Minha Doce Menina.
86 Agindo.
Se lhe perguntasse se desejava estar ali naquele momento ela com certeza diria que não. Ter de encarar Nobuko e Raiden de uma só vez era muito mais do que ela podia agüentar. Se pudesse, deixaria tudo por conta de Yosuke, mas ele tinha assuntos a tratar diretamente com ela.
Seu olhar parecia vasculhar cada canto do seu ser. Sua respiração agora estava falha. Ela o odiava por isso. Odiava o que ele podia fazer com seu corpo sem se aproximar. Decidiu acabar com aquele momento, mesmo que os olhos vermelhos do youkai a hipnotizassem. Decidiu procurar por alguém que a trazia paz e olhou diretamente para Kenichi.
O pequeno hanyo já estava caminhando na direção do pai e após cumprimentá-lo, se dirigiu a ela. Sério como sempre.
- Olá meu amor. – Ela disse sorridente, se abaixando para lhe falar.
- Olá Akiyo.
- Eu senti sua falta meu amor, você nunca mais foi me visitar.
Kenichi baixou os olhos, ele fora proibido por sua mãe de visitar a Akiyo, mas nunca diria isso, para que as pessoas não pensassem mal dela.
- Desculpe-me Akiyo. – Ele disse com pesar baixando o olhar.
- Eu te desculpo sim, mas para isso... – Ele levantou o olhar e viu o rosto malicioso dela. – Vou ter de te dar muitos e muitos beijos. – E ela o abraçou beijando todo seu rosto e o apertando carinhosamente. O hanyo sorriu para ela, realmente gostava da companhia de sua madrasta.
Do outro lado, Nobuko assistia a cena. Havia ido até ali com todos os seus ataques e defesas preparados, mas ao ver o filho em uma intimidade clara com outra mulher sentiu-se mal.
Kenichi nunca sorria para ela, muito menos a abraçava. Ele apenas respondia a suas perguntas e obedecia a suas ordens. Carinho, amor e atenção vindos dele ela não se lembrava. Mas também não se lembrava de tê-lo tratado com Akiyo o estava tratando e isso fez doer fortemente seu coração.
- Agora sim você está perdoado. – Ela disse o soltando.
Raiden que assistia toda aquela cena completamente sério teve sua atenção tirada quando sentiu sua filha se aproximar. Diferente das outras vezes em que a vira, ela não estava sorrindo. Pelo contrário, parecia muito zangada.
- O que vocês estão fazendo? – Ela perguntou emburrada.
- Olá Natsumi. – Cumprimentou Kenichi, mas ela não o respondeu. Estava com ciúmes da mãe.
- Filha, responda. – Akiyo chamou sua atenção.
- Olá. – Ela não queria mais conversar com eles, então olhou em volta e encontrou Raiden. No mesmo instante seu sorriso se alargou e ela caminhou em direção aquele que não sabia ser seu pai. – Olá Raiden.
- Olá minha querida. – Disse o youkai sorrindo e se abaixando para olhá-la nos olhos.
- Eu tenho um segredo para te contar. – Ela agora tinha um enorme sorriso estampado no rosto.
- Então me conte. – A hanyo se aproximou do ouvido do youkai e lhe falou sussurrando.
- Seus olhos e seus cabelos são da cor dos meus. – E se afastou dele sorrindo. Raiden também sorriu e acariciou seu rosto.
- Sim e acredite: você é linda. – Ele não conseguia se manter sério com ela, sua filha era apaixonante e ele tinha vontade de levá-la para morar consigo.
- Mas o que você veio fazer aqui? – Ela perguntou curiosa.
- Eu vim exigir de sua mãe, algo que me pertence. – No mesmo instante, Akiyo levantou-se e seu sorriso se desfez.
- E o que lhe pertence?
- O que me pertence é...
- Filha. – A humana o interrompeu, a pequena virou o rosto em sua direção. – Porque não vai brincar com Kenichi lá dentro? – A proposta pareceu tentadora a menina e ela imediatamente correu na direção do amigo. O youkai se levantou.
Akiyo olhou para Raiden enraivecida. Nunca imaginou que ele seria capaz de revelar tão descaradamente a ligação que existia entre Natsumi e ele.
- Acaso ficou louco?! – Ela esbravejou. – O que estava tentando fazer?!
- Eu ia contar a ela sobre minha paternidade.
- E você acha que eu iria permitir?! Não é assim que funciona Raiden!
- Faça como preferir, desde que ela saiba que eu sou seu pai.
- Então é isso o que quer comigo? Quer que eu conte a ela sobre sua paternidade?
- Também. – Akiyo sentiu seu coração acelerar. O que mais ele poderia querer? – Quero que ela conviva comigo, que vá a minha casa. Quero ser o responsável por seu treinamento e educação.
- Nós estamos fazendo isso por aqui e fazendo muito bem. – Ela o respondeu irritada.
- Faziam porque o pai dela não estava presente, mas agora que estou vou agir como tal.
A mulher de olhos cor de mel sentiu um nó se formar em sua garganta. Ela sabia que isso aconteceria assim que Raiden colocasse os olhos na filha e de maneira nenhuma poderia impedir a aproximação entre ambos. Ele era o pai, tinha direitos.
