- Natsumi! Natsumi!

- Mamãe, por favor...

- Venha até aqui e sente-se para comer.

- Mamãe, sabia que a senhora está linda hoje?

- Não tente me enganar, sua sapequinha, eu te conheço muito bem. – A menina então se rendeu e sentou-se a mesa para comer.

Era uma luta diária. Akiyo passava horas com a menina que insistia em dizer que não precisava comer e sim brincar. Às vezes isso era um tanto estressante. Sua filha poderia ser muito teimosa quando queria.

- Por que você não faz como Kenichi? Ele já acabou de se alimentar e sua comida ainda está toda no prato. – Disse Akiyo lhe chamando a atenção e no mesmo instante a expressão de Natsumi mudou.

Ela morria de ciúmes da mãe, principalmente quando se tratava de Kenichi. Achava que ela o preferia porque ele sempre comia tudo. Akiyo não havia percebido isso, mas Raiden que se as observava naquele momento já.

- Papai! – Chamou a hanyo assim que sentiu a presença do youkai e já iria se levantar quando Akiyo a impediu.

- Você vai ficar sentada aí, até terminar sua refeição. – A menina se virou para frente e cruzou os braços, não queria comer.

Raiden abriu um enorme sorriso. A filha tinha somente sua aparência, mas era idêntica a Akiyo em muitos aspectos relacionados à personalidade. Ambas eram teimosas, persuasivas e bravas, mas tinham um jeito lindo de ser.

O tempo foi passando e Natsumi ainda não havia comido, até que Akiyo se cansou daquela brincadeira.

- Tudo bem Natsumi, se não quer comer, não coma. – Ela disse se levantando impaciente. Raiden olhou para a humana que saiu furiosa e depois olhou para a filha que tinha um olhar suplicante.

- Papai. – Ela chamou com os olhinhos brilhando.

- Sabe que não agiu corretamente com sua mãe, não sabe? – Ele disse docemente e se sentou ao lado dela, pegando-a no colo.

- A mamãe não gosta de mim, papai. Ela só gosta do Kenichi porque ele come tudo. – Ela disse escondendo o rosto no peito de seu pai que a envolveu em um abraço quente e acolhedor.

- A sua mãe te ama acima de qualquer coisa, mas ela admira a Kenichi por ele ser um menino obediente. Agindo dessa forma, você a deixa muito triste. Ela está lhe pedindo para comer, porque se preocupa com você.

- Mas eu gosto de brincar e ela sempre briga comigo!

- Filha, há tempo para tudo. Você tem horário para brincar, para comer, para treinar e para estudar. Não pode passar uma coisa por cima da outra. Se continuar agindo dessa maneira, você estará sendo uma menina desobediente e ficará de castigo. Você deve se desculpar com sua mãe. – Ele a advertiu, ainda com seu tom de voz doce.

- Está bem papai. – Ela o olhou nos olhos. – Eu vou comer um pouquinho.

- Se precisar eu a ajudo. – Ele lhe disse com carinho e ela sorriu em resposta.

Algum tempo se passou e Akiyo resolveu ir até a sala de jantar para ela mesma fazer sua refeição. Estava chateada por Natsumi nunca comer e quando chegou ao local não pôde deixar de se espantar.

A menina estava terminando de almoçar e parecia fazer isso com muito gosto. Ela olhou espantada para Raiden e se perguntava mentalmente como ele conseguira tal proeza. A hanyo percebendo a presença da mãe olhou para trás.

As duas se encararam e a expressão de espanto no rosto da humana deu lugar à seriedade. Ainda estava aborrecida pela filha tê-la desobedecido e isto a deixava muito descontente. Natsumi baixou os olhos e olhou para Raiden que a incentivou a falar.

- Desculpe-me por te desobedecer, mamãe. Eu não queria que a senhora ficasse triste comigo. – Akiyo a olhou desconfiada. Sabia muito bem das artimanhas de sua filha para sair ilesa de algo, mas a menina parecia realmente sincera e ela cedeu ao seu coração de mãe.

- Filha. – A humana se aproximou dela amorosamente. – Quando a mamãe diz que você deve comer é para seu bem. Eu fico muito triste quando você faz este tipo de coisa.

- A senhora ainda está triste? – Ela perguntou nervosa. – Eu já comi tudo! – Ela respondeu mostrando o prato.

- Eu sei meu amor. – Ela disse sorrindo. – E isso mostra o quanto você é uma boa filha. – Elas se abraçaram e Akiyo fechou os olhos ao sentir a filha. Depois, depositou um beijo no rosto da mesma e a olhou sorrindo. – Agora você pode brincar, mas sem correr ou pular, pois você acabou de comer.

- Hai. – Disse a menina que saiu correndo da presença de seus pais feliz por ter feito as pazes com a mãe. Enquanto a hanyo se afastava, Akiyo e Raiden a olhavam. Era uma linda menina com certeza e eles amavam incondicionalmente. A humana acabou se sentando na cadeira em que a filha estava.

Akiyo se virou para Raiden curiosa por saber o que ele havia feito. Não podia negar que ele tinha um poder enorme sobre a pequena e que era algo positivo. Ela abriu um enorme sorriso para o youkai.

