Minha Doce Menina.
118 Esperar e confiar.
Um vento frio balançava a mata onde estavam. Não demoraria muito até que a luz do sol desse lugar a escuridão e ele percebeu que precisava se apressar, Rin chegaria a qualquer momento. A humana ainda não havia dado a maldita resposta, parecia desconfiada, perturbada. Demorava porque não fazia idéia de que qualquer minuto desperdiçado ali poderia levar a uma tragédia.
– Sesshoumaru! Kagome teve um péssimo pressentimento com relação a você e Rin! Agora você vem até aqui e me diz que devo cuidar dela? Você está louco?! Depois de todos os anos em que ela esperou para morar com você? Pense nos sentimentos dela! Pense em seu filho mais velho e no que irá nascer!
– Pare de latir, Inuyasha! – O irmão mais velho o repreendeu. – Você fará isto ou não?
– Farei. – Kagome respondeu de maneira retraída. A energia que Sesshoumaru estava emanando era assustadora. – Mas eu tenho certeza do que vi e senti. Sesshoumaru, não importa o que tenha acontecido, lembre-se dos sentimentos de Rin por você.
O Inuyoukai já havia obtido sua resposta. Começou a caminhar retomando seu rumo.
– Espere! Sesshoumaru! Não finja que não está me ouvindo! Ei! Sesshoumaru!
– Inuyasha… — A sacerdotisa segurou seu braço. – Ele não vai te ouvir.
– Maldito! Tenho certeza de que a Rin viverá chorando aqui! O que aconteceu para este desgraçado querer trazê-la de volta?! O que este pedido significa?
Kagome parou de ouvir o que seu marido falava. Seus olhos ainda estavam fixos no caminho em que seu cunhado havia feito. Ela só o vira ficar daquela maneira quando alguém tentava algo contra Rin. O que quer que estivesse acontecendo agora, certamente era muito grave e ela temeu por aquela que considerava como uma irmã.
[…]
Mais um balançar da carruagem, mais uma lágrima derramada. Quando viveu na Aldeia de Inuyasha porque Sesshoumaru a deixou para viver com humanos, ela sentiu sua falta, mas ele vinha vê-la. Agora, ela retornava para seu antigo lar. Sozinha. Não no sentido literal da palavra, pois Kaname seguia viagem junto com ela, mas do lado de fora.
Por estar gerando outra criança, não tinha condições de fazer longas caminhadas como era de costume e estar ali dentro daqueles quatro panos apenas a deixava ainda mais deprimida. Rin sentia muita dor em seu peito, mas não sentia sua marca e até estranhava o fato. Talvez, a dor que preenchia seu coração superasse qualquer coisa que ela pudesse sentir.
A criança em seu ventre parou de reagir a ela. Desde que se entregara a sua tristeza, o bebê poucas vezes se mexia. As dores costumeiras da gestação de um hanyo já a incomodavam, mas ela não se preocupava com isso.
Fechou os olhos e envolveu sua barriga. Pensava em Hideaki. Sentia sua falta. O que ele estaria fazendo naquele momento? Será que ela teria a oportunidade de vê-lo outra vez? Será que ele sentia sua falta? O que Sesshoumaru lhe disse? Eram muitas perguntas e nenhuma resposta. A qualquer momento Rin achava que podia enlouquecer.
Foi retirada do seu mundo de solidão quando a carruagem parou. Ouviu vozes muito conhecidas do lado de fora e não pensou duas vezes ao sair. Quando seus pés tocaram o chão e ela avistou Kagome e Sango, correu diretamente até elas que lhe ampararam em um abraço. Inuyasha estava furioso e manteve-se distante.
Um arrepio eriçou os pelos da nuca de Kagome. Ela nunca havia sentido uma presença tão ameaçadora e ao mesmo tempo tão poderosa em um ser humano. A morena sabia que não era trabalho de um youkai qualquer e se ela quisesse realizar o pedido de Sesshoumaru teria que agir com muita calma.
Olhou o belo youkai de cabelos prata um pouco distante da carruagem. Desta vez o arrepio que sentiu quando olhou para Rin foi ainda pior. Não sabia o que estava acontecendo, mas a partir daquele momento começou a entender o estado de espírito de Sesshoumaru.
– Rin-chan… — Disse Sango, sentindo sua roupa molhar pelas lágrimas quentes da jovem.
