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11 Capítulo 11 - Epílogo
Capítulo 11 — Epílogo
Hibari permaneceu por mais uma semana na Itália. Aquela seria a primeira vez que ele se ausentava por tanto tempo de sua amada Namimori. O Guardião da Nuvem mentiria se dissesse que não lembrou com carinho e saudosismo de sua querida cidade. Entretanto, por mais que sentisse falta do Japão, a outra parte de seu coração estava muito bem no Ocidente. Ele sabia que não poderia deixar aquele país até que sua companhia decidisse que poderia acompanhá-lo.
Ele prometera, não? Que só retornaria ao lado de Dino.
O Chefe dos Cavallone permaneceu extremamente ocupado nos dias que seguiram a festa. A notícia da prisão do homem que tentou assassiná-lo teve grande repercussão no mundo da Máfia. Contratos foram quebrados, acordos desfeitos e toda a sujeira envolvendo aquela Família veio a tona. A verdade por trás do ataque era somente uma: o italiano deveria ser tirado de circulação, pois sua influência era temida por algumas Famílias. Com a prisão de um dos Chefes, o esquema foi quebrado e todos os envolvidos foram presos ou estavam foragidos. Aqueles que ainda não haviam sido capturados estavam com os dias contados. A influência de Dino Cavallone era realmente impressionante.
O louro colocou certo empenho nessa busca. Havia mais do que motivos profissionais por trás de toda aquela motivação para encontrar os foragidos e colocá-los atrás das grades. Hibari sabia bem que era o pivô daquela preocupação extra, e não foi preciso muito para que ele entendesse que demoraria algum tempo para que as coisas voltassem ao normal. O italiano acordava várias vezes no meio da noite, fazendo com que o Guardião da Nuvem acabasse despertando. Em uma noite o moreno ouviu seu nome ser chamado várias vezes enquanto Dino dormia, e aquele sentimento não o deixava totalmente à vontade. Ele entendia aquela sensação de medo. Por quantas noites ele mesmo não sonhara que seu amante havia morrido naquele incidente?
Porém, os dias passaram independente do medo que ambos sentiam. Não havia nada que prendesse o Chefe dos Cavallone à Itália, e foi com um grande sorriso no rosto que o louro anunciou que estariam retornando a Namimori em dois dias. Hibari que estava sentado na cama relendo um livro apenas ergueu os olhos, demonstrando pouco interesse.
- Não me diga que gostou tanto de ficar aqui que está pensando em não voltar mais? — Dino arrastou-se até o meio da cama. Seu humor estava excelente. — Você poderia morar aqui se quisesse, Kyouya.
- Não, obrigado. — O Guardião da Nuvem não tirou os olhos do livro. — O convite não é tentador e pode não parecer, mas estou feliz com a notícia.
- O que você quer dizer? Eu sou uma ótima companhia! — O italiano apertou os olhos. Ele realmente tinha um fino fio de esperança que Hibari pudesse aceitar. — N-Nós poderíamos acordar todos os dias juntos, e mesmo que não pudéssemos nos ver a todo momento eu sempre voltaria para casa e... Ok, eu sei.
A animação do Chefe dos Cavallone desapareceu totalmente ao sentir os olhos sérios e negros de seu amante em sua direção. Eles já tiveram aquela conversa anteriormente, e a resposta era apenas uma: não era possível. Ambos possuíam vidas profissionais muito distintas e que tornavam aquele tipo de união completamente inviável.
- Eu só queria passar um pouco mais de tempo com você, mesmo que fossem somente algumas horas a mais. — Dino coçou a nuca, desviando os olhos — Eu retornarei com você à Namimori, mas sei que quando menos esperar estarei voltando para casa. E então ficaremos um longo período sem nos vermos e será assim até quando?
O Guardião da Nuvem juntou levemente as sobrancelhas. Aquela conversa já havia acontecido entre eles, mas era a primeira vez que ela tinha aquele nível de seriedade. O moreno sempre ouviu promessas de amor e desejos "eternos" e "para sempre" proferidos entre os lábios de seu amante, mas nada tão concreto quanto aquelas palavras.
Não importasse de qual ângulo ele olhasse. Aquilo parecia um pedido... oficial.