- Se era somente isto que queria, acho que nossa conversa está terminada. – A voz de Akiyo agora estava embargada.
- Amanhã retornarei neste mesmo horário, para que juntos possamos contar a ela sobre minha paternidade. – Frio, ele se virou e começou a caminhada.
Nobuko apenas observou a tudo. Não teve tempo de se pronunciar e no momento em que achou adequado para fazer tal coisa, decidiu falar.
- Yosuke. – Mas não foi a única a chamá-lo. Akiyo também o chamou e é claro o youkai daria atenção á ela. – Eu sabia! Eu sabia! Por isso não queria voltar! Ele pode querer tirá-la de mim! Eu não vou conseguir vive sem minha filha! – Chorava a humana e o youkai a abraçou.
O saber amargo do ciúme tomou conta da boca de Nobuko, mas diferente de antes ela não interferiu. Ao ver a forma como o youkai olhava a humana e a abraçava, percebeu que não era somente conveniência que os ligava, havia sentimento.
- Fique calma. Tudo vai ficar bem. Eu vou cuidar de você. – Ela chorava fortemente em seu peito enquanto era reconfortada por seu carinho.
Se havia alguma palavra a ser dita ela foi perdida. Porque simplesmente o fato de ver Yosuke ali acabou com seu dia. A dor que antes estava em seu peito, transferiu-se para seu ombro. Não era insuportável, era incômodo e à medida que notava o carinho e amor entre Akiyo e Yosuke a dor aumentava. Ela decidiu então não mais olhar.
E pela primeira vez, em muito tempo. Nobuko fez o certo. Ficou em silêncio.
*
Já estavam caminhando há muito tempo. Jaken ofegava e reclamava do quanto estava andado e de que era Ah-Unn que o estava atrapalhando. Hideaki caminhava um pouco atrás de Sesshoumaru que seguia a frente sem se pronunciar.
Estavam caminhando em uma colina, então Sesshoumaru parou e continuou olhando a frente, sentindo o vento bater sobre si. Assim como ele, todos os outros que seguiam em viajem pararam e esperaram por uma palavra sua.
- Jaken.
- Sim Sesshoumaru-sama. – Respondeu prontamente o serviçal.
- Fique aqui com Ah-Unn. Hideaki e eu seguiremos adiante.
- Sim Sesshoumaru-sama. – O pequeno youkai disse a contragosto, mas obedeceu.
- “O que será que Sesshoumaru-sama vai fazer? Deve ser algo grandioso demais para que eu não possa saber! Mas eu sou seu servo fiel, Sesshoumaru-sama não deveria esconder coisas deste tipo de mim.” – Pensava Jaken, até que o inu youkai o olhou em reprovação.
- E... Eu não pensei em nada Sesshoumaru-sama! – Ele disse amedrontado e então Sesshoumaru seguiu viagem.
Andaram mais um pouco até que Hideaki viu seu pai parar. Quando se colocou ao seu lado não pôde deixar de se surpreender, a paisagem via a sua frente era linda. Dali, enxergava a imensidão das Terras do Oeste e não era possível enxergar seus limites.
- Muito além do que pode ver, são as terras de meus domínios. – Iniciou o youkai. – Nada disto veio gratuitamente. Foi necessário esforço das minhas mãos. Você como meu herdeiro deve se esforçar de tal maneira para reinar sobre todas estas terras, pois um dia eu não mais estarei neste mundo.
Hideaki ouvia todas as palavras de seu pai. Digerindo-as, mil pensamentos passavam por sua mente e muitas questões eram levantadas. Como seria reinar todo aquele território? Quantas pessoas havia ali? Quantas pessoas dependiam de seu pai? Olhou para seu genitor e não pôde deixar de admirá-lo mais uma vez.
- Hideaki, em um futuro bem próximo sua mãe também não estará presente. Por isso, aproveite todos os momentos que puder com ela, para que nunca se arrependa.
- Chichiue, não existe um meio de fazer com que ela viva mais? E a sua espada? Não pode ressuscitá-la quando ela morrer?
- Sua mãe é uma humana e a vida de um humano é muito curta. A Tenseiga não deve ser usada em qualquer situação e sua mãe já foi ressuscitada por ela. Não há mais chances. Então cuide dela e nunca se esqueça do valor que ela tem.
O menino olhou para sua frente e continuou pensando sobre tudo o que seu pai falava. As palavras que ele lhe dirigiu possuíam significados muito amplos e ele procurava entender todos, mas o principal já havia sido certificado.
- Eu prometo papai. Prometo que vou me esforçar e muito para que seja forte e inteligente como o senhor para cuidar destas terras e que vou sempre proteger a minha mãe, para que ela viva bastante.
Sesshoumaru não disse mais nada, apenas escutou o filho. Sentia-se imensamente orgulhoso por sua cria e sabia que com sua garra e determinação poderia conquistar se assim quisesse o mundo. Afinal de contas era filho do mais poderoso youkai vivo e uma maçã não cai longe de sua árvore.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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