Minha Doce Menina.
54 Minha doce menina.
O dia amanheceu tranqüilo, poucos raios de sol. O vento soprava fraco, mas era suficiente para trazer as lembranças terríveis do dia anterior. Akiyo já havia tido uma briga terrível com Yosuke, culpava-o pelo que tinha acontecido e no final das contas acabou chorando mais uma vez, por enxergar que a culpa também era sua.
Sentiu-se muito fraca, não comia desde o dia anterior e não tinha fome. Só queria poder dizer a Raiden o quanto o amava, queria pedir perdão, queria ajoelhar-se a seus pés, mas ele não a aceitaria. Ele não a receberia e isso era o que mais machucava.
– Eu a renego.
Apenas três palavras e uma dor imensa. Iria chorar outra vez quando viu a porta do quarto ser aberta.
– Bom dia Akiyo-sama.
– Bom dia. – Ela disse simplesmente.
– Yosuke-sama mandou que eu trouxesse seu café da manhã. – Ela apenas olhou a bandeja e virou o rosto.
– Não tenho fome. – Disse olhando para a janela.
– Mas ele ordenou que a senhora se alimentasse, pois como está grávida pode fazer mal a criança caso não queira se alimentar. – Akiyo sentiu seu corpo congelar e imediatamente olhou para a empregada que ali estava.
– Eu estou o quê? – A surpresa era nítida em seu rosto.
– OH, a senhora não sabia?
Não, Akiyo não sabia. E no primeiro momento sentiu-se totalmente estranha. Nunca quis ter um filho, nem sequer tinha planejado tal coisa. Mas ele estava ali, ele era real e crescia dentro de si.
– Parabéns pela paternidade. – Ela disse para si mesmo entendendo o que aquelas palavras que foram ditas por Raiden queriam dizer.
Sentiu-se totalmente ligada a Raiden, sentiu uma parte do vazio ser preenchida. Um filho. Mesmo que ele não a quisesse mais, mesmo que ele nunca mais a perdoasse a prova real de seu amor estava ali e diante de todo aquele sofrimento um sorriso se formou nos lábios da mulher dos olhos cor de mel.
– Por favor, Nobuko-sama sente-se. – Pedia Seiko insistentemente.
– Eu preciso respirar ar puro. – Ela disse andando com dificuldade.
– Mas a senhora não está em condições e se Raiden-sama souber que a deixei sair...
– Aonde pretende ir? – Disse a voz penetrante de Raiden.
Nobuko que começaria a descer as escadas deparou-se com o youkai e logo viu que seus planos iriam por água a baixo.
– Eu iria caminhar um pouco, tenho o costume de fazer isso pela manhã.
– Não está em condições de ir sozinha. – Ela abaixou a cabeça. – Por isso eu a levarei.
Nobuko levantou o rosto imediatamente e um sorriso se formou em seus lábios. O youkai que tinha uma expressão séria gostou do que viu. Pelo menos conseguiria proporcionar aquela mulher um lar saudável e um bom convívio porque amor seria impossível.
– Não existe outro jeito, não é?! –Disse Rin com a cabeça baixa.
– Não. – Disse Sesshoumaru seriamente.
– Então, novamente só me resta esperar. – Ela dizia ainda cabisbaixa. – Esperar para que tudo se resolva o mais rápido possível.
Sesshoumaru não disse palavra alguma, mas Rin sabia que ele concordava. Ao receber a notícia de Raiden imediatamente pensou em sua mulher e no nascimento de seu filho, mas não havia nada que poderia ser feito. Ele teria de lutar, por seu pai, por seu reino e pelo futuro de seu filho.
– Sesshoumaru, prometa que vai chegar a tempo. – Ela o olhou suplicante.
– Não está em meu alcance prometer isto Rin.
– Perdoe-me, mas eu realmente queria ao menos saber que você está por perto.
– E eu estarei. Mesmo longe você me sentirá perto. – Ele disse sério, mas aquelas palavras soaram como musica aos ouvidos da humana. Ela não pode conter a emoção. –Porque chora?
– Porque suas palavras foram tão lindas e meus sentimentos estão conturbados. Eu estou grávida, poxa. – Ela disse secando uma lágrima.
O grande youkai se aproximou da mulher e ela teve de levantar o olhar para ele.
– Sinto-me orgulhoso pela mulher que é. Com ou sem sentimentos conturbados.
– Sesshoumaru, não faça isso...
– Está será apenas mais uma batalha minha Rin, porque a maior de todas eu já obtive a vitória.
Uma curiosidade se formou na humana e ela não pode esperar.
– Qual foi?
– Conquistá-la. – Foi um choque para a humana, ela nunca esperou ouvir aquilo de Sesshoumaru. Ficou boquiaberta.
– Co... Como assim?
– O coração de uma fêmea não pode ser conquistado com força bruta. Muito menos o coração de uma fêmea como você.
Ela não pode mais se segurar, levantou-se e abraçou o marido. As lágrimas insistentes em seus olhos molhavam sua face e ela já não mais podia ficar distante de seu amado. Enlaçou-o em um abraço carinhoso e o beijou de forma amorosa. Sesshoumaru colocou sua mão sobe a cintura da amada e deu continuidade ao beijo, tornando-o intenso.
No ir e vir de suas línguas o ar lhes faltou e eles se separaram. Rin não pode evitar o sorriso. Às vezes quando acordava, perguntava-se se estavam em um sonho. Outras vezes acreditava estar protagonizando um conto de fadas. Mas aquilo era muito real. Sesshoumaru era real e ela sabia disso.
Perguntou-se uma vez se ao lado daquele youkai sentir-se-ia amada, mas seu pensamento era completamente fútil ao lado de sua vida agora. Mesmo com todos os desafios que enfrentou, mesmo com todas as dificuldades que passou, mesmo tendo de aprender a lidar com a personalidade e temperamento de Sesshoumaru e nunca ter ouvido as palavras eu te amo saírem de seus lábios ela não poderia ser mais feliz.
Tudo o que uma mulher procurava, ela encontrou. Tudo o que uma mulher desejava, ela tinha. Tudo o que uma mulher sonhava, foi lhe proporcionado por Sesshoumaru. Ele mesmo, Sesshoumaru o youkai que outrora ela achou que nunca seria capaz de fazê-la feliz, que era frio demais para ter sentimentos.
Abriu um sorriso com o pensamento que lhe veio à mente. No fim das contas Raiden estava certo, mesmo que desprezasse humanos, Sesshoumaru a amava. E o que Rin aprendeu vivendo ao seu lado até aquele momento é que as pessoas mudam.
– O que a faz sorrir? – Perguntou sério.
– No final das contas, eu sou a boba apaixonada que só era durona no início.
– Nunca conseguiu ser uma mulher deste tipo, apenas negou-se a aceitar o que eu tinha a oferecer-lhe. – Afirmou Sesshoumaru.
– Acho que ainda sou uma garotinha. – Ela disse meio sem jeito.
– Sim é minha menina, minha doce menina.
Ela sorriu largamente e mais uma vez eliminou a distancia de seus corpos certificando com o beijo todas as palavras de amor que ali foram trocadas.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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