Mine

10 Capítulo 10


Capítulo 10

Hibari nunca sentiu tanta vontade de morder alguém até a morte como naquele momento.

Aquela situação não se assemelhava em nada com os momentos de raiva que ele sentiu no passado. Cada vibra de seu corpo parecia tremer com a insaciável urgência que ele sentia em simplesmente deixar-se perder e terminar com aquilo em menos de dez segundos. Ele sabia que conseguiria. Ele sabia que as chances daquele homem sair vivo do quarto eram muito baixas.

Entretanto, da mesma forma como a vitória era garantida, havia uma parte do Guardião da Nuvem que hesitava e em momentos como aquele não poderia haver segundos pensamentos.

Dino teria de desculpá-lo, mas as coisas seriam resolvidas ao seu modo.

O moreno apertou um pouco mais os tonfas e prendeu a respiração. Seu corpo antecipou o movimento, mas antes que seus pés pudessem se mover, algo chamou sua atenção. Seus olhos por uma fração de segundo encararam outra parte do quarto, e mesmo sabendo que aquele era um erro que poderia lhe custar à vida, Hibari não conseguiu agir totalmente livre de impedimentos. Seu estado emocional estava longe dos melhores, e aquela distração gratuita só provou o quão despreparado ele estava para uma situação daquelas.

Porém, aparentemente ele sairia vivo naquela noite.

- Largue a arma, Don Mancini.

A voz saiu do banheiro da suíte do quarto.

Um homem de estatura média segurava firmemente uma arma em mãos, apontada na direção do mafioso italiano. O Guardião da Nuvem reconheceu o homem como um dos subordinados de Dino, mas não conseguia acreditar na coincidência de ter alguém justo naquele banheiro. Até o momento ele não sentira a presença de mais ninguém.

Don Carlos Mancini — nome que Hibari ouviria por muito tempo após aquela noite — era a pessoa responsável pelo atentado ao Chefe dos Cavallone nas semanas anteriores. Seu plano fora cuidadosamente elaborado, mas falhara quando o louro sobreviveu. Percebendo que não teria melhor oportunidade para livrar-se de Dino do que àquela noite, ele infiltrou-se na festa e ficou deliciado ao ver o moreno perambulando pelos corredores. Ele ouvira sobre um suposto envolvimento do Chefe dos Cavallone com um dos Guardiões dos Vongola, mas a oportunidade parecia perfeita demais.

Parado em um quarto com dois inimigos a sua frente, Don Mancini percebeu que seu plano falharia novamente.

- Espero que tenha uma ótima estadia em Vindice.

O subordinado dos Cavallone sorriu e o Guardião da Nuvem não precisou esperar muito para entender o que aquele gesto significava.

A porta do quarto foi aberta e em segundos uma quantidade absurda de pessoas adentrou, garantindo que o inimigo fosse rendido e revistado. Don Mancini foi colocado de joelhos enquanto dois subordinados da Família que sediava a casa o algemou, deixando claro que nenhum outro movimento aconteceria naquela noite. A figura principal surgiu por último, e no momento que seus olhos pousaram em Dino, Hibari sentiu toda a tensão em seus ombros relaxar-se.

O louro estava extremamente sério e assim que entrou no quarto seus olhos se fixaram no Guardião da Nuvem por um breve segundo. A atenção que o moreno queria foi insignificante. Naquele momento o italiano tinha problemas maiores para se preocupar.

- Levem-no pela porta dos fundos e não deixe que ninguém os veja. — O Chefe dos Cavallone falou em um perfeito italiano. Seu corpo projetou-se para frente e ele segurou firmemente o rosto de Don Mancini entre seus dedos antes de continuar — Vou garantir que você apodreça em Vindice. E mantenha esse pensamento em mente... Se você ou qualquer membro da sua Família tocar o meu Kyouya, eu o matarei.

O homem debateu-se e proferiu inúmeras palavras baixas e sujas antes que o calassem e o tirassem do quarto. Dino permaneceu de costas durante todo o tempo, e somente quando o quarto tornou-se menos cheio que ele conseguiu respirar fundo e passar as mãos nos cabelos louros.

- Obrigado, Luciano.

O homem que estava no banheiro sorriu enquanto guardava a arma e o celular dentro dos bolsos. Seu rosto estava levemente corado e o Guardião da Nuvem teve certeza de que ele se sentia extremamente orgulhoso por ter sido de tamanha ajuda ao seu precioso Chefe.

- Venha ajudar, Luciano. Eu ficarei de olho no Chefe. — Romário apareceu na porta do quarto, e sorriu na direção dos presentes.

O homem de nome Luciano deixou o quarto e o braço direito dos Cavallone fez o mesmo, apenas garantindo que a porta fosse fechada, dando a seu Chefe e seu amante um momento de privacidade.

Dino virou-se devagar e Hibari esperou ouvir um longo sermão por ter se metido em um assunto que não lhe dizia respeito. Entretanto, ao invés do olhar sério e carregado de ressentimento, o que ele viu foram os olhos cor de mel cheios d' água e a mesma expressão idiota que o italiano tinha quando estava prestes a chorar.

- Kyouya!!!

