Minha Doce Menina.

11 Alguém capaz de sentir.


Notas iniciais
Perdoem-me por esses dois dias sem postar, é que realmente eu não tive tempo. Em compensação este capítulo está enorme e cheio de emoções.
Boa leitura.

Mais uma vez, Rin estava no jardim. Raiden que havia saído com Sesshoumaru retornou, parou um pouco e sentou-se ao lado da menina no banco. Eles tinham sempre muitos assuntos para conversar. Agora desde o dia em que conversaram no jardim e confidenciaram seus sentimentos mais íntimos eles haviam se tornado amigos.

Só o que não lhes passava pela cabeça era que Sesshoumaru e Akiyo não tinham qualquer relacionamento além de senhor e serva.

De longe novamente Kagura observava o casal, mas desta vez agiria. Ela sabia que era necessário muito pouco para que Sesshoumaru fosse capaz de destruir tudo, por seu orgulho youkai, então decidiu ser apenas a semente da discórdia. Acabaria de vez com qualquer chance de Rin ser algo além de protegida de Sesshoumaru, mas ela não sabia que havia escolhido um péssimo momento, pois o youkai estava de péssimo humor.

Rin havia dado um verdadeiro show aquela manhã. Tentou discutir com o youkai a respeito dela, mas ele não lhe deu ouvidos. Ela quebrou alguns vasos, gritou, chamou a atenção de todos naquele castelo. Se for isso que ela queria definitivamente conseguiu. Akiyo acabou chorando no final das contas, pois foi acusada de seduzir o youkai. Era sempre assim. Quando Rin estava perto de seu período de sangramento deixava todos extremamente estressados e esta ficava insuportável. Sesshoumaru estava terrivelmente incomodado com isso quando alguém passou as mãos por seu peito e desceu.

– Meu amor, parece muito tenso. – Ela colocou as mãos por seus ombros começando a fazer-lhe uma massagem.

– O que faz aqui Kagura? — Havia entrado pela janela

– A melhor pergunta seria o que quero aqui. – A youkai sussurrou isso em seu ouvido. Ele não respondeu, apenas esperava que ela o respondesse. – Eu vim lhe pedir desculpas afinal foi uma tola sentindo ciúmes de Rin, quando é claro que ela está completamente apaixonada e não tem interesses no senhor.

– O que quer dizer. – Ela sorriu maliciosamente.

– Quero dizer que antes ela nunca te amou, pois era apaixonada pelo antigo companheiro. Agora muito menos tendo Raiden, seu brilhante general ao seu lado. – O veneno escorria pelos lábios de Kagura.

– Acha que pode me enganar Kagura?

– Não Sesshoumaru, inclusive ela está no jardim com ele. São tão próximos e ainda parecem combinar perfeitamente.

– Saia.

– O quê?

– Saia. – Sesshoumaru em nenhum momento retirou os olhos do ponto fixo em que estavam. Kagura sabia que ele não começaria uma guerra naquele dia, mas depois de tudo o que observou e tudo o que arrancou de alguns empregados interesseiros do castelo sua fala era suficiente para causar uma enorme lacuna entre Sesshoumaru e Rin que poderia separar de vez aqueles dois. Ela foi embora com um sorriso silencioso e vitorioso em seu rosto, mas não sem antes passar por Rin para que esta a visse e deduzisse o que sua cabeça lhe achasse melhor.

A humana abriu a boca quando viu a youkai passar sorridente. Não acreditou no que poderia ter acontecido. Agora para Rin além de Akiyo, Sesshoumaru ainda tinha Kagura. Isso era demais para ela. O dia não estava sendo nada bom, além de ter discutido, ou melhor, ter afrontado Sesshoumaru porque este não lhe disse mais que dez palavras, ela ainda dissera coisas horríveis a Akiyo que não merecia. Aquele ainda era o dia do casamento da filha do general e Rin não tinha a mínima vontade de comparecer.

– O senhor também a viu, ou estou com problemas de visão?

– Eu a vi. — Respondeu Raiden, acompanhando Kagura com o olhar que agora levantara vôo.

– Ele só não tem tempo para mim, até para Kagura ele arranjou.

– Rin, não deixe que suas emoções guiem sua razão.

– O que quer dizer?

– Essa youkai é ardilosa, não se sabe o que realmente aconteceu para que ela esteja aqui. Não faz muito tempo desde que senti sua presença no shiro.

– Mesmo assim ele ainda se encontra com ela.

