Notas iniciais
Olá leitoras, tudo bem? ^^
Enfim, mais um capítulo CHEIO de surpresas pra vocês! E sim, ele está enorme, até pensei em dividir em dois, mas... Vai grande assim mesmo, sei que algumas leitoras gostam de ~~coisas grandes~ (vulgo Kathy e Nina KKKK)
Mas antes... MUITO OBRIGADO pela recomendação srta. Adres Dieres!!!!!!!! Eu adorei e pirei muito quando vi *ooooooooooooo* muito obrigado :3 :3 :3
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Boa leitura!

Vocês já disseram, eu ouvi. Eu sei, eu sei, eu sou uma idiota, uma egoísta, malandra, débil mental, imbecil, eu já escutei, eu sei disso.

Eu sei que encontrei o cara perfeito pra mim, mas joguei tudo fora, porque sou idiota, imbecil, egoísta, etc. e tal, como diria o Fred.

Ah... Fred.

***

Era fim de tarde. O sol estava se pondo lá fora, tinha passado a tarde inteira com o meu namorado. Como era bom, ter a companhia dele. O Fred era tão amoroso, tão sexy, tão romântico... Podia não ser a pessoa mais linda do mundo, mas pra mim, com certeza era. Agora estávamos deitados, juntos, agarradinhos no sofá, enquanto alguma coisa besta passava na televisão. Um programa sobre casos idiotas de família.

- Posso te contar um segredo? – ele perguntou, me colocando por cima dele. Nossos rostos estavam muito próximos, os lábios quase se tocando, e Fred sussurrava.

- Claro que pode – falei, dando um sorriso e me perdendo nos olhos dele.

- Eu sou louco. Maluco. Doidinho – Fred disse, também olhando nos meus olhos.

- Como assim?

- Sou louco. Por você minha querida.

Tudo o que eu fiz foi dar um sorriso, mas por dentro eu estava: “AIN QUE FOFO”.

- Maluquinho é? – eu dizia, perdida e louca para beijar o garoto.

- Muito mais do que isso.

Ele ia dizer mais algo, mas eu não aguentei e o beijei. Beijamos-nos intensamente e longamente por um bom tempo. Nossas línguas se entrelaçavam magicamente e eu me sentia no céu.

- No fim de semana – ele disse, depois do beijo – Richard vai trazer Alice aqui, vão fazer um tipo de noite do pijama. Eu ia sair, deixar os dois sozinhos, mas pensei melhor e... Quer vir também? Como se fosse um encontro de casais.

Ou sexo grupal, chame como quiser. Eu conheço o Fred, e provavelmente ele pensou isso. Mas até que a ideia era boa.

- Hum... Tenho de pensar num jeito de escapar dos meus pais. Entende, sem ser vista.

Fred sugeriu algo, mas aí lembrei que eles – os meus pais e meus irmãos – iam viajar no fim de semana. Queriam me levar junto, mas de jeito nenhum eu queria ir para o interior, ficar no meio de um monte de caipiras e longe do meu Fred.

- No final de semana meus pais vão viajar... Não vai ser tão difícil me escapar deles – falei, sorrindo para o Fred. Ele sorriu de volta, me deu um selinho e disse:

- Eu te amo sabia?

***

- Como assim você não vai?! – gritei alto demais pra minha irmã. Falei mais baixo – porque diabos você não vai?

- Ah, você sabe, eu não gosto muito de mato também – ela falou, acariciando o gato que estava carregando.

Não conseguia acreditar que minha irmã, Ana, ia ficar também. Com certeza sobraria pra eu ficar em casa, sem poder sair, cuidando dela. O jeito era falar com a minha mãe, tentar convencê-la de levar a Ana junto. Fui até o quarto da mamãe, e ela estava lá arrumando uma mala.

- Mãe, porque a Ana não vai junto com vocês?

- Porque ela não quer – ela disse, sem tirar os olhos da mala.

- Mas...

- Ela vai ficar fazendo companhia pra você. Tratem de ficar em casa e se comportem!

- Mas mãe, ela...

- Mas o que? – ela virou para mim – O que você quer fazer que precise ficar sozinha?

