- Você deve se concentrar. – Ele disse seriamente. – Se isto fosse um campo de batalha contra qualquer youkai já estaria morta.

Kaname não poupava palavras e nem mesmo tratava Rin com total reverência. Era abusado, ousado e isso era algo totalmente novo para a humana, já que todos tinham medo de se aproximar da mesma por causa de seu marido.

- Não é tão simples Kaname. – Ele disse a contragosto.

- Então pense em Hideaki nas mãos de um youkai a pouco de ser morto. Sua flecha é a única que pode salvá-lo. E então? O que vai fazer?

-Ah! Kaname! Você está me deixando ainda mais nervosa! – Ela disse impaciente. O youkai a olhou e sorriu de lado, de um jeito muito safado.

- Eu sei, sempre causei isso em fêmeas. – Rin revirou os olhos e se concentrou no ponto em que ele ordenou que ela atirasse a flecha.

Ela atirou. Mas não acertou.

- Lamento informar Rin-sama. – Ele disse debochadamente. – Mas seu querido filho acaba de ser morto. – Ela o olhou furiosa.

- Não diga uma coisa dessas!

- Mas é verdade! Ele morreu de uma forma horrível. Coitado, tão jovem! – Lamentou-se o youkai com cinismo.

- Você está ficando louco! – Rin rangeu entre os dentes e se aproximou dele. O youkai a olhou sério.

- Se você concentrasse a vontade que tem de me matar em atirar a flecha, teria acertado. – Ela o encarou séria e depois de desviar o olhar, largou o arco.

- Acho que me precipitei em querer treinar.

- Ou se precipitou em escolher a ferramenta. Como disse no primeiro dia, esta não é a arma que acho mais adequada para seu tipo físico e sua personalidade. – Rin ficou curiosa e olhou para o youkai.

- O que você acha Kaname? – Ele retribuiu o olhar e esperou antes de responder.

- Acho que você é baixa demais para usar um arco desse tamanho e que não é do tipo que fica parada em uma batalha, ou que tem paciência. – Ela ficou um pouco constrangida com a observação. – Você é do tipo corpo a corpo. Olho no olho.

- Como você chegou a essa conclusão? – Ela perguntou apenas para desviar o assunto e ele sorriu, afastando-se dela. Ficou parado a alguma distância.

- Você deve me acertar antes que eu a alcance ou irei te matar.

- O quê?! Como assim? – Ela ficou nervosa.

- Estou indo. – E no mesmo instante ele correu em sua direção. Ela tentou pegar o arco, posicioná-lo e atirar, mas como previu não daria tempo. Teria que se defender com as próprias mãos e foi isso que fez.

Kaname estendeu a mão com as garras afiadas para perfurá-la, mas ela desviou entortando o corpo e esquivando-se para o lado. O youkai tentou atingir sua barriga com o cotovelo, mas ela o bloqueou com o braço. Ela sorriu, ele estava surpreso.

Mesmo assim não se deixou abalar, tentou golpeá-la por trás, mas ela jogou o tronco para frente e a mão do youkai passou direto. Ela recuou e eles ficaram de frente, mas antes que pudesse pensar em algo Kaname estava a suas costas com as garras em seu pescoço.

- Achei que a mataria antes. – A voz era sussurrada em seu ouvido.

- Assisti muitos treinos de Hideaki para simplesmente não saber me esquivar. – Ela sorriu. Ele se afastou e caminhou em direção a mesa de armamentos.

- Espero que na próxima, você me dê mais alguns minutos de prazer.

- N-não fale dessa maneira Kaname. – Disse Rin corada. Ele a olhou com a sobrancelha erguida.

- Não fique envergonhada, sabe que isso me excita ainda mais. – O rosto de Rin ficou completamente vermelho desta vez e ele gargalhou. – Mas é claro, no contexto do combate.

- Eu sei, mas será que as pessoas que estão ao nosso redor sabem? – Ele pegou um objeto e caminhou em direção a ela.

- Mas nós dois sabemos do que se trata, não é?! Então o resto não importa. – Kaname parou frente a ela e lhe mostrou um objeto. Ela pareceu não compreender.

- Um kanzashi? – Perguntou em dúvida.

- Exatamente, mas não é qualquer kanzashi. É uma arma. – E ele revelou as pontas pontiagudas de ferro. – Uma fêmea com este tipo de kanzashi além de ser linda, pode ser fatal.

Rin analisou seu rosto por um momento, ele parecia estar se lembrando de algo do passado e que lhe trazia algumas sensações. Ela notou isso pela forma como ele falava e olhava para o objeto. Uma curiosidade foi despertada.

- Você já lutou contra alguém que usava isto?

- Sim. – Respondeu simplesmente.

- E o que aconteceu?

- Ela perfurou meu tórax.

- E como pode dizer isso com tanta naturalidade? – Kaname levantou os olhos.

- Eu já havia atravessado minha espada em seu peito. – Disse com ainda mais naturalidade. Rin ficou boquiaberta. Para youkais, a vida alheia era simplesmente mais alguma coisa.