Dino sorriu sem graça, e a conversa foi interrompida por três leves batidas na porta. O louro disse um baixo "E-Esqueça o que eu disse, ok?", antes de deixar a cama e abrir a porta.
- Eu irei atender, obrigado, Romário. — O italiano virou levemente o rosto na direção de Hibari — Eu preciso resolver um assunto, até mais.
Ao ver a porta do quarto sendo fechada o Guardião da Nuvem fez o mesmo com o livro em suas mãos. Seus olhos encararam a capa escura, relembrando as palavras que ouvira.
Por mais idiota e aleatório que o Chefe dos Cavallone fosse, o que ele havia dito fazia sentido. Os dois levavam aquela vida há anos, e não importasse como olhassem a situação, não havia como ela mudar. Ambos eram homens, não haveria possibilidade da relação entre eles crescer além do que tinham.
O moreno saiu da cama, fechando os olhos e respirando fundo. Ele entendia perfeitamente o que Dino queria dizer. O idiota não era o único que queria mais do que aquela vida tinha para oferecer.
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Hibari esperou por alguns minutos o retorno do italiano, até decidir que era hora de procurar outro incentivo a leitura. A biblioteca dos Cavallone era ridiculamente grande, e foi para lá que o moreno se arrastou. As inúmeras estantes forradas de oportunidades o encantavam, além de ser uma excelente chance para praticar seu italiano. O louro sempre se comunicava em japonês, provavelmente receoso que o Guardião da Nuvem não entendesse.
Por algum tempo a companhia de Hibari foram somente os livros e o silêncio. A porta da biblioteca foi aberta, e o barulho de vozes chamou sua atenção. A voz de Dino foi a primeira a chegar a seus ouvidos, e isso fez com que ele sorrisse. Os dois estariam a sós na biblioteca, e isso era perigoso.
Entretanto, uma segunda voz foi ouvida, fazendo com que o moreno perdesse automaticamente o sorriso. Ele conhecia aquela voz.
- Tem certeza de que não quer aceitar uma xícara de chá? — O Chefe dos Cavallone sorriu amavelmente, aproximando-se da grande mesa que ficava em uma das extremidades da biblioteca em frente à grande janela de vidro.
- Não, obrigada. Eu estou bem e meu assunto é breve.
O Guardião da Nuvem aproximou-se devagar, escondendo-se atrás da estante em que estava. A visão daquela parte da biblioteca não era das melhores, mas ele conseguia enxergar com perfeição onde Dino estava.
A companhia na frente do italiano fez Hibari cerrar os punhos. Aqueles cabelos longos e ruivos jamais sairiam de sua mente.
- Então, em que posso ajudá-la? O louro recostou-se a mesa e cruzou os braços.
Ana descruzou os braços, dando um passo à frente. Uma de suas mãos tocou o rosto do italiano e seu corpo inclinou-se levemente.
O moreno apertou as sobrancelhas, sem acreditar no que estava vendo. A cena parecia saída de uma novela ruim, ainda mais porque Dino parecia saber que aquilo iria acontecer. O Chefe dos Cavallone colocou as suas mãos nos ombros da mulher, empurrando-a gentilmente para trás.
- Não acredito que tenha se dado ao trabalho de vir até aqui me seduzir. — Dino tinha a voz séria. — Temo que isso não vá surtir nenhum efeito sobre mim.
- Eu apenas queria ter certeza... — Ana deu um passo para trás e sorriu — Se os boatos de você ter um amante são verdadeiros. Então Dino Cavallone já tem companhia?
O louro corou, e não havia reação mais estúpida para aquele momento.
Hibari colocou a mão na testa. O italiano parecia um adolescente que foi questionado sobre a carta que acabara de deixar no armário da garota que era apaixonado. Definitivamente Dino era uma pessoa transparente demais.
- Eu não sei quem ela é, mas duvido que consiga fazer melhor acordo. Se juntarmos nossas Famílias teremos uma influência imensurável. — Ana cruzou os braços e sorriu — O que acha de juntarmos forças? Podemos unir o útil ao agradável, pois além de estar interessada na união de nossas Famílias devo admitir que você é provavelmente o homem mais interessante e charmoso que encontrei nos últimos tempos.