O Chefe dos Cavallone trouxe o moreno para um forte e apertado abraço. Hibari ficou surpreso, mas naquele momento nada no mundo o faria deixar aquele lugar. Seus tonfas caíram sobre o tapete, e fechando os olhos devagar, o Guardião da Nuvem permitiu-se ser abraçado.

- Eu estava tão preocupado, Kyouya! Quando ouvi que você estava aqui com aquele homem eu quis subir no mesmo instante, mas Romário não permitiu. — O louro tremia o que fez com que Hibari se sentisse ainda mais querido. O homem em seus braços dizia uma série de palavras que não faziam muito sentido e que poderiam ser totalmente ignoradas. Não havia melhor demonstração do que aquele abraço.

- Eu estou bem. — O Guardião da Nuvem moveu levemente os lábios. Suas mãos agarraram o terno branco de Dino, sentindo o corpo do italiano por baixo do tecido.

- Eu não sei o que faria se algo te acontecesse, Kyouya. — O Chefe dos Cavallone ergueu o rosto do moreno com uma de suas mãos, mostrando um largo e satisfeito sorriso — Eu acho que o amo ainda mais nesse momento, se é que isso é possível.

- Você é idiota. — Hibari afundou o rosto no peito do homem em seus braços, escondendo as bochechas coradas.

- Eu devo ser. — Dino apertou um pouco mais o abraço, sentindo-se aliviado.

Por alguns segundos os dois amantes permaneceram naquele abraço. Foi somente quando duas batidas na porta os fizeram retornar a realidade, que o Guardião da Nuvem entendeu que o louro teria de ir. Havia uma festa acontecendo no andar debaixo, e para todos os efeitos nada acontecera.

- Eu preciso ir agora. — O italiano parecia visivelmente incomodado com aquilo. — Você pode ir para o nosso quarto se quiser, não tem mais perigo. Eu tentarei acabar com a festa o quanto antes, porém, se ficar tarde você pode tomar um banho e dormir primeiro, ok? Eu estarei ao seu lado quando acordar amanhã.

Dino depositou um carinhoso beijo na testa do moreno. Seu corpo fez menção de virar-se, mas seria difícil sair daquela posição quando seu amante ainda o abraçava firmemente.

O Chefe dos Cavallone virou o rosto confuso, encarando o mudo Guardião da Nuvem. Os dedos de Hibari soltaram-no aos poucos, e aquele seu gesto lhe rendeu outro beijo, dessa vez na bochecha.

Enquanto observava o italiano afastar-se, o moreno abaixou os olhos. Apesar de toda aquela situação e da tensão que passara segundos atrás ele ainda não conseguia transmitir seus sentimentos.

Pois o que Hibari realmente queria era que Dino permanecesse naquele quarto pelo resto da noite e não tivesse de deixá-lo.

x

O Guardião da Nuvem deixou o quarto após alguns minutos. Seus passos foram firmes e rápidos, e conforme seguia pelo corredor, o barulho da música e das risadas tornava-se mais alta. Ele sabia que estava refazendo o mesmo caminho de outrora. Ele sabia o que o esperava no topo da escada. Ele sabia o que teria de enfrentar quando chegasse ao hall.

E por mais que todos os seus instintos gritassem que aquela atitude era completamente ridícula e impensada, o moreno pouco se importou. Havia algo que precisava ser dito e feito, e nada disso poderia ser resolvido enquanto ele estivesse preso em um dos quartos da mansão.

O momento — ou determinação — de Hibari aconteceu como todas as suas atitudes: de maneira impulsiva e em questão de segundos. Em um minuto ele estava no quarto, sério e pensativo, para no outro estar descendo as escadas e misturando-se novamente a multidão que ele tanto detestava. A aversão àquela gente continuava firme e presente, mas se o motivo que o fazia estar ali não fosse tão forte, o Guardião da Nuvem não teria se dado ao trabalho. Seus olhos negros correram pelo hall, procurando a estrela mais brilhante daquela noite, que por coincidência ou não estava bem diante de seus olhos.

Dino cruzava o hall de braços dados com a mesma jovem de cabelos ruivos, e pela quantidade de seguranças que os acompanhavam, isso significava que ela já estava de saída.

A voz de Gokudera Hayato então se transformou na consciência do moreno. Gostando ou não de ter uma voz tão irritante como narrativa, Hibari relembrou com detalhes as palavras que ouvira no jardim. De acordo com o Guardião da Tempestade, a audaciosa mulher estava esperando somente uma oportunidade para colocar as mãos no Chefe dos Cavallone, e pela maneira como enxergava as coisas, o moreno tinha certeza de que o italiano a escoltaria até a limousine, e nem ele perderia uma oportunidade tão boa quanto essa.

A mão do Guardião da Nuvem correu para seu celular, apertando um dos números com muita destreza. O toque de espera o fez cerrar os dentes, percebendo o quão infantil aquela sua atitude acabou se tornando. Ele estava com o celular em um dos bolsos, mas quem garantia que o idiota louro fazia o mesmo?

A esperança e paciência de Hibari duraram por quatro toques, e quando o moreno estava prestes a desistir, Dino parou e levou a mão até o bolso de trás da calça, retirando o pequeno aparelho. O Chefe dos Cavallone olhou surpreso para o visor, atendendo sem nem ao mesmo pedir licença à sua companhia. Aquela atitude fez o Guardião da Nuvem sorrir e cantar as próximas palavras.

