Alguns dias se passaram depois do nascimento do Príncipe Hideaki. Algumas pessoas foram visitá-los, uma delas foi Akiyo. Estavam os três na sala de estar por insistência de Rin, ela dizia estar cansada de ficar no quarto e que seu bebê também se sentia assim. As duas que outrora eram senhora e empregada, agora conversavam abertamente na sala. Eram amigas e se sentiam livres para conversar sobre qualquer assunto uma com a outra.

– Tão pequenino, mas tão lindo. – Disse Akiyo que o segurava no colo, olhava-o com muito carinho e o pequeno Hideaki, retribuía ao olhar.

– É esperado que seja assim, já que puxou a Sesshoumaru. – Disse Rin também sorrindo e olhando para o filho.

– Rin-sama, não seja modesta. A senhora também é linda.

– Não tanto quanto Sesshoumaru. – As duas caíram em uma deliciosa gargalhada e Hideaki sorriu junto com elas, fazendo com que se derretessem. — Mas Akiyo, seu filho também será lindo. Porque Raiden e você são lindos.

– É. – Ela disse meio pensativa.

– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Rin preocupada.

– Rin-sama, eu vim até aqui hoje porque queria lhe visitar e também para me despedir. – Ela disse agora olhando nos olhos de Rin que estava confusa.

– Como assim se despedir, Akiyo? – Ela realmente parecia não entender.

– Eu vou embora Rin-sama, vou ter o meu filho em outro lugar. – Rin pareceu entender.

– Ah, sim você vai embora somente para ter seu filho.

– Não. – Akiyo interrompeu. – Eu vou embora se possível para nunca mais voltar.

– Mas Akiyo e Raiden?

– Ele não me ama mais senhora e não quer nem a mim e nem ao meu filho. – Ela baixou os olhos.

– Não posso aceitar isso. – Disse Rin inconformada. – Ele sabe que vai embora?

– Não, mas disse a mim para que fizesse o que quiser com meu filho. Então eu vou fazer, vou embora daqui para que ele se sinta livre de mim. Não posso viver para sempre ao lado de Yosuke, ele ama a Nobuko e ainda tem chances de voltar com ela. Eu tenho a sensação de que as coisas começarão a se ajeitar quando meu filho e eu formos embora daqui.

– Oh, Akiyo. – Rin disse com seu instinto materno aflorado. – Como vai ser para cuidar do seu filho, como será seu treinamento. Você não pode cuidar dele sozinha.

– Eu sei e estou desesperada com isso. – Ela estava com a voz embargada. – Mas se bem me lembro o meio-irmão de meu senhor foi criado pela mãe, não é?! – Rin concordou com a cabeça. – Então eu vou conseguir cuidar do meu filho, sozinha.

– Mas para onde você vai? Quando você vai? – Disse Rin. — Você não vai demorar muito para ter esse bebê.

– Eu vou hoje mesmo, vou para fora das Terras do Oeste.

– Oh, Akiyo. – Rin segurou a mão da amiga. – Eu realmente não queria que isso acontecesse a você. Eu realmente gostaria que Raiden a perdoasse. Por favor, reconsidere esta idéia.

– Não há mais o que pensar com relação a isso, essa idéia veio amadurecendo e só decidi por esse caminho, porque de todas as formas tentei com Raiden. – Uma lágrima escorreu por seu rosto. Rin a secou.

– E Yosuke? Ele não vai fazer nada para impedi-la? – Ela perguntou.

– Eu tentei Rin-sama. – Disse o youkai se aproximando. – Mas ela é muito teimosa.

– Bom, vamos mudar de assunto. Olhe como é lindo o príncipe. – Ela mostrou o pequeno hanyo ao youkai.

– Sim é pequeno e forte. – Ele disse olhando para a criança, mas seu olhar se desviou para a porta. – Meus parabéns Rin-sama.

– Obrigada Yosuke. – Disse Rin sorrindo e acompanhou o olhar do youkai. O que ela viu foi Mika receber visitas: Raiden com Nobuko logo atrás. Akiyo não havia percebido, então continuou brincando com o bebê.

– Acho melhor nos irmos Akiyo.

– Ah, mas por que...

– Boa tarde Rin-sama. – Disse a voz de Raiden interrompendo a Akiyo.

– Boa tarde Rin-sama. – Disse Nobuko. Akiyo olhou para eles naquele momento e pareceu entender o que se passava.

– Rin-sama, nós iremos para casa agora. Ainda tenho muito que ajeitar e sinceramente sentirei saudades da senhora. – Ela deixou que Yosuke segurasse o pequeno e abraçou Rin fortemente. A senhora das Terras do Oeste não pôde conter as lágrimas, assim como Akiyo.

– Prometa-me que vai vir aqui, para me visitar. – Disse Rin em meio ao choro.

– Talvez um dia, Rin-sama. – Ela disse chorando ainda mais entre o abraço. As duas ficaram por um longo tempo desta maneira, até que se separaram. Secaram seus olhos e Akiyo ajeitou sua roupa. – Agora nós realmente iremos.

