita no que acabou de dizer? Acredita que isto realmente é verdade. – Rin ainda chorava. – Confesse. Confesse e eu lhe levo ao castelo e sumo de sua vida para sempre.
A humana abriu a boca para falar, mas as palavras lhe fugiram. Ela tentou escapar, mas ele a envolveu em um abraço mais forte e aproximou seus lábios dos dela e embora ambos quisessem se beijar não conseguiam. Ficaram assim. Bem próximos.
Era difícil definir o que sentiam. Era difícil definir por qual razão sentiam-se tão atraídos um pelo outro. Rin jamais se sentiu assim depois que teve Sesshoumaru e Kaname jamais quis estabelecer-se com outra fêmea depois de Hyuna. O que era aquilo? O que os aproximava? Será que eles realmente deveriam descobrir ou seria melhor fingir que não sabiam dessa paixão avassaladora e proibida?
Para Rin e Kaname era melhor não tocar em qualquer uma das palavras que definisse esse sentimento. Qualquer ato impensado e precipitado poderia ocasionar a morte dos dois, na melhor das hipóteses.
*
Estava recostada a janela enquanto olhava do lado de fora. Viu seu idolatrado marido abaixado para que pudesse ficar na altura de seu filho enquanto os dois conversavam sobre flores. Decidiu acompanhá-los e foi até o jardim.
Assim que Kenichi notou o cheiro de sua mãe, olhou para trás e caminhou em sua direção com uma tulipa em suas mãos. Yosuke o observava do outro lado, ainda abaixado tendo apenas um joelho encostado no chão.
– Para a senhora mamãe. – Kenichi lhe estendeu a mão.
– Muito obrigada meu amor. – Nobuko pegou a flor e a cheirou. Depois, olhou para o filho que parecia querer lhe dizer algo.
– Sabe o que tulipas significam? – Ele questionou esperando sua resposta negativa.
– Não. – A humana disse voltando a admirar a flor.
– Significa amor verdadeiro e eterno.
No mesmo instante a humana direcionou seu olhar ao filho. Abaixou-se ante a ele e lhe deu um abraço muito apertado, para depois distribuir beijos por seu rosto.
– Eu amo você. De verdade e para sempre. – Kenichi abriu um enorme sorriso ao ouvir a fala de sua mãe e depois lhe deu um abraço apertado.
Yosuke aproximou-se dos dois e parou poucos centímetros próximos a eles. Assim que sua esposa e filho se separaram, ele aproximou-se mais. Nobuko o olhou esperando que ele falasse algo, mas o youkai apenas estendeu a mão para ela. Nela também havia uma tulipa.
Os olhos de Nobuko cintilaram. A cada dia que esteve com Yosuke desde que reataram estava sentindo-se ainda mais apaixonada. Era inegável. Não somente seus olhos, mas todo o seu ser revelava isso.
– Eu também amo você verdadeiramente e eternamente. – O youkai continuou olhando profundamente em seus olhos e lhe deu um singelo sorriso. Mesmo que não usasse palavras, Nobuko sabia que ele a amava.
Aquele mágico momento familiar foi quebrado quando um dos servos aproximou-se do youkai e se identificou como um mensageiro. Os dois se afastaram e o youkai entregou a Yosuke um pergaminho.
O youkai o abriu e leu. Por um instante levantou os olhos em uma direção e pareceu refletir. Isso durou apenas alguns segundos, porque ele voltou a enrolar o pergaminho e anunciou uma decisão ao mensageiro que o reverenciou. Voltando a sua esposa e filho, Yosuke tinha uma expressão muito séria no rosto.
– Sairei para resolver algo que não pode ser adiado.
– Aconteceu algo de grave meu amor? É algo com as Terras do Oeste? – Indagou Nobuko.
– Não, entretanto somente eu posso resolver. – Ele se aproximou da humana e lhe beijou a testa. Olhou para seu filho e lhe transmitiu uma mensagem mentalmente dizendo para que cuidasse de sua mãe. Minutos depois ele já havia partido.
Kenichi lembrou-se de algo que precisava mostrar a sua mãe e entrou em casa correndo enquanto a mesma continuava parada olhando o caminho por onde Yosuke havia saído. Só havia uma coisa que o faria sair daquela maneira. Só havia uma pessoa que o faria deixar qualquer um.
A humana estava com as mãos em punhos sentindo o ódio correr por entre suas veias. Ela não sofreria de novo. Não perderia seu marido para Akiyo de novo e se ela os separasse, separar-se-iam os quatro de novo.
*
A noite já estava caindo e só depois de muito tempo é que finalmente Akiyo foi perceber. Levantou-se rapidamente e vestiu sua roupa. Natsumi, com o terrível sorriso que herdou do pai, provavelmente estaria hipnotizando qualquer um em casa para não comer. A humana olhou para trás mais uma vez, fazendo uma despedida silenciosa e não percebeu quando Raiden parou a sua frente.
Como se seu interior estivesse completamente congelado, Akiyo parou de caminhar ainda com a mão em sua roupa tentando prendê-la ao corpo. Os olhos de Akiyo estavam um pouco arregalados pelo susto e a boca levemente aberta. Depois de alguns segundos, ela se recuperou e terminou de ajustar a roupa ao corpo.
Os olhos de Raiden estavam em fendas na direção dela. Primeiro, porque estava completamente ensopada. Segundo, porque estava muito longe de casa, considerando-se que havia um rio mais perto. Como sempre ela preferia ir longe, bem mais longe onde ninguém pudesse vê-la ou encontrá-la rapidamente.
– O que faz por aqui? – Questionou o youkai.
– Eu estava me banhando no lago. – A humana respondeu sem levantar os olhos para ele.
– Eu sei o que você estava fazendo. – A voz de Raiden era fria. – Perguntei o que faz exatamente aqui com um rio mais próximo da nossa casa.
Nossa casa. Essas duas palavras tiraram qualquer resposta que a humana pudesse dar ao youkai. Ficou perdida nelas por um tempo, tentando entender todo o significado por trás daquilo. Será mesmo que aquela casa poderia ser chamada de sua também? Então por que não se sentia daquela maneira? Em casa? Observando a expressão no rosto do youkai e entendendo que aquele não era o melhor momento para perder-se em seus pensamentos, a humana apenas se limitou a responder:
– Eu só queria caminhar um pouco, me distrair. Por isso acho que cheguei tão longe. — Akiyo não sabia, mas usou todas as palavras que não deveria.
Raiden olhou atentamente para ela. Cheirou-a melhor. Observou e cheirou cada centímetro do ao redor do local onde ela estava. Voltou a olhar para ela e focou apenas em seus olhos cor de mel. Ficaram assim por bastante tempo, até que a humana sentiu-se terrivelmente incomodada. Aquele olhar era inquisidor, desconfiado e, principalmente, ameaçador.
Os longos cabelos ondulados da jovem encharcaram sua roupa na parte de trás e por seu corpo já estar molhado, aguou também a parte da frente que marcou seus seios. Os olhos vermelhos de Raiden desceram por seu corpo e Akiyo olhou para si mesma. Vendo o que ele via ficou completamente envergonhada.
O youkai abriu a parte de cima de sua vestimenta e entregou a ela, ficando apenas com as calças. Akiyo pegou a roupa de sua mão e cobriu seu corpo.
– Obrigada. – Disse simplesmente, mas ele não respondeu. Apenas virou-se de costas e começou a caminhar de volta para casa.
A partir daquele momento, Akiyo teve a sensação de que ele realmente não era o Raiden que ela conheceu e amou. Estava diferente, muito diferente e isto poderia ser perigoso.
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