O Guardião da Nuvem podia sentir seus dentes rangerem conforme cada palavra era proferida. Ele já estava ciente das intenções da mulher devido ao aviso do Guardião da Tempestade dos Vongola, mas a realidade era um pouco diferente. Aquela não foi uma bonita e sentimental confissão de sentimentos. A mulher estava claramente interessada na união política entre as Famílias, e apenas deu sorte do Chefe em questão ser jovem... e idiota.
Dino permaneceu em silêncio, apoiando as mãos sobre a mesa. Seus olhos pareciam dançar na direção do chão, perdidos em pensamentos. Seus lábios tinham um meio sorriso bobo e infantil. Quando o Chefe dos Cavallone ergueu novamente os olhos, Hibari engoliu seco.
A mulher não era a única que estava morrendo de curiosidade sobre o que viria em seguida.
- Eu realmente agradeço seu interesse, mas minha decisão continua a mesma. Eu não tenho nenhum tipo de intenção em unir nossas Famílias, e não vejo como isso poderia ser proveitoso para o meu lado. — O louro tinha a voz alta e seu semblante tornou-se um pouco mais sério — Minha Família é tudo o que eu preciso nesse mundo de Máfia, e não tenho a intenção de transformá-la em outra coisa. Sobre uma união entre nós, isso é completamente impossível e fora de cogitação. Como já disse antes, eu tenho uma pessoa e estou feliz ao lado dela. E honestamente falando, eu duvido que outra pessoa no mundo possa me fazer feliz.
O italiano coçou a nuca e corou, desviando os olhos. Seu rosto estava rubro e quem não soubesse a idade de Dino, diria que aquele era apenas mais um adolescente falando sobre seu primeiro amor.
Ana permaneceu por alguns minutos em silêncio, suspirando e dando de ombros. Aparentemente a conversa havia terminado.
- Achei que fosse um pouco mais inteligente, mas vejo que me enganei. Não pretendo fazer novamente a oferta, então não se preocupe. Mas antes de ir eu gostaria de fazer uma pergunta... — A mulher ergueu levemente a sobrancelha, mordendo o lábio inferior — Você sabia das minhas intenções desde o inicio, não é? Então por que me convidou para dançar naquela noite se já tinha ideia do que eu pretendia?
O Chefe dos Cavallone desencostou-se da mesa, pronto para acompanhar Ana até a saída.
- Você é uma agradável mulher quando não está planejando alguma coisa, mas o motivo real foi que minha companhia não gosta de dançar. Se ela tivesse dito que participaria do baile eu teria passado cada segundo daquela noite ao lado dela.
Ana deu as costas e caminhou na direção da saída, sem dizer mais nenhuma palavra. O louro a acompanhou por pura educação, fechando a porta da biblioteca sem barulho.
O silêncio que tomou conta do local não teria denunciado a única pessoa que ainda estava por lá. O Guardião da Nuvem tinha os olhos baixos, encarando o piso de madeira que forrava o chão. Suas bochechas estavam vermelhas e sua mente repetia várias vezes as palavras que ouvira naqueles curtos minutos. Uma coisa era escutar dos lábios de Dino inúmeras declarações de amor que pareciam piegas e repetitivas. Outra era saber que todos aqueles sentimentos eram verdadeiros, e que não importava se o próprio Hibari estivesse escutando, o italiano permanecia o mesmo.
O moreno não percebeu que durante o tempo que ficou escondido atrás daquela estante seus lábios sorriam satisfeitos.
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Hibari deixou a biblioteca após alguns minutos e seguiu diretamente para o quarto. Ele não sabia dizer quanto tempo ainda permaneceu no térreo, mas a surpresa de já encontrar Dino no quarto o fez pensar que talvez ele tivesse permanecido mais tempo do que o necessário. O louro estava próximo a janela, mas sua atenção foi completamente roubada no momento em que a porta foi aberta.
- Por onde esteve, Kyouya? — O Chefe dos Cavallone ajeitava a cortina, sorrindo largamente na direção de seu amante.
- Cozinha... — O Guardião da Nuvem respondeu baixo. Ele jamais diria a verdade naquela situação.
