Minha Doce Menina.
108 Conversa franca.
Notas iniciais
Era mais um anoitecer e ela não estava em casa. Natsumi ficava nervosa cada vez que precisava falar algo com sua mãe e não a encontrava. Raiden pensava que ela certamente estaria escondendo algo.
Mesmo depois de tudo o que se sucedeu após o tempo em que ela havia o traído, ele ainda desconfiava de Akiyo e mesmo que seu coração às vezes tentasse fraquejar, ele não se permitia entregar-se outra vez.
Depois de ouvir sua filha reclamar, decidiu que o melhor seria ir atrás de Akiyo outra vez. Levantou-se de sua cadeira e foi para fora de sua casa. Fechou os olhos concentrando-se em encontrá-la e tal foi sua surpresa ao sentir um cheiro diferente.
Era cheiro de sangue.
Cheiro do sangue de Akiyo.
Imediatamente correu em sua direção.
Chegou próximo ao lago e viu seu corpo estendido no chão. Aproximou-se dela e se abaixou para analisá-la. Embora estivesse acordada, era claro que não tinha condições de manter-se em pé. Percebeu que seu ombro estava coberto por seu próprio sangue, assim como suas mãos.
– Akiyo! – Ele a chamou e ela tentou localizá-lo, mas estava muito fraca. – Akiyo, fale comigo! O que aconteceu?! – Ele questionou colocando-a sentada. O olhar de Akiyo estava perdido e o youkai estava muito preocupado.
– Ra-Raiden... – Foi tudo o que ela conseguiu falar e sua cabeça tombou para trás.
O youkai segurou sua cabeça para que ela não ficasse suspensa no ar e a pegou em seus braços. Na velocidade youkai ele a levou para casa e nem se lembrou de levá-la a seu quarto. Colocou-a sobre a cama que um dia os dois compartilharam. A cama que ficava em seu próprio quarto.
– O que aconteceu com ela, papai? Por que está sangrando? – Natsumi questionava enquanto Raiden tentava reanimar a humana.
– Seiko, leve Natsumi para seu quarto. Daqui a pouco eu irei até lá.
– Mas papai, eu quero ficar aqui com a mamãe! – Natsumi protestou.
– Vá para seu quarto. Sua mãe logo irá melhorar. – Ele ordenou e sem questionar a hanyo obedeceu.
Assim que ficou a sós com Akiyo no quarto, Raiden abriu seu quimono e colocou-a sentada na cama. Ele sabia que aquilo havia acontecido devido a sua marca e por isso foi direto a ela. Colocou a mão sobre o local e fechou os olhos concentrando-se e segundos depois seu corpo estava interligado ao dela.
As batidas de seus corações foram sincronizadas e Raiden pôde sentir toda a angústia e medo que levara Akiyo a pensar inúmeras coisas terríveis à respeito de si mesma e de seu futuro. Pelas mágoas do passado e pelo sofrimento do presente desejou nunca mais vê-lo e sua marca reagiu.
Naquele instante Raiden percebeu que somente viverem próximos um ao outro não a levaria a melhoria. O que ele tinha que fazer era tocar seu coração e estabilizá-la emocionalmente. Teria que reconquistar sua confiança e se possível seu amor.
Entretanto será que ainda haveria chance para o amor quando ele sempre se recordava da traição e ela desejava manter-se distante?
Ele voltou a se concentrar e conseguiu fazer com que a manifestação da marca cessasse e Akiyo respirou aliviada. Com as pálpebras pesadas, ela foi deitada na cama por Raiden e ele continuou analisando seu corpo.
– Você precisa descansar agora. Depois conversamos. – Ela simplesmente concordou com a cabeça e fechou os olhos.
O youkai se levantou e saiu do quarto. Vários pensamentos invadiam sua mente agora que esteve sincronizado com Akiyo. Mesmo depois de tudo ela ainda o amava, apesar de ser menos que antes.
*
Já era noite quando Yosuke chegou em casa. Nobuko e Kenichi o aguardavam para jantar e a humana estava muito preocupada. Assim que reataram seu relacionamento, ele procurava sempre estar em casa, mas desde o dia em que recebera o pergaminho saía quase todas as tardes.
Nobuko tinha absoluta certeza de que Yosuke estava se encontrando com Akiyo e aquilo corroia seu coração por dentro. Ela tentava descobrir algumas coisas, captar algumas conversar no ar, mas não havia nada que comprovasse tal suspeita.
Ele continuava sendo o mesmo. Embora a máscara séria cobrisse seu rosto, o youkai sempre demonstrava amor, a procurava todas as noites e de uma maneira ou de outra fazia com que ela se sentisse amada e cada dia mais feliz.