Estava nas mãos do italiano acreditar em seus significados ou não.

Hibari desligou o telefone e afastou-se. Seu objetivo ficava no segundo andar, e conforme seguia naquela direção, a quantidade de pessoas diminuía. O moreno estava tão concentrado em seu caminho que não notou que acabou passando lado a lado com Gokudera. O homem de cabelos prateados abaixou o olhar, dando o último gole em sua taça de champange. Yamamoto estava ao seu lado, mas o Guardião da Chuva parecia distraído demais com os aperitivos para notar as pessoas a sua volta.

- A-Aquele que passou não parecia o Hibari-san...? — Tsuna olhou curioso por onde seu Guardião acabara de passar, encarando a larga escadaria.

- Não acredito que Hibari estaria em um local tão cheio. — Gokudera sorriu na direção de Tsuna. — Alias, já está ficando tarde e eu gostaria de lembrá-lo que teremos uma reunião amanhã pela manhã, Jyuudaime.

O Décimo Vongola riu sem graça. Ele tinha a esperança de que seu braço direito acabaria esquecendo esse simples detalhe.

O Guardião da Nuvem subiu o restante das escadas em uma velocidade absurda. Seus passos não ecoavam pelo tapete, não omitindo o barulho que seu próprio coração parecia fazer. Hibari sabia que não era uma pessoa que fazia aquelas coisas. Não era de seu feitio sentir ciúmes e criar oportunidades ridículas como aquela.

Entretanto, ao abrir a porta do quarto do italiano, tudo o que o moreno pensava era se Dino o seguiria até ali. Se aquela tentativa infantil de tirar o louro de sua companhia surtiria efeito, ou se aquela atitude acabou acontecendo tarde demais. Há quantos anos eles se conheciam? Quantas outras mulheres não haviam se aproximado do Chefe dos Cavallone nesse tempo? Por quanto tempo mais o italiano diria não?

Aquela foi a primeira vez que Hibari pediu desculpas em sua vida. Ele só esperava que suas palavras chegassem a tempo ao coração do louro.

x

Dino encarou o visor do telefone e teve apenas poucos segundos para decidir o que faria. As palavras que acabara de ouvir ainda soavam em seus ouvidos, e quanto mais tempo ele permanecia no mesmo lugar, mais altas e claras elas se tornavam. O estranho dessa situação foi que apenas a voz de Hibari ecoava em sua mente. As pessoas ao seu redor moviam os lábios, mas nenhum som era emitido. Isso também acontecia com Ana. A jovem moça o olhava com curiosidade, apontando para a saída da mansão, tentando lembrá-lo do caminho que estavam fazendo antes de serem importunados pela ligação.

O Chefe dos Cavallone a olhou e suas sobrancelhas se juntaram enquanto ele retirava delicadamente o braço que lhe era oferecido como apoio. E apesar da mulher olhá-lo com surpresa, o italiano não se importou em ter de se desculpar, alegando que tinha algo de extrema importância para resolver naquele mesmo momento. Seus pés moveram-se, e antes que o louro pudesse perceber, ele estava fazendo o mesmo caminho que o Guardião da Nuvem.

Ana olhou a cena com certa indignação, mas suas palavras e comentários maldosos teriam de ser deixados para outra ocasião. Romário aproximou-se, oferecendo-se para acompanhá-la até sua limousine. A oferta foi aceita um pouco a contragosto, e antes de deixar a entrada da mansão, o braço direito dos Cavallone sorriu de canto. Ele sabia que teria de lidar com todos os convidados, pois seu Chefe provavelmente não retornaria.

Dino abriu a porta do quarto e entrou como um furacão. A mesma porta foi fechada com certa fúria e os olhos cor de mel transmitiam apenas uma parte do que ele sentia. A outra estava fervendo dentro de seu peito.

Hibari não pedia desculpas. Hibari não telefonava impulsivamente apenas para dizer que sentia muito. O seu Hibari jamais proferiria aquelas palavras ainda mais sem nenhum motivo aparente. “Eu sinto muito. Você estava certo.”, foi tudo o que o italiano ouviu e então a ligação foi interrompida. O que aquilo significava era um mistério, e também o principal motivo que o fizeram deixar tudo para trás e subir as escadas com pressa. Alguma coisa séria estava acontecendo, e ele sabia disso.

- O que significa isso, Kyouya? — O louro falava alto, mas sua voz saia alguns tons mais agudos. A corrida até ali fez com que sua respiração estivesse descompassada. Ele não era mais um garoto de vinte anos. — Você não pode fazer esse tipo de coisa e esperar que nada aconteça.

- Eu sei. — O moreno tinha o mesmo tom de voz. Nem alto e nem baixo. Hibari estava parado em frente ao seu lado da cama. — Eu estava pensando se você apareceria ou não.

- Como acha que eu não viria atrás de você depois daquilo? — Dino passou as mãos pelos cabelos. Seu penteado ainda estava intacto, e por mais descomposto que estivesse aos olhos de Hibari ele ainda parecia perfeitamente arrumado — Quero saber o significado de tal coisa.

- Eu disse, não? — O Guardião da Nuvem descruzou os braços — Você estava certo.

