Minha Doce Loucura
25 Teclar
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Espero que gostem do capítulo de hoje... Está... Legal :3 kkkkk
Ele é dedicado a Duddmenezes, a leitora nova *oooooooooooo*
Boa leitura!
Claro que aquilo tudo não deu em nada. Como vivemos num mundo onde predomina a justiça, os policiais culparam e cobraram o engenheiro responsável pela máquina de demolição, ao invés de mim. Ainda bem, pois talvez eu tivesse um filho, e não ia desperdiçar dinheiro com um guindaste novinho em folha. Pelo menos, não nessa época do ano.
“O laboratório é tecnológico, muito, disseram que não vai demorar pra sair o resultado do exame”. Ela me disse por telefone. Aquela semana foi bem longa. Quer dizer, teve 7 dias igual qualquer outra, mas pra mim, passou mais devagar. Deve ser porque estava bastante preocupado com Claire e o exame. Não estava nem mais falando com meus amigos direito.
Quinta-feira. Hoje sairia o resultado do exame. Estava bastante ansioso com ele. Mas não sabia direito o que pensar, se queria que ela estivesse grávida ou não. Casar e ter filhos com a Claire? Talvez, mas tudo tem seu tempo.
Pensava também na minha grande irresponsabilidade, que várias garotas comentaram. Sei que foi totalmente errado não usar camisinha, mas tentaria reparar agora, não abandonando Claire e meu filho de jeito nenhum. Amava ela muito e muito, e com certeza, amaria o meu filho também.
Estava esperando ela no portão do colégio, já era hora da saída. Tentei de tudo pra sair mais cedo da sala, porque queria mesmo falar com ela na saída. Ela me esperaria se saísse antes, mas nunca se sabe. O céu hoje, mudava constantemente de cor, e eu via muitas coisas loucas por aí, pra variar também.
Lá vinha ela. Bonitinha como sempre. Os cabelos balançavam dançando, e ela vinha até mim abraçada com alguns livros no peito.
— Oi amor... – ela disse, e me deu um selinho.
— Tudo bem? Ansiosa pra ver o resultado? – falei, com um sorriso, tentando animá-la.
— Hun... É, bastante – ela deu um sorrisinho.
— Hey, vai ficar tudo bem, não importa o resultado.
Ana, a irmãzinha dela chegou até nós e pegou na mão de Claire.
— Vamos pegar o exame agora, eu te ligo dizendo o resultado.
— Não posso ir junto? – falei mais para Ana do que pra Claire.
— Desculpa amor, não dá – Claire respondeu, e as duas foram.
Fiquei parado e olhando elas irem para longe, até dobrarem a esquina. Resolvi ir pra casa também, decerto.
***
“Hoje, foi confirmado que o mundo realmente acabará em dezembro. A pergunta que todos fazem é ‘como confirmaram’? Na manhã de hoje, no Vaticano, o papa estava rezando uma missa aos fiéis, e pregando dizendo que o mundo não iria acabar, que só Deus e apenas Ele sabe quando realmente o mundo vai acabar, e não os homens. De repente quando todos menos esperavam, uma nave espacial pousou sobre o obelisco existente no meio da praça, e ela mandou a mensagem de que sim, o mundo acabará em dezembro, pois a Terra será demolida neste mês já que está fazendo sombra num planeta muito distante, e essa sombra está atrapalhando o descanso-na-praia de muitos alienígenas.”
“A dita demolição era pra acontecer apenas no ano de 2942, mas foi adiantada porque os alienígenas queriam jogar na cara de religiosos e cientistas que os mesmos estavam errados, em dizer ‘o mundo não vai acabar nesse dia’.
Esta parece a prova final de que o mundo vai acabar, por isso, vou ali pegar meus óculos escuros e cavalgar em cima dos meus pôneis invisíveis. Boa noite” Disse o âncora do jornal.
Ele dizia “boa noite” mesmo quando era de dia? A televisão estava mais podre do que eu. Não tinha comido nada desde que havia chego ao apartamento, não estava com fome. Queria saber logo aquele resultado. Pegava o celular a cada 10 segundos, para conferir se ele havia tocado e eu não tinha percebido. O máximo de conversa que tinha trocado com Richard era “Oi / Tudo bem? / Também, obrigado”.
Imaginava como Claire daria a notícia para cada uma das duas hipóteses possíveis. Se ela dissesse que sim, está grávida, ficaria nervoso, chocado e preocupado de como seria dali pra frente. Se ela dissesse que não, não está, ficaria assim também, pois teria de espalhar camisinhas por toda a casa.
E o celular tocou. Me assustei. Fiquei nervoso e não sabia o que fazer. Ia atender e falar “QUAL É O RESULTADO?” mas iria pegar mal. Como eu tinha de atender? Um “oi” ou um “alô amor”? Tremi da cabeça até os pés, acho que nem conseguiria segurar o celular direito. Estava suando frio, nem sei se poderia atender. Mas eu tinha. Peguei o celular devagar, apertei na tecla verde, e coloquei no ouvido.
— O-o-oi meu a-a-mor...
— Olá, o senhor estaria interessado em comprar uma das nossas maravilhosas câmeras de vídeo, que registram todos os momentos da...
E a mulher com voz sexy continuou falando.
— Minha filha, eu to esperando minha namorada ligar falando o resultado do exame dela, não me atrapalha não ok?
— Tem certeza de que não quer comprar, é baratinha.
— Quanto?
— 19,90. O frete é grátis para todo o país.
— Vem com entrada USB – perguntei. Até que uma máquina agora seria útil, não?
— Vem, vem com entrada pra VHS até.