– Ele nem me deixou explicar… — Soluçou a senhora das Terras do Oeste. Sua voz era fraca. – Ele não quis me ouvir… Apenas me mandou sair de sua presença…
Inuyasha, que estava com os braços cruzados, fechou os olhos. Aquilo certamente o estava irritando. Percebendo isso, Kagome decidiu agir. Afastou-se um pouco de Rin e direcionou um olhar a Sango que entendeu prontamente e apertou o abraço.
Kagome segurou seu arco e depois sua flecha. Sabia o que tinha que fazer. Sabia que tinha que seguir seu coração e se concentrou. Fechou os olhos e procurou pelo canal onde o youkai se conectava. Não demorou muito a encontrá-lo.
Assim que abriu os olhos Kagome e somente Kagome pôde ver. Havia alguém com uma intenção maligna monstruosa e sede de vingança e destruição. Este ser dominava algumas emoções Rin assim como ao youkai que estava próximo a eles e também os interligava. Ela precisava desfazer aquilo imediatamente.
Estendeu seu arco e flecha e procurou pela luz que lhe mostraria o caminho. Não demorou muito até que a mesma começasse a brilhar. Com a ponta da flecha na direção do coração de Kaname, Kagome atirou e viu o mesmo que aconteceu a Naraku acontecer ao youkai. Antes de tocá-lo, a flecha desapareceu e segundos depois, o estranho fio que unia Kaname a Rin caiu.
Raiden, de seu quarto, sentiu o vento trazer-lhe um cheiro totalmente diferente. Yosuke, na sala de sua casa, sentiu uma mente nunca antes vista com inúmeros planos traçados. Sesshoumaru, do alto de uma colina, sentiu como se uma parede estivesse despedaçada como vidro quebrado.
Finalmente o haviam encontrado.
[…]
– Filha, já está na hora de dormir. – Dizia Akiyo enquanto Natsumi refazia seu pedido.
– Mas mamãe, faz muito tempo desde que a senhora fez isso! – Suplicava a menina.
Akiyo olhou para a filha e acabou cedendo aos olhos vermelhos pedintes. Ela já estava com sua roupa de dança e já havia dançado muito para Natsumi, mas a menina queria ver e aprender mais.
Ela pegou o véu preto e começou sua dança. Pelo quarto da filha, ela começou a girar e dançar. Balançava o véu e o corpo com perfeição, enquanto sua cria sorria. De repente, Akiyo sentiu-se jovem outra vez. Há muito tempo não dançava e percebeu o quanto gostava de fazer isto.
Colocou uma perna à frente e moveu com facilidade o quadril. Inclinava seu tronco para trás e as ondas de seu cabelo pareciam uma cascata castanha. Voltou a pegar o véu e dançar pelo quarto. Depois, subiu na cama de Natsumi e a filha começou a dançar como ela.
As duas brincavam e sorriam sobre a cama. Até que Akiyo desceu e continuou dançando com o véu, enquanto Natsumi voltou a se sentar e observar a mãe. Ela estendeu o véu atrás de si e moveu seus quadris de maneira rápida e depois, com um enorme sorriso no rosto, jogou o leve tecido para cima e o pegou.
Balançou o véu de um lado a outro e girou na direção da porta, encontrando outro par de olhos vermelhos. No mesmo instante ela parou o movimento e enrolou o manto em seu pescoço. Natsumi olhou de um para o outro. Já sabia que seu pai estava ali há bastante tempo, mas não entendeu por que sua mãe parou de dançar e ficou tão séria.
Naquele momento o olhar de Raiden sobre Akiyo era tão hipnotizante que ela não conseguiu reagir. De repente, todos os movimentos que sabia desapareceram. O youkai estava encostado ao portal e tinha os braços cruzados, o que indicava que estava ali há bastante tempo. Akiyo sentiu seu rosto esquentar um pouco.
– Na-Natsumi… Está na hora de dormir. – Pronunciou ainda sem desviar os olhos de Raiden.
– Por que mamãe? – A menina cruzou os braços.
– Porque está tarde, filha. – Ela ainda não havia desviado os olhos de Raiden.
O youkai descruzou os braços e entrou no quarto. Em seguida, sentou-se na cama da filha e apalpou o espaço ao seu lado para que ela se deitasse. A hanyo entendeu e fez isto. Deitou-se bem próxima ao pai e o abraçou. Ele a cobriu e acariciou seus cabelos negros e ondulados.
– Eu cuidarei de Natsumi esta noite. – Ele se dirigiu a Akiyo. – Pode se recolher.
A humana sentiu uma onde de frieza lhe atingir e caminhou em direção a cama, onde se debruçou e beijou o rosto de sua pequena. Seus cabelos tocaram a mão de Raiden que estava em Natsumi e isto não passou despercebido a ele. Os cabelos de Akiyo sempre lhe foram muito atrativos.
