Minha Doce Menina.
76 Ignorado.
Era incrível a semelhança entre ambos. Exceto pelo fato do pequeno ser um hanyo, poderia se dizer que eles eram estátuas esculpidas pela deusa da beleza, que não hesitou em caprichar no trabalho.
O pequeno Kenichi, mesmo tendo pouco mais de um mês de vida era forte e saudável e seu pai, Yosuke, amava-o com todas as suas forças, de forma que faria de tudo por ele. Todo o dia, sem exceção, se dirigia até a casa de Raiden, para ver sua pequena cria.
- Os olhos cinza são tão brilhantes quanto os seus Yosuke. – Observou Nobuko. – Tudo nele é idêntico a você.
- Sente-se mal por isso? – Ele perguntou sorrindo para a nova mãe enquanto segurava seu filho no colo.
- De maneira alguma. Você é lindo, então eu gosto do fato dele ser parecido contigo. – Ambos sorriram neste momento e o assunto acabou por ali, até que o lindo youkai de olhos cinza e cabelos negro azulados olhou de forma carinhosa para a ex-mulher.
- Pensou na proposta que lhe ofertei? – Ela olhou para baixo hesitando em responder. Ele sorriu um pouco. Mesmo perguntando sabia qual seria sua resposta.
- Sim e minha resposta é a mesma. – Ela agora o olhava. – Não vou voltar a viver com você. Não vou deixar Raiden. – Yosuke voltou a olhar seu filho que agora se remexia em seus braços.
- Se está é sua vontade não irei mais insistir. – Não eram as palavras que ela queria ouvir, mas nada diria a ele. – Afinal, não posso continuar a tentar um relacionamento com alguém que não me quer, não é mesmo?
Nobuko adorava o fato de viver entre os dois youkais. Sabia que Raiden a protegeria, assim como sabia que Yosuke insistiria para que ela ficasse com ele. Porém, ele insistiu muito pouco de acordo com seu julgamento. Ela gostaria que ele sofresse e se rastejasse, assim como Akiyo tantas vezes fez com Raiden.
- Se é o que acha... – Ela disse a contragosto.
- Tenho certeza. – Yosuke olhava novamente para o filho, que tinha as duas mãos na boca. – Sinto muito meu filho, mas terei de ficar ausente por alguns dias. – Nobuko ergueu a sobrancelha.
- Ausente? – Perguntou interessada.
- Sim. – Ele disse brincando com sua pequena cria. – Tenho uma promessa a cumprir.
- Ah. – Ela sabia que ele iria visitar Akiyo e pelo tempo que passara, a criança que ela esperava já estava para nascer. — Você pretende demorar?
- Não sei em quais condições encontrarei a pessoa que me espera. – Ele confirmou seus pensamentos. – Mas não haverá necessidade de sentir minha falta. Não pretendo demorar. — Desta vez ele a olhou e com o sorriso que lhe direcionara ela se derreteu.
A madrugada já adentrava as Terras do Oeste quando Sesshoumaru chegou a seus aposentos. Rin não estava dormindo como de costume e por seu cheiro sabia onde ela estava. No quarto de Hideaki. Sempre naquele mesmo horário o hanyo acordava para se alimentar e voltava ao sono.
O youkai direcionou-se até a sala de banho de seu quarto e lá ficou por longos minutos, até que pôde sentir o cheiro de Rin se aproximar. Seus olhos se abriram e tal foi seu espanto ao perceber que ela não se direcionou até onde estava. Ela foi para a cama, sem se importar se ele estava presente ou não. Ele ergueu uma sobrancelha, as coisas estavam piores do que imaginava.
Longos minutos depois, decidiu se retirar da banheira e vestiu-se. Abriu as janelas e pôde sentir a brisa fresca da noite tocar-lhe a pele. Lembrou-se mais uma vez de suas responsabilidades e de como estava sendo difícil encontrar o ultimo inimigo para aniquilá-lo. Ele poderia estar em qualquer lugar, inclusive dentro de sua casa.
Fechou os olhos ao sentir a ira lhe tomar. Mesmo as caçadas de Yoi estavam os direcionando a pistas falsas. Raiden não era bom para tal coisa, Yosuke havia sido dispensado para o nascimento do filho de sua mulher que morava fora das Terras do Oeste e Rin o estava ignorando.
Ignorado. O grande Sesshoumaru estava sendo ignorado por uma fêmea humana. Ele já havia dito o que estava acontecendo, mas ela parecera não acreditar. Porque humanos se rendiam a ciúmes? O youkai sabia estar sendo ausente, mas ela precisava compreender que o que mais lhe motivara a viajar freqüentemente e ficar ao lado da fêmea que mais o enojava eram para seu futuro e de seu filho.
- Pode fechar a porta, por favor. Estou sentindo frio. – A voz de Rin retirou-lhe de seu transe. Era a primeira vez em dias que ela falava docemente com ele. Virou-se para frente outra vez e depois de alguns minutos, fechou a janela.
Deitou-se na cama ao lado de Rin e ela continuou tentando dormir. Olhou para o corpo de sua fêmea, queria tocá-lo mais uma vez. Todavia, ele sabia que este não era o desejo dela naquele momento.
Sesshoumaru sentia-se estranho com aqueles sentimentos dentro de si. Se quisesse poderia ter mais de uma esposa, se quisesse tomaria qualquer uma como sua, mas aquele a quem seus desejos eram direcionados não o estava correspondendo.
Ausência. Sua ausência estava causando tudo isto, ele sabia. Mas eram seus deveres como senhor daquelas Terras. Pela primeira vez sentiu insegurança. Não de perder tudo o que seu pai lhe deixara, mas de perder o amor de Rin.
Sesshoumaru? Medo? Amor? Era difícil acreditar que estas três palavras referiam-se a ele mesmo, mas Rin o havia mudado de todas as formas que alguém pode ser mudado. Seu jeito infantil, alegre, doce e sorridente preenchia todo o seu ser, assim como sua casa. Eles eram um perfeito contraste. O dia e a noite, o preto e o branco. Tão distantes e ao mesmo tempo tão perto. Mesmo que nunca admitisse em palavras amava aquela mulher, mas sabia que o amor que ela tinha por ele estava se apagando e as coisas piorariam quando ela soubesse o que ele tinha para lhe falar. Esperou pela pior reação dela.
- Rin. – Ele chamou, mirando sua frente.
- Sim. – Ela respondeu ainda virada para o lado oposto ao dele, de forma que não podia ver seu rosto.
- Amanhã terei de fazer uma viagem, não tenho data de retorno. – Silêncio. Os olhos dele se estreitaram. Ela realmente não iria discutir?
- Tudo bem, Sesshoumaru. Faça uma boa viagem. – E ela bocejou, anunciando que seu sono já a envolvia.
O youkai direcionou seu olhar a Rin e imaginou que depois daquelas palavras ela se viraria e começaria uma grande discussão, mas não foi o que aconteceu. Ela adormeceu tranquilamente.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
Fale com o autor