- Você está sendo muito vago, Kyouya. Por favor, elabore.

O Chefe dos Cavallone abriu os botões do terno que usava, colocando as mãos na cintura e começando a andar em círculos. Aquela atitude perturbou levemente o moreno, que sentia inquietação e desassossego vindo do homem à sua frente. O louro raramente deixava-se abater, então para aquela atitude estar sendo mostrada, algo não estava muito bem.

- Eu não estou nervoso ou irritado, está bem? Então não se preocupe com isso. Mas há poucos minutos eu o vi na mira de uma arma, e acredite, esses momentos não estão na minha lista de situações agradáveis. — O italiano insistiu ao ver que o Guardião da Nuvem havia se calado. Porém, ele continuou a andar impacientemente.

Hibari tinha os punhos fechados ao lado do corpo. O silêncio pareceu sugá-lo cada vez mais para a introspecção, e ele sabia que se continuasse daquela forma, as palavras simplesmente não sairiam.

- Você estava certo sobre tudo. Eu agi como uma... criança — O moreno disse a última parte baixo. A veia em sua testa começava a palpitar, e se fosse possível, ele se morderia até a morte. — Eu me senti incomodado com as suas perguntas e a sua insistência em saber sobre a minha vida.

Dino parou de andar e ouviu atentamente as palavras do Guardião da Nuvem. Sua expressão havia se suavizado, demonstrando que ele entendia sobre o assunto em questão.

- Você literalmente invadiu a minha vida anos atrás. Você mudou meus horários, minha rotina e da noite para o dia se fez presente e exigiu uma parcela de atenção que eu nunca ofereci a ninguém. — O moreno estava sério. Suas palavras eram carregadas de sentimentos e emoções, mas deixavam seus lábios com um tom de voz indiferente. — E então, mais do que de repente, o mínimo de privacidade que eu reservara foi também invadido. Você pediu por tudo. Meus dias de trabalho, meus dias de folga... tudo. Você exigiu que eu me doasse por inteiro, e quando recusei tal coisa o que aconteceu? Você simplesmente sumiu, Cavallone.

- Você não pode estar falando sério. — O italiano riu ironicamente — Você não está querendo ter essa conversa agora, está? Kyouya, eu não tenho tempo e não estou nos meus melhores dias para ouvir suas reclamações ou shows particulares de egoísmo. Prometo que depois que todos os convidados forem embora eu escutarei com toda a paciência do mundo suas dúvidas, pedidos ou qualquer outra coisa. Mas ago---

- Apenas... Cale a boca. — Hibari elevou o tom de voz, roubando a fala do louro, que deu um passo para trás, sentindo um misto de surpresa e disparate. — Eu falarei agora e você escutará o que eu tenho a dizer ou eu juro que vou mordê-lo até a morte. Para o inferno os seus convidados e a sua pouca paciência. Você pode me chamar de egoísta, anti-social ou qualquer outra definição que eu tenho certeza que já passou por sua mente em algum momento.

O moreno retirou os tonfas de dentro do terno, caminhando na direção de seu amante. O Chefe dos Cavallone estava imobilizado. A presença de Hibari era forte, e uma parte dele sentia-se encantado e curioso para saber até onde aquilo iria.

- Quando eu disse que você estava certo eu me referia a todas as palavras que ouvi nas últimas semanas. Sim, eu sou egoísta. Sim, eu não vou sair por ai me abrindo para as pessoas como um idiota. Você sabe disso. Você sempre soube, e eu o avisei por diversas vezes que jamais me doaria por inteiro. Eu não ficaria quebrado depois que isso terminasse. — O Guardião da Nuvem deu mais um passo à frente. Seus lábios moviam-se depressa, e suas bochechas começavam a corar — Eu não era como você. Eu não conseguia me abrir totalmente, sem deixar que pelo menos uma parte de mim se mantivesse a mesma de anos atrás. Você é um completo idiota e eu não queria me tornar... isso.

Dino juntou as sobrancelhas. Aquilo fora dito de maneira depreciativa, ele tinha certeza disso.

- Mas eu me tornei. Quando percebi que eu já não o tinha por inteiro, todas aquelas palavras arrogantes que você me disse em Namimori pareceram verdadeiras. Eu não tinha motivos para omitir o trabalho... apenas não... — O moreno deu mais um passo. Ele estava a poucos centímetros do italiano. Seus lábios se entreabriram, mas as palavras não saíam. Sua cota de sinceridade estava esgotada, mas ele sentia que não era suficiente. A sensação daquele domingo de manhã ainda doía em seu peito, mesmo sabendo que Dino estava vivo, bem e em frente aos seus olhos.

- Você frequenta o centro comercial nos horários cheios? Você participa ativamente das reuniões da Família? Você recebe alegremente qualquer um dos Guardiões quando eles visitam o Templo? Você me deixa ouvir seus gemidos quando estamos faz--

O tonfa do Guardião da Nuvem teria acertado em cheio o rosto do louro se ele não tivesse sido mais rápido. Uma de suas mãos segurou o ataque, puxando o tonfa e forçando seu agressor a dar o último passo à frente.

