Minha Doce Menina.
5 De um inferno para outro.
Notas iniciais
Boa leitura.
Rin caminhou muito durante todo aquele dia. Conheceu o castelo, estava pela cidade e apenas queria refrescar-se naquela tarde tão quente. Seus pés doíam e seu rosto pingava suor. A sua empregada humana, Akiyo, que era apenas um ano mais velha que Rin conhecia muito bem aquele lugar e decidiu levá-la a um riacho escondido por imensas árvores e montanhas.
Enquanto estava molhando o rosto no riacho, a luz do sol aquela tarde era terrivelmente quente e a humana só queria um vento para se refrescar. Foi quando uma enorme ventania pairou sobre aquele lugar balançando bruscamente seus cabelos. Ela tentou entender o que havia acontecido e quando olhou para o céu, apenas viu que o vento havia se acalmado.
-Sesshoumaru-sama, o senhor tem visitas. – O grande youkai estava sentado em sua cadeira de costas para a mesa e observava o céu.
— Mande entrar. – Disse para o empregado.
— Quem é aquela humana que está com sua empregada? – Disse a youkai entrando na sala de negócios de Sesshoumaru que apenas a olhou, não tinha de lhe dar explicações. – Bom quem quer que seja não me importa. Estou aqui por outros motivos.
A youkai se aproximou de Sesshoumaru e o abraçou, beijando-lhe o pescoço e sentando-se em seu colo. Ele permaneceu imóvel a ela, apenas observava o céu límpido.
Já no final da tarde Rin voltou para casa, não deu tempo de encontrar-se com Sesshoumaru, pois a única coisa que fizera foi estar fora durante todo o dia. Foi tomar seu banho e desceu para o jantar. Não acreditou quando viu uma mulher com cabelos negros presos por duas penas brancas. Era Kagura, ela estava parada frente à porta principal com Sesshoumaru a sua frente. Kagura que há anos atrás a havia seqüestrado.
Sesshoumaru percebendo sua presença olhou para a humana que tinha os olhos arregalados. Logo sua expressão voltou a ser a mesma de sempre. Pensou que seria perigoso, mas se Sesshoumaru estava ali ela estaria bem.
— Konnichiwa Sesshoumaru-sama, Konnichiwa Kagura-sama.
— Konnichiwa Rin. – Kagura que antes a olhava com desprezo e sequer iria responder ao seu cumprimento, olhou a humana um pouco espantada. Ela havia estado muito diferente desde quando a viu pela última vez.
— Konnichiwa Rin. Como você envelheceu. – Disse a youkai, zombeteira.
— É verdade. A senhora jantará conosco? – Disse a menina doce, mas ainda sim um pouco amedrontada por estar sob o olhar daquela youkai.
— Infelizmente não, tudo o que queria aqui já consegui. – Ela olhou maliciosamente para Sesshoumaru que continuou com seu olhar frio sobre si. – Até mais humana.
— Até mais. – Rin se dirigiu a sala de jantar, estava com muita fome e o cheiro que vinha de lá era extremamente atrativo.
Quando estavam todos na mesa de jantar (Jaken, Sesshoumaru e Rin.), algo aconteceu que surpreendeu a todos.
— Rin como foi seu dia? – Jaken o olhou boquiaberto, Sesshoumaru nunca havia lhe perguntado como havia sido seu dia.
— Foi longo e cansativo. Conheci muitos lugares e muitas coisas diferentes. – Ela disse com um grande sorriso no rosto.
— Comprou algo? – Outra pergunta que deixou Jaken mais boquiaberto que antes.
— Não, só fui para conhecer mesmo.
— Poderia ter descanso melhor da viajem, visto que chegou aqui há apenas um dia.
— Não Sesshoumaru-sama! Eu queria ver tudo, conhecer tudo. Agora sim eu posso descansar.
O youkai nada mais respondeu, continuou tomando apenas o saquê que lhe era servido. Sesshoumaru pouco havia comido e raramente Rin o havia visto fazer isso.