Ir a uma festa? Dei por vencida e voltei pro meu quarto. Droga, queria tanto passar uma noite com o Fred... Mas Ana era bastante madura, – mesmo com 9 anos – podia ficar sozinha. Tentaria explicar a ela a minha situação.

Algumas horas depois, minha mãe, pai e irmão foram. Voltariam só segunda, mais ou menos. Agora sim, era hora de... “Subornar” minha irmã. Fui até o quarto dela, e a encontrei colocando um gato dentro de uma caixa.

- Ana, eu... Que você ta fazendo?

- Não. Me. Atrapalha! – Ela falou pausadamente. Largou o gato e a caixa, e virou para mim – O que é?

- Olha maninha, eu vou ser sincera e direta: amanhã, eu vou dormir na casa do Fred. E você é claro, vai ficar quietinha... Não vai?

- Com “quietinha” você quer dizer: não contar pra mamãe e pro papai?

- Praticamente sim!

- E eu vou dormir sozinha aqui? E se acontecer um incêndio? Um furacão? Um terremoto? Uma erupção? Um apocalipse zumbi? E se cair um meteoro? Meteorito? E se um bandido vier aqui e me sequestrar? Fazer de refém? E...

- Isso não vai acontecer, vai ser só uma noite mana.

- Na verdade- ela levantou, pegou um caderno e começou a escrever – existe uma boa probabilidade de...

- Você vai ou não vai ficar quieta?! – Falei impaciente. Ela me encarou, jogou o caderno pro lado e voltou a lidar com o gato.

- Vou, claro que eu vou. Se você roubar um livro de uma faculdade pra mim, eu fico sim.

Olhei para ela e suspirei. Como essa nerd podia ser minha irmã? Mas era melhor que ter uma irmã burra. A Ana pelo menos me ajudava nos trabalhos escolares.

***

Que demora.

Eu estava em uma pracinha, esperando Alice sair do seu cursinho de informática. Ela disse que saia às 14h, e já eram 14h15min e nada da garota. Devia estar se agarrando com o professor, do jeito que aquela garota é.

- Desculpa pela demora! — Ela disse, saindo do prédio, com a mochila na mão. Outros alunos também saiam – O professor decidiu dar um monte de trabalhos adicionais, bobagens.

Ela estava bonita até, com uma camiseta regata, colada no seu corpo, uma calça jeans (que eu já tinha visto numa loja de R$ 1,99) e um tênis All Star. Seus cabelos loiros estavam presos num rabo de cavalo. Desculpa, mas eu reparava nos outros sim.

- Vamos? – Perguntei, ela sorriu e começamos a andar na direção do apartamento do Fred, que não era tão longe dali.

- Vai ser uma noite e tanto hein – Ela comentou.

- Com certeza. Eu, passar uma noite com o meu namorado? Tava esperando há...

- Claire, olha ali! – Ela me interrompeu, indicando alguém que estava vindo na nossa direção.

Não.

Um garoto largado, andando descompassado, com as mãos no bolso. Estava com um chiclete na boca, mastigando como uma vaca, óculos escuros e com uma jaqueta e uma calça preta. Seus cabelos pareciam brilhar de tanto xampu e condicionador. Ele parou de andar quando chegou até nós.

- Olá garotas – Ele falou, tirando os óculos escuros.

- Oi... Anthony – Eu falei, meio enjoada. Ele estava com aquele perfume de sempre, horrível.

- O que vocês fazem por aqui hein?

- Não é da sua conta – Respondi, e tentei puxar Alice para o outro lado da rua, mas ela pareceu até que interessada no garoto.

- Calma, calma senhorita irritadinha – Ele tentou pegar no meu ombro, mas eu me afastei.

- Nem pense em encostar em mim, ok?

- Calma Claire, ele só ta querendo conversar! – Alice repreendeu, e em seguida começou a falar com ele, com um sorriso – Seu nome é Anthony, é?

- Anthony, muito prazer. – Ele beijou a mão de Alice – E o seu nome princesa, qual é?

Que nojo.

- Alice... – Ela ficou vermelha com o elogio.

