Minha Doce Menina.
85 Chamando para a responsabilidade.
O sol já reinava imponente sobre as Terras do Oeste, mas algumas poucas nuvens tentavam diminuir seu esplendor. Era um lindo e aconchegante dia. Para certo casal, também acrescentar-se-ia o adjetivo romântico.
Estava sentada sobre o colo do youkai, no quarto que compartilhava com ele, enquanto seus braços fortes envolviam sua cintura fina. A cabeça recostada sobre seu ombro relembrava os tempos em que desejou estar ao seu lado. Um sorriso se formou em seu rosto.
De forma inexplicável ele lhe trazia paz e segurança. Nunca esteve ao seu lado puramente pelo sexo, ou só por ela ser uma conquista, mas porque desde a primeira vez que se viram ambos sentiram seus corações os traírem e inconseqüentemente se entregaram a tal sentimento.
Sofreram muito. Sofreram durante muito anos, ela sofreu ainda mais. Foi rejeitada, renegada e descartada por aquele que se intitulava seu marido. Fechou os olhos com aqueles pensamentos. Não queria mais se entregar a eles. Todas as vezes que pensava em Raiden sentia-se mal e preferia não mais pensar.
Um cheiro conhecido alcançou as narinas do youkai e imediatamente ele girou sua cabeça na direção em que este vinha. Akiyo se assustou e olhou para ele um pouco confusa.
– O que foi Yosuke? – Disse ainda sentada em seu colo. A resposta não veio de imediato. Ele franziu o cenho e olhava fixamente para uma direção.
– Raiden está vindo para cá. – Disse após algum tempo.
– Não me diga que ele veio buscar Natsumi! – Ela se levantou apavorada com a idéia que passou por sua cabeça. – Você me disse que ele não podia levá-la Yosuke...
– Fique tranqüila. – Ele a interrompeu. – O motivo que o traz aqui é você.
Parecia mentira contada a alguém, mas era verdade. Ele havia ido ali para falar com ela e depois de tantos anos de distância Akiyo realmente pensou estar delirando.
*
Ele se esforçava em tudo o que fazia. Entregava-se ao máximo mesmo que suas limitações o fizessem querer parar e isto era encantador. Rin sempre admirava seu filho, tinha inúmeros motivos para sorrir e paparicar.
Ela sabia que era uma mãe extremamente possessiva. Seu filho, seu único filho era o maior amor de toda a sua vida. Depois de tantas dificuldades, ela o teve para si, a prova mais linda do amor entre ela e Sesshoumaru.
Passou tanto tempo pensando em como ele era lindo em todas as suas feições que não percebeu que o treinamento acabou e imediatamente ela se dirigiu até o pequeno.
– Meu amor, cada dia você fica mais forte. – Disse elogiando-o enquanto passava a toalha sobre seu rosto. Ele não gostava muito, fazia careta.
– Obrigado. – Disse simplesmente, enquanto ela ainda o secava com cuidado.
– Esforce-se bastante e você terá tudo o que quiser. Poderá dominar o mundo. – Ela dizia sorrindo e ele a olhou torto. Em sua mente, algumas coisas que sua mãe lhe falava pareciam sentimentalismos humanos e ele não gostava muito.
Não só a aparência era como a de Sesshoumaru, sua seriedade também e era isso que o encantava em sua mãe. Ela era sempre tão alegre e feliz. Sempre sorria e contagiava todos ao seu redor. Sempre demonstrava carinho e admiração por ele, sempre dizia o quanto o amava e mesmo tendo noção da vida de um humano e um youkai, ele desejava que ela vivesse para sempre.
Foi neste momento que Sesshoumaru chegou e ficou os observando por alguns segundos. Quando Rin notou sua presença, imediatamente o chamou até onde estava e depois de alguns segundos ele se dirigiu até o local.
– Meu bem, foi uma pena você não ter visto. Nosso filho está tão forte e destemido. Luta com tanta braveza. Parece que vejo a sua determinação nele.
Hideaki olhou para Sesshoumaru. Esperava do pai alguma palavra de elogio que raramente vinha e daquela vez não foi diferente. Eles apenas se miraram por algum tempo, até o youkai retirou os olhos do filho.
