Minha Doce Menina.
26 Em direção a felicidade.
Notas iniciais
Boa leitura.
- Já está de saída Rin? – Perguntou Sesshoumaru chegando ao quarto da moça, que terminava de se arrumar.
- Sim. Logo o funeral irá começar.
- Achei que ia a um casamento.
- Esta é a morte da felicidade para Akiyo, não posso considerar como um casamento.
Aquele era o dia em que Akiyo se casaria. Havia passado um mês desde que ela se separou de Raiden e ambos estavam muito diferentes. A menina nunca mais sorriu e o youkai andava agora muito sério. Quando os dois se encontravam ele não a olhava nos olhos e quando ele o fazia ela sentia-se culpada demais para retribuir.
- Se ela quisesse, Raiden teria resolvido isto.
- E como? – Perguntou Rin.
- Eliminando o que o impede.
- Ou seja, matando Katsuo. – Ela sorriu debochando da fala de Sesshoumaru, assim como Akiyo, acreditava que nem tudo acabava em morte. – Eu só queria saber, o que a fez mudar de idéia e se casar com ele.
Sesshoumaru soltou um sorriso de canto de lábios que Rin notou através do espelho. Ela ficou um pouco perplexa, chateada. Ela sabia o porquê e não havia a contado. Ela se virou.
- Sesshoumaru, por favor, conte-me.
Sentado na cadeira que ficava em sua sala de negócios, Raiden estava separando os papéis que levaria a Sesshoumaru. Ele poderia ter feito isso há muito tempo, mas deixou para o ultimo momento. Nos últimos dias, seus pensamentos estavam longe demais, devido à proximidade do casamento de Akiyo.
O youkai não se conformava em perder sua menina, mas era uma escolha dela aquele acontecimento. Ele recostou-se na cadeira, mas uma vez tentava se convencer de que aquilo simplesmente aconteceu e nada mais ele podia fazer.
Entretanto seus sentimentos por Akiyo não o permitiam pensar de tal maneira. Ele suspirou. Humanos são tão complicados. Antes ela tinha nojo daquele que dali a pouco seria seu marido.
- Ao menos teve sorte seu maldito. – Pensou alto o youkai.
Akiyo, sua Akiyo. A mulher que todas as tardes o visitava em sua casa por apenas alguns instantes e ficava em qualquer parte da casa próxima ao youkai. Aquilo era uma tortura. Tudo lembrava à humana, cada canto havia uma situação com ela.
O youkai agora tinha a mão direita em seu rosto e apoiada no braço da cadeira. Lembrava-se de tudo. Do jeito como seus cabelos balançavam quando ela se virava e o via abrindo-lhe um sorriso que ele adorava ver. Lembrava-se de sua risada, de seu cheiro doce. Da maneira como ela contava suas histórias e quando se emocionava pelas palavras lindas que ele a dirigia. Lembrava-se de quando se deitavam em sua cama e conversavam relaxadamente até que ela levantasse correndo, para dizer que iria se atrasar para voltar ao castelo.
Um sorriso saiu dos lábios daquele youkai, ele sentia sua falta. Lembrou-se ainda da forma como ela ficava na ponta dos pés quando o abraçava depois de correr para sua direção. Lembrou ainda dos beijos que trocavam e da forma como seus corpos atraíam-se, de como seus olhos mostravam o desejo reprimido. O olhar apaixonado, o coração acelerado eram todos tópicos da lista, coisas que ele sentia falta. Balançou a cabeça afastando os pensamentos. Terminou de arrumar os papéis e se preparou para ir ao castelo. Ela não estaria lá, seria mais fácil para ele.
Chegou ao castelo e entregou os relatórios a Sesshoumaru, que percebeu o péssimo humor do youkai.
- Sabe que pode pará-la. – Disse o youkai de cabelos pratas.
- Mas não pretendo fazê-lo. – Respondeu apenas. Sesshoumaru mais uma vez soltou um sorriso de canto dos lábios.
- Faça como preferir.
- Com sua licença Sesshoumaru-sama, irei me retirar. – O youkai o reverenciou e saiu.
Quando Sesshoumaru subia as escadas Rin desceu correndo.
- Era a voz de Raiden aqui?
- Sim.
- E onde ele está?
- Já partiu.
- Oh, não! – A menina saiu correndo, torcendo para que ele já não houvesse saído de vista.