- Você já está com fome? Se quiser posso pedir para prepararem o almoço mais cedo. — O italiano voltou sua atenção para a cortina, cantarolando baixo. — Nee, eu estava pensando se você não estaria interessado em um passeio durante a tarde. Você ficou esse tempo todo preso na Mansão, e seria um desperdício vir à Itália e não fazer nada turístico. Posso procurar alguns lugares mais vazios, e então...
Dino calou-se, erguendo levemente as sobrancelhas.
Sua companhia havia cruzado o quarto, parando ao seu lado sem que ele percebesse. O louro sorriu com a proximidade, mas da mesma maneira como o sorriso apareceu em seu rosto, ele sumiu. A tentativa de arrumar a cortina que lhe roubara alguns minutos foi desfeita pelo Guardião da Nuvem, e o quarto tornou-se levemente escuro novamente.
- M-Mas... — O Chefe dos Cavallone abriu a boca para perguntar o que estava acontecendo, mas a resposta que recebeu foi um olhar sério.
Hibari caminhava em sua direção, fazendo com que Dino desse vários passos para trás. Quando sentiu a beirada da cama na altura de suas pernas, o italiano fez menção de virar o rosto por reflexo, apenas para sentir-se empurrado.
- Tenho outros planos para hoje. — O moreno desceu o zíper da jaqueta que vestia. Todas as roupas que usou no tempo que permaneceu na Itália eram pelo menos dois números maiores. Ele se recusou a comprar roupas novas, utilizando as do italiano. — Nós vamos fazer amor durante todo o dia.
As palavras saíram sérias e sem um pingo de ironia.
O louro arregalou os olhos e sentou-se às pressas na cama, sentindo um misto de surpresa e medo. Ele podia contar nos dedos as vezes em que ouviu Hibari utilizar o termo "fazer amor", e por mais que adorasse aquele tipo de convite, algo não parecia certo ali.
- O que houve, Kyouya? — O Chefe dos Cavallone segurou as mãos do homem parado à sua frente, olhando-o preocupado.
- Nada. — O Guardião da Nuvem tinha o olhar baixo e sua voz saiu quase inaudível. — Você não quer continuar?
- Não é que eu não queira... — O louro sorriu, levando uma das mãos do moreno até seus lábios. — Não existe um dia que eu não queira estar com você fisicamente falando, mas é raro ouvir tal convite. Por que não me diz o que está acontecendo antes de continuarmos?
Hibari não respondeu de imediato. Seu rosto virou levemente para o outro lado, e por alguns segundos tudo o que ele conseguiu fazer foi permanecer naquele embaraçoso silêncio.
Porém, aos poucos o pálido rosto do Guardião da Nuvem tornou-se corado, e quando os olhos negros finalmente encararam o Chefe dos Cavallone, a resposta para aquela pergunta finalmente foi dada.
- Amo... — Os lábios do moreno se moveram devagar. A voz era ainda mais baixa. — P-Porque eu... Você...
Dino sentiu os olhos arregalarem-se aos poucos. Uma de suas mãos puxou Hibari para cama, e em segundos as posições haviam se invertido. O italiano estava por cima, o rosto extremamente vermelho e os olhos brilhando de felicidades.
- Você não pode dizer essas coisas e esperar que eu não faça nada, Kyouya... — O louro tinha a voz quase chorosa. O Guardião da Nuvem o olhava surpreso, mas assim que seus olhos desceram um pouco mais ele entendeu o que estava acontecendo.
- Você ainda está na adolescência, Dino. — O moreno fechou os olhos. Uma frase e o Chefe dos Cavallone se tornava excitado. Patético.
- Como você esperava que eu não me sentisse... assim? — O italiano tinha o rosto ainda mais vermelho.
Hibari abriu os olhos, ouvindo por alguns segundos o quão culpado ele era daquela situação. Durante o tempo que permaneceu ali, somente observando como seu amante se perdia com as palavras, o moreno poderia dizer que estava incrivelmente feliz. O louro só demonstrava aquele tipo de reação para ele. As demais pessoas só conheciam o lado sério e profissional de Dino Cavallone, então aquele mérito de observar o sempre tão profissional Chefe pertencia somente ao Guardião da Nuvem.
