Notas iniciais
Oi!! Tudo bem com vocês? =D
Aí está mais um capítulo, espero que vocês gostem!
Dica: podem ler sem medo ;D kkkkk
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Ah, e estamos com uma... Capa nova!!! Ok, é beeeem parecida com a primeira, mas essa é mais... ~~Colorida~~ :3
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Boa leitura!


Depois de passar um longo tempo, bastante longo na verdade, algumas horas até, pedindo carona na beira da estrada, um carro resolveu me ajudar. Eu tinha andado bastante, para ficar longe do hospício, e agora, o carro que havia parado era um Chevette dourado. Bastante bonito, aliás. Abri a porta e entrei.



– Muito, muito obrigado por me dar uma carona, moço! – Eu disse enquanto entrava no carro.



Só depois vi que... O cara era um tanto estranho. Ele era negro (não era estranho por isso, é claro), usava um grande terno com gravata e tudo, sapatos sociais e óculos escuros. Tinha um grande rosto arredondado e parecia ser bem musculoso e forte.

– Que nada, será um prazer. – Ele falou, com uma voz extremamente grossa, me analisando também.

Sentei, e assim que coloquei o cinto pensei se seria seguro andar com aquele homem.

– Para onde o senhor está indo? – Perguntei meio hesitante, enquanto ele engatilhava a marcha e acelerava devagar.

– Para a cidade grande, resolver algumas coisas... E você, aonde vai?

– Ah... Para a cidade também! Pode me deixar em qualquer lugar por lá... – E forcei uma risadinha.

Ele dirigia despreocupado, com uma mão no volante e outra coçando a pequena barba que tinha. Logo, ele colocou um cd no rádio do carro, e uma música... Romântica começou a tocar. Eu hein.

– O que... No que você trabalha? – Tentei puxar assunto.

Ele hesitou.

– Faço algumas entregas e busco pacotes, para os meus... Chefes. – Ele falou, sem tirar os olhos da estrada.

– Ah sim... Devem ser bastante ricos e importantes não é? – Falei, por conta do jeito extremamente formal que ele se vestia.

– Nem tanto, somos uma empresa pequena no mercado.

– Certo... Certo.

Estava escurecendo. O sol estava se pondo e mostrando seus últimos raios de luz, enquanto todo o céu estava laranja, até um tanto rosa, verde, amarelo... Já dava pra ver a cidade um tanto longe, luzes, prédios...

– Como é o seu nome? Esqueci de perguntar. – Perguntei.

– Me chame... Me chame apenas de “entregador”. – Ele falou, procurando algo em seu bolso.

– Certo. – Fiquei olhando a mão dele.

Ele tirou um caro celular do bolso, e discou devagar um número enquanto dirigia. Com aquela estatura, eu não iria avisar que é um grande perigo dirigir e falar no celular ao mesmo tempo. O Entregador colocou o celular no ouvido e esperou, esperou...

– Merda. – Ele disse, tirando o celular e colocando no bolso de novo – O sinal está muito ruim.

– É... Essas operadoras de hoje em dia são péssimas mesmo. – Na verdade, eu nem era muito de cagar na cabeça de operadoras, foi só pra concordar e aumentar minha “amizade” com o homem mesmo.

– Você é jovem, não entende nada de telefones. No meu tempo, ter um telefone era sinônimo de riqueza. E quando ligávamos para alguém, tínhamos de esperar uma hora para a linha ser liberada e fazermos uma ligação.

– Uau. Hoje as coisas são mais fáceis mesmo.

– Sem dúvidas. Lembro quando comprei meu primeiro celular. No primeiro dia, derrubei-o no chão, e o chão quebrou. Eu estava no sétimo andar de um prédio, e a porcaria do celular atravessou todos os andares, até chegar ao porão, bater em um velho aquecedor de água e fazer ele explodir. Tiveram de evacuar o edifício e interditaram-no por um mês inteiro.

– Nossa, isso...

– E nem consegui recuperar o aparelho. – Ele me interrompeu. Pegou o celular, discou novamente e colocou no ouvido.

Devia estar ligando... Para o chefe? Para a namorada?

– Alô! A cobra é cega mas ainda trabalha! – Ele disse no celular. Hã? – Estou levando uma andorinha para aí, em 15 minutos eu chego! (...) Certo! (...) Os mamutes estão prontos? (...) Estou chegando! Aqueça-os com o aperitivo, até já! – E desligou.

Provavelmente, aquela foi a conversa por telefone mais estranha que eu já vi.

– Não ligue, — Ele disse, olhando para a estrada – eu e meus chefes falamos por vários códigos, para garantirmos a... Autenticidade.

– Sei... Isso é bem comum hoje em dia não é?

– Não, não é.

E ficamos em silêncio, por um bom tempo. Logo anoiteceu e nos aproximávamos mais da cidade. Cada vez mais apareciam mais casas, lojinhas, mercadinhos, hotéis...

– Estamos quase lá... – Ele quebrou o silêncio.

– Pode me deixar em qualquer lugar, acho que até aqui já está bom! – Falei, já desengatando o cinto de segurança.

– Não, vou levá-lo até o meu destino, e de lá você segue até onde precisa ir. Não vou parar agora.

– Tudo bem... – Que cara estranho.