Desde o dia em que discutiu com Nobuko, Akiyo e Raiden tinham se afastado. Mas Natsumi sempre iria uni-los. Era para sempre e mesmo que não percebessem estavam conectados um ao outro.

- O que foi? – Disse Raiden observando o sorriso que ela lhe direcionava.

- Que milagre você fez! – Exclamou a humana. Ele sorriu para ela nesse momento.

- Apenas tive uma conversa franca com ela. Natsumi precisava entender que deve haver um horário para tudo.

- Eu tento explicá-la isso desde que nasceu, mas ela não me ouve. É muito teimosa. – Disse Akiyo com sinceridade, mostrando o quanto isto a irritava.

- Isto é porque ela é idêntica a você. – A humana se surpreendeu com a afirmativa do youkai.

- Como assim? – Perguntou ela, realmente não entendendo.

- As duas são teimosas e insistentes. Enquanto você insiste que ela deve comer porque precisa, ela insiste que não deve porque não precisa. Uma tenta provar a outra que defende a verdade, mas no final das contas não tem avanços.

- É verdade... – Disse Akiyo concordando.

- Eu disse a ela que você se entristece quando ele age desta maneira e que isto não pode acontecer, pois tudo o que diz é para o seu bem. Disse também que você a ama e que ela deveria se desculpar por agir erroneamente.

Akiyo ficou encantada com todas aquelas palavras. Ele estava sendo um pai maravilhoso para sua filha e isto lhe fazia muito feliz. Os olhos dela brilharam de outra maneira agora e o youkai arqueou a sobrancelha.

- Seus olhos estão cintilando. O que foi agora? – Ela alargou ainda mais o sorriso.

- Eu sempre soube que você seria um ótimo pai. – Ela se levantou e beijou a bochecha do youkai. Depois disso o olhou mais uma vez nos olhos e sorriu, saindo da sala.

Raiden ficou espantado com o gesto, mas não pôde negar que gostou.

*

- Sesshoumaru, isto tem que ser agora?

- Já era para ter sido. – Ele disse firmemente e ela viu que não adiantaria insistir.

Os dois se direcionaram ao pátio de treinamento onde Kaname já os esperava. Rin o olhou desconfiada, mas observou um comportamento diferente nele. Aquele olhar maldoso havia desaparecido e dado lugar a um olhar totalmente sério.

- Já está pronto. – Afirmou Sesshoumaru.

- Sim. Rin. – Ele se virou para ela. – Venha até aqui.

A humana olhou para Sesshoumaru que a incentivou a fazer o que ele dizia. Ela se aproximou dele que a direcionou até uma bancada, onde havia vários tipos de armas. Todas eram diferentes e particulares, ela esperou que ele dissesse o que deveria fazer.

- Você deve escolher qual delas melhor se adaptará a você. – Disse Kaname, em um tom muito sério.

Rin olhou aquelas armas por muito tempo. Havia muitas coisas ali, mas o que lhe chamou a atenção foram o arco e a flecha. Ela passou a mão pelo objeto e se lembrou de Kagome. Provavelmente ela já estava dando a luz e Rin precisaria ir visitá-la.

- Acho que este... – Ela disse um pouco insegura.

- Embora a escolha seja pessoal, acredito que esta não seja a arma mais adequada para você. Então treinaremos com ela.

- Resolverei alguns problemas aqui mesmo no castelo. – Disse Sesshoumaru e neste mesmo instante Rin o olhou.

- Tudo bem meu amor, mais tarde nos vemos. – Ela disse sorrindo e se virou para escolher as armas.

- Kaname. – O youkai o olhou. – Não seja piedoso.

- Conte comigo, primo. – Sesshoumaru se virou e caminhou lentamente até o local desejado, enquanto Rin olhava para Kaname com os olhos arregalados. – O que foi?

- Primo?! – Ela disse surpresa.

- É apenas uma maneira de irritá-lo. – Disse o youkai descontraído. – O irmão de meu pai casou-se com uma das irmãs de sua mãe. Não temos ligação direta, mas costumávamos nos encontrar em reuniões de família.

- Ah, sim. – Ela pareceu entender.

Durante toda tarde Rin ouviu Kaname lhe falar e explicar para que servia cada uma daquelas armas. Arriscou-se ainda a ensiná-la alguns golpes e ajudá-la em algumas duvidas. Quando foi para seu quarto banhar-se encontrou Sesshoumaru a sua espera.

- Como foi? – Perguntou com um tom de ordenança.

- Tranqüilo. Kaname estava muito... Diferente. – Ela disse parecendo achar aquilo estranho.

- Era apenas uma provocação, para saber qual tipo de lutadora você tem.

- E será que ele já descobriu? – Ela perguntou curiosa.

- Certamente.

Encerraram o assunto por ali. Depois se banharam juntos e se amaram intensamente, mas Rin ainda estava incomodada. Kaname parecia muito diferente.

Notas finais
O que será que deu em Akiyo? E que bicho mordeu o malvado Kaname?

Beijo e até a próxima.