– Não se deixe levar pelas aparências, quando digo isso me refiro a Akiyo também.

– Como pode ter certeza de que Sesshoumaru-sama não tem nada com ela depois de tudo o que vimos.

– Não se pode deixar os sentimentos tomarem a sua razão e se assim o quisesse Sesshoumaru-sama já a teria tomado como fêmea. Agora esqueça este assunto. Está preparada para a grande comemoração desta noite?

– Não quero ir Raiden-sama. – Ela dizia fazendo bico.

– Não é uma questão de querer Rin-sama, é questão de ter que comparecer.

– Mas se Sesshoumaru-sama não o quiser simplesmente não vai.

– Antes ele realmente fazia isso, mas há pouco tempo não.

– Depois de tudo o que aconteceu hoje, ainda acha que eu tenho que ir?

– Claro. Sãos suas obrigações como princesa das Terras do Oeste.

– Esse cargo logo não será mais meu.

– Ainda acha isso?

– Não sei mais o que achar, eu não sei mais porque tudo isso está acontecendo.

– Realmente não sabe ou simplesmente não quer acreditar?

– O que quer dizer?

– Está apaixonada por Sesshoumaru-sama.

– O quê?!

– Já faz um tempo em que quero lhe dizer isso.

– Eu prometi que nunca mais amaria novamente.

– Então quebrou sua promessa, só não se deu conta ainda. Cuidado para que não o descubra tarde demais.

– E o senhor? Quando vai falar com Akiyo?

– Tudo tem seu tempo certo. Não quero ser precipitado em minhas ações. Ainda terei tempo para me acertar com ela.

– General, não se esqueça que a vida para Akiyo não corre da mesma maneira para ambos.

– Sim eu sei, mas ainda é muito cedo para tal coisa. É necessário que esta semente dê raiz para que assim saibamos que pode dar frutos.

– O senhor consegue ser tão equilibrado quanto a isso mesmo podendo tê-la quando quiser.

– Isso não depende somente de mim. Observo Akiyo a tempo e no momento certo a terei ou não.

O que Raiden não sabia era que o momento poderia estar mais próximo do que ele pudesse imaginar.

– Mande que Rin desça, estamos de partida.

– Hai, Sesshoumaru-sama. – Akiyo subiu as escadas e foi diretamente para o quarto de Rin.

A humana dava os últimos retoques em seu penteado e maquiagem. Apenas queria estar bela aquela noite para esconder toda a agonia de seu coração. Seu cabelo estava enrolado em uma trança que caía ao lado esquerdo, com sua franja caindo-lhe ao rosto. Estava muito bem vestida, seu kimono era rosa e conforme ia descendo iria indo do lilás até chegar ao roxo na barra com pequenas flores brancas na sua lateral. Ela estava realmente linda, mas sua expressão não condizia com sua beleza. A empregada a chamou e ela disse que já desceria então a mesma se retirou e a esperou no final da escada.

Akiyo estava agoniada. Não queria de maneira alguma ir até aquela festa, onde só haveria nobres senhores e suas fêmeas e filhas youkais, que desprezavam os humanos. Ela tentou se convencer de que não seria dessa maneira, mas sabia que aquilo era a mais pura realidade.

A empregada estava no ultimo degrau da escada quando Rin desceu e não deixou de notar a beleza da menina. Akiyo estava com um kimono marfim onde suas barras eram douradas. Seu cabelo estava solto partido do lado direito para o esquerdo onde até atrás da dda orelha direita estava preso e todas as suas ondas marrons caiam por sobre o lado esquerdo. A maquiagem era leve. Ela olhou para cima e pensou em como Rin estava linda aquela noite, enquanto a protegida de Sesshoumaru pensava o mesmo dela. Quando chegou ao final da escada, Akiyo baixou a cabeça e se colocou atrás de Rin, assumindo seu lugar de empregada.

– Vamos. – Disse apenas Sesshoumaru, que não deixou de notar a beleza em Rin.

Quando chegaram à festa, todos estavam sentados as suas mesas e Sesshoumaru foi recebido com grande reverência por todos. Por ser filha de um nobre que se uniria a outro nobre, a youkai teria uma cerimônia. Akiyo sentia-se extremamente fora do contexto. Todas as youkais daquela noite eram belíssimas, aquele definitivamente não era lugar para ela. Rin pensava o mesmo.

