Minha Doce Loucura
37 Caminhante Noturno
Notas iniciais
Desculpem pelo atraaaaaaaaaaaaaaso!!! D:
Mas aí está um novo capítulo pra vocês, já estamos no finalziiiinho!
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Boa leitura!
Tentei ligar para o meu antigo apartamento através de um telefone público. Eu não tinha cartão, por isso ligava a cobrar. Atendiam, e assim que percebiam que a chamada era a cobrar, desligavam. Richard idiota!
Decidi... Procurar algum lugar pra dormir, talvez um banco. Ou ainda andar até o meu apartamento. Provavelmente seria melhor andar. Acho que eu conhecia um pouquinho pelo menos, este bairro onde eu estava. Não era lá muito rico e luxuoso, era um tanto humilde na verdade.
Andei só uma quadra, e enxerguei um táxi parado, do outro lado da rua. Pensei em pegá-lo, mas lembrei que não tinha dinheiro. Nenhum dinheiro... Larguei essa ideia e continuei a caminhar.
Minha cabeça estava doendo mais do que nunca. Parecia... Que tinha um martelo, batendo na minha cabeça bem forte, fazendo tudo vibrar, tremer. Uma batida, duas batidas... Quando vi, eu já estava muito tonto, praticamente cambaleando sem ter onde me apoiar. Me encostei numa parede e fiquei ali, ainda sentindo as marteladas que paravam aos poucos. O céu tinha ficado um tanto mais claro, de cor roxa, e cores de todos os tipos passavam pelos prédios, em forma de listras.
— Hey, aqui! – Alguém de voz extremamente fina me chamou. Olhei para frente, e vi quem havia chamado minha atenção.
Era um homem vestido de coelho. Daqueles mascotes de rede de fast-food. Era totalmente branco, usava um óculos ridículo e acenava para mim. Não dava pra ver quem estava dentro da fantasia.
— Venha Fred! Por aqui! – Ele falou, virou de costas e começou a correr, atravessando a rua deserta.
— Espere! – Eu gritei, e corri atrás dele.
Não, não sei o que deu em mim pra ouvir aquele “coelho” e segui-lo. Mas fiz isso. Corri o mais rápido que podia atrás dele. O céu estava mais claro, os prédios estavam de todas as cores, e tudo a minha volta ainda girava, mas eu não perdi o equilíbrio. Continuei correndo atrás do coelho, que às vezes dava pequenos pulinhos.
Corremos uma, duas, três quadras. Agora eu já estava começando a ficar cansado. O coelho também logo estava diminuindo o ritmo, e eu ia alcançá-lo. Dei um impulso e quando ia pegar na roupa dele, o mundo caiu.
Pisei num bueiro, buraco, sei lá, que estava aberto, infelizmente. Pisei em falso (o que é a pior sensação de todas, sem comparações), e caí dentro de uma grande escuridão. Gritei, mas a voz não saiu da minha boca. E não tive noção se fiquei caindo 5 segundos ou 5 minutos. Logo, cheguei ao chão, mas não me machuquei.
Olhei em volta e... Estava no mesmo lugar de antes, no mesmo bairro. Os prédios continuavam psicodélicos e o céu roxo, bastante sinistro. Mas tudo parecia muito, muito maior agora.
Levantei, e um vento enorme passou por mim, trazendo folhas velhas de jornal para minha mão. Consegui ler uma manchete. “Doentes mentais fazem fuga planejada do hospício”. Fuga planejada? Tá bom.
Soltei as folhas, e tentei caminhar. Eu não conseguia andar direito. A tontura estava começando de novo...
— Você vai mesmo atrás da Claire, vai? – Disse uma grande voz que ardia os ouvidos. Parecia um garfo riscando um prato.
— O que?! Quem está falando?! – Eu gritei, olhando para todos os lados.
— Aqui em cima!
E eu vi. Um grande lagarto, do tamanho de... Não sei, só sei que era gigantesco, maior que os prédios.
— Espera... – Comecei a pensar. – Se eu segui um coelho, caí num buraco, e estou vendo uma lagarta aqui... Isso aqui é “Alice no País das Maravilhas”?!
— É... Não, não é. – O lagarto disse, coçando o olho. – Teoricamente, eu não sou uma lagarta. Nem pareço uma. Sou um camaleão!
Camaleão? Não, mais surrealismo de jeito nenhum!
— E... A lagarta daquele outro livro fumava narguile. Eu sou um animal saudável. Fumo charuto. – Ele disse e deu uma tragada. Soltou a enorme onda de fumaça em mim, que deixou eu cego por alguns segundos.
— Respeito aqui, por favor!
— Então Fred, vai mesmo voltar para a Claire? – Ele perguntou. Um olho dele olhava para um lado, e outro para outro lado.
— Vou, claro que eu vou! – Falei, esfregando os olhos que tinham ficado ardidos.
— Mesmo? Tem certeza? E tudo o que ela fez no passado, como fica?
— Não foi culpa dela! Foi tudo armado, mentira, e tudo mais, como a irmã dela me provou. – Respondi.
— Tem certeza? Mas...
— Tenho certeza sim! Eu amo ela mais do que tudo! – Interrompi.
— Não, não é por conta do amor que você vai reencontrar ela. – Ele se aproximou um tanto. – Tem uma causa bem maior...
— Tem? Eu acho que não. Eu amo ela, e é isso que importa.
— Pense junto comigo Fred. No hospício, quando não estava junto com a sua amada, como eram as suas loucuras?
— Hum... Normais, como sempre! Muitas vezes via pessoas que não existiam, cores diferentes no céu, animais, e... Aquelas assombrações de noite, aquele medo, aquilo... Tudo, que era extremamente ruim.