A ideia da exclusividade fez com que Hibari se lembrasse de uma das desconfortáveis conversas que ambos tiveram em Namimori. Ele recordava-se bem de como o italiano mencionara que gostaria de monopolizá-lo se fosse possível. Na época aquelas palavras não fizeram sentido e pareciam possessivas e egoístas demais. Entretanto, admirando a mistura de sentimentos que se apoderava de Dino naquele instante, o moreno entendeu perfeitamente o sentimento por trás daquela ideia. Uma de suas mãos tocou o rosto do louro com carinho. As pontas de seus dedos sentiam os cabelos finos e macios...
Quantas pessoas não gostariam de estar em seu lugar? Não somente a mulher que o visitara naquele dia, mas todos que um dia já desejaram ter aquele homem ao seu lado. Uma pessoa gentil e responsável. Um homem carinhoso, embora infantil e desajeitado. Um ser humano capaz de não medir esforços para fazer as pessoas a sua volta felizes.
Hibari sabia de todas essas qualidades. Ele costumava odiá-las no inicio. Era impossível para ele aceitar que uma pessoa tão altruísta pudesse existir. Porém, ao ouvir a confissão de Dino naquela tarde no Templo, o Guardião da Nuvem percebeu que existia muito mais por trás do italiano do que um belo rosto e intenções puras. O louro possuía sentimentos como qualquer outra pessoa, e alguns deles não tão claros ou bondosos.
Esse estranho senso de compaixão que se apossou do coração do moreno foi responsável por fazê-lo sorrir, um tímido e discreto meio sorriso.
O Chefe dos Cavallone que ainda estava em seu discurso embaraçado calou-se, inclinando um pouco o rosto para baixo. Seus lábios tocaram delicadamente os de seu amante em um gentil movimento. Hibari entreabriu os lábios devagar, permitindo que sua língua entrasse gentilmente dentro da boca de Dino. O italiano permitiu a passagem, aproximando os lábios ainda mais e finalmente beijando o Guardião da Nuvem como queria.
Os olhos do moreno se fecharam aos poucos e quanto ambas as línguas se encontraram, ele entrelaçou os braços ao redor do pescoço do italiano, trazendo-o mais para perto.
A Itália era um belo país e merecia uma visita turística, mas Hibari deixaria o passeio para outra oportunidade. Pois naquela tarde, o único local que ele tinha interesse em se aventurar era pelo corpo do Chefe dos Cavallone.
O beijo tornou-se profundo e extremamente erótico com o decorrer do tempo. O italiano não poupava esforços em se deliciar com aquele gesto, e o Guardião da Nuvem não ficou surpreso ao perceber que seu corpo reagia àquele simples toque. Ele podia sentir a própria ereção encontrando-se com a do louro, e a maneira torturante com que ambas pareciam buscar uma forma de se tocarem além daquelas camadas de roupas. Dino aparentemente sentia o mesmo, pois assim que os lábios se afastaram para que os dois pudessem respirar tudo o que o moreno conseguiu ver através dos olhos cor de mel foi desejo e ansiedade.
O Guardião da Nuvem empurrou levemente o peito do italiano, fazendo-o virar na cama e ficando por cima. Seus lábios se entreabriram e deixaram escapar um baixo gemido, no instante em que o moreno sentou-se sobre a ereção do louro. Seu rosto tornou-se vermelho enquanto suas mãos subiam e desciam pelo peito do Chefe dos Cavallone, sentindo o tecido da camisa branca que ele usava.
Dino não se incomodou em ficar por baixo, sentindo-se extremamente satisfeito ao ver Hibari desabotoando sua camisa. As mãos quentes de seu amante tocaram finalmente sua pele, e o único momento em que o louro fez menção de ajudar foi para retirar o restante da camisa, voltando a deitar-se novamente.