Olhava ao seu redor e os youkais sequer a notavam e quando a notavam o olhar de desprezo era explícito. Ela pensou que seria assim sua vida ao lado de Sesshoumaru, tendo de encarar todos aqueles seres frios e arrogantes até o fim de seus dias. Ela lembrou-se que Sesshoumaru também era daquela maneira frio e lembrou-se das palavras de Raiden. Será mesmo que estava apaixonada por Sesshoumaru? Não com certeza, não. Hajime foi realmente uma pessoa horrível para ela, mas mesmo assim ele tinha sentimentos, expressava-os. Mas e Sesshoumaru? Será que ele seria capaz de sorrir abertamente um dia? Definitivamente não.

– Raiden-sama você estava errado. – Pensou menina agora fazendo uma comparação entre ele e Sesshoumaru. Ambos eram tão diferentes, mas sem deixar de serem youkais honrados e respeitáveis. Akiyo teria muito sorte se o amasse e o escolhesse, mas por algum motivo a frieza de Sesshoumaru era extremamente atrativa, não só a ela, mas a centenas de outras mulheres e youkais. Sesshoumaru não era capaz de sentir e esta era uma das poucas certezas que Rin tinha sobre aquele youkai.

Sentou-se e mesa e Akiyo colocou-se atrás de sua senhora. Depois de algum tempo Raiden se aproximou e reverenciou a Sesshoumaru e Rin. Olhou Akiyo profundamente nos olhos e esta desviou o olhar. Ela colocara em sua cabeça que Raiden pertencia a Rin e somente a Rin. Ainda mais como estava bela aquela noite, Raiden jamais olharia para si. Mas Akiyo estava enganada o único olhar que estava sobre Rin àquela noite era o de Sesshoumaru, sobre ela estava o de Raiden.

O youkai de cabelos de negros se aproximou de Rin, ficando muito próximo também a Akiyo. Ele olhou a protegida de Sesshoumaru e estendeu-lhe a mão, quando recebeu a mão da menina em resposta a beijou.

– Está muito bela esta noite Rin-sama. – A menina abriu um enorme sorriso.

– Obrigada e posso dizer o mesmo do senhor. – E realmente Raiden estava magnífico.

– Me concede a honra de uma dança?

– Claro. – A menina levantou-se e foi dançar com o youkai. O olhar de muitas youkais direcionava-se para aquele casal.

– Muitas youkais querem arrancar-lhe a cabeça agora.

– Não agora, mas desde que cheguei aqui.

– Acho uma grande besteira.

– Com certeza, senão não estaria apaixonado por uma humana. – Enquanto dançavam e conversavam era possível perceber a intimidade daquele casal. Sesshoumaru não olhou orgulhosamente para os dois, enquanto Akiyo via a cena atentamente.

– Talvez sim, ou talvez eu fizesse como Sesshoumaru-sama. – Ela não entendeu.

– Como assim?

– Desprezasse os humanos enquanto nutro sentimentos por uma humana. – Ela revirou os olhos.

– Ainda acredita nisso?

– Hai.

– Não posso me apaixonar por alguém como ele.

– E porque não?

– Porque eu preciso de alguém que seja capaz de ter sentimentos.

– Já disse que cabe apenas a você fazê-lo demonstrá-los. — Ele disse com um enorme sorriso. Enquanto dançavam ao ritmo da musica que era tocada por youkais habilidosos.

Akiyo não conseguia mais ficar ali naquele momento e Sesshoumaru percebeu tudo o que se passava. Ela tinha os olhos cheios de lágrimas e decidiu baixar a cabeça. Jaken que percebeu que a humana choraria rapidamente tratou de repreendê-la.

– Humana não comece com sentimentos agora, você está na presença de Sesshoumaru-sama.

– Deixe-a Jaken. – Repreendeu-o Sesshoumaru. — Akiyo, se quiser pode voltar para o castelo.

– Obrigada, Sesshoumaru-sama. – Ela disse com a voz embargada e reverenciou o youkai retirando-se dali no mesmo instante.

Enquanto caminhava ela secava as lágrimas teimosas que ousavam cair de seus olhos. Quando sem perceber passou por todos naquela festa e alcançou a rua. Quando percebeu que já estava suficientemente longe do local, ela desabou. Nunca imaginou que choraria tanto por algo que não era seu.

