Notas iniciais
Olááá! Tudo bem com vocês? ^^
Então... Estamos saindo um pouco da rotina e postando um capítulo hoje!!!
Por 2 motivos (ou 3, não sei ao certo. Acho que são 4. Ou 5):
- Estou devendo um capítulo pra vocês não é? Daqueeela semana que eu não postei...
- É um presente de aniversário pra nossa querida leitora Rollingstone o/ o/ ~palmas pra ela pq ela mereçe~~
- Eu vou fazer uma outra prova FODA esse final de semana, e não sei se vou postar... Ok, não sei se esse capítulo é pra compensar o atraso de faz tempo, ou pra adiantar um atraso (?) ENFIM
O que importa é que estou postando adiantado neh? E vocês vão ficar felizes :3
Espero.
E... Um aviso: esse capítulo está PEGANDO FOGO! Mesmo. Vocês vão pirar :3
Boa leitura!

Como nesse mundo predomina a justiça, dessa vez fui parar na delegacia.

Pelo que tudo indica, aquilo de “mate-me” e garoto vermelho foi tudo uma loucura. Mas, o garoto existia de verdade. Eu dei várias marteladas nele. E, pelo que parece...

...

Ele morreu.

Ok, não sei ao certo. Mas, quando vi aquele garoto vermelho dizendo “mate-me mate-me”, não pensei duas vezes antes de descer o martelo na cabeça dele. Bati nele um monte de vezes, até que ele ficou inconsciente no chão. Só então percebi o que eu havia feito. Me arrependi na hora, mas se eu ficasse ali, iam descobrir que fui eu quem tinha feito aquilo. Tentei sair do banheiro correndo, mas alguém saiu de um outro box na mesma hora.

Esse alguém era o Anthony.

“O QUE DIABOS VOCÊ FEZ?!” ele gritou, vendo o garoto no chão, e eu com o martelo em mãos. Ele saiu correndo e foi até a secretaria. “Droga, agora que eu me ferrei de verdade” foi o que eu pensei. Não seria só um casinho como os outros, do tipo botar fogo na professora ou gazear diversas aulas. Isso era um crime de verdade.

Assim que eu tentei sair do banheiro, bati de frente com o diretor. Ele viu o martelo na minha mão, viu o menino no chão inconsciente, e se assustou. Fez uma cara de quem não estava acreditando. Me levou até a sala dele, junto com Anthony. Ficamos os dois lá, em puro silêncio.

Dois policiais chegaram. Eles tinham cara de malvados e o diretor mostrou algo pros dois no seu computador. Consegui ver pelos óculos escuros deles que era o vídeo de eu martelando o garoto. Sim, tinham câmeras nos banheiros, mas não dentro dos boxes é claro. Mas mesmo assim, dava pra ver eu enchendo o garoto de marteladas.

“Vocês vem com a gente” um policial falou pra mim e pro Anthony. Anthony ia como testemunha do crime. O diretor Julio também ia. Para a delegacia, provavelmente. Entramos na viatura e fomos. Curiosamente, um dos policiais ficou no colégio.

Agora sim, eu estava ferrado. Anthony iria confirmar e aumentar a história com certeza. Ou não? Ele estava muito quieto e pensativo, será que mentiria sobre algo grave assim? Iria ter coragem de me incriminar mesmo? Não que eu não tivesse feito nada, mas tudo bem.

Tudo bem? Não, com certeza não.

***

— Antes que a gente te prenda, porque você fez isso? – o policial perguntou pra mim.

Tinha me levado numa salinha de interrogatório na delegacia. Eu estava algemado, e aquelas porcarias de algemas apertavam muito. Naquela sala, só eu, ele e uma cadeira velha de plástico. O policial estava com o cassetete na mão, mas ainda não havia me batido. Ainda. Ele já tinha feito algumas perguntas como qual era minha idade, o que eu queria da vida, etc. e tal.

— Por que você fez isso? – ele perguntou novamente, com mais dureza na voz.

