Minha Doce Loucura
34 Terminei Indo
Notas iniciais
Desculpem pelo atraso, etc. e tal., mas aí vai mais um capítulo, até antes do dia pra compensar u-u
Ele é dedicado à minha cunhada linda, Paula Padilla, que deixou uma recomendação MARAVILHOSA o/
Aliás, também vai pra srta. Roli Cruz Bemol, eu estava com preguiça de escrever (é, preguiça) e ela me ajudou muito! ♥
Boa leitura!
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Se quiserem uma música pra cena final, é essa:
http://www.youtube.com/watch?v=ohb7JIfTGzo
3 dias se passaram depois da visita do meu tio, e eu estava cada vez mais convencido a ficar ali. Eu ria, brincava e... Paquerava com Marcy. Estava muito feliz por lá. Ah não ser por uma coisa.
Agora era de noite, e eu não conseguia dormir. Porque... Ficava escutando sons, estranhos sons. Penetrando na minha mente, fundo. Não sabia o que eram, mas eram escuros, sinistros, aterrorizantes. Da primeira vez, achei que não fosse nada e logo iria passar. Mas toda noite, vinham me visitar. As paredes do quarto ficavam negras, eu tinha certeza de que havia alguém me espionando e de relance via rostos nas negras paredes também. Cada noite, isso ficava pior.
Em uma noite, me vi gritando desesperado por ajuda, por conta da loucura. Vieram me socorrer e me tiraram dali do quarto. Levaram-me para um médico, ou psicólogo, sei lá, e me jogaram no quarto branco. Mas lá, as coisas não estavam diferentes. A loucura voltou, gritei, esperneei, bati com todas as minhas forças na porta, mas não abriram. Depois de algum tempo, graças ao remédio que haviam me dado, dormi.
***
Aquelas loucuras, daquele tipo, eram cada vez mais frequentes.
Agora, estava lá fora, com Marcy. Sentados na grama, fazendo qualquer bobagem. Ela estava muito bonita hoje, mesmo com os cabelos todos espatifados e despenteados.
- O meu filho vai se chamar Oxigênio. — Ela disse, olhando uma flor que estava em sua mão.
- Oxigênio? — Eu ri dela — Por que Oxigênio? Acho que não é um bom nome.
- Mercúrio também é, um excelente nome. — Ela disse, olhando pra mim sorrindo.
- O nome do meu filho então, vai ser Urânio. — Falei.
- Urânio? Plutônio é melhor que Urânio.
- Hidrogênio é melhor que Plutônio.
- Berílio é melhor que Hidrogênio. — Ela retrucou.
- Marcy é bem melhor que todos esses. — Eu disse, olhando nos olhos dela.
Era agora. Ela sorria como nunca, e estávamos muito próximos. Iríamos nos beijar. Ela fechou os olhos, peguei na mão dela, mas quando nossos lábios iam se tocar, vi que o rosto dela estava preto, seus olhos vermelhos e cheio de espinhos na cara. Pulei para trás, e assim que pisquei, ela estava normal.
- Que... Que foi? — Ela perguntou.
- Eu... Foi... Foi só uma... Loucura. — Falei.
Me ajeitei de novo ao lado dela. Agora sim, nós dois, encabulados, sem poder falar sobre o que quase aconteceu. Provavelmente iriamos ficar algumas horas sem assunto.
- Então, — ela falou de repente — não vai tentar me beijar de novo?
Olhei para ela, que mordia os lábios.
Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, um guarda se aproximou de nós. “Paciente Fred?”
- S-sim.
- Venha comigo, você tem uma visita.
- Outra? — Eu e Marcy falamos em uníssono.
- É, outra visita...
- Eu não quero saber de visitas. — Falei, sorrindo.
- Você não tem escolha. Levanta, ou eu faço você levantar.
Olhei sério pra ele, e levantei.
***
— O que é que você veio fazer aqui? Eu já tenho problemas demais sabia? — Falei para a minha... Visita.
Estava naquela sala de novo, falando pelo telefone e por trás de um vidro, com um guarda nos vigiando.
- Eu devia deixar você ai, por conta da sua estupidez. — Ana disse, olhando fundo pra mim.
- O que você quer?
- Acertar as coisas.