- RAIDEN-SAMA! RAIDEN-SAMA! – Rin corria e gritava ao mesmo tempo atrás do youkai. Temia que ele não ouvisse. O youkai se virou e esperou por Rin.
A menina parou na entrada do castelo ao alcançar o youkai e colocou as mãos nos joelhos. Respirou fundo.
- Sim?
- O senh... Senhor... – Ela tentava juntar o ar. – O senhor precisa... Impedi-la.
O youkai continuou sério.
- Não posso impedir qualquer coisa. Foi uma escolha de Akiyo.
- Mas como pode pensar isso?! Se... – Ela respirou fundo, havia perdido o fôlego pelo grito anterior. — Sesshoumaru já me disse o que aconteceu!
- Não é algo que eu deva me intrometer.
- Raiden-sama ele casará obrigada!
O youkai após ouvir aquela declaração não mudou a expressão.
- Katsuo a obrigou. Raide-sama o senhor não pode deixar.
- Se é obrigada ela deveria ter me contado.
- Por favor, pare de discutir. Precisa encontrá-la e pará-la.
O youkai continuou olhando para Rin e ela se enfureceu com isso.
- Se não fizer alguma coisa, eu farei. Mas ela não será infeliz pelo resto da vida. Ela o ama!
- Foi uma escolha dela Rin-sama. Agora se me der licença, preciso voltar ao meu lar.
- Raiden-sama!
- Até logo, Rin-sama.
O youkai fez uma reverência a humana e foi embora. Caminhava lentamente e Rin estava desesperada. Atrás de si parou Sesshoumaru.
- Ele não irá ajudar, não é?! – O silêncio do youkai confirmou a pergunta de Rin. – Maldito orgulho youkai.
Enquanto isso, sentada a cadeira da penteadeira de sua casa, Akiyo recebia os últimos retoques de seu penteado e maquiagem. Enquanto todos a arrumavam, ela nada falava. Seu olhar estava perdido, seu pensamento não. Ela pensava somente em Raiden e pedia aos céus para que ele fosse salvá-la. Mas era inútil. Ninguém poderia salvá-la. Era seu destino. Estava ligado ao ser que a esperaria a poucos minutos em frente ao homem que os uniria para sempre. Uma lágrima rolou de seus olhos. Era a terrível verdade de sua vida.
- Oh, está emocionada minha Akiyo. – Disse a sua futura sogra que ajudava com a arrumação.
- É. Com certeza esta é uma emoção muito grande para minha filha. – Disse Akemi, que parecia não acreditar no que falava.
E ela tinha toda razão. Sua filha nunca desejaria aquilo. Ainda mais amando intensamente certo youkai.
Akiyo não mais falava, estava totalmente diferente de antes. Não mais era a mesma menina sorridente e alegre. Nem mesmo dançava, só quando Katsuo a obrigava. Não sabia como ele ainda não havia tentado tocá-la a força.
A menina fechou os olhos e respirou fundo, mais uma lágrima caiu e foi rapidamente concertada. A mãe do noivo era extremamente perfeccionista e exigia que ela estivesse nas melhores condições possíveis para o casamento de seu filho.
Armam já estava sentado do lado de fora onde seria a cerimônia, enquanto Aryan sorria alegremente para todos os convidados.
Depois de alguns momentos Rin chegou ao local com dois soldados e foi recebida gentilmente pelo pai da noiva.
- É uma honra tê-la aqui, Rin-sama.
- Ah, é muita gentileza sua Aryan-san. Eu gostaria de ver Akiyo. Onde ela se encontra?
- Está se arrumando, eu a levo até lá.
O homem dirigiu a humana até o local e esta pediu para ficar sozinha com a moça que olhava fixamente para o espelho.
- Eu posso ver o reflexo da sua depressão. – Disse Rin a Akiyo que não respondeu. – Por favor, Akiyo não faça isso. Raiden te ama.
Os olhos da menina encheram-se de lágrimas.
- Porque está falando isso Rin-sama?
- Porque eu sei de toda a verdade, eu sei que está casando obrigada. Se você fizer isso, Raiden nunca mais poderá tê-la como sua esposa e você nunca será feliz.
- Isso eu tenho que aceitar. – Ela abaixou a cabeça e chorou. Rin sentiu seus olhos encherem-se também.