No entanto, havia sempre um quê a mais. Ela, que viveu durante anos amando e sonhando com o momento em que definitivamente tiraria Akiyo de sua vida e teria Yosuke de volta, não queria que esse sonho acabasse e faria qualquer coisa para retirar de seu caminho tudo o que o ameaçasse.
Assim que terminaram o jantar e se dirigiram até seu quarto, Nobuko deitou-se na cama e esperou que Yosuke fizesse o mesmo. Ele demorou, mas logo estava ao seu lado. O youkai abriu os braços para que ela se aconchegasse em seu peito e ela assim o fez. Depois de alguns minutos em silêncio, a humana decidiu falar.
– Yosuke, está acontecendo alguma coisa que eu deva saber? – Nobuko olhava para um ponto fixo enquanto falava aquilo. Na sua voz era perceptível o medo e a insegurança.
– Não. – Ele respondeu simplesmente alisando os longos cabelos da jovem. – Por que me fez esta pergunta?
– Porque você tem saído todas as tardes e nunca me fala para onde vai. Eu quero saber, quero participar da sua vida e fico muito preocupada quando você sai assim.
O youkai analisou o tom de voz da moça e se sentou na cama. Ela também se sentou e esperou que ele dissesse alguma coisa. As sobrancelhas unidas de Nobuko demonstravam aflição por saber o que viria a seguir.
– Tenho saído para resolver algumas questões políticas. Nada que seja a respeito da nossa família. Você não deveria se preocupar ou mesmo desconfiar de alguma coisa. Não há motivos. – O tom de voz do youkai era muito sério e ele falava em tom reprovativo. Sabia que ela implicitamente se referia a Akiyo.
– Está bem. – Nobuko baixou os olhos. – Desculpe-me por duvidar de você.
Ele não necessitava dizer mais palavras. Simplesmente aproximou-se dela e a beijou para depois envolvê-la pela cintura. Não demorou muito até que ele a deitasse em sua cama e a fizesse mulher da maneira insaciável que costumava fazer.
*
As luzes da Aldeia de Inuyasha já podiam ser vistas. À medida que se aproximavam, Kaname e Rin sentiam que a distância entre eles apenas aumentava. O clima estava péssimo. Como poderiam conviver como se nada estivesse acontecendo quando tudo estava acontecendo? Era difícil até de explicar.
De certa distância puderam ver cabelos pratas esvoaçantes e roupas vermelhas vindo em sua direção. Logo, também puderam identificar mais três silhuetas. Aqueles eram Inuyasha, Kagome, Miroku e Sango. Eles não demoraram muito até encontrá-los.
– Rin-chan! – Gritou Kagome descendo das costas de Inuyasha.
– Kagome-sama!
– Como você está? Sentimos tanta saudade! – Perguntou Kagome abraçando a morena.
– Eu estou bem, Kagome-sama. Olá Inuyasha-sama, Miroku-sama e Sango-sama. – A morena cumprimentou.
– Seja bem-vinda de volta Rin-chan. – Respondeu Sango.
– É bom te ver Rin. – Complementou Miroku e Kagome ficou esperando que Inuyasha dissesse alguma coisa.
– Inuyasha... – A sacerdotisa o chamou, mas ele não respondeu. Ficou encarando Kaname. Só então Kagome se deu conta de que havia um youkai com ela. — Ah, Rin. Quem é o seu amigo? – Kagome se afastou um pouco dela para olhá-lo melhor.
Rin virou-se para trás completamente contrariada por ter que se dirigir a Kaname. Quando seus olhares se cruzaram, todos entenderam que algo havia acontecido entre eles. Sem esperar por muito mais, Kagome apenas analisou o youkai.
– Pessoal este é Kaname. – Rin parou ao referir-se a ele. Depois de alguns minutos, voltou a falar. – Kaname estes são Kagome, Inuyasha, Miroku e Sango.
Kaname continuou com os olhos presos aos de Kagome. Inuyasha tinha os olhos fixos em ambos.
– É um prazer te conhecer Kaname. – Kagome disse docilmente.
– Muito prazer. – Sango reafirmou.
– Hn... – O youkai sorriu debochado e olhou entre as duas mulheres a sua frente. – Tenho certeza de que o prazer será todo meu.
Inuyasha sentiu tanto ódio de Kaname que no mesmo instante colocou a mão na bainha da Tessaiga. Sua esposa virou-se para trás no mesmo momento e ele entendeu o que ela queria dizer. Tirou a mão da bainha e cruzou os braços, virando o rosto para o lado.
Miroku por um momento teve vontade de estar com o buraco do vento em sua mão, assim sugaria aquele abusado para a infinita escuridão onde ele não mais poderia sorrir maliciosamente para sua morena. O monge colocou a mão na cintura de Sango e a puxou para seu lado. Assim perdia a vontade de exorcizar o youkai.
– Você ficará com a gente, Kaname? – Questionou Kagome.
– Ficarei por perto. – Ele respondeu simplesmente.