— Hum... – mas ai lembrei que estava esperando Claire ligar – olha moça, depois eu te ligo, sei lá, mas tenho de desligar.
E desliguei. E fiquei nervoso novamente. E se ela tivesse ligado enquanto eu estava naquela maldita ligação? E se...
O celular tocou novamente. Antes de tremer e suar, chequei quem era que estava ligando. “Claire S2” apareceu na tela do celular, e fiquei nervoso novamente. Mas é claro que não iria narrar isso de novo.
— Amor?
— Oi Fred... Bem?
— Sim sim... E o exame?
— É... Bem... – ela estava enrolando.
— Fala minha queridinha – sério, aquela era a ligação mais importante da minha vida.
— Não está pronto o exame. Vai ficar pronto só... Mês que vem.
— MÊS QUE VEM? – gritei – eu vou lá reclamar agora!
— Reclamar? Lá? FRED...
Ela ia falar algo, mas desliguei antes. Eu tinha ficado ansioso e nervoso uma semana inteira, agora eles não tinham terminado o exame ainda? Eu iria lá reclamar e exigir esse exame. Ninguém iria brincar comigo assim, sabendo da minha situação ou não.
Peguei meu casaco e penteei o cabelo, afinal, não queria parecer um maluco qualquer.
***
Cheguei lá chutando tudo.
Abri com força aquela porta de vidro, que bateu na parede, fez um barulhão, se soltou e caiu no chão. Porque diabos a lixeira estava no caminho, eu não sei, mas chutei-a pro lado também. Cheguei no balcão da recepcionista e joguei no chão um vaso de planta que tinha por ali.
— EU QUERO O RESULTADO DO EXAME DA MINHA NAMORADA – gritei olhando na cara da moça. Ela era morena, usava um fone de ouvido e mascava um chiclete. Ela tirou o fone devagar, olhou pra mim e disse:
— Hã?
— Eu. Quero. O. Exame. Da. Minha. Namorada – falei pausadamente.
— Hum, qual o nome dela?
— Claire.
— Sobrenome?
— Não interessa.
Ela digitou algo no computador, e disse:
— É, tanto faz, não tem nenhuma Claire aqui. Tem certeza que não é uma Cláudia?
— Não, é uma Claire. E como assim não tem ela ai?
— Porque ela não pediu nenhum exame.
— Não minta pra mim, ela pediu sim – falei, olhando nos olhos dela. Eram azuis.
— Veja você mesmo – ela virou o monitor pra mim. Havia uma tabela com vários nomes, umas datas e o tipo de exame pedido – não tem nenhuma Claire.
— Mas...
— Você é o Fred não é?
— Como você sabe meu nome? – Ok, fiquei com medo.
— Acho que sei quem é essa Claire. Ela tem cabelos loiros, um pouco baixinha, etc. e tal?
— É sim...
— Não quero ser estraga prazeres, mas ela pediu um exame sim. Mas um exame falso.
— Exame... Falso?
— É.
— Mas... Porque ela gostaria de me mostrar um exame falso?
— Isso acontece por aqui quase todos os dias. As vezes o namoro está ruim, e a menina quer alavancar ele sabe.
— Alavancar?
— Esquece. Agora sai daqui e chama alguém pra consertar essa porta – ela pegou uma lixa de unha e começou a lixar as dela.
Andei devagar até a saída. Porque ela tinha feito aquilo? Se queria fazer nosso namoro melhorar, era só falar não é? Agora sim, eu precisava conversar seriamente com ela. Voltando devagar pra casa, liguei um milhão de vezes pra ela, mas a menina não atendeu. Precisava de explicações, agora mesmo.
***
Ler histórias com tantas pausas é brochante como um trombone desafinado, eu sei disso. E aquele livro de química era bem assim, mas fazer o que.
Não tinha conseguido falar com Claire ontem, de jeito nenhum. Ela não atendeu, coisa e tal. Pensei em ir na casa dela, mas não era tão louco assim. Bebia mercúrio, mas não ia na casa da minha namorada sabendo que os pais dela estavam lá.
“Como assim vocês não lembram da distribuição eletrônica?” a professora perguntou, e fez um diagrama no quadro. Não agüentava mais aquilo. Não conseguia prestar atenção, queria falar com Claire. Pedi para ir ao banheiro, não entendi o que a professora latiu, mas fui mesmo assim. Tinha de me distrair um pouco.
Fui até lá e joguei água no meu rosto. Olhei-me no espelho e eu estava horrível. Jesus Cristo. Como eu estava acabado nesses dias. Parei um pouco de pensar, e escutei uma coisa.
“Mate-me mate-me mate-me mate-me...” sendo repetido um monte de vezes. O banheiro estava vazio, não tinha ninguém ali exceto eu. Era uma loucura com certeza. Mas estava muito... Audível pra ser uma loucura. Talvez fosse alguém dentro dos boxes, falando no celular. Resolvi ignorar aquilo, mas então ouvi:
“Mate-me Fred, mate-me Fred...”
Sinistro. Peguei um martelo que estava em cima das pias, não sei porque alguém deixaria um martelo ali, e comecei a andar devagar na frente dos boxes, para descobrir da onde estava vindo aquilo. No último box da esquerda, o som ficou mais alto. Estava vindo de dentro dele. E, curiosamente, estava destrancado.
Dei um chute, e a porta abriu. Um garoto pintado de vermelho estava sentado em cima da privada, falando aquilo, com a cabeça baixa. Me assustei, e como ele estava dizendo “mate-me”, dei uma martelada na cabeça dele.
Provavelmente, esse foi o pior erro da minha vida.
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