Minha Doce Menina.

6 Desejo pela frieza.


Rin teve um pesadelo horrível e acordou ofegante no dia seguinte. Para a sua surpresa Sesshoumaru estava em seu quarto.

— Ohayo Sesshoumaru-sama. – Ela disse ainda meio assustada e com a mão em seu peito.

— Sente bem Rin?

— Sim Sesshoumaru-sama.

— Rin,eu me ausentarei durante todo dia, no final da tarde retornarei. Akiyo estará as suas ordens, assim como todos os empregados desse shiro.

— Hai.

O youkai estava olhando através da janela do quarto da moça. Logo que este saiu, ela voltou a deitar-se na cama, preocupada com o que havia acabado de sonhar. Sonhou com Kagura. Sonhou que esta lhe deu uma surra que quase morrera. Encolheu-se com o próprio pensamento. Ainda tinha medo daquela youkai, mas estava na casa de Sesshoumaru. Ele sempre a protegeu e sempre a protegeria mesmo que estivesse longe. Mas ainda assim a desconfiança que tinha daquela youkai era muito grande.

Ela resolveu levantar-se e fazer sua higiene matinal. Após tomar seu desjejum ela decidiu caminhar um pouco e aproveitar o sol ainda tímido daquela manhã. Akiyo que estava em sua companhia aproveitava também aquela caminhada.

— Akiyo?

— Hai Rin-sama. – Respondeu prontamente a empregada.

— Com que freqüência Kagura está nesse shiro?

— Bom... Ela sempre vem aqui, mais durante a noite. – A menina se sobressaltou.

— Há muito tempo? — Ela questionou com uma expressão não muito boa em sua face.

— Sim Rin-sama. Desde quando eu era uma criança e meus pais somente trabalhavam para Sesshoumaru-sama.

— E quanto tempo tem isso?

— Aproximadamente dez anos.

Então Sesshoumaru tinha algo com Kagura desde a época em que esteve atrás de Naraku. Ela já desconfiava pelo tom que a youkai usou com ela durante a noite. Decidiu questionar ainda mais.

— Qual é a sua relação com Sesshoumaru-sama?

— Eles não têm nenhuma relação aberta Rin-sama, eles simplesmente encontram-se e ninguém sabe o que se fala ou o que se faz. Tem sido assim desde que ela começou a freqüentar esse shiro.

— E você tem medo desta youkai? – Rin perguntou, caminhava a frente de Akiyo que não podia ver sua expressão.

— Sim senhora. Ela é capaz de qualquer coisa por Sesshoumaru-sama. Inclusive de matar.

— Sabia que ela me seqüestrou quando eu ainda era pequena?

— N-não Rin-sama. – Se a empregada já tinha medo da youkai antes, quem dirá agora depois dessa declaração de Rin.

— Mas Sesshoumaru-sama me salvou. – Ela sorria relembrando o feito.

— Como esperado de Sesshoumaru-sama. – Rin parou, olhando para Akiyo que não entendeu o motivo daquilo.

— Akiyo, você falou como Jaken-sama. – Elas riram em seguida, lembrando do youkai verde.

Novamente ao final da tarde Rin voltou para o shiro. Estava cansada, andou muito mais do que no dia anterior e avisou que não jantaria. Quando Sesshoumaru chegou, estranhou o fato da menina estar tão quieta e durante o jantar não comparecer.

— Akiyo.

— Hai Sesshoumaru-sama.

— Porque Rin não desceu para jantar?

— Ela estava muito cansada meu senhor e avisou que não comeria.

— Ela foi dormir sem se alimentar?

— Não senhor, fez um lanche após se banhar e dormiu.

Sesshoumaru terminou ali sua conversa, continuou a mesa com Jaken e não proferiu mais nenhuma palavra.

Chegando a hora de cada um deles se recolher o grande youkai passando pelo corredor, parou em frente a porta do quarto de Rin e sentiu um pouco do cheiro da menina. Sorriu de si mesmo e continuou seu caminho até o quarto.