Hibari inclinou-se um pouco mais para frente, admirando o homem que estava embaixo de seu corpo. A pele branca estava levemente bronzeada, o suficiente para retirar o aspecto de palidez. As cores vivas das tatuagens do italiano roubaram a atenção do Guardião da Nuvem, que mordeu levemente os lábios ao antecipar o que aconteceria em seguida. Seus dedos começaram a desabotoar a calça social do Chefe dos Cavallone, retirando-a com certa pressa. O moreno aproveitou a oportunidade para se livrar da jaqueta e camisa que ele mesmo usava.
De repente a temperatura parecia ter aumentado de forma absurda naquele dia.
Dino usava uma apertada roupa de baixo negra, e que apesar da cor discreta não conseguia esconder a ereção que tentava a todo custo escapar daquele pedaço de pano. Hibari correu levemente a ponta de um dos dedos da base até o fim da extensão do membro de seu amante, apenas para sorrir satisfeito ao ouvir um gemido contido e satisfeito.
Quando a última peça que cobria o italiano foi retirada, o Guardião da Nuvem permitiu-se admirar aquele homem novamente. Ele não tinha nenhum tipo de atração por nenhum outro ser humano que não fosse o louro, e por mais que isso soasse triste ou estranho para qualquer outra pessoa, para ele, aquele fato era natural. Amar e desejar Dino era tão natural quanto respirar.
O moreno não pretendia acelerar seus preciosos minutos de prazer e admiração, embora seu baixo-ventre o incomodasse. A calça apesar de confortável, naquele momento era a peça mais desconfortável que existia, mas nada no mundo o faria perder a chance de desfrutar uma chance como aquela. Pois ali, embaixo de seus olhos, o Chefe dos Cavallone estava totalmente disponível, sensível e apetitoso. Hibari levou uma das mãos ao membro do louro, começando a masturbá-lo devagar. A respiração do italiano tornou-se descompassada e pesada. Seus olhos se fecharam, e pelos segundos iniciais o Guardião da Nuvem não fez nada além de observar. Seu corpo então se projetou um pouco para frente, e seus lábios beijaram com gentileza o abdômen bem-definido de Dino. Seu objetivo estava exatamente ao lado.
Utilizando toda a extensão de sua língua, o moreno lambeu a cintura do louro, mais especificamente a área em que estavam as vibrantes tatuagens. O ousado toque arrancou um gemido mais alto do Chefe dos Cavallone, que agora recebia dois tipos diferentes de estímulos, já que Hibari não parou o que fazia com uma de suas mãos.
Por longos e torturantes segundos o Guardião da Nuvem dedicou aquela região atenção especial. A pele de Dino era firme e cheirava a colônia e suor. As pontas dos dentes do moreno brincavam com as cores, contornando os desenhos e as formas que emolduravam aquela parte tão peculiar do corpo do italiano.
Quando a cintura de Dino já estava vermelha por causa das caricias, Hibari decidiu que era hora de dar atenção a parte do corpo do Chefe dos Cavallone que tremia em sua mão. O Guardião da Nuvem sentiu o rosto corar. Ele raramente se permitia certos momentos de luxuria, mas naquele dia isso pouco importava. Cada fibra de seu corpo desejava provar o gosto do italiano.
Com certa timidez o moreno aproximou o rosto da ereção do Chefe dos Cavallone, permitindo que sua língua corresse da base até o topo. Aquela nova sensação fez com que Dino move-se o quadril na cama, gemendo com mais ênfase. No momento em que o Guardião da Nuvem deixou que o membro do louro invadisse seus lábios, todo o bom senso do louro foi embora.
O quarto encheu-se com gemidos que mudavam de tom conforme o moreno modificava o que fazia. Os olhos do Chefe dos Cavallone se abriram em determinado momento, e por longos segundos ele ficou a admirar o trabalho de Hibari. Como se o ato em si já não fosse erótico o suficiente, o moreno fazia questão de manter o olhar fixo em seu amante o tempo todo. Dois grandes e negros olhos que transbordavam sensualidade e desejo.
O louro avisou com antecedência sobre seu orgasmo, ouvindo um baixo "Cale-se" como resposta. O clímax do italiano desceu pela garganta do Guardião da Nuvem, que tinha as bochechas extremamente vermelhas quando finalmente ergueu a cabeça.
Dino respirava alto, os olhos fechados e um dos braços por cima de seus olhos. Seu corpo ainda tremia de prazer, como se o Guardião da Nuvem ainda o estivesse satisfazendo.