- Bem Claire, você sabe como eu sou um homem ocupado, não posso ficar aqui na rua conversando com vocês. Mas, apareça lá em casa hoje a noite, vai ter uma super-festa lá. Você também está convidada gracinha. – Ele se referiu a Alice, que deu um grande sorriso – Vai ter bebidas, um pouquinho de sacanagem talvez, coisas que eu sei que você gosta Claire.

- Não, eu não gosto.

- Você não dizia isso há alguns meses – Ele disse se aproximando.

- Tchau, Anthony – Puxei Alice e demos a volta pelo menino. Ela virou o pescoço para olhar melhor pra ele.

Que idiota nojento! Como ele ousou falar assim comigo e com minha amiga?

- Que gato hein Claire! Pode me contar tudo sobre ele. – Ela disse, animada.

- Ah, ele é só um idiotinha.

- Do jeito que ele falou com você, não parecia não hein.

- Tá bom, ta bom... Eu tive um... Rolo com ele, por assim dizer – Admiti.

- Rolo é?

- É... Beijinhos, abracinhos, um monte de mimimis e... Um pouquinho de sacanagem às vezes. Mas é claro, tudo isso antes de conhecer o Fred.

- Que tal você hein! Mas bom gosto você tem!

- Bom gosto... Ele é um metido, idiota, burro. Fica horas se arrumando, tentando achar um jeito de ser descolado, namora várias garotas de uma vez. Ele é mimado, riquinho, filho de um... Juiz, ou um procurador de justiça, se não me engano.

- Parece um partidão! Faz bem o meu tipo – Ela falou, mexendo no cabelo.

- Pelo jeito...

- Então, vamos a festa dele?

Hã?

- Como assim? Não vamos dormir no apartamento dos garotos? – Perguntei confusa. Não acredito que ela ia à festa do canalha.

- Ah, é verdade... Mas damos o nosso jeitinho, convidamos os meninos para irem com a gente!

- Não, o Fred já brigou muito com o Anthony, ele nem sabe que já tive algo com ele. Fred não iria a essa festa nem se estivesse morto.

- Que situação... Mas, damos o nosso jeitinho – Ela falou.

Jeitinho? Não, eu não iria para aquela festa de jeito nenhum. Ia ao apartamento, me divertiria com o Fred, dormiríamos abraçadinhos e tudo mais. É isso que eu quero.

***

Passamos a tarde jogando vídeo-game, jogando conversa fora, falando sobre tudo e muito mais. Fomos ao mercado num momento, encontramos Paul lá. Agora, estava anoitecendo e estávamos agarradinhos no sofá, assistindo um filme qualquer. Alice estava tomando banho e Richard estava na cozinha, ia fazer a janta. Provavelmente, iam ser só 4 pratos de miojo mas tudo bem.

- Que idiota – Fred falou, vendo um personagem do filme sendo devorado por um zumbi.

- Com certeza... Imagina se um zumbi me come assim? – Falei, já pra fazer o Fred pensar em segundas coisas. Ele riu.

- Não, ele não iria comer, porque eu protegeria você meu amor.

- Mesmo? – Olhei nos olhos dele, e ele olhou nos meus.

- Claro, com todas as minhas forças.

Nos beijamos longamente. Como eu amava aquele garoto...

“Não tem ninguém me escutando porra?!” a voz abafada de Alice soou lá de dentro do banheiro. Paramos de nos beijar, mas Richard já tinha ido ver o que ela queria.

- O que foi meu am... Você está nua! – Escutamos ele falar do corredor, e rimos juntos.

- Sai daqui seu safado! – Ela disse rindo – Chama a Claire!

- O que ela pode ver que eu não posso?

- Chama ela agora garoto! – Ela falou, rindo ainda mais.

Levantei do sofá e fui até o banheiro, que estava com a porta entreaberta. Richard voltou para a cozinha, e eu fiquei ali na porta, vendo Alice se enrolar na toalha.

- Claire, isso pode parecer meio constrangedor, mas... Você tem um sutiã pra me emprestar?

- Hum... Acho que tenho sim, deixa eu ver...

