Minha Doce Menina.

75 Cumprindo o juramento.


Notas iniciais
O que estiver em itálico é lembrança.
Boa leitura.

Nuvens brancas espalhadas pelo céu hipnotizavam os olhos vermelhos que se sentiam seduzidos por elas. Olhar o céu era melhor do que olhar ao seu redor. Parecia estar vivendo uma vida paralela a sua. Onde havia ido parar aquele youkai que apenas tinha fêmeas para satisfazer seus desejos? Onde estava aquele youkai que se recusava a se envolver em relacionamentos? Onde havia ido parar aquele que se dedicava somente aos seus deveres?

Ele desapareceu e tal coisa aconteceu no momento em que pôs os olhos em um cabelo marrom ondulado, na mata e pôde ouvir o choro daquela que tinha o rosto encoberto pelas mãos.

– O que faz aqui? – Ele disse aproximando-se da fêmea. Ela se sobressaltou e encarou os olhos do youkai. – É perigoso andar pela mata sozinha durante a noite.

Ela nada respondeu, seus olhos que estavam vermelhos, inchados e molhados voltaram a chorar e ele não sabia o que fazer. Até que ele se lembrou de onde havia reconhecido aquele cheiro. Ela trabalhava no castelo, não muito tempo. Entretanto nunca percebera que seus cabelos eram tão lindos e nunca teve a oportunidade de encarar seus olhos que também eram lindos.

– Porque chora? – Ele se aproximou mais dela e a viu olhar-lhe e chorar ainda mais. Qualquer que fosse a dor que estava sentindo, era imensa demais para que ela não conseguisse falar. Ele apenas se aproximou e a abraçou, deixando com que ela chorasse ainda mais e se sentisse reconfortada com aquele abraço.

Ali estava o seu erro, ele deveria ter passado fingindo não notar aquela humana, mas foi impossível. Pela primeira vez em sua vida, sentiu seu coração falhar uma batida. Nunca uma fêmea havia despertado-lhe tais sensações. Fechou os olhos e podia ainda sentir as lágrimas quentes de Akiyo correrem-lhe os ombros e molharem sua roupa. Percebeu que nunca soube o motivo pelo qual ela chorava tanto aquele dia.

As coisas haviam mudado. Ela havia mudado. Nem de longe aquela era a mulher que ela havia se tornado hoje. Um monstro, entretanto um lindo monstro.

– Raiden! – A forma como deu o grito demonstrava que há muito tempo estava chamando e que ele não a ouvira.

– Diga. – Ele continuou olhando o céu.

– Vou levar Kenichi a Yosuke. – Disse Nobuko segurando o bebê em seus braços. Esperou que ele dissesse algo, mas mediante seu silêncio percebeu que poderia ir. — Até mais tarde. – Ela disse e ele sequer cogitou responde-la. Esse era um dos motivos de não gostar de pensar em seu passado. A realidade era muito diferente.



– Você não quer ser amamentado, não é?! – Dizia Rin, enquanto Hideaki apenas brincava com seu seio. Ela então o colocou de pé e ele movimentava seus braços em direção aos cabelos negros da mãe.

Esta decidiu caminhar um pouco com ele pelo jardim e passeava pelas flores, enquanto conversava com sua cria naquela tarde de calor. Depois das palavras de seu marido a ela, decidiu que não ficaria tão grudada a criança, mesmo que isto fosse algo do qual ela amava.

Hideaki amava quando Rin saia com ele. Ficava sempre agitado e sorridente, na maioria das vezes dormia muito mais tranquilamente. A mãe decidiu sair do castelo, embora soubesse que não deveria fazer tal coisa sem a permissão de Sesshoumaru.

– Mika. – Ela chamou e a empregada logo estava próxima. – Nós vamos sair agora. Quero que me faça companhia.

– Sim senhora. Aonde nos iremos? – Perguntou interessada.

– A cachoeira.

– Sim senhora. – Disse a empregada e em poucos minutos, já haviam saído do local.

Caminharam não por muito tempo e Rin admirava aquela paisagem que há muito não via. Estar o tempo todo presa naquele castelo a cansava e como era muito agitada, passear lhe dava muito prazer.

Hideaki olhava tudo atentamente. Cada cor diferente, cada movimento era percebido por ele e Rin observava a isso. Talvez ele tivesse puxado a curiosidade da mãe. Ela sorriu com esta possibilidade.

Ao ouvir o barulho da cachoeira, as orelhinhas de Hideaki se mexeram rapidamente. Sua cabeça se moveu em direção ao local e tanto Mika quanto Rin perceberam isso. A humana não pode deixar de sorrir. Uma criança que tinha apenas alguns meses já tão esperta.

A cachoeira reluzia a luz do sol, seu brilho era intenso. Rin colocou seus pés na água e percebeu que não estava muito gelada. Pediu para Mika segurasse Hideaki e retirasse sua roupa, assim como ela fazia consigo mesma. Depois de alguns instantes, ela já estava com ele em seu colo e entrava na água.

A primeira reação do hanyo foi resmungar, mas depois brincava com a água como se nunca tivesse sido apresentado a tal coisa. Batia as mãos na água e conforme esta respingava em Rin ele sorria muito.

Ficaram por vários minutos assim, até que Mika percebeu a presença de Sesshoumaru se aproximar. Instantaneamente virou-se na direção em que o youkai vinha e esperou por ele. Quando chegou a empregada teve medo. Sua expressão era horrível.

– Riiiiiiin! Nunca mais repita uma coisa dessas! – Gritava Jaken. Ela o olhou assustada, não havia notado sua presença ali.

– Eu só vim passear com meu filho Jaken-sama. – Respondeu a ele séria.

– Nunca mais saia do castelo com o herdeiro de Sesshoumaru-sama sem permissão! – Rin revirou os olhos. Jaken sempre esquecia que Hideaki também era seu.

– Não me afastei do castelo, nem saí desacompanhada. Não sei por que tanto alarde. – Ela disse olhando para o filho que agora olhava para a figura imponente do pai, que tinha os olhos em fendas na direção de sua mãe.

– Mesmo assim! Avise-nos antes de sair do castelo! – Jaken realmente estava irritado, mas ele sabia que os pensamentos de Sesshoumaru eram os mesmos que os seus.

– Como iria avisá-los? Ambos estavam em reunião. – Neste momento, os olhos de Rin cruzaram-se com os de Sesshoumaru e ele pôde entender o que ela quis dizer.

– Saia da água e volte imediatamente para o castelo. – Disse o youkai parecendo não querer mais conversa. Ela não iria sair, até que Mika olhou para a direção em que Sesshoumaru vinha. Não foi surpresa ao constatar quem era.

– Sesshoumaru. Eles já chegaram. – A voz doce de Yoi chamou o youkai e ele ainda continuou fitando Rin. Jaken ficou nervoso.

– Não ouviu o que Sesshoumaru-sama disse menina? – Ele brigou mais uma vez.

– Sim, Jaken-sama. – Ela começou a se retirar da água, juntamente com seu filho.

Yoi a olhava divertida. Pela expressão no rosto de Sesshoumaru, Rin havia o irritado de maneira grandiosa. Embora Rin soubesse muito bem que Yoi debochava dela, não se importou. Ela jurou a si mesma não fazer isto e não fez.

Notas finais
Parece que ela realmente não irá se importar, não é mesmo?
Beijo e até a próxima.