Minha Doce Menina.
68 Incondicional.
O astro rei já mostrava toda a sua glória as Terras do Oeste. Era uma linda manhã de sol e perfeita para um dia após a vitória de Sesshoumaru, assim como o nascimento de seu filho. As duas notícias percorriam cada canto das Terras e o povo estava muito feliz. Muitas vidas fora ceifadas, mas também muitas outras foram salvas. Os exércitos de Sesshoumaru ocuparam cada vilarejo para garantir a segurança de todos e este objetivo foi concluído.
Em uma das janelas de sua casa, Akiyo pensava a respeito disso e pensava também no que havia acontecido a ela. Raiden a salvara a vida e ela queria agradecer ou isto era somente uma desculpa para encontrar-se com ele e dizer mais uma vez que o ama?
Sim era a segunda opção. Sabia que Yosuke não iria recriminá-la, pelo contrário, iria incentivá-la e ele também precisava ver Nobuko e saber como ela está. Então tomou a iniciativa de pedir para que ele a acompanhasse.
– Por que deseja minha companhia? – Perguntou. Uma sobrancelha erguida.
– Eu me sentirei mais segura com você por perto e eu sei que está preocupado com Nobuko. Assim nós mataríamos dois coelhos com uma cajadada só. – Yosuke não olhava para ela, olhava pela janela o céu lindo. – No que você está pensando?
– Você sabe.
– Sim, eu sei. – Ele estava pensando em Nobuko.
– Você lembra o dia que partimos? Lembra-se de como ela estava linda? – Ele perguntou parecendo apaixonado.
– Sim, me lembro.- Ela também pareceu refletir sobre aquele dia. — Vamos Yosuke, talvez você consiga progresso com ela. – Akiyo disse sinceramente.
– Está bem.
Depois de se prepararem eles se dirigiram até a casa de Raiden. Percorreram o caminho conversando. Yosuke e Akiyo viviam tranquilamente e adoravam a companhia um do outro, mas era só isso. Eles se entendiam.
Chegaram a casa e Nobuko estava à janela do segundo andar observando as visitas, não gostou de ver Akiyo ali, não gostava de vê-la nunca. Eles foram recebidos e apenas Yosuke entrou, Akiyo continuou do lado de fora e pediu que a empregada falasse com Raiden para que fosse até ela.
Ela esperava de costas para a casa, não queria saber o momento em que ele chegaria, procurou por um lugar para se sentar e assim fez, até que viu a porta ser aberta e Raiden sair de lá. Ele caminhava lentamente e seus olhos pareciam-lhe os mesmo de sempre. Carregados de ódio e desprezo. O que aconteceu para que ele mudasse assim do dia para noite?
– Seja breve. – Disse asperamente. Ela se levantou, olhando-o nos olhos.
– Como você está? – Ela perguntou realmente interessada na resposta.
– Acredito que isto não te interesse. Fale exatamente o que quer. – Ela estava certa, ele simplesmente não cederia.
Aquele fora um simples momento em que ele estava preocupado demais com a sua missão para lembrar-se do ódio. Mas agora não havia missão, agora não havia perigo de vida, agora as Terras do Oeste voltaram ao normal e como de se esperar, sua aversão por ela também voltaria ao normal.
– Eu vim até aqui, para mais uma vez te pedir perdão Raiden. – Os olhos dela diziam com pura sinceridade.
– A que devo a honra da visita? – Ela perguntou, chegando até a sala onde ele a esperava.
– Vim saber como você está. – Ele disse olhando-a sinceramente.
– Bem Yosuke, muito bem. – Ela disse parecendo cansada e sentando-se no sofá.
– Parece-me cansada.
– Você realmente veio até aqui para saber como eu estou? – Ela disse sem paciência o olhando nos olhos. Ele suspirou se ajoelhou frente a ela e segurou sua mão.
– Não. – Ela estremeceu com o olhar que ele lhe direcionara. – Eu vim até aqui porque senti sua falta todo este tempo e quero acompanhar a gestação do meu filho. – Ela pareceu em dúvida, mas não cedeu.
– Você vai dizer que vai levar meu filho de mim outra vez, não é?!
– Não é isso que eu quero Nobuko e você sabe. – As mãos dele subiram até seu rosto, onde ele depositou uma carícia. – Eu quero esse filho comigo, mas não vou tirá-lo de você. Também não vou negar que quero você e o meu filho juntos. Vivendo ao meu lado.