A humana depois do jantar foi para seu quarto e deitou-se sobre a enorme e confortável cama relaxando em seguida. Passou todo o seu dia como uma princesa, com todos a servindo. Agora era a princesa das Terras do Oeste, mesmo que ninguém houvesse lhe dito isto. Ela era praticamente a filha de Sesshoumaru, pois o considerava como um pai. Esta era sua nova vida, esta era sua nova realidade. Mas uma dor profunda invadiu o coração da moça. Há apenas um dia atrás sua vida era completamente diferente. A forma com que as pessoas a tratavam também. Ela só estava diferente por fora. Vestia roupas mais refinadas, tinha de estar linda e ser educada. Mas por dentro era a mesma Rin confusa, magoada e triste. Aquele quarto a estava deixando deprimida, então ela decidiu caminhar um pouco. Foi para um dos pátios do castelo que possuía um imenso jardim.
A menina sentou-se lá e olhou as flores já fechadas. Exalava o resto de seus perfumes e procurava ser acalentada pela brisa suave da noite que caía sobre si. Até que mais uma vez, uma enorme ventania pairou sobre si, seus cabelos balançavam fortemente sobre sua cabeça e ela pode ver desta vez o motivo desta. Kagura. A youkai parou a sua frente com os olhos fixos em Rin e debochadamente falou:
— O que faz aqui fora neste horário humana? Já deveria ter ido para a cama.
— Não conseguia dormir e então decidi caminhar um pouco. – Ela respondeu docemente e isso irritou profundamente a youkai.
— Pelo que sei você tinha um namorado. Onde ele está agora? – A humana baixou os olhos.
— Disse bem eu tinha. Ele terminou comigo e eu decidi vir morar com Sesshoumaru-sama. – Kagura estreitou os olhos mediante aquela declaração.
— Então veio atrás de Sesshoumaru só porque terminou com seu namoradinho? Acha mesmo que Sesshoumaru lhe dará algum tipo de abrigo sentimental.
— Mesmo que não demonstre Sesshoumaru-sama tem um bom coração e ele me protege sim de todas as formas que uma garota pode ser protegida. – Ela disse defendendo o youkai.
— Hum, então acha mesmo que seu relacionamento com Sesshoumaru vai além do que é agora?
— Eu não disse isso Kagura-sama. Apenas disse que ele é meu protetor, é como um pai para mim. – A youkai explodiu em uma gargalhada debochada.
— Humanos são tão idiotas. Acha mesmo que Sesshoumaru a considera como uma filha? Ele jamais se importaria com uma humana. – Rin se irritou com aquilo. Kagura era terrivelmente debochada e ela estava cansada de agir com gentileza. Levantou-se.
— Então porque acha que ele me trouxe até aqui? Porque acha que ele cuida de mim há anos e cuidaria de mim agora que já posso me virar sozinha? – Kagura parou o riso e estreitou os olhos, começou a caminhar na direção de Rin.
— Você não vai ficar no meu caminho sua criança insolente. Sesshoumaru é meu e não me venha com essa conversa de pai porque não me convence. Experimente me atrapalhar e você vai se arrepender.
— Não precisa ter ciúme de mim Kagura. Não foi você mesma que disse: ” Sesshoumaru-sama não se importa com humanos”? E porque toda essa agressividade se ele pelo visto te trata bem? – A youkai se surpreendeu com todas aquelas palavras. – Sabe uma moça deve-se comportar bem e não usar esse tipo de palavras.
Rin falava inocentemente desta vez, mas Kagura irritou-se imensamente de modo que levantou seu leque para acertá-la quando olhou para cima e abaixou sua mão.
— Está avisada humana.
Pronto. Era isso só o que faltava. Saiu de uma situação ruim para outra. Kagura a ameaçara com grande certeza em sua voz. Onde ela achou que encontraria paz, encontrou maior confusão. Dessa vez seria pior, pois envolver-se com youkais como Kagura era muito preigoso. Colocou uma mão sobre sua testa e a outra sobre sua cintura. Achou que a vida ali seria descomplicada, mas viu que estava redondamente enganada.
Notas finais
O que será que fez Kagura baixar sua mão? E o modo como Sesshoumaru se dirigiu a Rin? Algo está acontecendo nesse castelo, mas o que será?
Beijo e até a próxima.
Fale com o autor