Fui até o quarto onde tinha deixado minha mochila, o quarto do Fred. Abri ela, e procurei. E sim, eu tinha trazido dois! Um era vermelho com um coração branco em um das taças, e outro era preto. Peguei o vermelho, mas aí pensei: porque Alice queria um sutiã? Eu, pelo menos, costumava dormir sem sutiã.


Levei a peça até ela, e a garota agradeceu. Voltei para a sala e sentei novamente do lado do meu namorado.

***

- Você é a garota mais perfeita do mundo, sabia? – Fred disse, fazendo um cafuné em mim.

- Não sou não, tenho um monte de defeitinhos...

- E é por conta deles que você é perfeita...

Cara, como eu pirava naquele menino. Como ele podia ser tão fofo assim? Estávamos deitados agora, juntinhos e abraçados, no escuro. De repente, ouvi alguma coisa esquisita. Olhei para Fred e parecia que ele tinha ouvido também.

Alice, gemendo, no quarto ao lado. Aquela garota safada! Eu e Fred nos olhamos e rimos muito. Quando paramos, falei pra ele:

- Amor... Acho que não estou muito afim de fazer hoje...

- Por quê?

- Sei lá, só não to com vontade...

Porque eu não estava afim? Ah... É meio complicado explicar. Primeiro que eu não estava afim mesmo, e segundo que... Eu estava nos dias.

- Tudo bem amor, então não fazemos, ficamos só aqui juntos! – Ele falou, e eu sorri.

- Obrigada Fred, por ser perfeito...

- Não sou não, eu só... – Modesto.

- Cala a boca bobinho, — interrompi – pra mim, você é o homem mais perfeito do mundo.

Falei isso e abracei mais forte ele. Devagar, o sono foi vindo, e eu dei uma cochiladinha.

Pelo menos, até eu acordar não sei que horas da madrugada, com algo me cutucando. Eu e Fred agora estávamos separados, ele do seu lado e eu do outro. Abri devagar os olhos, e vi uma pessoa na minha frente. Não conseguia saber quem era, mas era uma pessoa, cutucando o meu ombro.

- Acorda Claire! – Uma voz feminina falou sussurrando. Era Alice.

- O que você quer? – Perguntei. Ela não estava mais de pijama, e sim toda arrumada. Ah não.

- Vamos logo pra aquela festa!

- Eu disse que eu não vou!

- O que? – Ela não tinha entendido, pois estávamos sussurrando.

- Eu disse que eu não vou! – Sem querer, falei alto, e escutei o Fred resmungar:

- Tudo... Tudo bem amor... A gente não faz hoje...

Ela olhou de volta para mim.

- Vocês nem fizeram hoje? Olha a oportunidade, vem comigo logo!

- Eu to com preguiça, eu...

- Para de enrolar, eu sei que você quer ir. – Ela disse, fazendo eu levantar devagar, pra não fazer barulho, e me empurrando para fora do quarto.

- Mas eu... Eu nem tenho roupa – Falei, indo pro banheiro. Olhei-me no espelho, e eu estava horrível.

- Usa aquela que você estava antes oras!

- Olha Alice – saí do banheiro e disse pra ela – Eu não vou ok? Isso é praticamente... Trair o Fred!

- Ok, tudo bem, – Ela falou, se virando e indo até a sala pegar a bolsa – eu entendo que você não quer me acompanhar, não quer ir a uma festinha inocente comigo, não quer...

- Alice.

- O que?

- Cala essa boca. Olha, eu vou, você que apronte o que quiser lá, mas eu vou ser uma santa – Eu disse. Fechei a porta do banheiro e comecei a pentear os cabelos.

***

Andamos e andamos, até que chegamos à casa do moleque. E... Estava o maior festão.

Dava pra ouvir a música lá de fora, as batidas da música eletrônica faziam tudo tremer. Luzes coloridas saiam lá de dentro, e curiosamente, não tinha ninguém para fora. Só um monte de caixas de isopor. Os olhos de Alice brilhavam.

- Vamos logo!

Entramos, e como sempre nas festas, tinha um pessoal dançando, um monte se agarrando, outros sentados olhando, todos bebendo... Essa Alice...