- Isto foi dela? – Rin tocou a flor vermelha perfeitamente esculpida.

- Não. É algo que eu sempre mantive comigo. Você não é a primeira fêmea que treino.

- Você vai me dar isto? – Ele a olhou.

- Não.

- Ora, mas por quê? Eu preciso treinar com ele. – Ela disse tentando convencê-lo, já que achou o objeto lindo.

- Você apenas o quer pela beleza. – Ela sorriu marota. – E este não é um dos mais belos.

- E então... Você vai me dar um mais belo? – Kaname sorriu com a estratégia dela.

- Quem sabe? – Ela alargou o sorriso. Era uma possibilidade.

- Rin! – Gritou Jaken e a atenção de ambos foi tirada. – Já é hora de você terminar este treino e ir para o castelo se banhar. Logo o jantar será servido.

- Hai Jaken-sama. – Ela olhou para o youkai a sua frente. – Então... Até amanhã Kaname. – Ele apenas sorriu, voltando a colocar o kanzashi no lugar.

- Sesshoumaru-sama pediu para perguntar-lhe se desejará uma festa de recepção? – O youkai se virou com a sobrancelha erguida.

- Claro que sim e com tudo o que tenho direito. – E o youkai alargou o sorriso. Jaken apenas o deu as costas. Certamente era um youkai irritante.

*

Estava sentada observando sua pequena cria rabiscar em alguns pergaminhos. Eles conversavam e sorriam um para o outro. Fazia muito tempo que ela não dedicava este tipo de atenção a ele e sabia o quanto fazia falta.

- E então?! Terminou? – Perguntou Nobuko.

- Ainda não mamãe. – Disse Kenichi concentrado.

- Hum... Mas que artista sério! – Ela brincou e ele apenas a olhou divertido. Depois de mais alguns minutos, ele levou o pergaminho até ela.

- Aqui está.

- Que lindo, meu filho. – Ela disse com sinceridade. – Este aqui é você, não é?! – Ela apontou para um pequeno desenho em formato de homem.

- Uhum... Este aqui é o papai e esta é a senhora. – Ele apontava.

- E o que é isso na minha cabeça filho? – Ela perguntou sorrindo.

- É que a senhora é uma princesa e princesas usam kanzashis lindos.

- Ah... Meu amor... – Nobuko o abraçou apertado, dando-lhe inúmeros beijos pelo rosto. Ele sorriu. Amava quando ela fazia isso, mesmo ficando sério quando ela o olhava depois do ato.

O pequeno hanyo sentiu seu pai se aproximar e logo ficou em atenção. Nobuko sabia que quando ele ficava daquela maneira, era porque Yosuke estava se aproximando.

- Boa tarde meu pai. – Cumprimentou o pequeno assim que seu genitor passou pela porta.

- Boa tarde meu filho. Como foi seu dia? – Perguntou em um tom sério.

- Correu tudo bem. – Kenichi respondeu. Nobuko o olhou sabendo que ele agia assim perante seu pai para mostrar que já era crescido, mas em seu coração ele ainda era um bebezinho.

- E seu dia Nobuko? Como foi? – Ela o olhou e pôde perceber que ele lhe lançara um olhar significativo.

- Foi um bom dia. – Respondeu simplesmente.

Yosuke desviou sua atenção para algo que viu a seu lado. Natsumi corria fazendo uma enorme bagunça com Raiden do lado de fora tendo Akiyo sempre chamando sua atenção.

Nobuko o olhava naquele momento sabendo que deveria complementar sua fala, mas teve um pouco de medo. Contraiu os lábios e no final das contas, decidiu falar.

- Yosuke... – Ele a olhou novamente e esta olhou para baixo. – Nós estávamos te esperando para jantar. Você irá nos acompanhar? – Ela voltou seus olhos para ele, ainda envergonhada e recebeu em resposta um enorme sorriso.

- Sim. – Ele disse realmente feliz. – Apenas irei me banhar.

- Hai. – Ele disse em reposta e voltou a observar seu filho.

O youkai subiu as escadas sorrindo. Aquilo era um sinal de que ela estava tentando se aproximar e criar novos laços com ele. Mesmo que nunca admitisse, tinha esperanças que iria voltar a chamar de esposa a mulher que tanto amava.

Nobuko continuou sentada e olhava ao seu redor. Estava se sentindo um pouco mais aliviada por ter conseguido falar com ele. Ela queria que tivessem uma boa relação, pois eles tinham um filho juntos e era só isso. Só isso.

Olhou mais um pouco até que algo lhe chamou a atenção. O lindo buquê que Raiden havia lhe dado. Ela abriu um enorme sorriso. Ele sempre acabava lhe fazendo sorrir.

Notas finais
Para quem me acompanha desde "O amor, você e eu", sabe que eu não dispenso uma boa festa e que esta sempre traz novidades. E então o que acham que irá acontecer?

Beijo e até a próxima.