Minha Doce Menina.
29 Aceitação.
Notas iniciais
Boa leitura.
Raiden chegou em casa na hora do jantar, mas estranhou não encontrar Akiyo a mesa. O youkai foi para seu quarto e banhou-se e quando desceu ela ainda não estava lá.
Começou sua refeição e depois uma de suas empregadas humanos o chamou, com muito medo.
- Raiden-sama. – Disse a mulher com as mãos para trás e a cabeça baixa.
- Sim? – Respondeu Raiden que após dar mais uma garfada, olhou para a mulher com uma sombra celha erguida.
- Akiyo-sama, não se sente nada bem.
O youkai continuou mastigando a comida e olhando para a mulher o que a deixava ainda mais apavorada.
- O que ela tem?
- Durante a tarde ela não conseguia andar e acabou caindo. Depois começou a suar estando muito gelada. Sente dores desde cedo. Ela pediu para não contá-lo, mas seu estado é preocupante.
Raiden comeu mais um pouco e se levantou. Sabia muito bem o que era.
Chegou ao quarto da menina e entrou sem bater, Seiko estava com ela. Akiyo estava deitada e de olhos fechados. Seus cabelos espalhados pelo travesseiro. As duas mãos sobre o ventre.
- Raiden-sama. – A empregada youkai o reverenciou. – Já fizemos o possível, mas a dor apenas melhora e depois aumenta.
Akiyo abriu os olhos e tentou se levantar, mas a dor a impediu.
- Pode se retirar, eu fico com ela.
A empregada saiu do quarto e fechou à porta, os dois ficaram a sós e se olhavam fixamente. Uma enorme pontada de dor surgiu, fazendo com que ela apertasse os olhos e ele caminhou em direção a parte vazia da cama.
- Não é necessário, Raiden. – Ela disse ainda de olhos fechados, estava sonolenta.
- Não seja teimosa.
O youkai se deitou ao seu lado na cama. Virado para ela estendeu a mão esquerda e colocou sobre seu ventre, onde era o local da dor. Akiyo sentia muita cólica e Raiden sabia como pará-la.
A mão quente do youkai repousou sobre o fino tecido da roupa da menina, Akiyo tirou suas mãos e as colocou por cima da mão do youkai e eles ficaram assim por muito tempo. Ela de olhos fechados e ele apenas a olhando. A menina podia sentir ser observada por ele, mas não queria enfrentar aquele olhar.
O youkai olhava para Akiyo intensamente e tê-la ali tão perto foi um sonho que a muito ele queria realizar.
Depois de muito tempo ela ainda não havia dormido, embora estivesse sonolenta.
- Você não dorme? – Perguntou o youkai.
-Não de... – Ela bocejou. – Não desse jeito.
- E é de que jeito?
- Não é culpa minha. – Raiden levantou uma sombra celha. Do que ela estava falando?
- O que exatamente não é sua culpa?
- Não conseguir dormir.
- E de quem é a culpa?
- Do meu irmão. – Raiden sabia que Akiyo tivera um irmão mais velho que não estava mais morando perto dos pais. Raramente vinha visitá-los.
- Como pode ser culpa do seu irmão? – Perguntou interessado.
- Ele sempre me colocava para dormir e respirava bem perto de mim.
Raiden estreitou os olhos. Como é que ela dormiria com seu irmão?
- Como assim Akiyo?
Ela se moveu na cama e ficou de frente para o youkai, bem próxima a ele. Seu rosto estava na altura de seu peito e ela podia sentir a respiração de Raiden em sua testa.
- Mas você precisa me abraçar. – Ela disse. Ele esperou e ela colocou as mãos do youkai em sua cintura.
Ficaram assim por um bom tempo e ela ainda não havia dormido. Até que começou a cantarolar.
- Na nanananan na Nananananananan... – Raiden sorriu um pouco. Akiyo parecia uma criança que não gosta de ir dormir e demora a pegar no sono.
- Akiyo, durma já é tarde.
- Não quero.
- E porque não?
- Porque quero aproveitar que você está aqui. Você está bravo comigo e não vai querer mais me abraçar e seu abraço e seu cheiro e seu calor... – Ela fez biquinho. Não falava coisa com coisa.