– E você não acha que é tarde demais para isso? – Ela disse vacilante.
– Talvez seja demais. Ou talvez seja tarde. Mas sempre há esperança. – Ele disse e ela sentiu seu coração despedaçar.
– Mas você ama a Akiyo e... – Ele a interrompeu.
– Meu coração não pertence a ela.
– Então eu não entendo Yosuke! Porque você me traiu, me magoou par agora me pedir desculpa? – Os olhos dela se encharcaram.
– Não estou pedindo perdão, porque não me arrependo do que fiz. – Nobuko sentiu o ódio lhe tomar. – Estou dizendo que a amo e quero de volta a minha vida. – Ele colocou a mão na barriga de Nobuko, onde sua cria se desenvolvia e ela por um momento achou que o melhor a fazer era aceitar a proposta de Yosuke, mas Akiyo, como sempre Akiyo estaria lá para lhe atrapalhar.
– Eu não acho uma boa idéia, você é casado agora. – Ele sorriu de lado e ela pareceu não entender.
– Não por muito tempo. – E nada mais disse, apenas passou a se concentrar em seu filho.
– Porque ainda insisti nisso? – Ele perguntou.
– Porque eu o amo e quero viver bem com você. – Disse Akiyo sinceramente.
– Não seja hipócrita. Como posso viver bem com uma mulher com você? – A voz cheia de desdém.
– Raiden, por favor, não fale assim. Você sabe que eu ainda sou aquela menina que te amou. – Ele sorriu de escárnio.
– O que me faz entender que toda a sua vida você foi uma mulher...
– Raiden. – Ela interrompeu.
– Se veio aqui para falar, então terá que ouvir. Eu não quero ao meu lado uma mulher como você. Uma interesseira, descarada, vadia e fútil, que se deixa levar por qualquer carícia e depois se arrepende. Você não passa de uma vagabunda Akiyo.
– Raiden não fale assim comigo. – Ela tinha a voz embargada.
– Quer que eu fale como? Eu te dei amor, eu te dei carinho, eu te dei atenção e o que você me deu troca?
– Raiden, eu te peço perdão outra vez...
– Eu não quero te perdoar. – Ele disse se aproximando dela, os olhos ardendo em ódio.
– Por favor, me aceita de volta, aceita seu filho que vai nascer. – Ele sorriu, mas não foi um simples sorriso foi uma longa gargalhada maldosa, que a fez tremer. Nobuko realmente estava mudando Raiden.
– Eu não quero sua presença imunda ao meu lado e quanto a esta criança que você carrega, faça o que bem entender. – Ele disse olhando de soslaio para sua barriga.
– Não fale assim Raiden, ele também é seu filho.
– Akiyo, será que não entende? Você é repulsiva. Só de te olhar eu me lembro do dia em que voltei e você estava transando com outro macho! – Akiyo se assustou com o grito de Raiden, então ele decidiu se controlar. – Eu não posso ficar ao seu lado quando tenho vontade de devorar seu coração. Eu desejo o seu sangue em minhas mãos. – Ela baixou a cabeça, iria chorar, mas se controlou.
– E quanto a esta criança Raiden? Este filho também é seu e você sabe disso.
– Você pode viver da forma que quiser com ele.
– Raiden – Ela o interrompe. Os olhos fechados para que mais lágrimas não insistissem em cair. – Eu sei que você não me quer, mas eu não serei capaz de cuidar dele sozinha. Ele também é um youkai. Quando ele crescer e quiser usar seus poderes? Ele precisará de você.
– Use seu corpo para conseguir isso, afinal essa é uma das coisas que você sabe fazer muito bem. – E ele se virou dando aquela conversa por encerrada. Sabia que aquelas palavras haviam machucado e muito a humana, mas ela precisava entender que ele não a queria.
Yosuke saía de casa enquanto Raiden entrava. Os dois se cumprimentaram e continuaram seus caminhos. O primeiro encontrou a mulher totalmente perdida em pensamentos. O segundo encontrou a sua mulher mergulhada em lágrimas sentada sobre uma pedra.
– Novamente ele não a aceitou. – Disse concluindo.
– Nem a mim e nem o meu filho. Não dá mais Yosuke, eu não quero mais isso.
– No que você está pensando? – Ele perguntou parecendo não entender os planos dela.
