Minha Doce Loucura
9 Vida de Cachorro
Notas iniciais
Ok, vocês devem estar se perguntando, "porque um capítulo novo tão cedo?"
É que nos próximos dias não vou poder postar, então pra não deixar vocês sem, to postando hoje.
Esse capítulo... Está forte. Mais ou menos, sei lá XD
Espero que gostem, desculpe por ele ser tão curto :p
Boa leitura!
Andei devagar para casa, pensando no dia maravilhoso que havia tido com Claire. Ela era tão perfeita, maravilhosa... E o dia também foi no nível mais perfeito existente.
Mas agora, era enfrentar o meu tio. O que ele iria dizer? O que ele faria comigo? Ia me dar uma surra no mínimo, ou ainda me expulsar de casa. Ele me detestava, não seria sacrifício me expulsar ou me surrar.
Cheguei em casa. O dia já havia virado noite à algum tempo, e ali estava mais um motivo para meu tio me surrar/expulsar: chegar tarde em casa. Ele detestava quando eu chegava depois que o sol se punha.
Me aproximei da porta e segurei o trinco. Não estava trancada. Ia entrar mas...
Onde ele estava?
Onde?
Sempre esteve ali, na frente da minha porta de casa. O Pavão, me atrapalhando na hora de entrar. Mas hoje não, não havia nenhum sinal dele ou coisa parecida. Procurei atrás das moitas que tinham ali por perto e nada dele. “É melhor eu parar de procurá-lo, se não vou acabar encontrando ele” pensei.
Abri a porta devagar e do jeito mais silencioso possível. Não fez barulho nenhum, ainda bem.
A casa estava extremamente escura e silenciosa. Meu tio devia estar em qualquer me espreitando, pronto para me surpreender e me pegar. Talvez ele já estivesse dormindo, e não percebeu que eu havia chegado. Começei a andar passo-a-passo até meu quarto, sendo extremamente silencioso. Até o próprio silencio devia estar com inveja de mim.
Abri a porta do meu quarto e tomei um baita susto. Ali estava ele, me esperando. Meu tio.
— Onde você foi garoto? – ele falou, baixinho mas absolutamente ameaçador.
— Eu... T-t-tinha de ir na c-casa do meu ami-migo fazer... – tentava falar, mas as palavras saiam pela metade. Ele me interrompeu com um grito:
— EU PROIBI VOCÊ DE SAIR! – Gritou, seu rosto já estava até vermelho, só com um grito.
— Mas eu tinha de ir lá, senão...
— NÃO IMPORTA! Você tem de me obedecer, não importa a situação ou o que aconteça, seu imprestável!
— Eu não sou imprestável! – gritei. Me arrependi na hora.
— Ah é? O senhor não faz nada que preste, eu sustento essa casa sozinho, com o meu dinheiro!
— Não se fala “essa”, e sim “esta”, já que estamos dentro da casa – certo, podem me chamar de louco.
— Ora seu verme! – ele gritou, pegou no meu braço com muita força e me jogou para dentro do quarto.
Me desequilibrei e bati as costas na minha cama. Titio (sim, ele ia me crucificar e eu ainda o chamava de “titio”) me deu um tapa no rosto, e bati a cabeça na cama. Ele era forte, muito forte. Me levantou, me jogou na cama e tirou a sua cinta. Hã? Ele vai me... Estuprar?! Claro que não, ia me bater com a cinta obviamente.
— Eu não estou mais na idade de apanhar!
— Foda-se, você está precisando disso!
Tentei fugir pelo lado esquerdo, mas ele me impediu e caí de novo na cama. E ele começou a me bater, em todos os lugares do corpo.
Na minha mente se passavam várias e várias coisas. Vi um lençol flutuante, um fantasma em cima de mim dizendo com uma voz fantasmagórica: “viu Fred? Nunca mais desobedeça seu tio!”
O quarto mesmo escuro, mudava de cor a cada “cintada” do meu tio. Verde, azul, vermelho... Todas cores escuras. E cada investida dele machucava muito, pensei que ia acabar me arrancando a pele.
“Fred, nunca mais vai sair de casa agora” disse o fantasma. “Nunca mais verá seus amigos, irá para a escola, verá a Claire, absolutamente ninguém!”
Meu tio terminou a surra e se afastou. Colocou a cinta novamente nas calças e gritou:
— APRENDEU A LIÇÃO AGORA PIVETE?
Com certeza foi uma pergunta retórica, e não a respondi. Ele saiu bufando de raiva, vi fumaça saindo de suas entranhas. Bateu a porta do quarto com uma força descomunal, parecia até... Um urso, ou qualquer animal assim.
Minha pele pegava fogo. Tinha certeza que estava me queimando. O quarto mudava de cor rapidamente e girava, eu estava muito tonto. Deitei na cama e tentei relaxar. Dormi instantaneamente.
***
A dor tinha se aliviado.
Não sentia mais nada, ainda bem. Não sabia como ela tinha passado tão rápido, mas se tinha passado dane-se.
Olhei em volta e percebi uma coisa: não sabia onde estava. Onde é que eu estava? Não conseguia identificar o lugar, de jeito nenhum. Tudo estava muito esfumaçado, e eu estava deitado no chão.
Então me levantei e percebi onde estava: no boliche, onde eu e Claire tínhamos jogado mais cedo. Ele estava esfumaçado, com névoa e vazio. Ninguém exceto eu. Andei por ali e não achei a porta de saída.
— Fred? – uma voz me chamou.
Olhei para trás e era ela, Claire. Corri para ela e tentei dar um beijo na mesma. Ela desviou o rosto e essa foi a pior sensação do mundo.
— O que foi? – perguntei.
— Você... Você... – ela tentava falar, mas sua voz falhou e ela começou a chorar.
— O que aconteceu? – tentei abraçá-la e ela foi para trás, me impedindo.
— Você desobedeceu seu tio, você... Você... Não devia ter feito isso...
Ela se virou de costas e fugiu de mim. Correu para a névoa e sumiu. Procurei por ela por um bom tempo no boliche, mas não a encontrei. Até que de repente, uma parede estourou, e uma bola de boliche gigante veio na minha direção, e me atropelou.
Acordei assustado. O que tinha sido aquilo?
Será que era... Um sonho, como Paul havia me contado um dia?
Não, eu nunca tinha sonhado antes, porque sonharia agora? E justamente com... Claire.
Levantei da cama, e caí no chão no mesmo instante. Minha perna, meu corpo inteiro doía. A surra tinha sido feia mesmo, a minha pele ainda ardia muito. Deitei novamente na cama e fiquei olhando para o teto. O que eu faria agora?
Notas finais
Porque seráááááá?????????? kkkk
O próximo cap talvez demore, por conta do motivo que falei na nota inicial. Mas... Não entrem em pânico! kk
Até!
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