- Akiyo fuja, eu a ajudo. – Ela segurou nos ombros da menina e pode ver como ela estava. Linda, mas não no dia certo, não na hora certa e não para a pessoa certa.
- Eu não posso, eu tenho que fazer isso pela felicidade de todo mundo... – Batidas na porta foram ouvidas e a voz do pai de Akiyo também.
- Minha filha, está na hora. – O homem entrou e olhou a filha que secava os olhos. Rin fazia o mesmo. – Porque as lágrimas?
- Estamos emocionadas com tudo isto. – Mentiu Rin.
- Ah, sim coisas de mulheres. Venha minha filha, eu a levarei até o seu noivo.
Akiyo se levantou e deu o braço ao pai.
- Está belíssima e eu estou muito feliz por você. – O homem depositou um beijo na testa da moça e a levou para o local onde todos aguardavam. Rin rapidamente se dirigiu até o lugar.
Uma musica começou a tocar e todos olharam para trás e viram a noiva que estava muito séria. A cerimônia seria durante a tarde então havia muitas flores abertas no local escolhido e também muitas flores para enfeitar.
A noiva estava vestida em um kimono branco, seu buquê era de rosas vermelhas. O cabelo estava preso para trás na parte de cima e a parte de baixo estava solta, caindo-lhe sobre os seios. Uma pequena franja estava sob sua testa. A maquiagem realçava os olhos diferentes da menina e dava-lhe um ar de princesa. Ela estava realmente linda.
Bateu os olhos em Katsuo e pode ver seu sorriso vitorioso por vê-la caminhando até ele. Ao chegarem perto ele cumprimentou o pai da moça e beijou a mão da menina que o olhava com muita seriedade.
Viraram-se para frente e foi dado início a cerimônia.
Rin estava angustiada. Não acreditava no que estava acontecendo, ela realmente faria aquilo? Pensava em Raiden e qualquer movimentação diferente pensava que era ele chegando para tirar Akiyo de lá e levá-la para sua casa. Rin pedia aos céus para que isso acontecesse, mas achava muito difícil. Raiden era extremamente orgulhoso. Depois de alguns minutos, chegou-se o momento crítico da situação: à hora da aceitação.
- Katsuo, você aceita Akiyo como sua legítima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da sua vida até que a morte os separe?
- Aceito. – E um enorme sorriso saiu dos lábios do rapaz. Aquele era o momento de sua vitória. O sacerdote dirigiu sua palavra à menina.
- Akiyo, você aceita Katsuo como seu legítimo esposo, prometendo amá-lo e respeitá-lo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de sua vida até que a morte os separe?
Um silêncio se fez. Ela olhava para o rapaz e não o respondia. Depois de alguns segundos muitos começaram a comentar e o sorriso nos lábios de Katsuo se desfez. Ele se aproximou do ouvido da moça e sussurrou:
- Está perdendo a noção das coisas sua vadia, abra a sua boca e fale.
E voltou a sua posição com um sorriso no rosto.
- Perdoem-na, a minha noiva está muito nervosa. – Ele disse sorrindo e apertou a mão da menina indicando que ela deveria responder.
Ela ainda não conseguia falar, aquele não era para ser o momento mais feliz de sua vida? Katsuo apertou sua mão mais uma vez.
- Akiyo. – Chamou o sacerdote. – Você aceita?
Ela olhou para aquele que a chamara e olhou mais uma vez para Katsuo.
- Aceito. – Os pais dos noivos suspiraram aliviados e Katsuo sorriu vitorioso mais uma vez. O sacerdote retomou a palavra.
- Se existe alguém que possa impedir esta união que fale agora ou cale-se para sempre.
Um silêncio. E Katsuo sabia que ganhara aquela luta. Um silêncio. E Rin esperava que algo acontecesse. Um silêncio. Que para todos era normal. Um silêncio. E Akiyo sentia-se como se tudo para ela tivesse acabado.
O reverendo olhou mais uma vez para os lados e abriu a boca para falar.
- Sendo assim com o poder...
- Espera! – Todos olharam para trás. Rin não conseguiria ver aquilo acontecer e Akiyo olhou diretamente para ela. – Ela não pode se casar!
- E porque não? – Perguntou Katsuo irritado com a audácia da menina.
- Porque... Porque... – Ela não sabia o que falar e todos a olhavam e o falatório aumentava. Rin estava nervosa, o que falaria?
