Minha Doce Loucura
21 Nite
Notas iniciais
DESCULPEM PELO ATRASO D:
Mesmo... :c
Olha, não vou encher vocês com desculpas esfarrapadas ok? Vamos logo ao capítulo! kkkk
Boa Leitura!
2 meses depois
Ah, como minha vida estava boa! Tenho quase certeza que em toda a minha existência de 15 anos nunca fui tão feliz. Meu namoro com Claire estava excelentemente excelente, não tive tantas loucuras assim nesses últimos meses, e não aprontei tanto no colégio.
Eu disse “não aprontei TANTO”. Um pouquinho eu aprontei. Como quando peguei um extintor de incêndio, me escondi em baixo da mesa da professora antes de ela entrar na sala, e quando a velha entrou e sentou na sua cadeira, acionei o extintor bem de baixo da saia dela.
E também da vez em que coloquei fogo no livro de notas da professora. Quer dizer, fiz um igualzinho (na capa, número de folhas, etc.) e queimei esse que eu fiz, e ela pensou que tinha queimado o dela. Me levaram para a secretaria, para falar com o diretor Júlio, e no final mostrei que o livro dela estava inteiro. Chamaram ela de maluca.
Nesses tempos, eu e Claire saímos muito mais vezes, ouvimos cd’s juntos, fomos ao cinema juntos, vimos filmes/vídeos juntos, tentei ensinar ela a tocar piano (sim, eu sabia tocar um teco de piano, mas nada muito fenomenal) mas ela não aprendeu, tadinha.
Hoje era uma bela sexta-feira ensolarada de céu rosa. Claire e Alice iam dormir no apartamento meu e do Richard. Falando nisso, não. Eu não tinha arranjado um trabalho ainda. Mas fazer o que.
Ia ser um tipo de “festa do pijama” só que não. Os pais de Claire estavam viajando. Victor foi junto e a irmãzinha de Claire, Ana, tinha ficado em casa, sozinha. Ela já era mais madura que os pais, e podia mesmo ficar sozinha em casa segundo Claire.
- Oii – as meninas disseram quando chegaram, à tarde.
- Tudo bem? – falei, dando um selinho em Claire.
- Melhor agora, e com você?
- Também bem – respondi, e cumprimentei Alice, que já estava nos braços de Richard.
Fechei a porta e Alice foi a primeira a sentar no sofá. Sim, ela se sentia em casa mesmo ali naquele apartamento. De repente me perguntei o que ela e Richard já haviam aprontado ali pra ela estar tão à vontade assim.
Sentamos todos, e ligamos a televisão. Estava no canal de notícias, mas logo mudamos. Eu, pelo menos, não queria saber da revolta de autores que agora estavam proibidos de escrever fanfics em geral, já que não podiam usar pessoas reais nem personagens dessas pessoas reais ou não. Colocamos num canal de clipes dessas músicas semi-eletrônicas que sempre tem uma menina de 17 anos loira cantando sobre amor platônico.
- Vieram a pé pra cá? – Richard perguntou para elas.
- Aham, não somos tão frescas de ficar andando de carro o dia todo – Claire falou.
- Nenhum playboy de quinta abordou vocês? – perguntei para Claire.
- Não – Alice respondeu na frente – só o tal Anthony veio falar com a gente.
- O QUE?! – falei um tanto alto. Claire fez uma cara feia e Alice riu.
- Não se preocupa amor – Claire falou, tentando me tranquilizar – nem nos falamos muito.
- É, ele só nos convidou pra festa dele hoje à noite.
- F-festa é? – perguntei, olhando para Claire, eu diria um tanto que torto.
- Uhum... Mas é claro que a gente não vai. Vamos dormir aqui hoje!
É, elas iriam dormir aqui. Não existia nenhuma chance da Claire ir naquela festa. Me tranqüilizei.
Mas espera.
Anthony conhecia Claire o suficiente para convidá-la para uma festa? Perguntaria isso pra ela depois. Tinha certeza que eles não conversavam, e se conheciam-se, não haviam trocado nem ao menos um milhão de palavras.
- Vamos relaxar ok? – Alice falou – ta tudo bem, a única festa que vamos é a que vai ter aqui.
