Minha Doce Loucura
11 Reiniciando
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Aí está mais um capítulo freeeeeesquinho pra vocês :3
Ele é dedicado à G Black :3
Muuuuuuito obrigado pelos reviews, e boa leitura (:
Agora sim minha vida estava perfeita. Eu era um louco completo, que delirava a cada 5 minutos, com todas as pessoas que via, e que não tinha um lugar para morar. Palmas para mim, porque eu mereço.
Felizmente, meu tio não me bateu (muito) dessa vez. Ele gritou “pegue suas coisas e vá embora daqui!” mas logo mudou de ideia, e disse “ou melhor, nem pegue suas coisas, pois você as comprou com o meu dinheiro”. Então só peguei algumas roupas, meu celular, algum dinheiro, coloquei tudo na minha mochila.
Pensei que sair de lá seria a coisa mais fácil do mundo. Mas... Não foi bem assim. Eu morava lá desde que me conhecia por gente, tinha passado bons momentos ali... Ok, nem tão bons assim, mas as lembranças eram fortes.
Mas não podia ficar de melação. Saí pela porta da frente, e a fechei devagar. Do lado dela estava ele. O Pavão. Nunca mais o veria provavelmente... Eu iria sentir saudades dele com certeza. Ou não.
E saí de lá. Andei uns 2 quarteirões e fiquei parado numa esquina. Não pensem besteira.
Lá eu fiquei pensando no que eu faria. Eu iria pra casa de um amigo é claro, provavelmente do Paul. Mas não poderia ficar lá para sempre, e a mãe dele não gostava de mim, sabia que eu tinha certos problemas. Pra onde eu iria depois? Talvez meus outros amigos me ajudassem, ou eu teria de trabalhar e alugaria algum lugar.
É, melhor ir para a casa do Paul primeiro, lá posso pensar melhor.
***
Bati na porta e esperei, esperei um bom tempo alguém abrir. Paul sempre demorava para abrir aquela bendita porta. Depois de alguns minutos, ele abriu e fez uma cara de surpresa:
— HEY Fred! Que bons ventos o trazem? – ele perguntou feliz, me convidando para entrar.
— Ventos bons – eu disse entrando. E não, eu não tinha nada melhor para responder.
— Porque está de mochila? – Paul perguntou – tem algum trabalho pra amanhã e eu esqueci?!
— Tem nada, já já eu te conto por que estou... De mochila.
— Hum... Que suspense – ele falou.
“Quem está aí?” gritou uma voz do segundo andar da casa. Era a mãe do Paul, com certeza. Conhecia bem a voz dela.
— É o Fred mãe!!! – ele gritou olhando para cima.
— Oi Fred tudo bem?! – ela gritou lá de cima.
— É... Oi, tudo bem sim – eu gritei. Nossa, que gritaria.
Rimos daquilo tudo, e então fomos jogar vídeo-game. A casa do Paul era grande e chique, por assim dizer. Tinha coisas caras e de marca, os elementos muito bem arrumados. A sala tinha 3 sofás, vários quadros nas paredes e uma televisão enorme de tela plana. Eu simplesmente pirava naquela televisão.
Paul colocou um jogo (Max Payne 3, eu pirava nesse jogo também), e começamos a jogar. Eu adorava o jogo, mas não era bom. Morria umas 300 vezes por fase.
— Você é muito ruim mesmo Fred, eu hein! – Paul disse, pegando meu controle.
— E sou mesmo – eu disse, olhando para a TV.
Jogamos por um bom tempo, e durante isso contei para Paul as coisas que haviam acontecido nos últimos dias.
Contei do encontro com Claire, todos os lugares que eu e ela fomos e do beijo... (“Fred pegador” comentou Paul sobre isso). Contei da ducha do banheiro, (eu disse que liguei ela e ela não quis desligar...) não contei da surra do meu tio, eu ainda tinha um tiquinho de dignidade.
E contei do incêndio da cozinha; da explosão da cozinha na verdade. Paul deu muitas risadas, mas logo parou quando contei que meu tio tinha me expulsado de casa.
— E eu já sei – ele disse – você vai querer ficar aqui por um tempo não é?
— Praticamente, sim.
— Não que eu queira que você já vá mas... Quando você vai voltar para casa? Quando seu tio vai te perdoar?
— Não, ele não vai me perdoar – eu falei – e mesmo que perdoe, eu não vou voltar de jeito nenhum.
— Mas como...
— Eu não sei como vou sobreviver, mas vou dar um jeito. Vou procurar um trabalho, sei lá, qualquer bobagem.
— Bem, se precisar de ajuda, estou aqui – ele falou – mas antes, tenho de perguntar pra minha mãe se ela deixa você ficar alguns dias pelo menos.
— Por favor, faça isso – eu respondi.
Ele levantou e subiu para o segundo andar. Eu fiquei lá, jogando, atirando nos carinhas do jogo. Agora eu estava melhorando, só tinha 2 balas no revólver e 8 bandidos para matar. Eu podia me acostumar com aquilo.
Paul demorava. Só faltava a mãe dele não deixar eu ficar lá. Mas onde eu iria? Talvez na casa do Rodrigo, aquele meu amigo riquinho-meio-metido. Ou ainda na casa do Peter, que era um cara bem legal também.
Mas a questão era o que eu faria depois mesmo... Será que eu conseguiria emprego em algum lugar, com um salário bom?
Paul voltou com uma cara desanimada. Provavelmente a mãe dele não tinha deixado. Droga.
— Bem cara, infelizmente... – ele sentou no sofá e fez suspense. Demorou para falar.
