Minha Doce Menina.

84 Insubstituível.


A noite já estava caindo enquanto ele olhava pela janela. Estava sedento de ódio pelo que havia acontecido e uma curiosidade muito grande se formou ao ouvir suas ultimas palavras. Sentiu o cheiro do estopim da confusão se aproximar e continuou do jeito que estava. Atento a tudo.

- Raiden. – Ela o chamou com sua voz doce. Ele continuou imóvel. O cheiro de seu sangue ainda estava presente. – Raiden acredite em...

- O que disse a Natsumi? – Ele perguntou duro.

- Eu não disse...

- Quero que me diga agora. – O tom de voz era diferente. – O que disse a Natsumi.

Ela ficou encurralada. Por um lado sabia que não deveria dizer tais coisas, pois colocaria sua vida em risco, mas por outro sabia que não deveria mentir. Procurou pelas palavras certas, mas optou pela verdade.

- Eu disse que Akiyo era uma humana desprezível e que como sua filha, ela também era. – Não deu tempo de ver muita coisa. Ela apenas sentiu algo apertar seu pescoço e bater contra a parede.

- Acaso ficou louca mulher?!- O ódio emanando de Raiden. – Quem pensa que é para dizer tais coisas a minha cria. – Apertou a mão sobre o pescoço da fêmea.

- Eu disse apenas pela raiva que senti quando a vi...

- Aproxime-se dela novamente e eu juro que lhe mato. – Ele a bateu contra a parede e apertou ainda mais sua mão que segurava o pescoço. – Entendeu?

- Solte-me Raiden! Está me machucando!

- E é para machucar. Aproxime-se novamente e eu arranco a sua vida desprezível e vulgar em muito menos tempo. – Ela a bateu novamente contra a parede. – Ouviu? – Ela fez sinal afirmativo com a cabeça e ele a soltou saindo do recinto.

Ainda assustada procurou entender o que se passava. A única pessoa em quem ela se garantia deu-lhe as coisas por causa de sua filha. Sentiu o desespero lhe tomar e as lágrimas encharcarem seus olhos. Escorregou pela parede e caiu sentada no chão. Estava ficando complicado para sua vida.

*

Estavam sentados a mesa Sesshoumaru, Jaken, Rin e Hideaki. Ninguém ousava pronunciar uma só palavra, pois quem tentara falar acabou recebendo um olhar fulminante de seu senhor.

Era perceptível a longa distância que ele não estava de bom humor e Rin sabia muito bem o que o deixava desta maneira. Ser o youkai senhor de muitas terras com certeza era uma responsabilidade muito grande e ele sempre foi livre.

Terminaram o jantar e fizeram suas despedidas. Cada um se dirigiu a seu respectivo aposento e nada mais foi dito. Quando Rin saiu do quarto de seu filho e foi para o que lhe pertencia, encontrou seu marido olhando o céu através da janela e após se preparar para dormir, resolveu convidá-lo.

- Meu bem? – Disse docemente. – Não vem para a cama? – Ele demorou um pouco a responder, mas não deixou de fazer tal coisa.

- Descanse Rin.

- Pode pelo menos ficar ao meu lado para que eu durma tranqüila? – Ele novamente não respondeu e ela decidiu se levantar e ir ao seu encontro.

Envolveu-o em um abraço quente. Ele ainda de costas para ela olhava para lua. Como estava com a cabeça encostada sobre suas costas podia ouvir seu coração e aquele era um som agradável a seus ouvidos.

- O que lhe aflige meu amor? – Ele não respondeu e ela sabia que isto aconteceria. Queria apenas livrar-lhe de seus sentimentos tão pesados, não gostava da expressão que ele tinha no rosto.

Pegou a mão do youkai e o levou até a cama, onde indicou o local para que ele se sentasse. Posicionou-se à suas costas e as mãos delicadas deslizaram sobre seus cabelos, para logo depois prendê-los e começar uma massagem.

Sesshoumaru fechou os olhos ao sentir o toque tão delicado de sua esposa sobre si. As pequenas mãos de Rin iam de um lado a outro o massageando com cuidado e carinho. Ela realmente gostava de vê-lo bem e ele sabia disso.

- Imagino que seja algo relacionado às suas Tterras... – Ela disse em voz baixa, realmente queria saber.

- Não estou acostumado a viver preso. – Ele disse depois de algum tempo e ela imaginava que fosse isto. Deixou escapar um leve sorriso.

- Eu sei meu amor. Toda a sua vida foi um youkai livre, que viajava em busca de suas ambições. Mas agora você tem muitas responsabilidades e muitas vidas para cuidar. – Sesshoumaru continuou em silêncio atento as palavras de Rin. – Não se preocupe querido. Você está fazendo tudo perfeitamente bem e isto é o esperado de Sesshoumaru-sama. – A humana sorriu com a declaração. Falou como Jaken propositalmente. Neste instante Sesshoumaru virou-se para ela e tinha uma expressão menos tensa no rosto.

Estar ao lado de Rin realmente o acalmava. Sempre foi assim. Desde que o encontrou ferido, faz de tudo para que o youkai fique tranqüilo e feliz. E desde que o encontrou ferido ela consegue.

Nada poderia substituir a vida de Rin. A mulher que conseguiu despertar sentimentos no coração do youkai era incrível e mesmo sabendo do pouco tempo de vida que um humano tem, ele não tinha interesse em se relacionar com outras além dela. Somente sua Rin, pelo menor tempo que fosse, era suficiente.

- Tens o poder de acalmar aos que estão ao seu redor. – Ele diz sério olhando-a profundamente nos olhos. Ela sorri e fica um pouco sem jeito. Baixa o olhar.

- Eu só quero que você seja feliz e enquanto estiver ao seu lado, quero que se sinta bem. – Após sua declaração, Sesshoumaru beijou sua amada esposa de um jeito calmo.

Por Rin, ela o beijaria todas as horas do dia. As palavras beijo, amor e carinho tiveram outro significado quando começou a relacionar-se com o youkai. Desejo também. Desejo foi uma palavra que obteve um significado totalmente diferente.

E por pensar em desejo, percebeu o que se sucederia quando seu amado youkai tocou seu corpo de modo diferente, fazendo com que ela se arrepiasse e o desejasse de forma avassaladora.

Não demorou muito para que se amassem e demorou muito menos para que recomeçassem.

Notas finais
Então Raiden realmente reconheceu Natusmi como sua filha, mas como ele viverá com uma mulher que odeia sua cria? Sesshoumaru está cansado de sua vida de senhor. Será que Rin é capaz de segurá-lo?
Beijo e até a próxima.