- Oi? — Perguntei.
- Acertar. As. Coisas. — Ela disse lentamente, como se eu fosse um neanderthal.
- Eu sei, entendi, mas como assim?
- Bem, eu achei estranhíssimo você fugir de uma hora pra outra, assim, do nada. Em um dia, você estava trepando com a minha irmã, no outro você foge?
- Você tem mesmo nove anos menina?
- Isso não vem ao caso. — Ela deu uma tragada em seu cigarro. De chocolate. — Acontece que depois que você fugiu...
- Não, não, não, calma, — interrompi — eu não fugi nada! Me prenderam e me mandaram pra cá!
- Esse — tragada — é o X da questão.
- Menina, eu não entendo nada do que você diz, sabia?
- Fred! — Ela gritou — Presta atenção! Na quinta-feira da semana em que você... Desapareceu, por assim dizer, a Claire te ligou dizendo que o exame de gravidez ia demorar pra sair, não é?
- Eu não quero saber mais da sua irmã. — Disse, friamente.
- Eu te perguntei se você quer ou não ela? Me responde logo.
- Ela ligou sim, e eu fiquei louco e fui até a porcaria da clínica, onde ela tinha pedido um exame falso! Um exame falso! E você ainda quer que...
- E o que mais ela fez pra você? O que mais você descobriu dela?
- D-descobri...? Ah sim, eu vi um vídeo dela dançando só de sutiã pra um monte de idiotas, e nessa mesma festa ela me traiu, e traiu com o meu maior inimigo! E ainda todos os meus amigos me traíram também, quando assinaram aquele... Baixo-assinado, dizendo que eu era louco, maluco! — Desabafei pra ela. Eu já estava nervoso. Só queria voltar pra Marcy, voltar pro sossego.
- Aí está o ponto. — Ela disse — Agora, deixa eu contar a minha versão da história.
“Era um fim de tarde de quinta feira, estava chovendo. Eu tinha acabado de saber que o meu gato tinha dado cria. Foi... Difícil sabe? Fica ruim colocar um monte de gatos dentro de uma caixa. Por isso, fui pro bar, afundar um pouco das mágoas. Lá em casa também, não aguentava ver minha irmã chorando e chorando e enchendo a paciência dos meus pais. Bobagem de adolescente sabe? Enfim...”
“Lá no bar, eu estava tomando um suco de laranja e meditando um pouquinho sobre a vida, o Universo e tudo mais. Até que escutei um grupo em uma mesa conversando, quer dizer, gritando. Escutei eles comentarem sobre um menino louco, que a polícia tinha mandado pro hospício. E, estavam zoando o pai, ou tio do garoto, sei lá. Olhei, e já tinha visto aquele homem em algum lugar... Era o seu tio”.
“E logo lembrei de você. ‘Como assim o Fred foi pra um... Hospício?’ pensei comigo mesma. Fui pra casa meditando sobre isso. Quando cheguei, vi de novo minha irmã de mimimi, enchendo a paciência dos meus pais e dos meus gatos. Fui pro quarto, deitei na cama um pouco tonta, por conta dos sucos de laranja, e pensei, pensei, pensei. Como tinham mandado você pro hospício?”
“No outro dia, fui até a delegacia da cidade, me informar mais. Minha curiosidade me matava, e, pasme, deixei minhas experiências de Física e o meu gerador nuclear pra pesquisar sobre o que aconteceu com você. O delegado contou que você tinha batido sério num garoto, que você era louco e que mandaram pra um hospício. Perguntei como eles sabiam que você era louco, e o delegado disse que encontrou alguns remédios na casa do seu tio e que tinha uma lista de pessoas confirmando que você é louco. Mas é claro que não era só isso. Usei meus métodos psicológicos pra fazer o velho falar a verdade. E ele disse que um promotor de justiça tinha obrigado ele a mandar você pra um hospício”.
“Mas porque obrigar a te prender? Porque seus amigos tinham te traído assim, assinando aquela lista? Não havia lógica nenhuma naquilo, só faltava uma peça para que todas se encaixassem. Analisando a lista dos amigos que tinham assinado, consegui descobrir quem tinha feito aquilo”.