– Eu até agora só fiz besteiras. Acabei com meu casamento e o seu. Você sabe que tudo o que tivemos até hoje teve sentimento, mas Nobuko te ama assim como você a ama e eu estraguei tudo. Raiden nunca vai voltar para mim, nunca vai me perdoar.
– O que pretende fazer? – Ele perguntou com a sobrancelha erguida.
– Eu vou embora daqui. Vou deixá-lo para sempre, vou para um lugar onde possa criar meu filho em paz e Raiden não saberá sobre mim.
– Você tem certeza, eu posso te dar uma casa aqui. Posso proporcionar o melhor para você e seu filho Akiyo.
– Nobuko nunca vai aceitar isto, ela não vai me querer por perto. – Ela dizia chorando e Yosuke se abaixou frente a ela.
– Mas eu não posso simplesmente deixar você sair por aí. Eu te ajudo Akiyo, você não fez nada sozinha. – Ele disse complacente. – Você ainda é minha mulher, esqueceu? – E ele sorriu largamente para ela de forma que ela sorriu um pouco para ele também.
Mais um choro e mais uma vez Rin esforçasse para saber o que deseja seu filho. Ele movia os bracinhos de forma lenta no berço, o choro era alto e fazia com que ela sentisse pena do pequeno filhote, mas não deu tempo de se levantar para pegá-lo. Sesshoumaru acabara de entrar no quarto e logo o tomou em seus braços, cessando assim o choro da criança.
Rin olhava aquela cena com um sorriso no rosto. Jamais poderia imaginar tal coisa, mas era a realidade de sua vida. Ser esposa de um youkai, mãe de um hanyo, ser a senhora das Terras do Oeste. Lembrou-se de toda a sua jornada até ali e seu sorriso alargou. Ela sabia que conseguira mudar o coração de Sesshoumaru, a ponto de ele aceitá-la sendo humana e amar um hanyo. O youkai percebeu o sorriso da esposa e sua curiosidade aflorou.
– O que foi? – Perguntou, erguendo uma de suas sobrancelhas.
– É lindo ver você e o meu filho juntos. Os dois amores da minha vida. As duas razões da minha existência. – O youkai se aproximou dela e depositou um beijo em seus lábios. A pequena criança entre eles continuava em silêncio, observando o rosto do pai.
Voltou a olhar para o filho e ambos se encaravam. A semelhança entre eles era inegável. Sesshoumaru se perguntava se seria somente pela aparência. Sua personalidade era muito forte, assim como a de sua mãe. O jeito com que o pequeno lhe encarava era como Rin o encarava quando era pequena. Sorriu.
Sentia-a imensamente feliz, mas sua postura nunca lhe permitia mostrar tudo o que sentia. Imaginava o futuro de seu filho, seu desenvolvimento, seu treinamento e jurou para si mesmo que aquela criança teria poder para dominar o mundo se quisesse. Ele o amava de uma forma tão intensa que seria capaz de tudo por sua proteção.
Enquanto pensava nisso, Hideaki sorriu para ele. Um lindo sorriso de uma pequena criança que fez com que o coração do youkai batesse descompassado. Um filho. Sesshoumaru nunca se imaginou casado, nunca se imaginou sendo pai, mas ali estava a maior felicidade que um ser pode ter. Estava muito feliz e a felicidade era dobrada por aquela criança ser fruto de seu grande amor por Rin.
Ele olhou para a esposa que neste momento olhava para a janela mirando mais precisamente o céu do lado de fora. Perguntava-se onde estava aquela pequena criança que um dia ele reviveu. A resposta mostrava que ela desaparecera, dando espaço a mulher que ele tanto admirava e amava. Sua Rin. Neste instante ela virou o rosto para ele e sorriu sem jeito por saber que estava sendo observada.
– O que foi? – Perguntou corada pela forma com que Sesshoumaru a olhava.
– Você me proporcionou felicidade imensa minha Rin.
As palavras fizeram com que ela alargasse seu sorriso, enquanto mirava os olhos de Sesshoumaru. Se algum dia tivera dúvidas sobre o amor que ele poderia lhe dar, agora tinha certeza de que ele a amava de forma tão incondicional que talvez ela nunca mais fosse capaz de duvidar.
Notas finais
E quanto ao meu quarteto problemático? Será mesmo que Akiyo partirá para longe?
Beijo e até a próxima.
Fale com o autor