A porta da frente dava na sala onde tinha uma televisão ligada e um monte de gente dançando. Assim que entramos, vi Anthony que infelizmente, também nos viu.

- Claire! Alex! Vocês vieram! – Ele disse, com uma garrafa de bebida na mão, se aproximando de nós.

- Meu nome é Alice, não Alex – Ela falou alto pra ele.

- Ah sim, claro. Aproveitem a festa!

- Com você aqui dentro? Impossível. – Eu disse, em seguida fomos para a sala de jantar, onde tinha algumas bebidas.

Alice pegou duas, e tentou me entregar uma. “Não vou beber” falei. Ela disse pra eu relaxar, tomar só um pouquinho. É claro que, com aquela manha dela, eu não aguentei. Peguei a garrafa, mas só tomei um gole.

Logo, perdi Alice de vista. Devia ter ido dançar, ou ficar com alguém. Coitadinho do Richard...

Eu nem tinha me arrumado direito, devia estar muito feia. Não que eu ligasse pra isso, mas mesmo assim procurei o banheiro. Entrei em um corredor vazio, e quando estava me aproximando da porta, alguém me empurrou na parede violentamente, pegou na minha coxa e tentou me beijar.

- Saí daqui! – Gritei, empurrando o Anthony. Aquele garoto nojento se afastou mas não me soltou.

- Calma menininha, relaxa, eu só quero conversar...

- Eu não tenho nada que conversar com...

- Mas – ele me interrompeu, e chegou mais perto – se você gritar, espernear ou fugir, aí sim eu vou te machucar. De verdade.

Ele estava me ameaçando? O que ele podia fazer?

- E o que você pode fazer comigo seu idiota?

- Coisas muito ruins... – Ele estava com uma mão em minha perna, e foi subindo com ela. Bati na mão dele e ele levou-a até o meu ombro, me impedindo de sair dali.

Eu devia estar com o Fred, dormindo agarradinha com ele, sem dar ouvidos pra nenhuma Alice da vida. Queria sair correndo dali, chegar no apartamento e abraçar meu Fred com todas as minhas forças.

- O que você quer? – Falei, um tanto triste.

- Não fica triste não gatinha, eu to aqui...

- Se afasta de mim – Falei.

- O que eu preciso pra ter você de volta? Porque você tá namorando com aquele... Louco, idiota?

- Você não pode fazer nada para me ter de volta. E, enquanto eu estiver com o Fred, eu não vou olhar nem querer mais ninguém. – Falei, decidida, e aquilo era verdade.

Ele ficou olhando pra mim, um tantinho confuso.

- Então, você ama ele tanto assim é?

- Amo, amo mais do que tudo – Disse.

- Mas... Você tem certeza de que ele te ama tanto assim também?

- Tenho, pois...

- Será – Ele me interrompeu de novo – que ele te ama tanto assim? Talvez ele queira só... Se divertir com você.

- Não, o Fred não...

- Você dizia a mesma coisa, quando estávamos juntos. – Ele disse, e aquilo me deixou pensativa.

Quando estava com ele, com o Anthony, o amava muito, muito mesmo. E tinha certeza de que ele gostava de mim também, tanto quanto eu gostava dele. Quando eu menos esperei, descobri a pessoa horrível que ele era. E se o Fred fosse assim também? Sempre desconfiei que ele esconde algo, mas...

Não, não posso duvidar assim do Fred. Se eu começasse a duvidar, minha confiança nele ia pro lixo, e com o tempo, o namoro também.

- Viu? Existem chances dele estar só brincando contigo. – Anthony disse, olhando nos meus olhos.

Aquele idiota estava me confundindo. De repente, ele me beijou, e eu não consegui evitá-lo. Senti um forte cheiro de cigarro, vindo dele. A mão esquerda dele segurava a minha cabeça, e a outra apertava as minhas coxas, cada vez subindo mais, até chegar na minha...

Tentei sair fora várias vezes, mas o garoto era forte. Quando ele finalmente parou de me beijar, vi que tinha outros dois garotos no corredor, só olhando. E eu tinha certeza que um daqueles garotos estudava lá no colégio, talvez até na sala do Fred. Merda!