– Se quiser ficar... – Ela retrucou.
– Fico honrado, Kagome. – O youkai sorriu e se aproximou da sacerdotisa, beijando sua mão. O ódio no corpo de Inuyasha apenas cresceu. – Quando quiser partir, sabe como me encontrar. – Ele direcionou a fala a Rin e depois de alguns minutos desapareceu.
– Kagome! – Gritou Inuyasha.
– O que foi meu amor? – Ela respondeu docemente.
– Como pôde deixar este youkai falar desse jeito com você?! – Ele estava muito irritado.
– Oh, meu Inu-kun... – A sacerdotisa se aproximou do hanyo e alisou seu rosto. Mesmo sabendo que ela o irritava quando era chamando assim, ela persistia com isso. – Sabe que por mais lindo que os outros possam ser, eu sempre preferirei você.
– Keh! Pois fique sabendo que quando as mulheres me chamarem de lindo, eu farei o mesmo que você. Porque aqui existem muitas mulheres lindas e algumas são até mais bonitas que você.
– Inuyasha... – Ele olhou para ela, vendo que seu rosto estava muito calmo e sabia o que viria a seguir. – OSUWARI!
E depois de muito tempo, Rin sorriu largamente ao ver Inuyasha ir de encontro ao chão.
*
Mesmo alegando que estava bem e que não era necessário qualquer tipo de preocupação ou cuidado excessivo, Akiyo entendeu que não haveria escolha. Por ter sido encontrada caída por Raiden, todos estavam de olho nela, inclusive sua filha que estava deitada em sua cama.
Natsumi amava incondicionalmente a sua mãe e não se imaginava vivendo sem ela. Quando seu pai entrou em casa com a humana nos braços a menina sentiu seu coração doer. Preocupou-se muito porque tinha medo de perdê-la.
Foi com esses pensamentos que ela deitou sobre a cama do quarto de seu pai, onde Akiyo estava e a abraçou fortemente. Akiyo alisava seus cabelos negros e ondulados e a jovenzinha acabou pegando no sono. Minutos depois Raiden entrou no quarto e deparou-se com essa cena.
Durante muito tempo ele imaginou como seria ter uma esposa e filha vivendo juntamente com ele. Durante os seis anos em que Akiyo estive fora ele pensou na possibilidade de ir até ela e ver como estava, porém o orgulho nunca permitiu.
Mesmo assim, mesmo se negando a ceder aos desejos de seu coração ela voltou. O destino, o tempo ou um ser muito maior e mais poderoso a trouxe de volta. De volta para ele e desta vez Raiden não iria permitir que ela se afastasse, porque a queria por perto. Ainda sentia repulsa pelo que ela havia feito, mas tudo isso era diminuído quando ele colocava os olhos sobre a linda filha que ela o dera.
Além de levar uma gestação sozinha, Akiyo conseguiu colocá-la no mundo. Além de colocá-la no mundo, Akiyo conseguiu criá-la em meio à vergonha de ser uma mãe solteira na sociedade em que viviam e em meio ao fato de gerar um hanyo. Certamente era uma mulher incrível e guerreira. Seria uma mulher admirável, se não fosse por seu passado.
Raiden decidiu encerrar seus pensamentos e seu momento de contemplação e aproximou-se de Akiyo. A humana apenas levantou os olhos para ele esperando que dissesse qualquer coisa, mas ele apenas pegou Natsumi nos braços e a levou para seu quarto. Pouco depois estava de volta e quando seus olhos se encontraram, Akiyo entendeu que aquele era o momento da conversa a que ele se referiu mais cedo.
Percebendo que ela já havia notado suas intenções, Raiden aproximou-se da humana e sentou-se na cama com as pernas em posição de lótus. Ele estava de frente para a jovem que também estava sentada, mas com as pernas esticadas na cama. À medida que o tempo passava e Raiden continuava a olhá-la Akiyo sentia-se cada vez mais incomodada.
– Aconteceu alguma coisa, Raiden? – Ela questionou desviando os olhos dele.
– Aconteceu. – A voz firme e séria do youkai fez com que ela temesse um pouco. – Quero que diga o que a fez cair enquanto estava no lago. Quero saber o porquê de sua marca ter sangrado outra vez.
Akiyo engoliu a seco. Imaginava que ele lhe fizesse essas perguntas, mas no final das contas ainda sentia-se nervosa por ter de respondê-las. Ao notar que não haveria escapatória, decidiu responder.
– Eu estava pensando em algumas coisas e acabei me deixando levar por algumas lembranças. Foi só isso. – Tentou finalizar, mas sabia que não havia convencido o youkai.
– Olhe para mim Akiyo. – Ele ordenou e com relutância ela obedeceu. – Diga-me no que estava pensando.