Se eles realmente não tivessem nenhum relacionamento como antes ela havia pensado porque ele a chamaria para dançar, na frente de toda a elite das Terras do Oeste? A resposta era óbvia e machucava muito. Ela sentia uma dor real em seu peito, aquele era com certeza para ela o fim de qualquer chance com Raiden. Além do mais, ele era um youkai. Tinha várias e várias fêmeas para si. O que garante que ele a tomaria para a esposa? Nada. Rin era linda, tinha um corpo lindo. Era uma verdadeira princesa e ela o que tinha a oferecer? Nada. Absolutamente nada. Permitiu-se chorar ainda mais e parou no caminho. Este estava totalmente deserto e ela acabou escutando passos atrás de si. Decidiu começar a caminhar, pois seria perigoso estar ali. Mais ouviu os passos aumentarem conforme ela atingia uma maior distância. Até que uma mão segurou em seu braço e a puxou rodando e parando-a de frente para si.

Um homem que tinha um rosto com uma expressão terrivelmente maligna abriu um sorriso perverso para Akiyo. Ela tentou se soltar, mas não conseguiu começou a ficar muito nervosa e então o homem percebeu seu rosto molhado por lágrimas e fez uma cara de compaixão com muita ironia.

– Oh, está chorando? O que foi? Alguém magoou seu coração? – Ele perguntou com muito sarcasmo em sua voz.

– Por favor, me deixe ir. – ela disse, já beirando o desespero.

– Tsc, tsc, tsc. – Ele balançava a cabeça negativamente. – Eu te faço uma pergunta educada e você quer escapar. Mas eu não vou deixar e ainda vou lhe fazer um favor. Vou colocar um sorriso enorme em seu rosto.

Ele viu o rosto de Akiyo apavorar-se e divertiu-se com aquilo. Ele agarrou a menina e beijou seus lábios. Ela se debatia e tentava soltar-se mais era inútil.

– Isso me bata, eu adoro mulheres agressivas. – O homem agarrava ainda mais a menina e esta ficou desesperada.

– Socorro! Socorro! Me solta, me solta! – Ela tentava fugir, gritar, chamar a atenção de alguém e nada.

– Eu adoro quando vocês ficam desesperadas. – Ele sorria. – Mas vou acabar com essa brincadeira, porque esses seus olhos e cabelos diferentes estão me deixado ainda mais louco por sentir seu corpo.

Sem esperar ele bateu fortemente em Akiyo que cambaleou para trás ela rapidamente tentou recuperar o equilíbrio e quando este se aproximou ela deu-lhe um chute em suas partes íntimas. Ele abaixou-se com a dor e ela começou a correr, não demorou muito até que ele a alcançasse. Puxou os cabelos da moça e a bateu novamente, fazendo-a cair no chão. Ele deitou-se sobre ela enquanto esta esperneava, gritava e chorava.

– Não, por favor, não! – Ela implorava chorando e ele colocou a mão no seio da menina.

– Que delícia. Já disse para relaxar, só vai ser bom pra você.

– Por favor, me deixa ir embora! – Ela disse agora ficando enraivecida. – Me solta! Me solta! Me solta! – E começou a bater no homem com muito mais força.

Ela se debatia com muita força até que o acertou com um soco no nariz que causou um sangramento. Ele colocou a mão no local e olhou para a sua mão.

– Sua vadia, olha o que você fez! – Com raiva ele deu um soco no rosto da moça que fez com que ela batesse fortemente a cabeça no chão, perdendo assim os sentidos. – Agora sim, posso usufruir de você.

Até que o homem viu a sua frente dois pés que ele não sabia como tinham chegado ali. Quando olhou para cima viu olhos totalmente vermelhos, com certeza a transformação daquele youkai estava próxima. O grande ser que estava à frente daquele miserável humano o pegou pelo pescoço e o levantou apertando-o e pouco tempo depois o youkai jogou o corpo já sem vida para longe.

Retomou o controle quando viu o corpo da empregada no chão. O pegou no colo e a levou para onde receberia um tratamento devido a sua condição e onde poderia descansar, até estar bem novamente. Olhou o rosto molhado da menina. Ela havia lutado com todas as suas forças, mas esta não era compatível com a força do desprezível homem que a tentou estuprar.

A maquiagem estava um pouco borrada pelas lágrimas, os cabelos sujos pela terra e mesmo assim ele enxergou uma beleza nela que antes nunca havia enxergado.

– Logo estará bem novamente Akiyo. – E assim ele começou a caminhar rumo ao seu destino, olhando fixamente para o rosto lindo e inconsciente em seus braços.


Notas finais
Rin desistiu de Sesshoumaru, Akiyo de Raiden. O que será que aquela dança causara no grande youkai de cabelos pratas? Quem salvou Akiyo?
Beijo e até a próxima.