Hibari utilizou esse tempo para se livrar de sua calça e rouba de baixo. O corpo nu do moreno deitou-se sobre o louro, e seus lábios voltaram a invadir a boca de seu amante. O beijo foi longo, quente e trouxe o Chefe dos Cavallone de volta a realidade. A ereção de Hibari esfregava-se um pouco acima de seu baixo ventre, pulsante e implorando atenção. Dino segurava o moreno com uma das mãos, enquanto a outra tentava em vão abrir a mesinha de cabeceira. O Guardião da Nuvem interrompeu o beijo a contra gosta, ele sentia-se completamente flutuando quando seus lábios estavam grudados ao do italiano. Seu corpo inclinou-se um pouco para o lado em um gracioso movimento, e em segundos o tubo de lubrificante estava em suas mãos.
- Obrigado... — O louro respondeu baixo, puxando-o pela nuca para que continuassem o beijo.
- Eu ficarei por cima. — O moreno disse entre o beijo, deixando claro que seria ele quem conduziria os movimentos.
O Chefe dos Cavallone sorriu com a ideia, puxando o corpo do Guardião da Nuvem um pouco mais para cima, o suficiente para que sua mão conseguisse alcançar a entrada de seu amante. Hibari apoiou os cotovelos ao lado da cabeça de Dino, tentando ignorar a maneira como seu corpo antecipava a invasão.
Um dos dedos do italiano o penetrou devagar, fazendo com que o moreno gemesse baixo entre o beijo. Era difícil dizer o que incomodava mais: a dor ou a temperatura fria do lubrificante. Por sorte o Guardião da Nuvem não teve tempo de decidir. O louro utilizou a mão esquerda para masturbá-lo, enquanto a direita estava ocupada preparando sua entrada.
Por alguns minutos os beijos de Hibari revezaram-se com os gemidos e suspiros. Dino demorou algum tempo para encontrar seu ponto especial por causa da posição, mas assim que ouviu a maneira como seu amante gemia, o Chefe dos Cavallone sorriu satisfeito. O corpo do Guardião da Nuvem tremia por causa da dupla estimulação, e partiu dele a iniciativa de irem além. O moreno sentou-se sobre o colo do italiano, respirando alto e despejando um pouco do conteúdo do tubo de lubrificante sobre a nova ereção do italiano. Dino gemeu baixo enquanto as mãos de Hibari desciam e subiam por seu membro, corando ao ver o Guardião da Nuvem posicionar-se sobre ele.
O moreno respirou fundo, sentindo-se ser preenchido pelo Chefe dos Cavallone aos poucos. Quando seu quadril sentou-se por completo no colo do louro, cada centímetro do corpo de Hibari pareceu sentir a invasão. Seus olhos estavam fechados, seus lábios entreabertos e ele precisava de alguns segundos antes de continuar.
Posicionando as mãos sobre o abdômen de seu amante, o Guardião da Nuvem ergueu levemente o corpo, apenas para descê-lo novamente. O gemido que saiu por seus lábios era baixo e tímido, assim como o ritmo inicial. Entretanto, quando as mãos de Dino seguraram firme a cintura de Hibari, e o próprio quadril do louro começou a movimentar-se para cima, os sons emitidos pelo Guardião da Nuvem mudaram completamente. O embaraço e a timidez deram lugar a luxuria e a necessidade. As pontas de seus dedos apertavam a pele do italiano, enquanto seu próprio corpo movia-se para baixo com força, procurando receber toda a extensão do membro que o invadia.
Dino teria permanecido o tempo todo de olhos bem abertos, apenas admirando e se deliciando com a visão. Porém, o prazer não era somente de Hibari, e o louro não soube dizer quando seus olhos se fecharam e sua cabeça pendeu um pouco para trás, completamente absorto no prazer. As vozes misturavam-se. Gemidos roucos, agudos, altos e baixos. As peles brilhavam por causa do suor, os movimentos tornavam-se mais fortes, menos educados e buscando uma maneira de satisfazê-los. O moreno inclinou a cabeça para trás, deixando que sua voz ecoasse por todo o quarto quando o louro além de se mover com mais intensidade, ainda começou a masturbá-lo. Sua mente tornou-se confusa e pesada. O barulho das estocadas o excitava, a voz rouca do louro deixava sua pele arrepiada, mas nada disso era suficiente.