Os dois garotos saíram correndo, e eu quase consegui fugir do Anthony.

- Não, não, não – ele disse, me empurrando de novo na parede – eu ainda não terminei.

- Eu já terminei – chega! Queria sair logo de perto daquele nojento. Suas mãos agora estavam nos meus peitos.

- Então, enquanto estiver namorando com o Fred, não vai querer mais ninguém, nem a mim?

- É, você é surdo? Eu já disse isso!

- Então...

Consegui levantar o joelho e acertar em cheio da virilha do garoto. Ele me largou e caiu no chão. Agora, eu queria sair o mais rápido possível dali. Procurei por Alice, mas com certeza não iria encontrá-la. Mas, não é que vi a maluca na sala de estar? Demorei para ver que era ela, pois estava escuro. Ela estava no meio da sala, só de sutiã (o meu sutiã, ainda por cima) dançando para um monte de garotos. Tinha até um filmando, mas ela não ligava. Nem falei com ela e sai direto daquela casa.

Mas era muito tarde, e eu... Estava cheirando a álcool, de tanto ficar ali naquele ambiente. Seria melhor que eu fosse pra casa...

Andava devagar pelas ruas, com muito medo de ser assaltada por alguém. Vi algumas gangues andando pra lá e pra cá, mas felizmente nenhuma me abordou. O ruim era quando o Fred ficasse sabendo que eu fiquei com o Anthony. É claro que de jeito nenhum eu queria, mas... Um garoto da sala dele viu tudo, e com certeza vai contar pra ele. Um dia Paul disse que o Fred não suporta traições.

Eu tenho de arranjar um jeito de me aproximar mais do Fred, para que quando a notícia venha, ele esteja... Muito apaixonado pra me abandonar. Aquilo era um pouco errado, eu sei, mas ou é isso, ou perder o Fred.

E isso, eu não queria de jeito nenhum.

***

O plano era: fingir uma gravidez para que nos aproximássemos mais. Quando nos aproximássemos e tudo passasse, eu diria que... Perdi o bebê, ou que foi um alarme falso.

Adivinha? Até que deu certo no começo, Fred acreditou, ficou feliz, nos aproximamos muito, nos apaixonamos mais um pelo o outro, mas... Descobri que o Fred é um canalha.

Tentei pedir um exame falso numa clínica, ofereci muito dinheiro pra eles, mas, não, não quiseram fazer. Tive de mentir pro Fred que o exame ia demorar um pouquinho mais pra ficar pronto. Ele disse que ia na clínica reclamar, e não tive tempo de impedi-lo.

Se ele chegasse à clínica e visse que eu sequer tinha feito o exame... Não, isso não ia acontecer, de jeito nenhum. Confiança Claire.

No dia seguinte, após o Fred ter ido à clínica, (que eu acho que ele não chegou a ir mesmo, pois não me ligou nem falou comigo), não fui para o colégio. Não estava muito afim, estava morrendo de cólica. Esperei o Fred me ligar o dia inteiro, e nada dele.

Fiquei o fim de semana doente, morrendo de dor de cabeça e febre. Meus pais não deixaram eu sair de jeito nenhum, mas no final era só uma gripe. A pior parte é que o Fred não me ligou, nem veio me visitar. Ele devia estar preocupado, pelo menos um pouquinho, ainda mais agora que eu estava grávida. Quer dizer, ok, ele pensava que eu estava grávida.

Segunda também não fui para a escola, mas eu já estava melhor. Mas minha mãe é claro, insistiu que eu ficasse. De tarde, recebi uma visita.

Charlotte, uma amiga minha do colégio, veio na minha casa. Ela tinha cabelo castanho, olho castanho e estava com uma camiseta castanha. Cumprimentei-a e levei a garota para o meu quarto.

- Amiga... Eu tenho de te contar uma coisa... – Ela disse, um tanto... Hesitante.

- O que? O que é?

- Você fingiu mesmo uma gravidez pro Fred?

Sim, eu contei pra ela que era uma mentira a gravidez, e só pra ela.

- Sim...

