Alguns dias se passaram após o episódio da cozinha durante a madrugada e Rin tentava manter a promessa que havia feito para si mesma. Achava-se muito estranho o fato da menina que outrora chegara naquela cidade tão sorridente e cativante estar totalmente séria e quieta. A morena quase não falava e quase não sorria. Eram raras às vezes. Somente Akiyo conversava com a menina. Sesshoumaru não gostava nem um pouco daquilo, mas não se pronunciaria afinal a decisão era de Rin. Jaken agradecia aos céus pela menina parar de falar. Chorar era algo raro para Rin agora, ela tinha se prometido parar com isso. Começara a acreditar que chorar demonstrava fraqueza.

Durante um dia nublado Rin foi informada que havia chegado um pergaminho e imediatamente quis ler.

— Rin-sama, chegou hoje pela manhã.

— Obrigada Akiyo. – A menina pegou-o e começou a ler. – É de Kagome-sama.

No pergaminho falava-se que todos estavam bem e que ela continuava mandando Inuyasha sentar por várias vezes ao dia, mas seu relacionamento com o hanyo estava indo maravilhosamente bem. Ela descobrira que estava grávida e todos estavam muito felizes por isso. Perguntou como estava sendo a vida ao lado de Sesshoumaru e como estava o coração da menina, até que ela leu em sua carta algo que a deixou totalmente pálida. Akiyo que olhava atentamente a expressão da senhora prontamente se colocou ao seu lado e preocupou-se.

— Rin-sama! O que houve? – A menina colocou a mão na cabeça e quase caiu. Tremia. Depois de muito tentar, falou alguma coisa. Sesshoumaru que passava ali naquele momento parou ao lado da porta quando ouviu o que a empregada perguntou a Rin.

— Ha-Hajime... E-Ele vai se casar! – Ela não acreditava em suas próprias palavras. Aquilo a abalou profundamente e seus olhos lacrimejaram, mas ela não derramou uma lágrima sequer.

Sesshoumaru fechou os olhos com aquela informação, deveria estar sendo muito difícil para Rin, mas ela tinha que seguir em frente. Estava imerso em pensamentos quando ouviu a empregada falar.

— Não quer conversar sobre isso, Rin-sama? – A menina abriu a boca por várias vezes e então começou a falar.

— Eu... Eu o conheço desde os primeiros dias em que fui morar com Kaede-sama. Hajime sempre foi meu amigo, companheiro. Ela nunca me deixava sozinha e eu passei os momentos mais difíceis da minha vida ao seu lado. Ele me viu desabrochar e eu o vi se tranformar de um menino a um homem. Nós acabamos nos apaixonando e depois de algum tempo éramos namorados. Ele era o meu mundo, a minha vida e meu tudo. Nos dias te tempestade era ele quem segurava a minha mão e dizia para eu não ter medo e sorria de mim quando eu me assustava com os raios ou os trovões. Quando ele me abraçava eu me sentia segura e sabia que ali era meu lugar. Quando ele me beijava eu podia sentir meu corpo flutuar... Ele tem um beijo maravilhoso.

— Rin-sama sem querer ser indiscreta, mas a senhora se entregou para Hajime?

— Não. Porque como protegida de Sesshoumaru-sama eu tinha de me comportar como uma dama mesmo morando longe dele. Era isso o que Jaken-sama sempre dizia. Mas eu nunca me esqueço uma vez em que ele me beijou os lábios e colocou a mão pelo meu pescoço e desceu meu kimono até abaixo do ombro e beijou o local. Foi a primeira vez que tivemos um toque mais profundo. Ele fez o caminho com as mãos e depois com os lábios. Beijou-me intensamente e depois me deitou no chão. Quando se deitou em cima de mim nós ouvimos Jaken-sama me chamar e paramos tudo.

Sesshoumaru fechou as mãos em punhos, ouvir que aquele humano havia tocado o corpo de Rin mesmo que minimamente o deixou muito irritado.

— Jaken-sama te salvou.

— Sim, hoje eu sei que sim. Mas não foi só Jaken-sama. Inuyasha-sama e Miroku-sama sempre me vigiavam também. Ele era tudo pra mim. Era o primeiro em que eu pensava quando acordava e o ultimo em que eu pensava quando ia dormir. Mas nosso relacionamento foi esfriando, ele parecia não me amar mais e estava cada vez mais agressivo uma vez chegou até a segurar meu braço com tanta força que o deixou roxo. Ele sempre se atrasava nos nossos encontros até que um dia terminou comigo. Ele me humilhou e me desprezou. Dias depois apareceu com uma nova namorada e nós brigamos feio. Esta ainda por cima era uma sem-vergonha que deu em cima de Inuyasha-sama na presença dele. Eu hoje me sinto um nada, porque se ele me trocou por uma mulher como aquela ela deve ser melhor do que eu.

— Ah, Rin-sama eu sinto muito.

— E agora ele vai se casar, com ela!

— Foi certo esta senhora ter te dito isto?

— Claro que sim, eu pedi. Queria saber se ele realmente iria me esquecer e me esqueceu. – A voz de Rin estava embargada, mas ela não choraria.

— Rin-sama, pode chorar!

— Não! Eu não vou chorar! Eu já chorei demais! E pra quê? Pra nada. O que foi que eu fiz para perder o amor de Hajime? Diga-me por que eu não sei!

— Rin-sama... – A empregada tiinha os olhos cheios de lágrimas.

— Nunca se apaixone Akiyo. Nunca ame nunca se entregue. Isso só te traz dor. – Ela dizia agora mais controlada.

— O que Hajime fez realmente foi uma crueldade, mas nem todos são assim. Sempre tem uma pessoa especial que faz o nosso coração palpitar só de vê-lo. A senhora é linda, jovem e tem sua vida inteira pela frente. Com certeza vai encontrar alguém que a ame e que a de muito valor.

Sesshoumaru ficava mais irado com todas aquelas palavras, agora que tinha ouvido Akiyo se deu conta de que aquilo era verdade. Logo, alguém se apaixonaria por Rin e ela se entregaria. Porque humanos eram assim, esqueciam das coisas e se aventuravam em pessoas não confiáveis para sofrerem novamente. Todo esse pensamento saiu de sua mente quando ele ouviu Rin falar.

— Não Akiyo. De amor eu quero distância.

— Mas a senhora pode encontrar alguém...

— Não! Eu não quero correr o risco de sofrer nunca mais. Sesshoumaru-sama dizia muito bem quando falava que humanos eram seres tolos. Porque somos seres tolos, nos apaixonamos e nos magoamos.

Sesshoumaru sentiu-se traído por si mesmo. O que ele havia ensinado a Rin?O que ela havia aprendido vivendo naquela Aldeia. Pensou que talvez fosse um erro tê-la deixado lá, mas logo entendeu que aquilo era uma fase da vida. Ele decidiu entrar no quarto e ambas as moças arregalaram os olhos.

— Rin esta é uma fase da sua vida que é necessária se passar, agora aprenda a superar.

Notas finais
Uau, Sesshoumaru não está gostando nada dessa história de Rin se entregar ao sofrimento. Como será que ela reagirá a isso?
Beijo e até a próxima.