- Festa? Aqui? – Richard perguntou, olhando para Alice.
- Hum... É. Dois casais de adolescentes que se amam, adoram fazer sexo... Dá uma bela festa não é?
- MENINA como você fala uma coisa dessas?! – Claire falou, rindo.
- Brincadeira, brincadeira!!!
- Então, o que vamos fazer? – perguntei, e a pergunta ficou solta no ar por alguns instantes.
- Podemos... Jogar vídeo-game! – Disse Alice, apontando para o Xbox de baixo da televisão.
- Você gosta de vídeo-game? – Claire perguntou pra ela, um tanto confusa.
- Claro que gosto! Tá pensando o que?!
Ligamos o Xbox e íamos jogar Rock Band. Richard não era muito fã de vídeo-games, por incrível que pareça, e só tinha o Rock Band dos Beatles. Pelo menos tinha duas guitarras-controle. E sim, eu passei esses dois meses só jogando este jogo.
De cara, Claire se apossou de um dos controles, ao saber que o jogo era dos Beatles. Estava com uma cara feliz e parecia que nunca largaria daquela guitarrinha. É, seria difícil tirá-la dali. E como Alice não era a pessoa mais caridosa do mundo, logo pegou a outra guitarra. Elas demoraram pra escolher a música, afinal Claire gostava de todas e queria tocar todas ao mesmo tempo. Alice perdeu a paciência e de um jeito aleatório, escolheu a música “If I Needed Someone”.
As duas meio que erravam as notas, principalmente Claire, afinal ela não se aguentava e tinha que cantar junto. Cara, a menina gostava mesmo de Beatles. Claire estava com a parte da guitarra, e Alice com a do baixo. Enquanto assistia as duas, lembrei-me de uma coisa:
- Alice, um dia você disse que o Richard tinha feito algo pra você... No dia em que vocês começaram a namorar, e...
- Ah sim! – ela ficou de costas para a televisão, mas continuou tentando tocar – esqueci de contar pra você! Numa bela tarde a gente tava numa lanchonete neh, no maior clima e coisa e tal, e eu perguntei se o Richard me amava mesmo, e ele disse que sim, e que se eu quisesse, anunciaria pro mundo todo isso.
“E eu quis. Ele ficou meio confuso, mas logo subiu em cima da mesa e leu um poema que ele mesmo tinha escrito especialmente pra mim. Lembro de cada verso! Todos na lanchonete prestaram atenção e até aplaudiram no final...”
- Que fofo! – Claire falou, enquanto tocava.
- Isso – Richard falava para Alice – conta todos os meus podres! Só falta contar daquela vez da academia.
- AH É, um dia na academia, o... – Alice começou a falar, mas Richard logo a interrompeu. Casal lindo, os dois.
A música acabou, e Alice largou do controle. Eu peguei a guitarrinha e ia tocar com Claire, afinal ela não largaria a dela por nada, pelo visto. Fui escolher a música mas ela escolheu na frente, claro. Depois de algum tempo, ela escolheu a “Can’t Buy Me Love”.
Agora ela estava conseguindo tocar melhor, sabe-se lá o porquê. Será que era porque ela estava tocando comigo? Ok, parei de prestar atenção nela e olhei para as minhas notas. Aquela música não era tão difícil.
- Você é bom tocando hein Fred – ela falou pra mim, me olhando maliciosamente. Eita.
- Ah sim, muito bom, excelente – falei com ironia.
Ficamos um bom tempo jogando vídeo-game. Depois de algumas músicas e muitas histórias e risadas, eu e Claire iríamos no mercadinho ali perto comprar refrigerantes e salgadinhos, para animar um pouco mais aquela tarde. Não, hoje não tomaríamos bebidas alcoólicas. Saímos do prédio e andávamos devagar e tranquilos até o mercado.
- Fred – Claire falou, enganchando em mim, e apoiando sua cabeça no meu ombro.
- Que foi querida?
- Eu te amo, mais do que tudo.
- Eu também amor! Bem mais do que mais do que tudo! Sabe o tamanho do Universo? Então, o tamanho dele nem se compara ao tamanho do meu amor.