- Aos meus olhos você continua sendo o mesmo garoto arrogante e egoísta de anos atrás. Todas as vezes que eu o vejo é como se o tempo não tivesse passado. Aos seus olhos eu continuo sendo o mesmo... “idiota”, não é? — Dino estava sério. Seu rosto estava próximo ao de Hibari, mas sua falta de expressão era assustadora. — Eu sempre o amei com tudo o que eu tinha. Todos os dias, em todos os momentos e em todos os nossos encontros porque eu acreditava que você merecia 100% do meu amor. Eu nunca o abracei ou o envolvi em seus braços com meios sentimentos ou de maneira hesitante. E não. Eu não esperava que você fizesse o mesmo, pois como eu disse, eu sempre soube o lugar que eu teria na sua vida.

O moreno apertou com um pouco mais de força o tonfa que estava na mão livre, mas não por raiva ou irritação. Era nervosismo.

Os momentos em que ele vira Dino agir de maneira tão fria e direta envolviam seu cargo como Chefe. O italiano nunca direcionara aquele tipo de olhar ou expressão quando o assunto eram eles. Alias, Hibari nunca esperou ser tratado daquela forma.

- Mas eu me tornei ganancioso. Eu comecei a querer mais do que você me oferecia. Você não faz ideia de como eu me senti quando descobri sobre seus encontros com a Guardiã da Névoa, ainda mais após ter ouvido que aquilo não era problema meu. Você nunca entenderá como eu me senti, Kyouya.

- É mesmo? — O moreno apertou os olhos. Gokudera, ou sua consciência naquele instante, o lembravam da mulher que provavelmente estaria esperando que Dino a fizesse companhia naquela noite de várias maneiras possíveis. — Você age como se fosse o único que se importa, quando eu estou tentando dizer exatamente o contrário. Aparentemente só existe uma maneira de você entender o que eu estou falando.

O Guardião da Nuvem puxou o tonfa que era segurado pelo Chefe dos Cavallone, atirando ambas as armas no chão. Elas caíram sem barulho por causa do tapete, e Hibari estendeu as mãos segurando o louro pela gola da camisa branca enquanto o puxava para perto. Sua voz saiu mais alta, totalmente diferente do Hibari Kyouya sempre composto e indiferente. Suas bochechas estavam coradas e seus olhos nervosos:

- Eu estou dando os meus 100% agora. Eu estou dizendo que não me importo de ser um idiota por você. Eu estou afirmando e reafirmando que me arrependo de ter dito aquelas coisas. Você quase morreu e eu teria passado o resto da minha vida sem ter dito nada disso, e a última coisa que eu lembraria seriam das suas costas e a maneira como você me deixou naquele domingo. Então não ouse dizer que eu não me importo ou que o que sinto é inferior.

Dino arrependeu-se de só ter percebido o real motivo daquela conversa naquela altura do campeonato. Seus braços moveram-se com pressa, trazendo o Guardião da Nuvem para um apertado e sufocante abraço. A consciência de sua própria falta de tato o atingiu certeira e dolorosa. Como ele pôde ter sido tão insensível? Ele, que dissera com orgulho que tinha amado e oferecido todo seu amor àquele homem? Como negligenciar a maneira como o moreno tremia em seus braços?

O Chefe dos Cavallone falhara. Suas convicções e certezas de repente não eram tão absolutas. Há dias os dois dividiam aquele quarto e aquela cama em um mudo acordo, em uma muda trégua. Entretanto, em momento algum o italiano parou e se perguntou como o Guardião da Nuvem se sentia. Como o acidente o afetara.

Dino não tinha ideia de que seu amante pudesse estar se sentindo dessa maneira, e aquele conhecimento invalidava todo e qualquer discurso orgulhoso que ele pudesse ter feito naquela noite sobre seus sentimentos.

As mãos de Hibari apertavam com força as vestes do homem em seus braços. Ele não notou que começara a tremer enquanto falava, e não acreditou que seu corpo o denunciava de maneira tão injusta. Seu rosto estava afundado no pescoço do Chefe dos Cavallone, e com os olhos fechados ele deixava-se acalmar, sentindo-se a pessoa mais protegida do mundo. Era ali que ele queria estar. Era com aquele homem que sua vida fazia sentido, mesmo que isso o tornasse um idiota.

Ficando levemente na ponta dos pés, o moreno subiu os braços, entrelaçando o pescoço do louro enquanto tornava o abraço mais apertado. Seu rosto aproximou-se um pouco mais, e encostando os lábios em um dos ouvidos do italiano, Hibari sussurrou as últimas e únicas palavras que importavam e que ele não tivera a chance de dizê-las.

Dino merecia saber o quanto era amado e desejado.

As palavras ditas em seu ouvido trouxeram novamente o sorriso para o rosto do Chefe dos Cavallone. A risada baixa e gostosa saiu por seus lábios, soando satisfeita. Ali, sentindo a presença do moreno em seus braços, o italiano percebeu o quão aliviado ele se sentia. Quando ouviu que Hibari estava no mesmo lugar que o homem que tentou tirar sua vida, Dino não soube explicar a ira que se apossou de seu corpo. Ele nunca sentira tanta vontade de vingar-se. Se não fosse por Romário, o louro teria simplesmente invadido o quarto, podendo ter colocado a perder todo o plano.

