Minha Doce Menina.
55 Corações mudados.
As nuvens do céu começavam a dissipar-se e o sol, esvaísse através das brechas deixadas por elas. Akiyo observava o céu atentamente. Aquele horário com certeza Raiden estaria indo tomar seu café da manhã e como sempre estava de bom humor naquela refeição e ela achou ser o melhor horário para encontrar-lhe.
Saiu de seu quarto as pressas, sem dar importância se estava sendo vigiada ou seguida. Tudo o que lhe importava agora era encontrar Raiden e tentar fazer com que ele a aceitasse de volta.
– Aonde vai? – Perguntou Yosuke enquanto ela descia as escadas. A voz vinha detrás da mulher.
– Vou encontrar Raiden. Não tente me impedir. – Ela sentiu a mão de Yosuke segurar-lhe o braço fazendo com que ela rodasse.
– Você nem ao menos irá tentar? – Os olhos do youkai demonstravam um sentimento diferente do habitual, mas ela não se deixou levar. Desvencilhou-se de sua mão.
– Eu nunca tive a intenção de ser sua fêmea e nós dois sabemos disso.
Por mais cruel que fossem, aquelas palavras eram verdadeiras. Akiyo sempre deixou claro que nunca abandonaria a Raiden e sequer cogitou esta possibilidade, Yosuke também não esperava por isso, mas agora a situação era diferente. Eles eram marido e mulher por lei e por um momento ele imaginou que ela aceitaria aquela situação. Mas Akiyo não era Nobuko. Akiyo nunca tentaria que aquilo desse certo.
– Eu já deveria saber. – Disse simplesmente o youkai e terminou de descer as escadas à frente da humana que não sentiu sequer compaixão por ter magoado o youkai.
Raiden já esperava a porta e poucos segundos depois Nobuko o encontrou. Eles haviam decido que enquanto ela não estivesse completamente bem, ele a levaria para passear. Ela já se sentia muito bem aquele dia, mas por segurança ele decidiu levá-la.
Caminharam em silêncio por um tempo, até que chegaram a um ponto onde lindas cerejeiras indicavam o caminho até uma ponte, que possuía um lindo rio passando por baixo de si. Nobuko ficou encantada com o lugar.
– Raiden-sama, que lugar lindo. – Ela dizia olhando atentamente para tudo.
– Mais a frente poderemos nos sentar. – Ele disse começando a caminhada.
Quando Nobuko avistou o banco viu uma cerejeira que trazia a sombra sobre ele e atrás o rio corria manso. Desta vez era mais largo e daria uma bela distração nos dias de sol.
– Tudo isso, pertence ao senhor? – Perguntou Nobuko.
– Primeiro, me chame apenas de Raiden e segundo, sim me pertence. – Ele disse sentando-se no banco.
– É lindo. – Ela disse simplesmente, encantada. – Caminhar por aqui me fará esquecer...
– Nobuko. – Ele a interrompeu. – Você não teve culpa pelo que aconteceu. Sei que seus sentimentos a fazem querer chorar, mas tente se convencer de que foi melhor para você desta maneira.
– Eu sei que foi. – Ela disse também se sentando. – Mas é que eu o amo tanto que sinto como se meu coração tivesse sido arrancado.
Aquele ainda era um acontecimento recente, por isso a ferida estava aberta. Era seu segundo dia como esposa de Raiden e ela ainda lembrava-se com muita dor do que a tornou tal coisa. Machucava e muito.
– Você foi integra. Não deve sentir-se diminuída. – Ele disse concluindo o que queria passar a mulher e ela concordou com a cabeça para depois secar as lágrimas que lhe escaparam dos olhos.
Ficaram lá por muito tempo até que resolveram voltar para casa. Nobuko já estava bem, até conversava um pouco mais, mesmo sentindo desconfortável na presença de Raiden. O youkai tentava proporcionar-lhe uma convivência pacífica e parecia que ela estava sentindo-se assim ao seu lado. Ele começou a abrir um sorriso que imediatamente se desfez quando começou a sentir um cheiro muito conhecido.
– Raiden? – Chamou Nobuko vendo que perderá sua atenção.
– Akiyo está aqui. – Eles estavam chegando em casa e no mesmo instante Nobuko se apavorou.
– Não me diga que...
– Ele não está. – Ela suspirou aliviada. – Vá diretamente para casa, provavelmente ela veio até aqui para falar comigo.
– Sim. – Disse a moça simplesmente.
Enquanto se aproximavam da casa, Nobuko pode identificar a silhueta de Akiyo chegando até a porta que se abriu e uma das empregadas conversou com ela e depois a possuidora dos cabelos ondulados olhou para trás.
