Minha Doce Loucura
22 Desculpe Babe
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Sem atraso desta vez, aí está um capítulo novinho em folha :3
Espero que gostem!!
Boa leitura!
Demorei pra levantar. O sol pegava bem no meu rosto, Claire não estava mais ali comigo, e eu estava no meu leito de morte no quesito preguiça. Que vontade de ficar o dia inteiro ali, deitado, sem fazer absolutamente nada. Só queria que Claire estivesse ali, pra deitar e rolar com ela.
Haviam formas, gosmas, sei lá, girando de um lado pro outro no teto. Uma loucura básica pra começo de manhã.
Tinha de levantar. E levantei. Me espreguicei, senti todos os meus ossos esticando e tudo mais, calcei minha pantufa e fui para a cozinha. Richard estava lá, de pijama ainda também. Estava passando manteiga em um pão.
— Bom dia – ele disse, quando me viu. Eu respondi, e logo perguntei:
— Onde estão as garotas?
Ele hesitou antes de responder, como eu faço também, afinal havia acabado de acordar.
— Hum... Não sei... Quando acordei, Alice não estava mais aqui. Claire sumiu também?
— Aham... Onde será que elas foram? – falei, e me sentei na mesinha. Não estava com fome.
— Devem ter ido pra casa, com certeza.
— É... – respondi, ainda pensando no assunto.
É, devem ter ido pra casa. Pra onde mais elas iriam? Provavelmente os pais de Claire chegariam em casa de madrugada, ou algo assim, pra ela ter ido. Fui até o meu quarto e comecei a dobrar os cobertores. Eles estavam com o perfume de Claire... Era um cheiro tão bom, mas não podia ficar cheirando-os a manhã inteira. Troquei de roupa e ia para a cozinha comer algo, até que meu celular tocou.
— Alô? – perguntei assim que atendi. Acho que é isso que a maioria das pessoas fazem.
— Fred neh? – disse uma voz fina do outro lado.
— Não, Napoleão. Quem é?
— Napoleão? Desculpa, liguei errado, aqui é a irmã da Claire, só queria...
— É O FRED SIM – falei, um tanto em pânico.
— Uhum... Mas agora, não sei se você é realmente o Fred. Pode ser Napoleão mesmo, um Napoleão curioso que quer saber da vida dos outros.
— Sou o Fred sim! Lembra do dia que fui na sua casa e te chamei de anjinho?
— Ta bem ta bem. Escuta Fred. Eu não gosto de ver os outros aprontando e coisa e tal, não gosto de ver as coisas erradas. E não sou uma fofoqueira nem uma... Enfim você entendeu. Mas só queria te avisar que a Claire chegou umas 5h da manhã em casa, bastante tonta e cheirando a álcool. Nessa hora eu estava fazendo experiências com o gato de Schrödinger e perguntei pra ela onde ela estava, da onde estava vindo na verdade, afinal ela já estava em casa. Ela disse que estava vindo de uma festa de um tal Antônio, sei lá, algo assim.
— Antônio? Não seria Anthony?
— Isso mesmo! Ela disse que veio de lá, e que tudo que queria era dormir em paz, sem nenhuma irmãzinha chata incomodando-a... Bem, todo mundo sabe que você não gosta do Antônio, quer dizer, do Anthony, por isso liguei pra te avisar.
— Hum... É, obrigado, eu acho...
— De nada, eu acho.
— Obrigado, tenho coisas pra fazer agora, até mais – falei, e desliguei o celular.
Ela tinha ido a festa dele é? Por quê? Quer dizer, foi a festa para se divertir claro, mas porque não me contou? E... O que será que ela fez naquela festa? Será que ficou com alguém, ou ainda... Não, Claire me amava muito, nunca iria...
Se me amasse, teria me contado que estava indo na festa não? Será que ela já estava ficando com outro, ou melhor, com o Anthony, e por isso que ela não quis transar comigo ontem?
Bem, só sei que, eu precisava muito da resposta pra tudo isso, e iria atrás delas imediatamente.
***
— Onde você vai apressado assim? – Richard perguntou, vendo eu já saindo pela porta da frente.
— Vou atrás da Claire – falei, e não esperei pra ver a reação dele. Fechei logo a porta.
Desci as escadas do prédio correndo. Escutava barulhos estranhos, como de papel rasgando e pessoas batendo palmas, mas tinha certeza de que aquilo era loucura, é claro. E tudo me dizia para parar de correr e descer as escadas de um jeito descente, afinal, descer escadas correndo é um pedido para morrer.
Mas continuei correndo até chegar no térreo. Saí do prédio e decidi ir andando mesmo até a casa de Claire. Não estava com pressa, estava nervoso.
— Como é que ela pode fazer isso? – disse alguma coisa do meu lado, enquanto eu andava apressado. Olhei, e era ele.
O cachorro.
E dessa vez ele estava roxo, lilás, essas cores que as meninas de hoje adoram.
— O que foi agora?! – gritei, sem olhar para ele.
— Isso! Ir para a festa do seu “inimigo” e nem te avisar! Claro que você não iria ir junto de um jeito ou de outro, mas...
— Claro que eu iria junto! Acha que eu deixaria ela sozinha na casa do meu inimigo?!
— Certo, você tem razão. Ou não. Mas você já pensou?
— Em que?