— Certo... E essa loucura ruim, você sempre teve não é?
— Sim, sempre, sempre.
— Algum período de tempo... Em que ela não aconteceu? Essa loucura “obscura” por assim dizer? – Ele se aproximou mais.
— Talvez... Não lembro, quem sabe...
— Um período de tempo – Ele me interrompeu – mais ou menos de... Dois meses?
— Você está dizendo que... Claire faz com que eu não tenha essas “loucuras obscuras”?
— Você quem deduziu isso, queridão. – Ele deu uma tragada, e soltou toda a fumaça em mim novamente, me cegando. – Mas eu acredito nisso. Justifica o título disto daqui, pelo menos. Bem, eu pularia direto pro último capítulo, onde mostra o que aconteceu com a Marcy.
Ele disse isso enquanto a fumaça ainda estava em mim. Desta vez, demorou muito pra passar. E quando tudo ficou limpo, ele não estava mais lá. Nem o céu roxo, nem os prédios.
Quando dei por mim, eu estava na frente do meu apartamento.
***
Bati muitas vezes na porta do meu próprio apartamento, e ninguém abria. Eu escutava muito barulho vindo de lá de dentro, parecia... Videogame. Por isso não escutavam a porta. Bati muito mais forte, até que o barulho parou, e alguém abriu a porta.
— É... Olá? – O garoto disse. Ele tinha mais ou menos a minha idade, cabelos loiros, olhos castanhos, e usava um moletom azul. Nunca tinha visto ele na minha vida.
— Olá... O... Richard está ai? – Perguntei, hesitante.
— Richard? – Ele perguntou, estranhando. – Não... Ele não mora mais aqui, há algum tempo já.
— O que? Ele... Ele se mudou?! – Confesso, entrei em pânico. – Isso não pode...
— Saí da porta Will! Quem está aí? – Alguém gritou de lá de dentro, vindo até a porta. – Fred!
Richard gritou assim que me viu. Ficou extremamente surpreso e até me deu um abraço, que não é típico dele. De nenhum garoto, na verdade.
— Hey! Mas esse cara disse que você tinha se mudado! – Falei, apontando pro loiro.
— Ele é um idiota brincalhão. Vamos Fred, entre! – Richard disse, e todos entramos.
Estava tudo escuro, todas as luzes apagadas, mas a luz da televisão de 70 polegadas compensava. Tinha salgadinhos e pipoca por toda parte, garrafas de refrigerante e bebidas também. No sofá, tinha um outro garoto.
— Fred! – Ele gritou, se aproximou e vi que era Paul. – Onde você tinha se metido?!
— Ah... Uma longa história... – Olhei em volta, vendo o caos que estava ali. – O que vocês estão fazendo aqui, neste estado, nessa hora da madrugada?
— Bem, — Richard falou, pegando um controle do videogame. – Esse jogo é bastante difícil sabe, o nome é “Cavaleiros Negros da Batalha Sangrenta: Vença ou Morra edição Especial de Primavera”. Ele é um jogo de 30 horas, e não tem a opção salvar. É dificílimo.
— Uau. – Falei, olhando a caixa do jogo. Realmente, parecia dificílimo.
— Mas então, — Todos sentaram-se, e eu arranjei um lugar do lado de Paul, que falava: – O que aconteceu com você? Foi bastante vergonhoso... Fugir, sabia?
— Hey, espera! – Eu falei, me ajeitando no sofá. – Eu não fugi nem nada! Eles... – E então olhei pra cara deles. – Vocês... Não sabem o que aconteceu? Mesmo?
— Eu sei o que aconteceu. – Richard falou. – Você descobriu que Claire engravidou de você, e fugiu. Não quis a responsabilidade!
— Eu não faria isso! – Falei.
— Eu faria! – Paul falou, esnobe, e todos rimos.
— Fizeram vocês pensarem que eu fugi!
E contei toda a história pra eles. Contei sobre o hospício, sobre Ana vir me visitar e tudo mais. Eles escutaram concentrados, e depois que eu terminei, eles pareciam acreditar no que eu contei, apesar de tudo dizer que eu tinha fugido mesmo.
— Cara... – Paul parecia não acreditar. – Eu tinha certeza que você iria pra um hospício um dia.
— Eu também... Mas não tão cedo! – Falei, sorrindo.
— Agora... Você vai encontrar com ela de novo? – Richard perguntou. Tirou o jogo da pausa, e Paul e o outro garoto voltaram a jogar.
— Vou tentar encontrar ela amanhã. Será que ela sabe... Que eu fui pro hospício? Será que Ana contou pra ela? – Me perguntei.
— Talvez... Nunca se sabe...
E ficamos um momento sem falar sobre aquilo, só comentando sobre o jogo. Era dificílimo mesmo.
— Ainda está com a... Hillary? – Perguntei para Paul.
— Hum... Sim, estou! – Ele falou. – Estamos muito bem... Apesar dela ser sadomasoquista...
— O que?! – Todos disseram em uníssono.
— Calma, calma, — Ele tentou se explicar. – não tem nada de 50 Tons nem nada, nada de contrato, etc.
Nos olhamos desconfiados, e então rimos. “É sério!” ele falou. Continuamos jogando e jogando, pelo resto da madrugada.
***
Dormi um pouquinho só, e logo acordei, me arrumei, e fui até o colégio. Cheguei lá, fiquei na frente do portão e me encostei no muro, esperando a hora certa dos alunos saírem.
Logo, muitos e muitos alunos saíram, muitos me olharam com interesse, mas ignorei. Até que vi ela. A loira, que eu amei tanto no passado, e tinha voltado a amar de novo agora.
— Claire!
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