– Boa noite, estrelinha. – A humana sussurrou ainda beijando a hanyo. – Eu te amo.
– Boa noite, mamãe. – E a hanyo se aconchegou ainda mais ao pai.
Akiyo olhou para ela mais uma vez e saiu do quarto. Assim que fechou a porta, um nó se formou em sua garganta. Raiden havia passado o dia inteiro sem qualquer indício de mudança. Continuava frio e distante, totalmente diferente do youkai que a amou durante à tarde do dia anterior. Recusou-se a chorar e foi para o quarto. Lá se banhou e deitou-se na cama. Deixou a janela aberta, para admirar o céu cheio de estrelas e aproveitar o vento frio da noite. Demorou, mas ela pegou no sono. Só havia se esquecido de que estava dormindo no quarto que não era o seu.
Raiden entrou em seu quarto e teve uma bela visão como há muito não tinha. Akiyo estava deitado em sua cama e tinha os cabelos esparramados por ela. A luz da lua refletia pelo lençol branco e por sua pele bronzeada, que estava arrepiada, pelo vento frio.
Desde o dia em que ficou desacordada pelo ataque de fúria de Raiden, Akiyo estava dormindo em seu quarto devido ao repouso absoluto que ele lhe impusera. O youkai não se incomodava com isso, já que não precisava dormir, mas por aquele ser o seu quarto, de tempos em tempos ele precisava entrar ali e não era fácil ver Akiyo em sua cama. Ele caminhou em direção a janela e olhou o céu estrelado. Não demorou em sua observação e fechou a mesma. Segundos depois, Akiyo acordou.
A humana abriu os olhos devagar e piscou por várias vezes até focalizar a janela fechada. Tentou se levantar, mas sentiu uma forte dor de cabeça devido ao sono leve e pouco. Virou-se para frente e focalizou o teto. Quando olhou para o lado, assustou-se. Raiden estava de pé e a olhava.
Subiu o cobertor e cobriu os seios, já que estava com roupas de baixo. Apoiou-se sobre um dos cotovelos para observá-lo melhor e sentiu sua cabeça latejar outra vez. Dormir sozinha havia se tornado uma tortura, ela ainda precisava de alguém bem próximo a ela.
– Raiden… Aconteceu alguma coisa? – Questionou preocupada e com os olhos fechados.
– Existe algo que você deve saber. – Ele caminhou em direção a ela e se sentou na cama. Akiyo abriu os olhos.
– Diga. – Ela ficou preocupada.
– Amanhã, quando você acordar, eu provavelmente não estarei mais aqui. – Ele esperou por uma reação dela e a mesma veio.
– Como assim? Você vai partir? Vai embora? Vai nos deixar? – Ela ficou muito nervosa e ele sorriu minimamente.
– Recebi um pergaminho de Sesshoumaru-sama hoje e teremos de partir em viagem em busca de um inimigo. Já conversei com Natsumi a respeito disto e ela não pareceu muito contente com a idéia, mas aceitou.
Akiyo desviou os olhos dele e sentou na cama. Parecia querer falar inúmeras coisas, mas não encontrava as palavras. Ela passava os dedos pelo lençol, incomodada com algo. Raiden ainda a observava minuciosamente.
– E você vai… demorar? – Ela o olhou depois da pergunta.
– Esta viagem pode ser rápida, ao mesmo tempo em que pode ser longa. Ainda não sabemos. – Akiyo desviou novamente o olhar dele. – Não se preocupe. Já deixei tudo acertado com Seiko e…
– Você sabe que não é isso que me incomoda. – Ela o interrompeu.
– Então o que te incomoda?
Ficar sem você. Eram três palavras. Doze letras. E nenhuma coragem.
– Já que você vai… viajar e não sabe quando voltará, pode… — Ela olhou em seus olhos. – Pode ficar comigo esta noite?
Os olhos vermelhos de Raiden cintilaram. Ela estava pedindo para que ele a colocasse para dormir e todo o corpo do youkai respondia sim. Ele se levantou da cama e puxou o lençol, para em seguida se deitar na mesma.
Enquanto Raiden se movia, Akiyo se deitava juntamente com ele. Os dois ficaram frente a frente na cama e se olhavam intensamente. Ele percebeu que o coração dela acelerou e os olhos estavam marejados.
A humana se aproximou ainda mais dele e pegou sua mão colocando-a em sua cintura. Estavam muito próximos um do outro e ele sentiu ser hipnotizado pelos olhos cor de mel que brilhavam tão intensamente.