Então ele entendia de certa forma — menor e totalmente inferior — a maneira como seu amante se sentira ao ouvir sobre o acidente. Porque se algo semelhante acontecesse... Se os papéis tivessem se invertido, Dino honestamente não sabia o que teria feito. Existir em um mundo sem seu precioso Kyouya era simplesmente triste demais para ser imaginado.

- Desculpe por preocupá-lo...

- Eu já disse uma vez, mas vou repetir. — O Guardião da Nuvem afastou o rosto, o suficiente para enxergar perfeitamente o homem em seus braços — Sou o único que pode matá-lo, então coloque isso dentro dessa sua cabeça vazia.

- Eu duvido que você consiga viver sem mim, Kyouya. — O italiano sorriu, descendo as mãos pela cintura do moreno. — E eu aceitarei com todo prazer os seus 100%, e gostaria de começar a recebê-los neste exato momento.

Hibari não precisaria ser a pessoa mais perspicaz e inteligente do mundo para entender todos os sentidos e indiretas contidas naquele pedido. Dino era uma pessoa com uma estranha tendência a se excitar em momentos inoportunos, e aquilo que incomodava o Guardião da Nuvem na altura de seu estomago só poderia ser uma coisa. O rosto do louro se aproximava devagar, e o Guardião da Nuvem precisaria de muita força de física ou de vontade para sair daquela situação.

Felizmente ele não se sentia inclinado a nenhuma delas.

- Você disse a poucos minutos que não tem tempo e precisa se despedir dos seus convidados. Onde está sua responsabilidade agora, Dino?

- Eu estou sendo responsável sabia? — O Chefe dos Cavallone beijou de leve os lábios de Hibari. — Imagine o escândalo que seria se eu descesse nesse estado? Você precisa se responsabilizar pelo que causou. Eu estarei totalmente bem neste quarto.

- Isso é porque você age como um adolescente. — O moreno não poderia retirar sua parcela de culpa. Todo aquele contato e proximidade começavam a incitar seu baixo ventre — Lembre-se que você já tem quarenta anos.

- Trinta, Kyouya... trinta anos.

O beijo que Dino esperava aconteceu quando as palavras já não serviam para conectá-los. As provocações e ironias os trouxeram para um estágio em que só havia uma maneira de saciarem seus desejos e necessidades. O italiano como sempre era o mais afoito, invadindo os lábios de Hibari com um voluptuoso beijo. Sua língua se enroscava a do moreno, vasculhando e provando o interior da boca de seu amante.

Se ainda existia algum resquício de arrependimento ou autocontrole, o Guardião da Nuvem deixaria para o dia seguinte, pois nem a festa, e nem os convidados teriam a honra de reverem seu anfitrião naquela noite. A partir daquele momento Dino pertenceria somente a ele, assim como deveria ser.

Os passos dados na direção da cama foram curtos e em uma simetria assustadora. Hibari sentiu o alto da cama em suas pernas, mas assim que se sentou ele ficou levemente surpreso por ver o louro ajoelhando-se à sua frente. O Chefe dos Cavallone afastou delicadamente as pernas do moreno, posicionando-se naquele intimo e pequeno espaço. O beijo entre eles não havia cessado, e ao sentir os experientes dedos do italiano tocar um de seus mamilos por cima da roupa, o Guardião da Nuvem deixou escapar um baixo suspiro.

Dino sorriu entre o beijo, retirando sem pressa o terno que envolvia seu amante. A gravata recebeu a mesma atenção, e quando os botões da camisa branca começavam a ser abertas, o corpo de Hibari chegava a tremer de antecipação. Aquela demora proposital o deixava mal-humorado, mas ao mesmo tempo ele não poderia dizer claramente para irem mais rápido.

- Eu vou amá-lo bem devagar esta noite, então deixe de ser um garoto impaciente e aproveite, Kyouya. — A voz do Chefe dos Cavallone veio acompanhada por uma lambida de leve em um dos ouvidos do Guardião da Nuvem.

- E-Eu não sou um garoto... — O moreno respondeu em um sussurro. Seus olhos se abaixaram, admirando Dino descer com os lábios por seu peito, mordiscando de leve um de seus mamilos.

As reações de Hibari começaram contidas e tímidas. O italiano brincava com os mamilos rosados do Guardião da Nuvem, mordendo-os de leve enquanto uma de suas mãos apalpava sem pudor o baixo ventre de seu amante. O estimulo durou longos e torturantes minutos, até que Dino empurrasse o corpo do moreno levemente sobre a cama, fazendo-o deitar. Seus lábios então trilharam uma fina linha de saliva até a altura da calça escura. O cinto foi aberto assim como os botões, mostrando uma roupa de baixo negra.

O Guardião da Nuvem prendeu a respiração, mas ainda que ele tentasse disfarçar, seu corpo já estava excitado o bastante para entregá-lo.

O Chefe dos Cavallone correu a língua pela ereção de Hibari, mais especificamente por cima da roupa de baixo. O toque indireto parecia ainda mais torturante do que a brincadeira anterior, e durante o tempo em que o louro permaneceu provocando-o daquela forma, o moreno pedia mentalmente para que Dino fosse logo ao que interessava. Aquela peça de roupa estava ali somente para atrapalhar.

O italiano sabia que aquilo era injusto. Ele via claramente a forma como seu amante mordia as costas de uma das mãos, e a maneira como a ereção embaixo de sua língua tremia. O clímax de Hibari aconteceria antes do que ele previa.