— O que?! – eu perguntei – fala logo!
— Ela deixou! – ele riu do suspense e da cara que tinha feito – fiz isso para você pensar que minha mãe não tinha deixado.
— Há há, muito engraçado – eu falei, ironicamente.
— Bem, mas é só por uns dias, até o meu pai voltar de viajem.
— E quando ele volta?
— Lá por quarta, ou terça, algo assim.
— E depois disso...
— Vai pra casa de algum outro, sei lá, mas de um jeito ou de outro, você vai ter de voltar pra casa do seu tio.
— Não, pra lá eu não vou voltar de jeito nenhum – falei, fazendo careta e atirando num bandido do jogo. HeadShot.
***
O dia continuou lento e normal. Jogamos e jogamos vídeo-game loucamente, fizemos algumas tarefas de química, matemática e filosofia, e eu logo me instalei num quartinho, do lado ao de Paul. Era um quartinho pequeno e simples, mas confortável. Tinha uma cama de solteiro, logo na frente da mesma uma televisão antiga e uma escrivaninha do lado.
— Minha mãe disse pra eu vir dormir aqui, e você ficar no meu quarto – ele disse, enquanto me mostrava o quartinho.
— Não precisa, isso aqui está bom. Dá pro gasto – eu ri.
— Se você está dizendo...
Deitei na cama e fiquei olhando o teto.
— Amanhã o dia vai ser... Estranho.
— Por quê? – Paul perguntou, na porta.
— Sei lá... Eu não tenho mais “casa própria” por assim dizer. Isso é muito estranho.
— Imagino. Bem, vou indo, durma bem e essas bobagens – ele disse, e se retirou do quarto.
Eu troquei de roupa, arrumei a cama e deitei na mesma. Ainda não estava com sono de jeito nenhum. Então liguei a televisão.
Ela estava ligada mas eu não prestava atenção no que estava passando. Só pensava no que faria dali a uns dias, quando não pudesse mais ficar na casa dos amigos, e também só pensava... Na Claire. A linda e perfeita Claire. Amanhã eu iria vê-la, que emocionante! Como será que ela estaria? Será que ela viria falar comigo ou eu teria de ir chamar ela pra conversar primeiro?
E o que ela diria do nosso... Beijo? Ela iria querer mais, ou não tinha gostado do meu jeito de beijar? Ah Deus, se isso acontecer eu pulo da ponte. E o pior de tudo é que eu seria capaz de pular mesmo, se bobeasse.
Melhor não pensar nessas coisas... Voltei minha atenção para a televisão. Estava num canal de compras. “Compre imediatamente essa impressora e ganhe de graça a poderosa...” mudei de canal. Será que alguém realmente comprava aquelas impressoras?
Passei por um jornal, um programa evangélico, um documentário sobre guarda-chuvas, e enfim parei num outro jornal. Não estava interessado em nenhuma notícia, mas não tinha mesmo outra coisa para assistir.
“Um incrível terremoto de 7,5 MMS atingiu o Japão nesta tarde de domingo, deixando milhares de feridos e mortos. Os estudiosos dizem que...” Será que eu beijaria a Claire de novo? Aqueles lábios tão doces... Sentir aquele perfume tão gostoso dela...
E pra casa de quem eu iria depois que saísse daqui? E eu ainda tinha de achar uma fonte de renda, uma forma de ganhar dinheiro rapidamente. Pensando bem, todos querem isso.
“O mundialmente famoso Jason Leens cantor de sertanejo universitário, completa hoje 33 anos de idade. Apesar dessa idade não comum para cantores sertanejos, seu último cd vendeu absurdamente 500 milhões de cópias, um recorde nunca antes visto na história da música. Jason Leens está até sendo visto por estudiosos como uma ameaça para o planeta Terra, já que muitas árvores são derrubadas para a produção de seus discos. Ele está bilionário, e arrasta multidões de garotas por onde passa. Ele agora faz uma turnê pelo Brasil, pois segundo ele, estava com saudades de sua amada terra.”
Como é que as pessoas gostavam de um cara... Assim? Eu pessoalmente, tinha nojo dele. E esse jornal estava extremamente nojento, com notícias desses cantores, terremotos e agora vinha uma sobre um cachorro que foi atropelado por um avião. Eu não queria saber como aconteceu isso, mesmo sendo muito curioso.
Desliguei a televisão e tentei dormir. Virei para o lado e não consegui não pensar em Claire, no seu sorriso, no seu jeito, no seu... Tudo. Ela era perfeita.
***
Fomos juntos para o colégio, eu e Paul. Ele entrou para dentro, mas eu fiquei no portão, esperando Claire. Estava com tanta vontade de vê-la...
Esperei, esperei, e esperei. Ela não vinha, vários e vários estudantes entravam pelo portão, e nada da Claire. Será que ela já tinha entrado? Não, ela havia me dito que sempre chegava meio tarde...
O sinal para entrar pras salas soou, e eu não tive escolha senão ir para a minha. Entrei, e meus amigos já estavam me olhando com uma cara de “Hum... Garanhão”. Paul já tinha contado pra eles sobre Claire, com certeza.
— É... Não, eu não encontrei ela agora... Acho que ela não veio.
Eles fizeram um “aaaaaaaaaaaaaaahh” e logo depois rimos. Sentei no meu lugar e ouvi o professor de sociologia contar mais uma emocionante história da vida dele; sobre como ele conseguiu matar um rato usando só uma pinça e um desodorante.
Notas finais
kkkkkkk
O que acharam? Gostaram? Odiaram? ok parei.
Enfim, até mais!!
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