- Quando está com sono, fala coisas que não falaria se estivesse acordada. – Ele sorriu um pouco e ela apertou o abraço.
- Raiden... Raiden... – Ela começou a cantarolar o nome do youkai e de vagar foi diminuindo o volume de sua voz. Quando parou ele ficou curioso.
- Akiyo? – Chamou, mas era tarde demais a menina já estava dormindo.
Alta madrugada e Sesshoumaru estava sentado a cama, olhando Rin que suava frio e estava com uma toalha aquecida com água quente sobre sua cabeça. Nobuko foi chamada por Sesshoumaru para que providenciasse a água e a tolha e depois foi dispensada. Aquele processo dependia inteiramente de Rin.
O youkai alisou os cabelos da menina e a olhava seriamente.
- Reaja minha Rin. Reaja.
O sol nascia docemente e um de seus raios atingiu os olhos de Rin. Ela espreguiçou-se e levantou. Estava em seu quarto, em sua cabana e ao seu lado estava ele: Seu marido, Hajime. Ela o olhou ainda dormindo lindamente e se levantou. Tinha uma sensação estranha por estar ali. Foi fazer o café da manhã.
Enquanto estava na cozinha, sentiu os braços de seu marido a envolverem pela cintura e seus lábios darem um beijo em sua bochecha.
- Bom dia meu amor.
- Bom dia. – Ela respondeu sem muito ânimo.
Terminou de preparar o café-da-manhã e colocou-o sobre a mesa. Hajime sentou e logo depois sua filha, Hana veio esfregando os olhinhos.
- Bom dia minha filha linda. – Disse Hajime dando-lhe um beijo na testa.
- Bom dia. – Respondeu a menina que era idêntica a Rin. – Bom dia mamãe.
Rin olhou para ela sem entender. Aquela era sua filha? Então porque não se lembrava?Hajime a olhou esperando que ela respondesse e meio confusa respondeu.
- Bom dia.
Eles se sentaram e comeram.
Observava tudo atentamente. Fazia muitas perguntas. Estava se sentindo muito estranha aquele dia, como se estivesse presa em um sonho. Mas aquela era sua vida.
Foi para a cidade e passou por um pequeno ser verde. Não reparou nele. Iria até o campo para colher algumas ervas. Estava vivendo sua vida de mãe, esposa e dona de casa. Mas algo estava errado. Como ela foi parar ali? Como ela se tornou esposa? Mãe? Não se lembrava.
- Rin! – A menina que estava abaixada olhou para trás para ver quem a chamava.
- Olá Kagome-sama.
- Como está hoje?
- Bem. – Ela respondeu depois de pensar um pouco.
- Hum, já vai começar a preparar o almoço?
- Sim. – Ela falava como se medisse cada uma de suas palavras.
- Hajime me disse que está muito estranha hoje.
- É?
- E Hana,como está? – Quem era Hana?
- Hana?- Perguntou confusa.
- Sim, sua filha. – Respondeu Kagome como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Hana, minha filha... — Rin fez um enorme esforço para lembrar.
- Está mesmo estranha! – Riu Kagome da menina. — Sabe hoje eu sonhei com seu casamento.
- Meu casamento?- Estava mais confusa ainda.
- Ora, Rin! Não vai dizer que não se lembra? – Kagome colocou as duas mãos sobre a cintura.
- Meu casamento...
- É, lembra que você ria de tanto nervoso? – Não se lembrava de ter casado, de ter tido um filho.
Olhou a sua volta. Algo não estava certo.
- KAGOME! – Gritou Inuyasha.
- Sim. – Ela se virou para responder.
- Meu irmão está se aproximando, irei vê-lo.
Rin franziu a testa com a declaração. O irmão de Inuyasha? Ela não se lembrava de quem era, mas sabia que o conhecia.
- Ah, eu vou com você. – Ela se virou. – Até logo Rin.
- Até logo, Kagome-sama.
Ela continuou colhendo as ervas, até que ouviu uma alta risada atrás de si. Era a risada de uma linda moça que tinha os cabelos ondulados. Havia um homem ao seu lado e este tinha os cabelos negros e ela pode ver seus olhos, eram vermelhos.