A última peça de roupa foi finalmente retirada e com ela as meias e sapatos do moreno. A voz do Guardião da Nuvem tornou-se rouca e eufórica quando sua roupa debaixo foi retirada, ele sabia o que aconteceria, mas não esperava receber aquele nível de estímulo.

Enquanto voltava a brincar com a ereção de Hibari com sua língua, o Chefe dos Cavallone umedeceu um dos dedos e penetrou seu amante. A reação foi imediata, e na terceira penetrada o moreno chegou ao orgasmo entre os lábios de Dino.

O peito do Guardião da Nuvem arfava, ainda sentindo o dedo do louro entrar e sair de sua entrada, fazendo com que seu corpo se contorce-se de prazer. Os beijos do italiano voltaram a subir pelo corpo de Hibari, até alcançar seus lábios. O moreno entreabriu os olhos, encarando um largo e satisfeito sorriso. Suas mãos envolveram o pescoço de Dino, e partiu dele mesmo a iniciativa para um profundo beijo.

- Nee, Kyouya... — Dino retirava os sapatos com os próprios pés, sentando-se no meio da cama e trazendo o moreno para perto de si — Faça o mesmo... comigo...

Hibari juntou as sobrancelhas, entendendo e não entendendo o que aquelas palavras queriam dizer. Seus olhos encontraram os olhos cor de mel de seu amante, tentando decifrar se aquelas palavras realmente significavam o que ele tinha em mente.

O Chefe dos Cavallone aproximou os lábios de um dos ouvidos do moreno, sussurrando um erótico pedido. O Guardião da Nuvem abriu a boca para protestar, mas ao invés de palavras grossas tudo o que saiu por seus lábios foram gemidos de prazer. Uma das mãos de Dino deslizava por seu membro, trazendo a ereção perdida de volta.

O moreno engoliu seco e fechou os olhos por alguns segundos. Quando ele os abriu novamente, suas mãos empurraram Dino contra o colchão, sentando-se sobre o colo de seu amante. O louro subiu as mãos pelas pernas do Guardião da Nuvem, sentindo os botões de suas roupas serem abertos.

Primeiro o terno, depois o colete branco. A gravata e finalmente a camisa. A pele do italiano era um pouco mais morena do que a de Hibari, e as tatuagens do Chefe dos Cavallone logo se tornaram visíveis e seus dedos delgados tocaram os desenhos por alguns segundos. O toque ousado e erótico fez com que Dino gemesse baixo, sentindo quando sua calça foi retirada junto com o cinto e a roupa de baixo.

Ao contrário de seu amante, o moreno não pretendia causar sofrimentos desnecessários. Segurando com certa timidez o membro do louro entre seus dedos, o Guardião da Nuvem abaixou o rosto e o levou com delicadeza até seus lábios. O Chefe dos Cavallone tremeu ao toque, não escondendo suas reações. A voz rouca e máscula ecoou pelo quarto conforme a pequena boca de Hibari abocanhava sua ereção.

O italiano ergueu levemente a cabeça, mantendo os olhos abertos enquanto admirava a cena. Ele adorava ver as bochechas vermelhas de seu amante, e a maneira como o Guardião da Nuvem se masturbava procurando prazer ao mesmo tempo em que oferecia.

O orgasmo de Dino demorou um pouco mais. O louro conseguiu se segurar o máximo possível, mas todos os seus esforços foram em vão. Os movimentos sensuais de Hibari, o clima entre eles e a antecipação do que viria em seguida encheram sua mente com audaciosas fantasias que não poderiam culminar em outra coisa que não fosse o clímax. O moreno ajoelhou-se na cama, lambendo os dedos e indo para cima do italiano. Sua ereção havia retornado, e o Guardião da Nuvem não tinha mais paciência para esperar o prato principal.

O Chefe dos Cavallone entendeu o recado e virou o moreno na cama, ficando por cima. Suas mãos procuraram o tubo de lubrificante em uma das cômodas que ficava em cada um dos lados. Hibari já mexia em seu próprio membro quando Dino o penetrou com um dos dedos. A invasão foi bem menos dolorosa, e o segundo dedo entrou com certa facilidade, roubando do Guardião da Nuvem pequenos gestos que demonstrava o quanto aquilo lhe agradava.

O italiano que não parava o que fazia, passou a observar seu amante contorcer-se, ao mesmo tempo em que se tocava. A cena enchia-lhe os olhos de luxuria, e em determinado momento apenas observar tornou-se doloroso. Era preciso sentir, provar e até mesmo devorar aquelas reações e principalmente aquele corpo que lhe era oferecido.

Hibari afastou as pernas por livre e espontânea vontade, e aquele convite arrancou um meio sorriso dos lábios de seu amante, que aceitou de bom grado o convite. Posicionando-se na entrada do moreno, Dino o penetrou devagar enquanto masturbava lentamente o membro do Guardião da Nuvem. Não houve relutância, mas ele sabia que Hibari estava com dor pela maneira como suas sobrancelhas estavam juntas. O louro então colocou um pouco mais de empenho em sua mão, aumentando o ritmo e arrancando finalmente um gemido de prazer dos lábios do moreno.