Não, eu não estava exagerando. Eu gostava mesmo de Claire, de todo aquele jeito, e queria dar todo aquele carinho para ela. Provavelmente, nunca tinha amado uma garota tanto assim, e pensando bem, acho que nunca tinha amado uma garota realmente.
Chegamos no mercadinho, e... Paul estava lá! Estava perto dos caixas, mexendo no seu celular. A mãe dele estava passando as compras no caixa. Disse para Claire ir vendo o que compraríamos, que eu ia falar com Paul. Cumprimentei ele e coisa e tal.
- O que faz por aqui? – Perguntei pra ele.
- Ah, o mercado lá perto de casa pegou fogo, então viemos nesse.
- Pegou fogo? Como?
- Não sei... Só passamos na frente dele, e tava pegando fogo, com pessoas saindo correndo e tudo mais. Ai minha mãe resolveu vir nesse, é claro.
- É... E como vão as coisas com a Hillary?
- Ah cara, vão bem! Estamos namorando também, e... É isso – ele riu – é meio chato as vezes, afinal ela é exigente e mandona, mas é legal pois... NEH – ele falou maliciosamente.
- Claro – eu ri.
- E Claire?
- Estamos ótimos, melhor impossível! Ela vai dormir lá no apartamento hoje.
- Hum, já vi tudo! – ele falou rindo.
- É! Vou lá com ela agora, até... Segunda?
- Segunda! – ele respondeu, e eu fui me encontrar com Claire.
***
Quando voltamos ao apartamento, o sofá estava todo bagunçado, mas Richard e Alice estavam jogando. Hum... Parece que tínhamos impedido um ato sexual.
Passamos o resto da tarde jogando, comendo, e jogando conversa fora. Estava muito bom, estar com amigos e com a minha namorada... Era uma tarde perfeita, e quase sem nenhuma loucura.
Quando paramos de jogar, no final da tarde, fomos tomar banho. Não sei porque, cada um tomou de cada vez. Não tomei banho junto com Claire dessa vez...
Sim, nesses dois meses, tomei banho umas 3 vezes com ela. Era divertido fazer isso. Diziam na televisão que tomar banho junto com uma pessoa economizava água, mas isso não acontecia com a gente, já que demorávamos muito no nosso banho.
A única loucura que tive neste dia, foi no meu banho. Enquanto lavava meu cabelo, escutei alguém cantando “Do It Again” dos Beach Boys. Prestei atenção, e vi que não era nada, só uma loucurazinha básica.
- Tá cheirosinho é? – Claire falou, quando saí do banho. Já estava de pijama, pois tinha anoitecido. Ela também estava, com uma camisola (infelizmente) grande, que ia até os pés.
- Você é quem diz... Quer cheirar? – falei abraçando-a e ela cheirou e mordeu meu pescoço.
- Está sim... do jeito que eu gosto.
Ficamos abraçados no corredor, aproveitando o momento. Ela também estava perfumada, seus cabelos um pouco molhados e mais linda do que qualquer coisa.
- Ah, desculpa interromper, podem continuar – Richard falou, entrando no banheiro e fechando a porta.
Não, não iríamos continuar, o clima tinha sido quebrado. Droga. Fomos para a sala onde Alice fazia as unhas. Ela já tinha tomado banho também, e estava com uma toalha na cabeça.
- O que o Richard interrompeu? Escutei ele falando – ela disse, sem tirar os olhos das unhas.
- Nada não – Sentei do lado dela, e Claire sentou do meu lado.
- Seeeeei...
- Que ta assistindo? – Claire perguntou, olhando para a televisão.
- Qualquer bobagem... Hoje é o último capítulo da novela Corações Encarniçados, todo mundo assiste isso.
“Oh minha Marcianita, porque persiste tanto nesta falta de amor?”
“Oh meu Alfredo, você é o culpado da minha extrema carência e depressão pós-parto”
A novela era só isso, não sei como as pessoas gostavam dela.
- O que vamos fazer agora de noite? – Claire perguntou para mim, e eu não tinha uma resposta.
- Acho que... – Alice respondeu na minha frente – pelo menos eu e Richard vamos dormir logo...
Dormir logo? Numa “noite do pijama”? Isso não tinha graça, porque...
...