- Hoje, no colégio, vi um monte de garotos conversando. Eles falavam sobre... Vocês dois.

- Me conte tudo – Sim, ela me deixou interessada.

- Eles falaram que você estava grávida dele e talz, e que... O Fred... Fugiu.

- Fu-fugiu?

- É, porque ele não quer assumir a responsabilidade.

- Impossível, o Fred... Não faria isso.

- Claro que não faria, pois ele já fez. Nenhum amigo dele viu ele no fim de semana, e o colega de apartamento também não.

O Fred faria isso? Fugir? Assim?

- Ele... Não pode ter feito isso, deve ter... Acontecido alguma coisa...

- Olha amiga, eu sei como são os homens. Eles nos dão provas de amor sempre, ficam com a gente um tempão, mas quando vem responsabilidades como casamento ou filhos, eles caem fora. O Fred ficou feliz no inicio porque não tinha como fugir ainda, ou algo assim. – Ela pegou na minha mão – Não se iluda. Ele fugiu de você.

Eu não conseguia acreditar naquilo, de jeito nenhum. Não, tinha algo errado. Eu tinha de tirar essa história a limpo. Levantei, convidei Charlotte para ir ao apartamento do Fred comigo, e nós fomos. Tinha algo errado nessa história.

***

Chegamos no apartamento, e felizmente Richard nos acolheu com carinho.

- É... Eu não vejo ele desde sexta-feira – Ele disse, quando todos nós já estávamos sentados no sofá, tomando café.

- Mas... Como...

- Ah, e ele... Deixou uma coisa pra você – Richard disse, levantando e indo até o antigo quarto do Fred. Voltou apenas com uma carta na mão. – Na madrugada de sábado, as coisas dele sumiram. Quando acordei de manhã, a porta estava aberta, estraçalhada não sei porque, já que ele tem a chave do apartamento, e as coisas dele não estavam mais no quarto, só... Essa carta, em cima do travesseiro.

Ele me entregou a carta, que no envelope estava escrito “Para Claire”.

Eu já estava com lágrimas nos olhos e tremendo. Eu... Não podia acreditar... Começei a abrir, mas então Charlotte pegou o envelope e o abriu. “Eu leio pra você”.

- Não, eu vou ler, o recado é para mim – e peguei a carta dela. Ela compreendeu e eu comecei a ler em voz alta.

“Claire

O que vou contar aqui é um desabafo, da mais pura verdade. De tudo o que fiz e perdeu seu lugar.

Muito especiais foram os últimos dois meses. Curtimos juntos, gostei um pouquinho de você até, mas nada mais do que isso. Depois da noite em que fizemos sexo, tudo esfriou um pouquinho. Admito que te desejei, desejei seu corpo algumas vezes, mas não passou disso.

Depois da nossa briga, por conta de você ter ido a festa sem me falar nada, o pouquinho do meu gosto por você caiu por terra. Eu disse que te perdoei, mas guardei pra sempre as mágoas desse dia. Nem anjos e santos de pura bondade pra te perdoarem por isso. Mas não é de perdão que eu quero falar. É assunto demais pra te incomodar.

Um tempinho depois disso, conheci outra garota... Mas não vou falar dela aqui. E quando você disse que estava grávida então? Admito, eu fiquei feliz a principio pra não te magoar tanto, e porque eu não tinha alternativa.

Mas eu não quero essa responsabilidade. Eu não quero casar, nem ter filhos com você. Eu disse que queria isso só para que você se aproximasse mais de mim, para que tudo ficasse mais fácil.

Agora, começo a contar os dias que faltam pra eu fugir, ir pra longe de você. Eu estou me mudando de cidade. Vou para longe, dizendo adeus pra essa vida. Não quero tantas responsabilidades pra mim ainda. Enfim, me despeço rápido, pois eu sei que a dor e a saudade não vão te deixar.

Fred Mercúrio.”

Assim que li a última letra da assinatura, caí no colo de Charlotte e não consegui de jeito nenhum segurar o choro. Como ele pode ser tão... Falso? Eu tinha certeza que ele me amava, eu... Nunca devia ter ido a festa, eu fui enganada de novo, eu... Sou uma idiota.