Minha Doce Menina.
77 Impossível.
Notas iniciais
Boa leitura.
Há muito já estava de pé. Por algum motivo não conseguira dormir muito bem durante a noite e não se sentia cansada fisicamente. Através da janela contemplava o céu. Parecia lhe hipnotizar. Muitos pensamentos invadiam sua mente e ela questionava-se sobre todos eles.
O maior de todos era o porquê de Sesshoumaru tê-la avisado que viajaria durante a noite. Queria ter a audácia de chegar-se ao marido e questionar-lhe sobre isto, mas não faria tal coisa. Não até ter certeza sobre alguns de seus pensamentos.
A dúvida era horrível. Mesmo sabendo que Sesshoumaru era incapaz de traí-la, sentia-se traída de certa forma, pois queria o youkai ao seu lado enquanto ele dedicava seu tempo a Yoi.
- Talvez esteja sendo muito radical. – Ela pensou, mas logo sentiu-se coberta de razão. Ele era seu marido e deveria dedicar-se a ela todos os dias de sua vida. Assim como ela havia se dedicado inteiramente a ele.
Sentiu a marca que ele lhe dera pulsar. Ultimamente isto acontecia com bastante freqüência e ela não sabia o motivo para tal coisa. Será que era a dúvida que fazia sua marca reagir?
Ela nunca se esqueceu das palavras da Verdade quanto a aceitou. Aquelas palavras muitas vezes a motivaram e fizeram acreditar no amor mesmo sendo Sesshoumaru um youkai completamente frio.
Porém, ele não era tão frio assim. Lembrou-se da última vez que se tocaram. Lembrou-se de seus corpos em um emaranhado delirante e ardente de prazer, amor e paixão. Tocou os lábios com as mãos. Os beijos intensos de seu marido ainda lhe queimavam a boca.
- Rin? – Ela foi despertada de seu transe ao sentir Sesshoumaru bem atrás de si. Respirou fundo e tratou de se acalmar.
- Bom dia Sesshoumaru. – A voz não saiu firme como desejara.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou, sabendo que tinha acontecido.
- Nada. Apenas me assustei por você ter sido tão fortuito. – Ela se virou para ele e sorriu. Ele não gostava mais deste sorriso que ela lhe dava. Era forçado.
Foi então que Rin se deu conta de algo. Há muito não tivera a oportunidade de estar com Sesshoumaru de manhã e ao olhar-lhe ali daquele jeito, sentiu um desejo súbito lhe tomar, mas procurou pensar em outra coisa. Não era o momento de partilhar algo com Sesshoumaru. Não se sentia bem para isso.
- Hideaki já acordou? – Perguntou, colocando uma mexa de cabelo liso atrás da orelha. Os olhos miravam o chão.
- Olhe para mim Rin. – Ele ordenou. Hesitante, Rin levantou o olhar e Sesshoumaru percebeu que estes não eram os mesmo de antes.
- O que foi? – Disse a morena sem graça.
- Mesmo que eu não esteja presente, não significa que tenha mudado. – Ela pareceu refletir um pouco.
- Você quer dizer que sente a minha falta e ainda me ama? – Ele não respondeu. Continuou olhando-a friamente com seus hipnotizantes olhos dourados. – Não são necessárias explicações Sesshoumaru. Eu confio em você.
— Não confia. Acha que eu tenho algum tipo de relacionamento com Yoi. Acha que eu a traio. – Ele estava certo e aquelas palavras deixaram Rin desconfortável.
- Sesshoumaru, vamos deixar claro que é você quem está pronunciando tais palavras e eu...
- Não minta para mim Rin. – Ele a repreendeu sério.
- Está bem. Eu tenho tido certas dúvidas com relação a você. – Ele continuou analisando-a por um bom tempo, esperando que ela continuasse. – E a presença de Yoi nada me agrada. Não gosto das falas maldosas e com inúmeros sentidos. Não gosto da forma como ela se sente superior a mim por ser uma youkai e também não gosto de como age quanto está próxima a você. É como se me dissesse todas as vezes que o tem quando eu não posso ter.
Rin não queria ter exposto seus à Sesshoumaru. Não naquele momento, não daquela forma, mas quando se deu conta já havia contado. Girou sobre os calcanhares e olhou pela janela. Em outros tempos, lágrimas preencheriam seus olhos, mas não ali. Não sentia seu coração tão aberto quanto antes.