A humana havia aceitado o fato de que Raiden nunca mais seria seu. Aquela havia se tornado uma dor que ela podia suportar. Mas todas as suas fortalezas contra ele caíram por terra quando se amaram na tarde anterior. Ela acabou descobrindo que o amava ainda mais que antes e que nunca reverteria esta situação. Decidiu tentar mais uma vez. Já não o tinha, então não corria o risco de perdê-lo.
– Eu te amo. – Foi tudo o que ela disse e algo pulsou no interior do youkai.
Ela tocou seu rosto e delicadamente beijou seus lábios. Afastou-se e voltou a olhá-lo.
– Você pode não me amar, mas isso nunca mudou o que eu sinto por você.
Akiyo voltou a beijar os lábios de Raiden e ele correspondeu. O que mais poderia acontecer entre os dois deitados naquela cama? A mão que segurava a cintura de Akiyo delicadamente agora a apertava com força, demonstrando posse, desejo. Ela colocou sua perna no quadril do youkai e ele deslizou sua mão por suas curvas, até segurar a mesma.
Manter-se afastado dela foi o que Raiden havia tentado fazer durante todo o dia. Fazia muito tempo desde a ultima vez em que ele permitiu que os desejos de seu coração viessem à tona e quando se encontrou no interior dela, entendeu que a saudade que sentia daquela mulher era muito maior do que ele imaginava.
Os beijos continuaram intensificando-se a ponto de Akiyo sentir seu corpo inteiro estar em febre. Ela, que tinha as mãos na nuca de Raiden, o puxava cada vez mais e ele se deixou levar. Cobriu Akiyo com seu próprio corpo e a mão que não estava em sua cintura, deslizou por sua coxa. Era só o início de uma noite que estava longe de acabar.
[…]
Já havia perdido as contas de quantas vezes havia repetido aquela ação, mas não se importava. Tudo o que Nobuko sentia era algo tomar seu corpo e o prazer tornar-se extremo. Estava no colo de Yosuke e cavalgava sobre seu membro.
O youkai segurava sua cintura e estava recostado a cabeceira da cama. Sentia que não poderia se segurar por muito mais tempo, todavia, controlava-se porque adorava admirar a maneira como ela fazia as coisas. Se soubesse que a gravidez lhe aumentava tanto o desejo e o fôlego, já teria feito muitos filhos nela. Seu pensamento foi interrompido porque ele sentiu o interior de Nobuko se contrair. Não conseguiu mais se controlar. Seus olhos tornaram-se vermelhos e ele se despejou em seu interior, gozando de um orgasmo maravilhoso para ambos.
A humana precisou recuperar o ar e ficou bastante tempo respirando profundamente de olhos fechados até que olhou para Yosuke. Ele tinha um lindo sorriso no rosto e ela sentiu-se derreter por alguns instantes. Como sempre era muito preocupado com o bem estar daqueles que amava, ele tocou sua barriga certificando-se de que seu filho estava bem.
– Ele está ótimo. – Ela colocou sua mão sobre a dele. – Não poderia estar melhor já que sua mãe está muito feliz.
Ele desencostou da cabeceira e juntou seu corpo nu ao dela.
– Por que está feliz?
– Porque eu te amo. – Ele continuou olhando em seus olhos por bastante tempo até que a retirou de seu colo, saindo de seu interior.
Nobuko estranhou o fato e se enrolou no lençol ainda com os olhos no youkai. Ele foi até uma das gavetas e pegou dois objetos. Em seguida, segurou- a pela mão fazendo com que ela, ainda enrolada no lençol, senta-se a beirada da cama e se ajoelhou. Ali, um pouco mais baixo que Nobuko, ele podia olhar perfeitamente em seus olhos e nenhuma de suas emoções escapariam. Era isto o que ele queria.
– O que aconteceu, Yosuke? – A humana estava nervosa. Não entendia o comportamento do youkai.
– Tentei pensar em várias formas de fazer isto, mas nenhuma parecia tão adequada quanto a que realizarei agora. Não existe chance de eu estar em um santuário e certamente sua família não virá até aqui. Para mim, os costumes humanos não importam, visto que eu a marquei como minha fêmea, mas sei que para você isto tem significado.
Os olhos negros de Nobuko olhavam Yosuke atentamente. Ele percebeu seu coração disparado e segurou sua mão. Intensificou o olhar e finalmente iniciou o que pretendia fazer.