— No que ela fez na festa! Será que acabou ficando com alguém lá, ou até com o Anthony? Sabe que quando uma menina fica bêbada nada a segura!
— Sei bem disso – ok, o cachorro já estava me irritando.
— E se você...
— Eu vou na casa dela, e resolver tudo isso agora, não precisa ficar jogando na minha cara essas dúvidas ok?! – gritei, e andei mais rápido, deixando o cachorro para trás.
O céu já tinha mudado de cor umas 4 vezes desde que tinha saído do apartamento. Eu estava vendo coisas muito loucas mesmo, cavalos voando, carros batendo, velhas lutando MMA no meio da rua e policiais espancando estudantes revoltados. Ops, esse último era de verdade.
Depois de algum tempo ainda com muitas loucuras, cheguei na frente da casa da garota. O que diria pra ela? E se... Eu perdesse a calma e a fizesse chorar? Não queria ver ela triste, nem...
— Besta, quem foi o enganado aqui? – disse algo dentro de mim.
Verdade, o melhor era tirar aquela história a limpo. Bati na porta impacientemente. Ana, a menina de 9 anos abriu e me olhou com uma cara séria.
— Ah, eu sabia que você apareceria aqui – ela falou, e deu espaço para eu passar.
— Cadê a Claire?
— No quarto... Mas acho que mamãe não iria gostar de saber que você ficou sozinho com ela no quarto dela, enquanto...
— Dane-se – cortei a menina e subi as escadas.
Cheguei na frente da porta, e bati com força. Ela não respondeu. Bati mais e ouvi ela gritar lá de dentro:
— Espera!
Esperei por 5 minutos, e decidi entrar. Ela estava ali, de baixo das cobertas, de ressaca provavelmente. Alice estava no quarto também, só que dormindo no chão em um colchão. Cara, como ela era parecida com Claire. “Claire!” eu gritei, e a garota se assustou. Levantou meio tonta e derrubou os cobertores no chão. Ela estava com uma calça jeans, uma camiseta dos Beatles e toda descabelada.
— F-fred! Que surpresa – ela disse, atordoada.
— Ah sim, que surpresa – respondi, com insatisfação na voz.
— Que você ta fazendo aqui? – ela falou. Alice ainda estava dormindo, ainda bem.
— Eu quem pergunto! Que você está fazendo aqui? Não ia dormir no apartamento? Vocês duas?
Ela ficou confusa, sem saber o que falar.
— É, íamos, mas... É...
— Foram na festa do Anthony, não é?
— Como você sabe? – ela falou, mas logo mudou o tom, percebendo que havia se denunciado – quer dizer... Amor...
Não queria mais tirar satisfações. O olhar dela já dizia tudo. Tinha ido a festa, se divertido, e provavelmente ficado com qualquer um lá. Virei para ir embora, mas ela pegou no meu braço e me impediu.
— Fred, por favor, me escuta!
— Escutar o que?!
— Eu fui a festa meio porque... Alice me obrigou... Um pouco pelo menos...
— Pensei que você não se deixava influenciar, que você preferia ficar comigo, do meu lado, ao invés de ir a uma festa besta.
— Desculpa... Mas não fizemos nada de mais lá, a gente só... Se divertiu um pouco! Nem foi tão legal, pois só pensava em você, em como...
— Só se divertiu? E o que são essas marcas em você?
Apontei para a região do pescoço dela, onde haviam marcas de mordidas. E com toda certeza, não eram minhas, não lembro de ter mordido ela naquela noite.
— A-amor... – ela tentava se explicar, mas estava chorando muito – eu...
Não queria escutar mais. Desci as escadas e estava prestes a sair da casa quando a irmã de Claire me parou.
— Vem cá – ela falou, me puxando pela mão até a cozinha.
— Não, eu não...
— Cala a boca e vem – ela disse e me levou até a cozinha.
Fez com que eu sentasse num banquinho, e começou a fazer um chá.
— Se acalma moço, não adianta ficar nervoso assim.
— Mas...
— Toma esse chá e vai falar com ela depois.
Ana terminou o chá, fez com que eu tomasse e, tenho de admitir, me acalmei um pouco.
***
Alice já tinha ido embora. Sentei na cama de Claire, ela sentou do meu lado, ainda chorosa, e começou a contar:
“Alice me chamou para irmos à festa. Eu não estava com muita vontade, mas ela insistiu... Levantei e me arrumei. Fomos até a casa dele, e estava cheia, mesmo, acho que mais cheia do que aquela que nós fomos. Chegamos lá, bebemos um pouco, e um garoto me abordou. Ele queria ficar e coisa e tal. Mas eu disse que não queria, que estava namorando. Ele me pegou pela cintura e começou a me morder e tentar me beijar. Com sorte, consegui me livrar dele, e fui para outro canto da casa beber mais. Encontrei com Anthony, e conversamos um tanto. Não rolou nada, não se preocupe. Ele até me convidou para eu ir pra sala, onde as meninas estavam dançando só com roupas intimas para os garotos, mas é claro que eu não quis. Logo, voltamos pra casa”.
Pensei muito em tudo aquilo. Não sabia se podia confiar totalmente nela... Mas ela deixou claro que não queria nada, e que em todos os momentos foi obrigada e seduzida a fazer algo errado. E não fez.
É, com certeza, continuaríamos namorando. Mas eu não fazia ideia de como seria daqui pra frente.
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