“Praticamente todos os seus amigos próximos e não próximos tinham assinado, e seus piores inimigos (o ex da Claire, e o garoto que gostava dela). Menos um, e o que era provável que assinaria sem hesitar. Anthony. Estava na cara. E aquela lista que tinha ali na delegacia era só uma fotocópia. Eu precisava da original, pra analisar mais afundo”.
“Contratei um espião, ou melhor, um agente secreto para pegar a lista original pra mim. Sabe, aqueles que usam lasers, visão noturna, capa preta e tem até cortador de unha embutido no terno. Em uma noite, ele pegou a lista pra mim. Passei a madrugada inteira estudando aquele papel, e consegui concluir que ele tinha sido feito há algumas semanas, cerca de 2 à 4, sendo que fazia umas 2 que você e a Claire se separaram. E também comparei aquela lista com uma carta que tinha sido deixada pra Claire, no seu apartamento. Essa daqui”.
Ela abriu uma maleta preta (igual uma detetive) e tirou de dentro a lista e... Uma carta. Li a mesma, e ela dizia que, eu, Fred, não queria mais ficar com Claire, que iria deixá-la, nunca mais nos veríamos, e tudo mais. E tinha sido assinada por mim.
- Como assim?! Eu nunca escrevi essa carta! Eu...
- Eu sei Fred, eu já sei de tudo, não precisa se explicar.
“Analisei a caligrafia dos dois documentos, e as letras eram iguais, iguaizinhas, tinham sido feitas até com a mesma caneta. Estava na cara que aquela carta e aquela lista tinham sido feitas por Anthony. Mas porquê? Porque ele faria isso? Tá certo que ele é seu inimigo mortal, mas a ponto de chegar a mandar te prender e falsificar assinaturas? Ele é adolescente, devia estar ocupado se masturbando”.
“Fiquei bastante confusa, e queria mesmo descobrir o motivo de tudo aquilo. E todos os dias ouvia a Claire chorando e chorando, dizendo que ia cortar os pulsos e tudo mais. Então, ofereci meus serviços de psicóloga pra ela. Fui até o meu escritório, que é meu quarto, ela se deitou na cama e eu, sem que ela soubesse, gravei toda a nossa conversa”.
Ana tirou um celular da maleta e colocou no telefone. Parecia uma conversa profissional mesmo, e eu ouvi a voz de Claire, que não ouvia há muito tempo. Ana pulou muitas partes da conversa, e me fez ouvir três vezes a parte em que ela contava que ficou a força com Anthony, disse para ele que ela só ficaria com ele se se separasse de mim.
Então... Ele fez isso pra separar nós dois? Pra...
- Hey, mas espera! Isso não justifica ela ter dançado só de sutiã e ter falsificado uma gravidez!
Ela pegou o celular e colocou o video, dela dançando para os garotos, com o sutiã vermelho.
- Eu não quero ver esse vídeo!
- Olhe bem! — Ela disse.
- Eu não quero!
- Olhe bem! — Ela gritou, e eu olhei. A Claire, dançando, todos passando a mão nela... Era horrível. — Tá olhando direito?
- To!
- Você não percebeu?
- O que?
Ela tirou o celular e me encarou bem de perto.
- Por acaso, a Claire tem uma mancha na cintura do tamanho de uma mão?
E colocou o celular de novo. É, aquela menina dançando tinha uma mancha bem grande na cintura.
“Essa menina é a Alice. E da primeira vez que viu, você nem viu o vídeo até o final. Aqui, nessa parte ela levanta a cabeça, e dá pra ver claramente que não é a Claire”.
Ok, eu fiquei um tantinho chocado.
“Agora, a gravidez: na festa, ela ficou com Anthony a força. Ele praticamente estuprou ela. E, uma hora ou outra, você iria descobrir que ela fez isso, mas pensaria que ela ficou com ele por prazer. Por isso, ela fingiu que estava grávida para que vocês se aproximassem, e quando a ‘notícia’ de que ela ‘ficou’ com ele chegasse, você nem iria ligar”.
- Mas uma hora a barriga tinha de crescer!
- Ela ia dizer que era só um alarme falso, ou algo assim.
Fiquei olhando para Ana. Será que... Era tudo verdade? Não podia ser. Ou podia? Tudo se encaixava perfeitamente, faltavam algumas coisas é claro, mas...