- Porque ela não pode se casar? – Perguntou o sacerdote.
- Porque... – Droga ela perdera as palavras e inventaria qualquer coisa. Quando movimentou os lábios uma vez a cortou.
- Porque ela é minha fêmea. – Disse à voz que Akiyo mais desejava ouvir.
- Oh! – Um grito de espanto foi ouvido por todos e detrás de algumas árvores saiu Raiden.
Akiyo e Rin não acreditaram no que estava acontecendo. Ele estava mesmo ali, por ela?
- Impossível este youkai está mentindo! – Disse Katsuo nervoso.
- Está duvidando da minha palavra, humano? – Raiden dirigiu os olhos a ele e o moço pode ver o tamanho de sua fúria. – Além de esta fêmea ser minha está se casando obrigada.
- Minha filha, isto é verdade? – Perguntou Aryan e o velho Armam soltou uma de suas gargalhadas.
Akiyo não respondia, estava chocada. O sacerdote vendo a confusão que aquilo se tornara, controlou as pessoas que prenderam a sua atenção a ele.
- É verdade o que este youkai diz Akiyo?
- Não é verdade! – Interrompeu Katsuo. – Não é Akiyo? – Em seus olhos a ameaça iminente.
- Tire suas mãos imundas dela. – Raiden grunhiu, ele realmente estava furioso.
- Ela é minha mulher! – Enfrentou-o Katsuo. – E você não pode fazer nada para mudar isso.
- Humano, quando dois machos desejam a mesma fêmea eles devem lutar até a morte para tê-la. – Ele sacou as duas espadas relâmpago que carregava. Elas reluziam. – Lute comigo.
- Nãããããão! O meu filho nãããão! – Disse a mãe do rapaz depois caindo devido ao desmaio.
Armam se levantou e puxou a neta para falar-lhe ao ouvido.
- Evite isso minha filha, diga que já pertence a ele.
- Mas...
- Minta se necessário. Nada nos acontecerá eu garanto.
A menina olhou para o avô que tinha um sorriso no rosto. Ele sabia de tudo. O sacerdote vendo o que acontecera ali decidiu intervir.
- Youkai, você afirma que esta humana o pertence?
-Sim. – Disse Raiden com os olhos sedentos pelo sangue de Katsuo.
- Akiyo, você confirma que pertence a este youkai?
Ela olhou para o avô que concordou com a cabeça e depois olhou para Katsuo que desejava matá-la ali.
- Sim.
- Oh! — Os comentários aumentaram mais uma vez.
- Minha filha, porque fez isso? – Lamentava-se Aryan.
- Querido, fique quieto. Graças a Kami-sama, que ouviu minhas orações, Raiden-sama apareceu! – Ela disse sussurrando ao ouvido do marido.
- Como pode...
- Shhhhhh... Vamos ver como isso terminará.
- Sendo assim. – Disse o sacerdote. – Eu não posso declará-la sua esposa Katsuo. Esta humana já pertence a outro.
Rin abriu um enorme sorriso e foi até a mesa, pegando em um prato, um pouco de uma espécie de sopa.
- Vamos Akiyo. – Disse Raiden guardando suas espadas e saindo dali.
A menina olhou para Katsuo e abriu um enorme sorriso. Rin chegou até onde ela estava.
- Vá Akiyo, ele está a sua espera.
- Sim, eu já vou. Mas antes, pode me dar este prato Rin-sama?
- Claro. – A humana pegou o prato e jogou o conteúdo na cabeça de Katsuo. – Era para isso mesmo. – Disse Rin gargalhando.
Ela levantou a barra do kimono, ainda estava com as flores nas mãos. Mas sentiu a mão de seu pai a segurar.
- Você fará mesmo isso minha filha?
- Sim pai. Ele é quem eu amo.
- Estou muito decepcionado. Nunca imaginei que poderia fazer tal coisa.
- Eu também estou pai, mas nada e nem o senhor vai me impedir de ser feliz.
- Vá com Deus minha filha. – A mãe a abraçou e a beijou.
- Seja feliz minha neta e venha me ver. – O velho Armam disse beijando o rosto da neta e depois esta beijou sua mão.
- Obrigada vô, obrigada mãe e adeus pai.
Ela se virou e correu em direção a sua felicidade.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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