Minha Doce Menina.
78 Direção.
Notas iniciais
Beijo e até a próxima.
O sol já estava se pondo. Aquele fora um dia muito diferente do que estava habituada a ter, mas como tudo o que é bom tem fim, ele também teria. Sesshoumaru já estava pronto para partir. Deu as ultimas instruções a Jaken e seus empregados. Yoi estava à porta, esperava pelo youkai com um sorriso no rosto e Rin estava com Hideaki no colo, olhando para seu marido que iria partir mais uma vez.
Ela teve a certeza de que ele nada faria para mudar aquela situação quando lhe disse todas as coisas que há muito estavam guardadas em seu coração. Com o pensamento convicto de que humanos devem submeter-se a youkais, ele nunca cederia a um pedido dela de ficar ao seu lado quando tinha deveres a cumprir.
O filho em seu colo começou a resmungar. Como uma mãe atenciosa logo percebeu o que se passava. Estava com fome e pelo choro, podia-se deduzir que estava faminto. Olhou para Sesshoumaru. Precisava sair e sabia que no momento de sua partida não era adequado, mas não tinha jeito. Teria de fazer tal coisa.
– Sesshoumaru. – Ela chamou, olhando-o calmamente. O youkai se virou para a mulher e esperou que continuasse. – Hideaki está faminto, preciso alimentá-lo. – O youkai não respondeu. Olhou Rin de maneira dura por um longo tempo enquanto seu filho continuava a resmungar em seu colo.
– Faça o que tiver que fazer. – Disse simplesmente virando-se novamente para Jaken.
– Hai. – Disse a humana e subiu as escadas, olhando para o pequeno hanyo.
O youkai colocou seus olhos em fendas sobre Rin enquanto esta ainda estava em seu campo de visão. Sua mulher nem mesmo pediria para que ele ficasse. Há muito não fazia tal coisa. Estava acostumada com a ausência, mas ele não estava costumado com seu desprezo.
*
Os gritos que outrora eram altos e fortes, agora estavam resumidos a longas respirações falhadas pelo esforço. Cansada, não sabia como fazer para expelir o pequeno ser dentro de si. A dor que tomara seu corpo, já se tornara insuportável e nem mesmo o local ao seu redor conseguia enxergar com clareza.
– Ele passou do tempo de nascer. Ela não vai agüentar Yosuke-sama. — Dizia a mulher angustiada pelo que presenciava. — Seu corpo está muito fraco.
A angústia tomara o local de maneira impressionante, o estado da mulher que dava a luz era muito grave. As chances de morrer eram maiores do que a de viver.
– Não existe nada que eu possa fazer agora. – Disse Yosuke com os braços cruzados. Uma de suas mãos estava sobre o nariz e a boca. Estava inconformado, mesmo estando controlado.
Mais uma forte respiração pôde ser ouvida e um grito estrondou pela casa. Um novo som foi ecoado por todos os cantos, o choro de uma criança. Yosuke sentiu-se imensamente feliz e aliviado, ela conseguira levar a gestação até o final e poderia ver o rosto da criança que tanto amou mesmo sem conhecer.
Pouco tempo depois, Akemi chegou com a criança nos braços. Embora fosse um momento de felicidade, lágrimas caíam por seu rosto. Olhava para o pequenino ser que ainda se remexia e chorava. Depois seus olhos pousaram sobre o youkai.
– Ela não... – A mãe da humana não terminou a frase, uma nova torrente de lágrimas escapou de seus olhos. O youkai concentrou-se, procurou pela batida do coração de Akiyo, mas não a encontrou.
*
O pequeno Hideaki mamava avidamente. As mãos no seio de Rin, enquanto os olhos dourados estavam fixos no rosto sério da mãe que outrora sorria para ele. O coração de Rin estava confuso pelas palavras que Sesshoumaru lhe dissera no dia anterior, mas nada podia fazer. Ele já havia ido embora e agora somente restava esperar seu retorno, se este fosse próximo.
Longos momentos se passaram e Hideaki começou a bocejar. Ainda nos colo da mãe, foi envolvido por seu abraço quente e confortante, para que se sentisse bem. Ouvia-a sussurrar uma linda canção de ninar e olhava para seus olhos, até que os próprios o traíssem e fechassem. Relutou, mas dormiu.
Foi colocado no berço e acariciado pela mãe mais uma vez que o ficou observando por muito tempo. Seu filho era tudo o que tinha, era seu. Lembrava-se dos momentos de sua gestação e de quando ele a chutava. Sorriu.
Deixou que o pequeno descansasse sozinho e saiu de seu quarto dirigindo-se diretamente ao seu. Ainda com os pensamentos em sua pequena cria, esbanjava um sorriso no rosto. Abriu a porta do quarto e a fechou, soltou os longos cabelos negros e notou não estar sozinha no local. Assustou-se.
Talvez estivesse tendo alucinações, ou talvez aquilo fosse verdade. Mas algo estava errado, com certeza ele não deveria estar ali.
– Sesshoumaru? – Perguntou, ainda não acreditando em seus próprios olhos.
O youkai se virou para sua mulher, ainda tinha seus olhos em fendas. A expressão dura e fria parecendo-lhe uma máscara impenetrável.
– Eu achei que você havia saído em viajem. O que está fazendo aqui? – Ela perguntou curiosa por saber o que havia acontecido.
– Decidi ficar. – Disse com a voz fria. Ela arqueou uma sobrancelha.
– E por quê? – Precisava ouvir a reposta e esta por sua vez demorou em sair dos lábios do youkai que a olhava intensamente.
– Não sairei mais de casa, a menos que seja necessário. – Os lábios de Rin se abriram e o queixo, caiu.
Era por isso que sua expressão daria medo a qualquer um que o visse. Ele havia desistido de seus deveres para que ela não se sentisse desconfortável com toda aquela situação. Ele renunciou a algo por ela, mesmo que dissesse que fora uma escolha simples.
– Mas e Yoi? E suas obrigações? – Ela precisava perguntar, para certificar-se de que tudo aquilo era realidade.
– Yoi fará uma busca precisa e quando o inimigo for encontrado, partirei para exterminá-lo. – Falou ainda fitando-a duramente.
Rin não sabia o que fazer ou mesmo o que dizer. O que sentia naquele momento era a vontade intensa de jogar-se aos braços de Sesshoumaru, mas por sua expressão imaginou que ele não a desejava. Imaginou.
– Obrigada, mesmo tendo...
– Eu a marquei como minha fêmea e devo tratá-la com prioridade. – Ele a interrompeu. — Seu bem estar e felicidade são meus deveres e obrigações. — Ele se virou para a janela, dando aquela conversa por encerrada.
Mesmo tentando mostrar que não fizera aquilo por sentimentos, Rin sabia que era essa a causa. Não podia negar o fato de estar impressionada por ele ter feito tal coisa, mas seu coração ainda fraquejava. Olhou para o youkai a sua frente e pela primeira vez em muito tempo abriu o sorriso doce de que tanto ele sentia falta.
– Sesshoumaru. — O youkai virou seu rosto para o lado, com uma sobrancelha erguida indicando que ela deveria continuar. – Obrigada. Muito obrigada.
O youkai se virou para frente. Agora se sentia mais próximo de Rin. Ele estava certo. Essa era a direção que deveria seguir.
Notas finais
Beijo.
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