- Me sinto estranha. Porque não me lembro de viver aqui?
Outra risada pode ser ouvida. Dessa vez era uma doce risada de uma criança. Virou-se para trás e viu a pequena Hana correndo em sua direção com os braços abertos. Ela lembrava-se de correr assim também quando criança. Atrás dela, corria Hajime. Aquela cena lhe parecia tão familiar... Mas com quem ela fazia isso?
A pequenina abraçou as pernas de Rin e depois olhou para ela.
- Mamãe, vem brincar com a gente!
- É mamãe, vem brincar com a gente. – Disse Hajime parando atrás da filha.
- Hajime, quando foi que nos casamos?
Ele riu um pouco e depois pegou a filha no colo.
- Não se lembra minha Rin. – Minha Rin. Desde quando ele a chamava assim?
- Não eu só me lembro de quando nos separamos e você namorou Kaori.
- Sim depois você foi embora, mas voltou. Você morou longe daqui por muito tempo.
Ela havia morado longe dali, mas onde? Com quem?
- Agora venha minha Rin. Vamos para casa. – Ele se virou e começou a caminhar.
Ela ainda se perguntava aonde havia ido morar? Deu o primeiro passo em direção á seu marido e filha e de repente um clarão passou por sua mente.
Ela se lembrou o porquê de ter ido embora. Todo o cenário se desfez e quando a menina olhou para o lado, viu um ser que tinha forma humana, mas ele não tinha rosto. Seus cabelos eram brancos.
- Quem é você? Onde eu estou? – Disse a menina espantada.
- Eu sou a verdade.
- Então me diga, porque eu acordei naquele lugar, vivendo aquela vida?
- Não foi isso o que você sempre quis? O que você sempre sonhou?
Ela parou por um momento para pensar. Sim realmente era aquilo que ela havia sonhado. Ser casada com Hajime e ter uma filha.
- Mas não é isso o que eu quero agora. – Respondeu Rin vacilante.
- Tem certeza? Você sempre foi feliz ao lado daquele humano.
- Não! Não é ele quem eu amo.
Um novo cenário se formou. E Rin pode ver todas as suas lembranças ao lado de Hajime e viu o quanto estava feliz com ele.
Viu o momento em que se conheceram, quando começaram a namorar. Suas brigas, sua separação. Sua partida, sua chegada. Sua primeira noite de amor, seu casamento. Viu quando descobriu que estava grávida, viu quando deu a luz. Viu quando sua filha aprendeu a falar, a andar. Viu a menina crescida. Viu o quanto Hajime a amava, o quanto era atencioso e dedicado a família. E mesmo assim Rin não aceitou essa sua vida.
- Está é sua vida Rin. Está é sua realidade. Aceite-a.
- Minha vida... – Disse Rin com os olhos cheios de lágrimas.
- Apenas diga que é esta vida que você quer.
Ela chorou e quis de todas as formas sair dali.
- Não vou dizer isto, porque não é isso o que quero.
- Não tente me enganar eu sou a verdade.
- Então você está mentindo. Sabe que nem em um milhão de anos eu me casaria com Hajime, porque eu não o amo!
- E a quem você ama Rin?
Ela parou por um momento. Não se lembrava, até que uma dor a chamou a atenção. Uma dor em seu ombro a fez lembrar.
- Sesshoumaru.
E antes mesmo que Rin pudesse dizer alguma coisa à verdade se desfez em uma grande luz.
- Está foi uma ilusão criada por mim para certificar que você realmente ama a Sesshoumaru. Agora você tem acesso a todas as memórias que durante este tempo foram apagadas. Se seu coração não fosse sincero, você teria se entregue aquela vida, pois foi tudo o que você sempre sonhou. E eu sou a marca de Sesshoumaru que ficará em você para sempre.
E a luz atingiu o corpo de Rin.
A respiração da humana voltou a se normalizar, a temperatura de seu corpo se estabilizar. Sesshoumaru estava ao seu lado observando a cada expressão de Rin e pode ver quando ela soltou um longo suspiro.
Finalmente a menina abriu os olhos. Ela havia voltado. Voltado para sua realidade, voltado para seu Sesshoumaru.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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