— E-e-eu não sei...

— Como assim não sabe? O que você tem contra aquele garoto indefeso? – ele colocou o rosto perto de mim.

— Nada, eu só... Não sei... – realmente, não sabia o que falar ali.

Enquanto ele fazia perguntas mirabolantes, eu via coisas loucas ali naquela sala. Ela girava como se estivesse dentro de uma máquina de lavar roupas, mudava de cor e havia galinhas soltas por ali, dizendo versos de um livro de Dan Brown.

— Você não vai dizer muita coisa não é? Vai pra lá – ele disse, indicando a porta – se você não contribuir no próximo turno, vamos ser obrigados a usar... Outros métodos.

Fiquei com medo. Mas nem tanto. Só um pouquinho. Acho que eu nem estava com medo. É, não estava. Eu já bebi mercúrio, o que ele podia fazer de pior? Fui até outra sala onde tinha algumas cadeiras solitárias. Sentei em uma e comecei a pensar em como aquelas algemas eram apertadas.

E Claire? Ainda pensava nela. Porque tentou fingir estar grávida? Nada estava fazendo sentido pra mim. Mesmo. Minha namorada fingindo estar grávida, e eu praticamente indo pra cadeia, por um motivo que nem sei direito qual é.

Isso eu não conseguia entender. Porque fingir uma gravidez, se ela não tinha motivo? Ou ainda, ela está grávida, e queria um exame dizendo que não estava. Não ia adiantar muito é claro, pois a barriga dela logo ia crescer. Ah não ser que ela faça um aborto...

Aborto? Preferia não tomar opinião quanto a isso. Mas acho que me inclinava levemente pro lado de “legalize já”. A mulher pode fazer o que quiser com seu corpo. Mas tirar uma vida também não parece muito certo.

Depois de algum tempo, o policial me chamou de novo para aquela sala. Levantei, e fui. Desta vez, ela estava bem mais cheia. Estavam ali o delegado, uns 5 policiais, Anthony e o diretor Julio. É, só faltava eu pra completar a festa mesmo.

— Senhor Fred... – o delegado ia falar comigo, mas não sabia meu sobrenome.

— Mercúrio – completei.

— Mercúrio?

— Longa história.

— Então, senhor Mercúrio. Com todas as evidências (imagens da câmera de vigilância, martelo na sua mão, e testemunhos das pessoas presentes no local do crime), só podemos mandá-lo para a cadeia. O rapaz que você agrediu não está morto, mas está gravemente ferido, e tem sérias chances de morrer.

“Mas, as duas testemunhas disseram que você tem... Uma doença. Relacionada a insanidade e tudo mais. Se você for realmente doente, e esse crime foi motivado pela doença, você não vai preso. Vai sim para um manicômio”.

Um manicômio, um hospício. Era disso que eu tinha medo. De ir pra um lugar assim. Mesmo louco, nunca me imaginei num lugar desse tipo. Sem exagero, esse era o medo da minha vida.

— Eu tenho aqui – Anthony disse, olhando dentro da sua mochila – uma prova de que ele é louco!

— Prova? – eu e o delegado dissemos juntos.

— É... Assinaturas de pessoas que garantem que ele é doente. Fiz isso há algum tempo, para me garantir, se algum dia acontecesse algo desse tipo.

Ele tirou um papel todo amassado e entregou para o delegado. O mesmo colocou os óculos nos olhos e analisou o documento.

— São amigos íntimos e colegas dele, que convivem bastante com ele – Anthony acrescentou.

Amigos íntimos? Que amigos me entregariam assim...?

— Deixa eu ver esse papel – eu disse, tentando me aproximar, mas um policial me segurou.

— Tem um monte de assinaturas aqui hein? – o delegado comentou – um Ygor, Richard, Alice, Paul, Victor, Jorge...