– Sim. – Rin ainda chorava e não se envergonhava disso. – Adeus Akiyo. Sentirei muito a sua falta.

– Eu também Rin-sama, eu também. – Ela se virou e começou a caminhar. Seus olhos não se encontraram com os de Raiden e nem com os de Nobuko que assistiam aquilo tudo sem entender. Yosuke entregou o pequeno príncipe a Rin e cumprimentou os recém chegados, logo se dirigiu até a mulher que havia saído.

Raiden olhou para trás com uma sobrancelha erguida, não entendia o porquê daquelas despedidas e pensava seriamente no que todas aquelas lágrimas e palavras poderiam significar. Virou-se para frente. Akiyo não era mais sua mulher e o que a fazia chorar não era mais de sua conta.



Sentada sobre a cama de seu quarto, com os olhos ainda contento algumas lágrimas, Rin amamentava sua pequena cria. Pensava em como as coisas haviam acontecido para todos eles e sua felicidade era um enorme contraste com a vida que Akiyo levava. Tudo era conseqüência de seus atos, mas será que ela não merecia um descanso? Ela havia se arrependido afinal. Sesshoumaru entrou no quarto e percebeu o que estava acontecendo mesmo sem olhá-la, pois sentiu o cheiro das lágrimas.

– O que foi Rin? – Ele perguntou se colocando frente a ela.

– Akiyo vai – Ela dá uma pausa. – Akiyo vai embora Sesshoumaru. Vai embora para sempre. – O youkai arqueou uma sobrancelha.

– Ela está gerando um filho de Raiden, não pode simplesmente ir embora.

– Ele disse a ela para que fizesse o que quiser com o filho, ele não se importa. – Sesshoumaru pareceu entender e sabendo como sua mulher considerava a amiga, entendeu também o porquê dela estar tão abalada. – Eu me pergunto como será que ela cuidará desta criança sozinha.

– Izayoi cuidou de Inuyasha. Ela também saberá cuidar de sua cria.

– Mas Inuyasha-sama passou muito tempo sozinho até encontrar Kagome. Brevemente nós vamos morrer Sesshoumaru e nossa segurança é saber que você por ser um youkai estará ao lado dele por muito tempo. Bom, a minha esperança porque a de Akiyo morreu.

Sesshoumaru sentou-se ao lado da mulher e a envolveu em um abraço. Hideaki olhava para ela que chorava, enquanto mamava com a mão em seu seio. Ela sentia-se reconfortada com o apoio de Sesshoumaru ali e ele entendia o motivo de toda sua preocupação.

– Não fique preocupada, Yosuke não permitirá que falte algo para esta criança. – Rin concordou com a cabeça e a apoiou no ombro do marido que mexia em seus cabelos.



– Você me promete que se não se sentir bem, vai voltar para casa. – Ele dizia com o rosto dela entre suas mãos.

– Eu vou me sentir bem, fique tranqüilo. – Ela disse tentando convencê-lo com sua mentira.

– Eu prometo estar lá quando esta criança nascer. – Ele disse agora com a expressão mais relaxada e um meio sorriso.

– Nós vamos te esperar. – Ela alisou a barriga e ele a abraçou novamente. Foi um abraço muito forte e demorado.

Era claro que Yosuke não concordava com aquela idéia, mas se essa era a sua vontade assim seria feito. Ele deu um beijo em sua testa e ela o abraçou mais uma vez. Depois beijou o rosto do youkai.

– Akiyo, nós precisamos ir. – Disse um homem.

– Eu já estou indo Akira. – O homem revirou os olhos, havia se esquecido do quanto ela era grudenta na hora das despedidas. – Eu tenho que ir, ele vai brigar comigo se eu demorar mais.

– Tenha cuidado, logo irei te visitar. – Se abraçaram mais uma vez. – Faça uma boa viajem.

– Obrigada Yosuke. – Eles se soltaram do abraço. – Adeus.

– Eu não vou te dar adeus. – Ele disse e ela sorriu. Caminhou em direção ao homem que a esperava e que segurou em sua mão. Depois a ajudou a subir na carruagem que a levaria para bem longe dali.

No caminho, Akiyo lembrava-se de tudo o que havia vivido até ali enquanto olhava a paisagem passar por seus olhos. Aquele lugar não lhe parecia mais tão lindo desde que se separara de Raiden. Um aperto fez doer seu coração. Viver uma vida longe de tudo aquilo que estava acostumada causava muitas dúvidas, mas ela precisava fazer isso.

De uma forma ou de outra se acostumaria, o sol nasceria para ela todos os dias, dando uma nova oportunidade para que ela vivesse uma nova vida, que seria dedicada a seu filho. Alisou a barriga e sentiu sua cria chutar. Sorriu. Era uma nova vida. Duas novas vidas.

Notas finais
Alguém tinha esperanças de que Akiyo ficasse? De que Raiden a impedisse?
Beijo e até a próxima.