– Quero que, a partir de hoje, você seja a minha esposa pelas leis youkais, pelas tradições e acima de tudo por seus sentimentos. Aceite estes presentes como forma de oficializarmos esta união.
Ele lhe estendeu um obi, que significava virtude feminina e depois lhe deu um suehiro, que simbolizava o desejo de felicidade e de um futuro melhor. A expressão de Yosuke era séria e sua voz sem qualquer emoção, mas aqueles olhos cinza de bordas azuis revelavam muito mais do que Nobuko jamais havia visto. Seu coração se encheu de alegria, seus olhos de lágrimas. Abriu um sorriso e estava com a resposta preparada, mas se deu conta de que não tinha nada para dar em troca.
– Eu não sabia… Eu não tenho nada para lhe oferecer, Yosuke…
– Você já me deu algo que eu nunca serei capaz de retribuir. – Ele desviou os olhos dela e mirou seu ventre. Tocou-o com sua mão. – E está gerando outro agora.
Ao ouvir aquelas palavras, toda a emoção que ela tentava segurar veio à tona. Nobuko baixou a cabeça e fechou os olhos para tentar impedir que as lágrimas descessem. Foi inútil.
– Olhe para mim. – Ele levantou seu rosto e ela o fitou. Entrelaçou seus dedos. – Você é a fêmea que eu escolhi para marcar como minha. É você quem eu quero todas as noites e todas as manhãs em minha cama. Não existe alguém que seja capaz de sentir por você o que eu sinto agora e lhe prometo que você pode me entregar sua vida, pois eu a farei eternamente feliz.
Ainda chorando, Nobuko sentia-se em um sonho.
– Verdade? – Ela o perguntou.
– Sim. – Ele segurou sua mão desta vez. O presente ainda estava na outra mão.
– Então diga o que nunca antes você me disse, Yosuke.
O youkai aproximou seu rosto ao dela e deixou seus presentes sobre a cama para tocá-la com as duas mãos. Segundos depois de analisar cada emoção sua, ele se certificou de que era somente o que ela precisava para que tudo definitivamente ficasse bem entre os dois.
Olhando fixamente em seus olhos e buscando todo sentimento em seu frio interior, ele abriu os lábios e todos os sentimentos que outrora eram ocultos, revelou.
– Eu te amo, Nobuko.
O sorriso mais lindo que o youkai já vira estava estampado na face da mulher a sua frente. Ela chorava, mas agora suas emoções eram diferentes. Ele podia ouvir claramente o sim que ela pensava, mas não verbalizava, porque o beijava seus lábios, selando de vez aquela união.
[…]
Bakusaiga e Tenseiga já estavam devidamente postas em sua cintura. Sesshoumaru estava no alto de uma colina completamente concentrado e atento a tudo ao seu redor. Era madrugada e ele olhava para a lua enquanto seus pensamentos estavam na Aldeia de Inuyasha.
O Inuyoukai pensava em sua Rin. Certamente ela estava sofrendo agora, mas ele não podia arriscar contar-lhe toda a verdade assim como contou a Kaname. O youkai que enfrentavam não conseguia dominar totalmente a Kaname, mas conseguia dominar a Rin. Não podia colocar a vida de sua amada esposa e filhos em risco.
Sabendo de sua tristeza e de como ela poderia estar naquele momento, ele decidiu usar a ligação entre os dois, a marca que colocou em seu ombro, para que ela se sentisse reconfortada. Depois de alguns segundos pensando, encontrou as palavras certas para dizer.
– Rin, mesmo que estejamos distantes agora, nossos corações continuam entrelaçados. Confie em si mesma e no sentimento que tem por mim. Não se deixe levar por pensamentos errôneos. Lembre-se de tudo aquilo que vivemos e nutrimos um pelo outro até hoje. Espere mais um pouco e eu prometo que irei voando até você.
Assim que terminou de pronunciar aquelas palavras, um leve vento soprou levando-as para longe. Não demorou muito até que Kaname, Raiden e Yosuke chegassem e eles partissem em viagem e Sesshoumaru se concentrasse totalmente na batalha que seria travada. Era uma guerra por amor.
Muito distante dali, olhando a lua através da janela da casa de Inuyasha e Kagome, Rin sentia seu coração ser aquecido por lindas lembranças da vida ao lado de seu grande amor. Sentiu seu ombro e coração ficarem quentes e um pequeno sorriso se formou em seus lábios.
Talvez fosse a melancolia, ou talvez só a saudade, mas a menina tinha a impressão de que deveria fazer como quando era criança. Tinha a sensação de que só precisava esperar e confiar em Sesshoumaru.
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