- Pergunto-me todos os dias se quanto está com ela, você pensa em mim. Se sente minha falta. Mas como posso saber Sesshoumaru? Não te tenho ao meu lado. Não te tenho comigo. Sentir-me-ia só se Hideaki e Jaken-sama não fossem minhas companhias. – Ela baixou a cabeça, Sesshoumaru nada iria dizer, apenas esperaria que ela libertasse todos os sentimentos presos em seu coração. — Eu estou mudando Sesshoumaru. Mudando de uma forma tão grande e rápida que nem mesmo eu consegui perceber. Será que você percebeu isto?
- Percebi. – Ele decidiu se pronunciar. – Percebi todas as mudanças ocorridas em você.
- Você não teve tempo para isso. Você esteve muito ocupado com outras coisas. – Ela tentou convencê-lo a aceitar suas verdades.
- Percebei que seu sono não é mais o mesmo de antes quando estou por perto. Percebi que seu olhar não brilha mais quando se aproxima de mim. Percebi que seu sorriso, que outrora era tão sincero e cativante, está forçado. Percebi que não faz mais perguntas, que não se importa e que o ciúme que sente de mim está transformando seus sentimentos de tal forma, que parece desconhecer este Sesshoumaru.
Palavras eram realmente cruéis. Todas elas se aplicavam a Rin neste momento, eram verdadeiras. Não tinha como esquivar, estava prensada contra a parede por aquele youkai que parecia conhecer todo o seu ser como a palma de suas mãos.
- Você sente falta desta Rin? – O silêncio deu uma reposta afirmativa a sua pergunta. – Então porque não me conta o que está acontecendo? – Ela agora se virou para ele. Os olhos em pura aflição. – Porque não me diz o que o afasta de casa? Porque chega calado e sai da mesma forma que entrou? Sesshoumaru nós compartilhamos a mesma cama todas as noites e você sequer me nota como sua mulher.
- Eu a noto, mas sei que você não quer sentir meu toque. Não me deitarei com você apenas por prazer. Como já lhe disse uma vez não pretendo dar-lhe somente isto.
- E o que você pode me dar? Amor, carinho, atenção? Isto você já me deu, mas parece ter se cansado desta vida. – Ela ficou em silêncio pelas palavras que usara.
- Não fui eu quem se cansou Rin, foi você. – Ela o encarou, entendia o significado daquilo.
- Sim. – Ela confirmou os olhos transbordando a verdade de seu coração. – E o que fará para mudar isto? – Novamente ele ficou em silêncio.
- Rin...
- Será que não entende? – A humana começava a se sobressaltar. – Eu preciso de você ao meu lado, nem que por uma pequena porção do dia, mas preciso de você. É um castigo Sesshoumaru. É um castigo te amar da forma como eu te amo e não te ter.
Sesshoumaru eliminou a distância entre eles e depositou um beijo nos lábios da esposa, que foi correspondido, mas com muito sofrimento. Nem mesmo os beijos de Rin eram como antes. Parecia-lhe que sua mulher havia se cansado de tudo, inclusive dele.
Separaram seus lábios e ele pôde ver que nem mesmo assim o brilho que tanto lhe encantava em seus olhos retornara. Ela mirava o chão, sem saber o que lhe responder ou mesmo como reagir. Os sentimentos dentro de si confundindo-se e chocando-se de maneira que não mais ela sabia o seu querer.
- Se assim quiser... – Ela colocou a mão nos lábios do youkai, para que ele não prosseguisse.
- Não diga mais nada. – Ele não compreendeu.
- Porque não quer ouvir o que tenho para lhe dizer. – Ele perguntava quase em uma ordenança para que ela respondesse. O jeito frio de sempre estava presente, mesmo em uma situação como aquela.
- Nada do que diga vai mudar esta situação. De qualquer maneira, você irá partir. – Ela ainda não o mirava, ele então decidiu levantar o rosto de sua amada para que ela enxergasse além de sua frieza. E como esperava, ela enxergou.
Mesmo que soubesse o que estava acontecendo, Rin não podia mais com toda aquela situação. Era dar demais, era se doar por inteiro e receber as sobras. Não tinha mais forças para tentar e nem queria. Outra vez, sentiu a marca pulsar.
- Você sabia que não seria fácil Rin. – Ele disse, por fim.
- Sim eu sabia. – Ela fez uma pausa. – Mas não que se tornaria impossível.
A humana saiu da presença de seu youkai e ele mirava o céu a sua frente. Compreendera a Rin intimamente, mas tinha deveres a cumprir. Fechou os olhos sentindo algo dentro de si crescer. O ódio. O ódio lhe tomou pela realidade que enxergara: estava perdendo o amor de Rin e não sabia o que fazer para recuperá-lo.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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