– Vá se banhar, depois se alimente. Dentro de algum tempo eu o chamarei para sairmos. – O grande Inu youkai se virou e saiu da presença dos dois. Hideaki e Rin se olharam e o espanto era nítido em ambos.
– Mamãe, será que fiz algo errado? – Perguntou o pequeno.
– Acredito que não meu amor. – Ela abriu um sorriso enorme e se abaixou perante o filho. – Parece-me que seu pai já lhe acha grande o suficiente para viajar com ele.
Mesmo que não demonstrasse, Hideaki ficou muito feliz com a notícia. Seu pai, seu maior orgulho estava o chamando para a grande responsabilidade que era viajar com ele para resolver os problemas das Terras do Oeste.
– Então tenho que me preparar. – Ele disse terminando de secar o rosto.
– Com certeza meu amor. – Rin o segurou pela mão e logo se dirigiram até o quarto do menino.
O tempo necessário para o término de sua preparação já havia passado e tanto Rin quanto Hideaki estavam esperando na sala, nervosos. No momento em que arrumava seu filho, Rin percebeu que ficaria só naquele grande castelo e sentiu um aperto no coração, mas era para um bem maior. Para a felicidade de seu filho e por ele, ela faria qualquer coisa.
Sesshoumaru adentrou imponente o local. Aproximou-se do filho e da esposa friamente e ao observar tudo ao seu redor, percebeu que ele não levaria bagagem.
– Não vai levar nada. – Disse olhando para o filho.
– Se o senhor não precisa, eu também não. – Ele respondeu seriamente olhando diretamente aos olhos do pai.
Mesmo que não demonstrasse, Sesshoumaru tinha um enorme orgulho do filho. Ele era esforçado e muito talentoso. Com certeza seria um ótimo sucessor, se não cessasse a sua busca por mais poder.
Rin estava quieta entre ambos. Ora olhava para o filho, ora olhava para o marido. Ficar sem um deles já era terrível, sem ambos era um castigo ainda pior. Decidiu então ficar em silêncio, para que Sesshoumaru não percebesse e mudasse de idéia.
– Então podemos partir. – Hideaki concordou com a cabeça e o coração de Rin falhou uma batida. – Vá até Jaken e logo eu os encontrarei.
– Sim. – O hanyo olhou para a mãe que também o olhava. Não gostou do que viu. Os olhos dela estavam cheios de lágrimas. – Mamãe, me prometa que vai ficar bem.
Foi aí mesmo que ela não se conteve. Deixou que algumas lágrimas escapassem e rolassem por seu rosto. No mesmo instante se ajoelhou e abraçou o filho, foi demorado, foi difícil soltá-lo, mas ela o fez. Por mais que demorasse, ele voltaria.
– Sim meu amor. Eu prometo. – Ela disse o soltando e forçando um sorriso.
– Então porque está chorando? – Ele perguntou secando uma lágrima.
– Nada demais. – Ela secou o rosto. – Nós mulheres somos assim, choramos muito. – Ele concordou mesmo não querendo e a abraçou outra vez. Depois que terminaram suas despedidas, logo se dirigiu até onde estava Jaken, sentindo o olhar de sua mãe sobre si.
– Tem certeza de que ficará bem? -Perguntou Sesshoumaru vendo como ela se encontrava.
– Tenho. Só não estava preparada para isso. Para a ausência dele.
– Assim como eu, ele retornará.
– Sim meu amor, eu sei. Mas ficarei sozinha aqui e não sei por quanto tempo.
– Não demoraremos.
– Espero que não. – E ela o abraçou demonstrando que sentiria sua falta. Separaram-se do abraço e ele começou a caminhar em direção a porta. Não olhou mais para trás e Rin colocou a mão em seu coração. Não queria ter de ver seus dois amores partindo de uma só vez.
*
– Mantenha a calma. Lembre-se de que Kenichi também estará presente. – Yosuke instruía a Akiyo mesmo sabendo que de nada adiantaria.
– Vou tentar. – Ela disse aflita e ele beijou sua testa.
Saíram do quarto e caminharam em direção a entrada de sua casa. Yosuke ia à frente enquanto Akiyo sentia seu coração acelerar pelo que estava por vir. Pouco tempo depois, a porta de entrada foi aberta e seus olhos encontraram-se com os olhos dele, que estavam fixos sobre si.
Notas finais
Beijo e até mais tarde, pois vou postar outro.
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