- Eu sei. Você acha que eu to mentindo. Mas eu tenho uma prova de que estou falando a verdade.
- Que prova?
- Pai!
E, de repente, um homem apareceu do lado dela. Ele estava lá o tempo todo, mas do lado da janela do outro lado, de um jeito que eu não visse. Era o pai de Claire e de Ana. E ele... Estava algemado?
- O que aconteceu?
- Bem... — Ana começou a explicar novamente. — Segredos de médico, padre, advogado e psicólogo não podem ser contados. Eu... Meio que esqueci desse detalhe quando mostrei a gravação da minha consulta com Claire pro Richard e pra Alice, hoje de manhã. Mostrei em uma praça, e tinha um policial por perto... Mas como sou menor de idade, estão prendendo o meu pai. Mas não esquenta, no tribunal eu vou mostrar que nem sou formada em psicologia (desisti no 2º ano, porque era melhor estudar pela internet) e mesmo que ele seja preso, eu pago a fiança com os lucros que recebo das usinas nucleares na Rússia, afinal, eu projetei os reatores de fusão das usinas de lá.
- Mas... Você mostrar uma gravação e seu pai ser preso não quer dizer que...
- Fred! — Ela gritou. — Você acha mesmo que eu, eu, ia armar tudo isto? Eu tenho muito mais o que fazer, seu idiotinha. Eu tenho de projetar um prédio pra semana que vem e não comecei a planta nem do 2º andar! Sabe quantos andares o prédio tem? 40! Todos diferentes! E os reatores nucleares que estão lá no porão de casa devem estar quase explodindo!
Aquela menina me assustava.
- Olha, Fred, quer acreditar, acredite, não quer, fique apodrecendo ai. Mas... Foi um prazer ver você de novo.
- Ver... Ver você também, foi um prazer...
Ela piscou, jogou o cigarro em qualquer lugar, fechou a maleta e saiu.
***
Uma confusão, como um vídeo antigo com cores vintage. Claire estava do meu lado, mais linda do que nunca. Seus cabelos brilhavam e balançavam ao vento, sua camiseta branca realçava bem o seu corpo e usava uma calça jeans bem... Bonita. Sua boca estava linda, e seus olhos não desgrudavam dos meus.
- Fred. — Ela me chamou. Olhando para mim, com um sorriso bobo no rosto.
- Que foi gatinha? — Perguntei, sorrindo também.
- Eu... Tenho uma coisa muito, muito, muito importante pra te falar. — Ela corou. — Eu nunca falei isso pra ninguém... Digo, é... É bem importante...
- O que é tão importante assim, hein? — Falei, acariciando a bochecha dela.
Ela fechou os olhos com meu toque e sorriu.
- É que... Bom, eu nunca falei isso pra ninguém com tanta verdade, sabe? Por isso é muito importante. — Ela respirou fundo e olhou em meus olhos. — É que eu te amo, Fred. Eu te amo...
Pirei com aquilo. Como assim uma menina tão perfeita dizia que amava alguém tão... Idiota igual eu?
- Eu também te amo Claire, mais do que tudo, tudo mesmo...
Nos beijamos. Nosso beijo era intenso e delicioso. Deitamos na grama e ficamos olhando pro céu.
- Meus dias são melhores com você. — Ela murmurou. — Pode falar, ainda vamos morrer com tanta fofura né? — Ela riu.
- Olha, eu acho que sim! — Falei, rindo junto com ela.
Respirei fundo e olhei as nuvens. O céu estava vermelho, e eu vi nuvens de vários formatos, inclusive de coração. Céus, vou vomitar.
- Amorzinho... — Ela foi pra cima de mim. Nossos rostos estavam a milímetros um do outro — Eu gosto tanto de você...
- Eu também, você é perfeita...
O olhar dela mudou de fofo para malicioso. Eu conhecia bem aquele olhar.
- Aqui? No parque? Em plena luz do dia?
- Que que tem? Não vai ser bom não? — Ela disse, e começou a beijar o meu pescoço.
E, eu acordei, assustado, pois tinha sonhado com ela e com uma coisa que tinha acontecido a muito tempo. Eu tinha de arranjar um jeito de fugir deste hospício.
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