Já estávamos no centro da cidade. Na verdade, passamos pelo centro e agora estávamos indo na direção de um bairro bastante pobre. Onde ele estava me levando? Já estava na hora de cair fora. Mas como?

– Chegamos. – Ele falou, e paramos na frente de... Um prédio bastante escuro, mal cuidado...

Nós dois descemos do carro, e o Entregador veio para a calçada junto comigo.

– Acho que eu vou indo então, afinal...

– Você vem comigo. – Ele me interrompeu, fez um tipo de golpe de kung-fu em mim, e eu desmaiei na mesma hora.

***

Onde eu estava? Não sabia direito... Só lembrava de eu pedindo carona no meio da estrada, um Chevette e...

Um homem. Que tinha me sequestrado, provavelmente.

Eu estava amarrado em uma cadeira, em um nó bem apertado. Numa sala escura, com só uma luz no teto, uma poltrona, uma estante com alguns livros e vinis, e duas portas. Só isso. A tinta estava descascada na parede e havia algumas poças de água no chão. Logo, um homem abriu a porta e entrou na sala.

Ele usava um terno também, bastante formal, com uma gravata borboleta. Era branco, com cabelos brancos também, e aparentava ter uns... 40 anos, mais ou menos. Usava uma camisa rosa por baixo do terno.

– Hum... O Entregador podia ter escolhido melhor, mas vai servir... – Ele disse, me olhando de cima a baixo.

Outros dois homens entraram na sala. Um era careca, muito alto e musculoso, e estava apenas com uma camisa e uma calça formal. Carregava uma maleta cara e estranha. O outro parecia ter 40 anos também, com muitos músculos, camisa e bermuda havaiana.

– O que acha Jack? – O havaiano perguntou para o careca.

– Acho que vamos poder aproveitar bastante... – O careca falou, me observando.

O que eles... O que eles iam fazer? O primeiro homem que tinha entrado na sala pegou uma tesoura e veio com ela até o meu pescoço. Gritei, mas felizmente ele só rasgou minha camiseta de cima a baixo. O careca abriu a maleta devagar, e olhava bem fundo lá dentro, como se escolhesse algo... De repente, ele tirou de lá de dentro um...

Ah não! Eles não podiam fazer isso comigo! Eu sou louco e tudo mais, mas ainda tenho dignidade!

– Não! Por favor! Não façam isso, por favor! – Eu comecei a berrar, e os três se aproximavam juntos, com os olhos esbugalhados pra cima de mim.

Aquela seria a noite mais dolorosa da minha vida.

– Por favor! Não... Não façam isso! – Um deles foi para trás de mim, e me colocava uma venda. – Me soltem! Por favor! Quero lhes contar como vivi, e tudo o que aconteceu comigo! Pelo amor de...

– Espera! – O cara atrás de mim falou, retirando a venda de mim. Todos eles olhavam meio que chocados para mim. – O que você disse?

– Pra vocês me soltarem, pra...

– Não, exatamente o que você disse! – Falou o careca.

– É... – Agora já tinha parado de gritar, e fiz uma voz estranha, como de alguém gritando – “Me soltem! Por favor! Quero contar como vivi, e tudo o que aconteceu comigo!”

– Viver é melhor do que sonhar. – Cantou o careca, olhando para o homem do lado, que completou:

– Eu sei que o amor é uma coisa boa...!

Agora os três cantavam juntos.

“Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa!”.

Bizarro.

– Não sabíamos que você tinha um gosto musical tão bom rapaz! – Falou o careca, animado. – Nós três aqui somos muito fãs de Elis Regina, e... Ninguém, nunca tinha cantado um trecho de uma música dela enquanto... – ele olhou para o objeto em sua mão — Fazíamos o serviço.

– O que? Ah... Sim, sei... – Falei. Eles não iam me violentar só porque falei um trecho de uma música de Elis Regina? Mas é claro que entrei na onda. – Sim! Claro! Eu adoro essa música, não foi por acaso que... Gritei esse trecho. – E forcei uma risada.

Todos eles riram.

– Bem, – o havaiano disse aos outros. – não vamos... Fazer isso com ele, um garoto tão especial e antenado assim não é?

– Não, de jeito nenhum! – O careca falou, guardando o objeto na maleta e fechando-a. – Pode se retirar, com tranquilidade rapaz. – Ele disse, me desamarrando.

– Você quer um café? Refrigerante? – Um deles perguntou pra mim.

– Não... Não preciso de nada não, não se preocupem...

– Toma. – O careca tirou do seu bolso um cartão, e me entregou. Estava escrito “Ménage Vintage: Entregas e Despachos”. – Claro que... Não é bem isso que está escrito, você viu o verdadeiro serviço que fazemos aqui não é?

– Vi... Vi sim. – Olhei o cartão de novo e ri. Ia jogar fora, mas com todos me olhando assim, fiquei com medo e guardei o cartão.

Continuaram sendo simpáticos comigo até o último minuto. Pensei em pedir uma carona para o meu antigo apartamento, mas vi que seria uma má ideia. Pelo menos agora, já estava na cidade, e bem mais perto de casa. E agradeci a Elis.

Notas finais
Para maiores esclarecimentos, a música era "Como Nossos Pais" (= kkkkkkkkk
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Aliás... O que vocês acham de uma fanfic sobre zumbis? ;)
http://www.youtube.com/watch?v=FiJa-tPxMBw
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Até mais!