Já era alta madrugada quando Rin despertou. Havia ido dormir muito cedo e conseqüentemente acordaria muito cedo. Espreguiçou-se e levantou. Olhou pela janela, pensou que dali para frente seria uma longa noite acordada.

Seu estômago roncou altamente e ela foi diretamente para a cozinha fazer um lanche. A cozinha era grande e espaçosa. Havia uma grande bancada onde a menina achou uma cesta com muitas frutas. Ela escolheu a dedo a maçã mais vermelha. Debruçou-se sobre a bancada e começou a comer, pensando na vida e ficando totalmente alheia a sua volta.

Sesshoumaru que não dormira aquela noite, pois raramente fazia isso, percebeu que a humana despertara e havia saído de seu quarto. Supôs que já tinha reposto toda a sua energia e então decidiu caminhar um pouco. O grande youkai decidiu sair de seu quarto.

Debruçada sobre a bancada e totalmente alheia ao que estava a sua volta Rin comia a maçã. Olhava fixamente para um ponto a sua frente enquanto mastigava lentamente a fruta. .Ela estava apenas com uma leve kimono transparente que se usava somente para dormir. Sesshoumaru não pôde deixar de notar as curvas da menina escondidas apenas por aquele fino kimono branco. Ele estava parado as suas costas e as curvas que esta tinha eram extremamente atraentes. O youkai não entendeu o porquê de seus olhos o traírem daquela maneira, mas logo teve seu transe rompido quando Rin sussurrou palavras perdidas.

— Amar... Não vale a pena. – E um cheiro de lágrima surgiu no ar.

Sesshoumaru sabia muito bem o porquê daquelas palavras: Hajime. Desde muito tempo Rin havia perdido sua doçura e ele sabia que seu relacionamento com o humano a havia deixado dessa maneira. Ela se protegia mais e confiava menos. O youkai sentiu raiva naquele momento do que o humano foi capaz de fazer com sua menina. Mas ele a havia avisado que era isso que se ganhava quando sentimentos eram envolvidos. Sesshoumaru nunca os aceitou e nunca se permitiu aceitar. Sentimentos eram para humanos, seres fracos, inferiores, não para youkais.

Mas então porque saber que Rin sofria o deixava daquela maneira? A vontade de protegê-la e matar aquele a quem feriu o coração da menina era enorme, mas ele não iria fazer isso. Não faria por ela, porque ela sofreria. O que ele queria? Sua felicidade além de tudo? Ao que parecia sim, mas o grande Sesshoumaru não admitiria isso. Não ainda.

Resolveu romper com o transe da menina.

— Rin, deveria estar em sono profundo agora. – Ela se sobressaltou e automaticamente enxugou suas lágrimas. A verdade era que queria parecer forte, mas seu coração nunca a deixava esquecer aquele que a magoou.

— Ah! Sesshoumaru-sama! Eu acho que dormi demais e agora perdi o sono.

O youkai apenas continuou observando-a ela ainda estava de costas e mais uma lágrima teimosa ousou cair de seus olhos e ela tentou esconder.

— É inútil. Eu sei que está chorando.

Aí sim ela desabou. Não queria isso, mas sabia que aconteceria. Ela tentava de todas as formas não ficar sozinha e ocupar sua mente com outras coisas e pessoas. Mas era sempre inútil afinal de uma maneira ou de outra Hajime sempre vinha em sua cabeça. Dor, Rin podia sentir dor em seu coração e aos seus olhos aquilo nunca acabaria. Ela desejou por um momento ser como Sesshoumaru que nunca sofria e naquele instante adotou esse pensamento como um ideal. Abandonaria todo e qualquer tipo de sentimento.

Mas o que ela não sabia era que Sesshoumaru não gostaria que ela desejasse a frieza. Não gostaria que isso se aplicasse à sua querida protegida.

Notas finais
Rin tomou sua decisão, ser frio é o melhor para não se ferir. Mas sendo fria, como seria ser relacionamento com Sesshoumaru? Não são somente os opostos que se atraem?
Beijo e até a próxima.