Mais uma vez Akiyo engoliu a seco e respirou fundo por várias vezes até que a coragem lhe ajudasse.
– Eu estava pensando que... Que... Eu estava pensando que... – Ela não conseguia responder. Não adiantava tentar. Seus pensamentos e sentimentos estavam a tanto tempo trancafiados em seu interior que era difícil até pensar em expô-los.
Raiden percebeu isso e como não deixaria aquela situação para depois decidiu intervir. Ele se esticou na cama e segurou a humana com facilidade pela cintura. Ele a colocou sentada em seu colo e seus rostos estavam tão próximo que podiam sentir a respiração um do outro.
Akiyo se assustou um pouco e instantaneamente sua respiração se alterou assim como as batidas de seu coração. Ela manteve os olhos fixos nos lábios do youkai. Ali era mais fácil, todavia ele queria que ela mirasse seus olhos. Depois de alguns momentos ela fez isso.
– Agora diga. Não há como escapar. – Ele foi firme e suas mãos rodeavam a cintura de Akiyo, ela voltou a olhar para baixo.
– E-Eu estava pensando em como tudo aconteceu desde o dia em que nós nos separamos. – A mulher parou e olhou em seus olhos. Esperou que ele dissesse alguma coisa, mas Raiden queria que ela chegasse a sua própria conclusão. Vendo que teria de terminar sua fala, ela continuou. – Estive pensando em como as coisas aconteceram e que nós dois sofremos mais do que fomos felizes. Nós dois passamos mais tempo separados do que juntos quando tínhamos milhares de motivos para estar.
Novamente ela parou esperando que Raiden dissesse qualquer coisa, mas ele não verbalizaria nada, pelo menos naquele momento.
– Mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tantos anos longe quando olho para você, quando olho em seus olhos ainda posso ver a repulsa que sente por mim. Esse é o mesmo olhar que você me direcionou quando retornou de sua missão. O mesmo olhar que me lançou quando eu pedi para que nós voltássemos. Viver aqui, estar aqui é uma tortura imensa para mim. Por todos os lados que eu olho, me recordo de algo que só me machuca e quando isso se mistura ao fato de que você não foi capaz de me perdoar e que pretendia ter um relacionamento com Nobuko mesmo sabendo que eu ainda o amava a dor é inevitável.
Os olhos de Raiden continuavam presos aos de Akiyo. Ele podia sentir o quanto ela estava sendo sincera e sabia de tudo aquilo que ela havia dito.
– Você sofre por que me ama ou sofre por que deseja estar em outro lugar? – A pergunta foi simples e direta. A resposta era complicada e extensa. Akiyo fechou os olhos e suspirou. Depois de alguns segundos, ela os abriu e ele pôde ver algumas lágrimas ali.
– Eu amo você.
– Então deveria estar feliz por voltar a viver comigo. Isso não foi tudo o que sempre pediu? Não foi tudo o que implorou a mim antes de partir?
– Eu queria que nós vivêssemos juntos sim, mas porque você me ama e não porque acha que a qualquer momento eu poderei morrer.
Raiden continuou olhando para Akiyo. O que ela esperava de tudo aquilo? Esperava que as coisas se resolvessem rapidamente e todos voltariam a ser felizes? Ela não poderia ser tão inocente.
– Eu não posso te perdoar. – Ele finalmente revelou e as lágrimas que Akiyo segurava caíram.
– Então eu sempre viverei com a sensação de que algo está faltando. Eu sempre viverei infeliz e nunca poderei viver em paz com você. Tudo isso, tudo o que está acontecendo é inútil. – Akiyo fechou os olhos e soluçou alto. – Se não existe chance para nós, então, por favor, me deixe ir embora. Permita-me tentar te esquecer longe de você. Permita-me reconstruir minha vida sem a esperança de que um dia nós seremos uma família feliz.
Ainda que a dor de Akiyo fosse compreensível, seu pedido estava fora de cogitação. Da mesma forma que Raiden não conseguia perdoá-la, também não queria que ela ficasse longe. Era contraditório, contudo era o que ele sentia.
Raiden colocou Akiyo sentada na cama outra vez e se levantou caminhando em direção a porta, assim que a abriu ele parou e esperou um pouco antes de dizer:
– Você é o elo entre Natsumi e eu. Jamais permitirei que vá embora, enquanto nosso relacionamento necessitar de sua interferência. Se você partir ela irá junto e eu não viverei sem minha filha.
Terminadas as palavras ele saiu do recinto deixando uma Akiyo completamente arrasada e machucada por ter sido uma tola em pensar que um dia ele voltaria a amá-la. Ela deitou na cama e rompeu em um choro compulsivo, nutrido pelo enorme dor em seu coração. Ela não era nada além de uma ponte entre ele e sua filha.
Doía muita, mas já era hora de encarar a verdade. Raiden e ela nunca voltariam a ficar juntos.
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