As primeiras estocadas foram lentas, delicadas e pretendiam apenas permitir que o corpo do Guardião da Nuvem se acostumasse à invasão.

O ritmo então passou a ser rápido e ininterrupto, tocando por diversas vezes aquele ponto responsável por fazer os lábios do moreno proferir gemidos deliciosos de serem ouvidos.

Por alguns minutos o quarto encheu-se com suspiros e gemidos. Hibari tinha o rosto vermelho, masturbando-se com pressa e começando a se esquecer do bom senso e autocontrole. Suas costas arquearam-se na cama, seus olhos se fecharam com lágrimas e então seu corpo sentiu quando Dino chegou ao orgasmo. O louro gemeu alto, apertando a cintura de seu amante com força assim que atingiu o clímax. O moreno continuou a se masturbar, tentando ignorar o calor do italiano dentro dele. Seu orgasmo veio minutos depois, atingindo parte de seu abdômen, peito e pescoço.

Hibari deixou a mão cair ao lado da cama, respirando alto, completamente indefeso. Seu corpo queimava, como se ele estivesse com uma febre extremamente alta. Seus olhos negros viram quando Dino se inclinou para um lado da cama e depois se aproximou sobre ele, passando um lenço de papel sobre seu corpo.

- Você é tão delicioso, Kyouya... — O Chefe dos Cavallone jogou os lenços de papel no cesto de lixo ao lado cama, voltando a ficar sobre seu amante. — Eu poderia devorá-lo todas as noites e ainda não seria o bastante.

- O que você fala não faz sentido. — O Guardião da Nuvem respondeu baixo. Sua garganta estava áspera por causa dos gemidos e sua voz saia muito mais masculina.

- Você apenas não entende como eu me sinto quando fazemos amor. — Os lábios do italiano roubaram um beijo do moreno enquanto seus braços o envolviam em um apertado abraço.

O Guardião da Nuvem jamais diria que entendia muito bem o que aquela frase idiota significava. Era recíproco. Sentindo Dino em seus braços, o moreno compreendeu a sorte que tinha em poder ser o responsável por monopolizar aquele amor e aquela pessoa.

Homem, mulher, nada disso importava. Pois a pessoa em seus braços o queria com todas as forças de seu ser, e somente isso já era suficiente.

O moreno aproximou os lábios do ouvido do louro sussurrando meia dúzia de palavras. A reação do Chefe dos Cavallone foi automática. Seu rosto tornou-se corado, e ele afastou levemente o rosto, lançando um largo e audacioso sorriso.

- Como se eu pudesse negar qualquer coisa que você me pedisse, Kyouya...

Hibari ergueu levemente uma das sobrancelhas antes de virar-se. Seu quadril estava levemente dolorido, mas aquilo não era suficiente para pará-los. O corpo do moreno ficou apoiado em seus joelhos e cotovelos, e enquanto passava as mãos pelas costas de seu amante, o italiano sorriu com a visão. Eram raros os momentos em que o Guardião da Nuvem escolhia posições, mas se aquela oportunidade havia chegado, ele não seria tolo em recusá-la.

Segurando firme a cintura de Hibari, Dino o penetrou com um pouco mais de força do que a primeira vez. Seu membro entrou com facilidade, e ele ficou um pouco surpreso por ver o moreno erguer levemente o quadril para recebê-lo melhor.

Aquela noite definitivamente seria uma grande festa.

O Guardião da Nuvem sabia o quão degradante e vergonhosa era a posição em que ele se encontrava, mas somente naquele momento ele se deixaria levar por suas fantasias. Hibari nunca contou ao louro que aquela era uma de suas posições favoritas, exatamente pela facilidade com que Dino tinha em acertá-lo com precisão. Seu corpo tremia de prazer e após alguns minutos seu membro já dava sinais de que chegaria ao orgasmo sem que nenhuma atenção extra fosse dedicada.

O louro, por sua vez, não escondia o quanto gostava de dominar o moreno daquela posição, provavelmente porque sabia que não haveria chance de receber nenhum tonfa voador. Entretanto, a ousadia de seu amante o surpreendeu, e Dino só poderia pensar que aquela sinceridade exagerada era a maneira que Hibari encontrou de mostrar que suas palavras foram genuínas e que ele faria um esforço para se redimir.

O auge da falta de pudor daquela noite aconteceu quando o Guardião da Nuvem pediu com um sussurro que Dino utilizasse um pouco mais de força nas suas investidas. Os olhos do italiano brilharam com o pedido, e sem hesitar ele arrancou gemidos mais altos e sonoros de seu amante.

A festa continuaria por mais alguns minutos no primeiro andar.

Tsuna e seus Guardiões deixaram a mansão pouco depois que Dino passou apressado por eles, e o Décimo Vongola fingiu não ter visto um rápido momento em que Yamamoto e Gokudera entrelaçaram as mãos. Tsuna estava plenamente satisfeito com o rumo que as coisas tomaram.

Romário os avisou em pessoa que o Chefe que atacou Dino fora capturado, então eles teriam de lidar com todos os assuntos pertinentes ao caso a partir do dia seguinte. Por hora, o Décimo apenas queria ir para casa e descansar sabendo que todos os seus amigos estavam bem, juntos e felizes.

Continua...