Começou a caminhar em direção a Raiden e não gostou do fato de vê-lo ao lado de Nobuko. A moça dos cabelos lisos passou rapidamente por ela, sem sequer olhar-lhe e isso a incomodou, mas não daria atenção àquilo naquele momento. Conversaria apenas com Raiden.
– Pensei ter dito que não a queria próximo a mim ou a minha casa. – A voz do youkai era fria.
– Você disse e eu ouvi, mas as circunstâncias mudaram agora.
– Não vejo motivo para tal coisa. – Ele disse ainda frio.
– Você sabe que eu estou grávida. – Ela foi direta.
– Sim.
A curiosidade a tomou e ela precisava saber se o que pensara era realmente verdade.
– Por isso não me matou? – Raiden não respondeu de imediato, por um instante perdeu as palavras, mas foi somente por um instante.
– E o que isso tem haver comigo?
– Como assim o que tem haver contigo? É seu filho Raiden! – Ela se exaltou.
Um sorriso debochado se formou nos lábios do youkai e ela não gostou daquilo. Aquele a sua frente não parecia em nada com seu Raiden.
– Já pensou na possibilidade deste filho ser de Yosuke?
– Não é. – Ela disse imediatamente.
– Ah, não?! Como pode ter certeza? – Ele questionava maligno.
– Eu sinto em mim que este filho é seu. – Ela disse agora com a voz branda.
– Então faça as contas. Pelo seu cheiro, sua gravidez é de aproximadamente quatro semanas, o exato período que fiquei em viajem.
Akiyo não havia parado para pensar naquilo, mas ele tinha razão. Entretanto, ela não se deixou abalar.
– Mas eu estou grávida de um filho seu. – Ela reafirmou.
– Isto nós só saberemos no dia que esta criança nascer. – Ele disse perdendo o sorriso debochado. – E até lá, eu torno a avisar, fique longe de mim, da minha casa e de Nobuko.
Sem sequer despedir-se o youkai começou a caminhar em direção a sua casa. Akiyo estava perplexa. Aquele nem de longe era o Raiden que ela conhecia e que a amava. Uma dor enorme começou a incomodar-lhe o peito. Aquele tratamento frio, aquelas palavras sem sentimentos a atingiram em cheio.
Sentiu como se estivesse presa a ele e que ele tentava livrar-se dela de qualquer maneira. Colocou as mãos na barriga. Ao mesmo tempo em que sentia medo de que aquela criança fosse de Yosuke, um bom pensamento invadiu sua mente. Abriu um sorriso enorme.
– Pois eu esperarei até que ele nasça Raiden. Até que nosso filho nasça. – Começou a caminhar em direção a sua nova casa. Aquele filho era de Raiden, era o fruto do seu amor e ela tinha certeza disso.
Uma nova esperança surgiu em seu peito. Aquela criança seria capaz de mudar o coração frio que se possuiu o youkai que ela amava.
– Como assim traiu a Raiden?! – Rin estava perplexa.
– Foi como eu disse. – Reafirmou Sesshoumaru.
– Não pode ser... – Rin colocou uma mão na cabeça e a outra na cintura. – O que ela pensou estar fazendo?! – Disse jogando as duas mãos para o ar.
– Pensou que poderia enganá-lo. Um típico costume humano. – Rin olhou para Sesshoumaru furiosa. Ela não gostava deste tipo de comentários a respeito de humanos, sendo ela uma humana.
– Sua falta de confiança na minha raça me insulta. – Ela disse seca.
– Posso confiar em uma raça extremamente egoísta e que não respeita aqueles a quem devem gratidão?
– Ah, perdoe-me Sesshoumaru-sama por sermos seres tão desprezíveis.
Quando Rin tratava a Sesshoumaru por sama, ela estava terrivelmente irritada.
– Rin, acaso disse algo errado? – Rin sabia que não, mas estava irritada demais para perder tempo com as conclusões que Sesshoumaru tinha sobre os humanos.
– NÃO! NÃO DISSE! – Ela saiu do quarto e bateu a porta, para segundos depois sentir-se ser puxada pela mão de Sesshoumaru.
– Não ouse aumentar seu tom de voz comigo e muito menos me dar as costas.
– Oh, agora eu pertencedora da raça mais desprezível receberei lições de comportamento? Desculpe-me por além de não ter caráter, também não ter modos.
Sesshoumaru soltou o braço de Rin e começou a caminhar sem dizer-lhe mais nada. Ela tomou um caminho diferente do dele no corredor em que estava. Que Sesshoumaru não gostava de humanos, isso ela já sabia, mas o que deveria saber era que com ela as coisas eram diferentes. Raiden poderia ter mudado em função do ódio, mas Sesshoumaru mudou em função do amor. Amor este que sentia por ela.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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