Paul? Richard? Alice? Só podiam estar brincando. Eles eram realmente meus amigos, e não me entregariam assim... Ou entregariam? Meu Deus, eu não mais ideia de em quem confiar. Anthony provavelmente os enganou para que assinassem aquilo. Não... Alice, Richard, Victor eram inteligentes, jamais cairiam numa armadilha assim.

Sinceramente? As lágrimas começaram a sair dos meus olhos. Não importava mais a dor das algemas, nem o sentimento de ir preso. Como assim todos os meus amigos tinham feito aquilo? Pensei mesmo que eu podia contar com alguém, e que eram meus amigos de verdade.

— T-tem... Alguma Claire ai? – perguntei, chorando. O delegado olhou, olhou, e disse:

— Não... Nenhuma Claire.

É, nela eu podia confiar... Certo, tinha me “traído” uma vez, indo naquela festa, mas aquilo já tinha passado. Só não entendia como os outros fizeram aquilo.

— Você deve ter exames médicos e remédios em casa não é? Revistaremos a sua residência, e se acharmos isso, é a prova final de que sim, você é um... Louco – o delegado disse.

Não, eu não me entregaria tão fácil. Eu ainda tinha alguém para cuidar. Claire... Ela tinha fingido a gravidez e tudo mais, mas eu ainda a amava. Eu queria estar com ela, queria... Ficar com ela. Conversar ao menos.

Tentei sair correndo. Me soltei do guarda que me segurava e corri para a porta. Mas assim que a alcancei, um guarda barrou a saída. “Amarrem ele!” o delegado gritou. Três tentaram me segurar, mas eu não desistia. Batia os pés, cheguei a morder um policial e a dar cabeçada em outro. Amarraram-me com uma corda improvisada. Demorou um pouco, mas assim que me amarraram, um dos policiais me deu um tapa e deixou eu sentado no chão, em um canto. Quando tudo se acalmou, o delegado e uns dois policiais foram pra outra sala, Anthony se aproximou de mim.

— Fred, tenho uma coisa pra te mostrar.

— Não me enche! – eu falei, chorando, amarrado e sentado no chão.

— Com certeza você vai querer ver – ele se abaixou, e me mostrou um vídeo no celular dele.

Não entendi no começo. Era uma festa. Estava escuro, e vários adolescentes estavam sentados em circulo, bebendo, fumando e tudo mais. Uma música tosca tocava no fundo. Até que tomei um susto. Uma menina com belas curvas foi até o meio da roda, e começou a fazer uma dança sensual para todos. Era loira, não muito alta. Estava de calça e...

Era Claire. Estava com o sutiã vermelho, com um coração branco. O mesmo sutiã que vi praticamente todas as vezes que transei com ela. Não vi direito o rosto dela, porque alguns adolescentes se levantavam e estava um tanto escuro. Mas com toda certeza, era ela. Só ela tinha um sutiã assim, um cabelo assim, e curvas assim.

— O... O que é isso? – perguntei, sem tirar os olhos do vídeo.

— O dia em que ela, Claire, foi lá na minha festinha... Ela aprontou de tudo lá sabia? Deixou todo mundo feliz e excitado... Ficou bêbada que olha, nunca tinha visto alguém beber tanto! E... Estou com saudades dos lábios dela.

“IDIOTA” eu tentei gritar, mas não saiu nada. Tentei de alguma forma bater nele, mas tudo o que fiz foi cair por lado. Ele levantou e chamou atenção dos policiais. Eles me levantaram.

Agora sim, eu não tinha motivos para viver. A única pessoa que eu confiava, tinha me traído. Meu inimigo, meus amigos, minha namorada... Todos. Eu chorava muito, nem tentava disfarçar. O que eu tinha feito pra merecer tudo aquilo?

— Então, pronto para ir pro hospício? – o delegado perguntou, assim que entrou na sala novamente. Levaram-me até lá fora, dessa vez nem tentei lutar, já que não tinha nenhum motivo para ficar “livre”. Tiraram-me da sala, e me colocaram em uma camisa de força.

Notas finais
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