Mas é claro, já sabia bem o porque deles irem dormir cedo. Pelo que eu sabia, Richard e Alice não ficavam muito tempo sozinhos, só os dois, e iam aproveitar bastante essa noite para... Tirar o atraso.
A luz começou a piscar. No começo pensei que era uma loucura, mas logo percebi que a energia tinha acabado, e tudo ficou escuro. A televisão desligou, a luz apagou, e Alice reclamou por não ter mais luz para fazer as unhas.
- O que aconteceu? – Claire perguntou, se encostando em mim.
- Só caiu a energia...
- PORQUE TINHA DE CAIR AGORA PORRA – escutamos Richard gritando lá do banheiro, e todos rimos.
Logo ele saiu, e acendemos umas velas, para termos um mínimo de luz. Ok, tenho de admitir que o clima tinha ficado bem mais romântico. Ficamos por ali, escutando música pelo celular e ouvindo rádio.
“A energia em boa parte do país acabou por conta da novela Corações Encarniçados, que atingiu audiência máxima, nunca vista antes. Por conta de muitos aparelhos de televisão ligados ao mesmo tempo, a energia acabou. Provavelmente, isso se deve a participação especial do cantor Jason Leens no último capítulo da novela, que atraiu mais telespectadores. Entretanto...”
Desligamos o rádio e colocamos uma música. Mesmo sem energia, aquele lugar estava perfeito, por conta dos meus amigos e de Claire.
***
- É um máximo ficar assim sabia? – Claire falou, abraçada em mim.
Estávamos deitados, naquela cama pequena de solteiro. Por incrível que pareça, não era nem um pouco desconfortável dormir com Claire numa cama só pra uma pessoa. Era ótimo sentir o corpo dela grudado no meu. Ficamos um bom tempo conversando, íamos fazer sexo mais tarde... Claire não queria que os outros escutassem seus gemidos.
- Você é a garota mais perfeita do mundo sabia? – falei, fazendo cafuné nela.
- Não sou não... Tenho um monte de defeitinhos.
- E é por conta deles que você é perfeita...
Paramos de falar um pouco, e escutei. Pensei que era uma loucura, mas Claire também estava escutando algo.
Alice gemendo.
Nos olhamos e demos risada. Ela olhou fundo nos meus olhos e fez beicinho.
- Amor... Acho que não estou muito afim de fazer hoje...
- Por quê?
- Sei lá... Só não to com vontade... – ficamos em silencio um pouco. Não dava pra escutar quase nada, a não ser os gemidos baixos da garota no quarto do lado.
- Tudo bem amor, então não fazemos, ficamos só aqui juntos!
Não, não tinha nenhum problema mesmo ela não querer fazer amor comigo. Nesses tempos não ligava muito para o meu prazer, e sim para o prazer de Claire. Não ligava para o fato de eu não sentir prazer algum, portanto que ela estivesse satisfeita.
- Obrigada Fred, por ser perfeito...
- Não sou não, eu só...
- Cala a boca bobinho, pra mim, você é o homem mais perfeito do mundo.
Ela disse isso, me abraçou mais forte e caiu no sono.
***
Eu estava tão tonto...
O estranho, era que o quarto estava todo iluminado, e eu sentia que não tinha dormido. Já estava de dia? Não, não podia ser. Olhei para o lado, e...
Ah meu Deus.
Tinha um cara de terno deitado do meu lado, me olhando. Ele era velho e com pele negra. Dentes amarelos e cabelos despenteados. Tomei um susto, mas não conseguia me mexer.
- Como vai Fred? Dormiu bem? – ele perguntou, ainda deitado.
- Q-q-quem é você?! – perguntei, tentando sair da cama.
- Pode me chamar de Chuck Berry. Como assim você não me conhece?
Ele começou a contar histórias dos anos 50. Contou como era o rock naquele tempo, e como ele misturou blues com jazz para trazer o rock and roll ao mundo. Contou histórias dos Beatles, dos Rolling Stones, dos Beach Boys e muitos outros. Falou do álbum Sgt. Peppers e como ele mudou a história do rock, inventado o rock psicodélico e progressivo.
Quando dei por conta, ele já não estava mais lá, e aquilo não era um sonho.
Mas nem percebi também que Claire não estava mais deitada junto comigo.
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