Era preciso mais. Hibari queria mais.
- F-Forte... — O Guardião da Nuvem apoiou as mãos sobre o peito de Dino, mas sem parar de movimentar o quadril. — E... Eu quero mais f-forte.
O Chege dos Cavallone entreabriu os olhos, e próxima coisa que Hibari viu foi o teto do quarto conforme suas costas encostavam-se ao macio colchão.
O italiano havia trocado de lugar em uma velocidade espantosa. O moreno não teve tempo de pensar. Tudo aconteceu muito rápido. Tudo acontecia de maneira muito intensa.
O moreno sentiu suas pernas serem afastadas e Dino inclinar-se sobre eles, as mãos ao lado de seu corpo e os olhos cor de mel fixos em sua figura. O Guardião da Nuvem estendeu os braços, evolvendo o pescoço de seu amante e o trazendo para mais próximo.
E então, o prazer que ele tanto queria o invadiu.
Naquela posição o italiano poderia utilizar os braços como apoio, penetrando Hibari como queria. As mãos do Guardião da Nuvem correram para apertar a roupa de cama, precisando urgentemente de algo que pudesse receber pelo menos um pouco do prazer que ele recebia ou seu corpo não aguentaria. O quarto voltou a encher-se de gemidos, mais altos e bem menos tímidos. O moreno levou uma das mãos ao próprio membro, masturbando-se ao perceber que chegaria ao clímax em segundos. Sua mente que havia voltado a estar confusa e pesada tornou-se leve e clara. A voz de Dino desapareceu por alguns segundos e ele próprio parecia ter desaparecido momentaneamente.
A mão do Guardião da Nuvem parou de mover-se, seu peito e abdômen estavam pintados com seu próprio orgasmo, e ele provavelmente teria deixado sua mente esvair-se se seu corpo não estivesse sendo invadido.
A consciência de Hibari retornou e seus olhos se entreabriram. Seus lábios voltaram a gemer e suas mãos voltaram a apertar a roupa de cama.
Dino movia-se com muito mais pressa e força. O clímax havia deixado o corpo do moreno mais sensível, sentindo as estocadas com o dobro de intensidade. A cada segundo que o Chefe dos Cavallone o penetrava o Guardião da Nuvem podia sentir que logo estaria novamente no clima. Era um ciclo interminável quando ambos começavam a fazer amor.
O italiano segurou com força a cintura de Hibari antes de chegar ao orgasmo. O moreno sentiu tudo o que acontecia dentro de seu corpo e aquilo o deixou excitado.
O louro respirava fundo. Seus cabelos estavam úmidos, seus olhos fechados e suas mãos repousavam sobre os joelhos de seu amante.
Entretanto, havia um barulho diferente, conhecido... Os olhos cor de mel se entreabriram levemente, ainda embaçados por causa do intenso prazer, apenas para ver uma das visões mais eróticas que seus olhos poderiam mostrar-lhe. O Guardião da Nuvem se masturbava devagar, movimentos tortuosamente lentos. A pele brilhava por causa do suor. Os olhos negros abertos e fixos na figura do italiano. Convidativos e transbordando luxuria.
- Você tem cinco minutos, Dino... — Hibari tinha a voz baixa, rouca por causa dos gemidos. Sua língua umedeceu seus próprios lábios, em um sensual convite. — Porque eu estou longe de estar satisfeito.
O Chefe dos Cavallone engoliu cego, colocando um meio sorriso nos lábios. Seu corpo inclinou-se um pouco e sua boca capturou os lábios do Guardião da Nuvem, beijando-o com desejo e amor.
Aparentemente o tempo que ambos passariam na Itália seria passado nos limites daquele quarto, mais especificamente naquela cama. Esse pensamento era compartilhado pelo moreno, que não acreditava que a Itália tivesse para oferecer algo mais belo, amável e interessante do que Dino Cavallone.
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Hibari retornou ao Japão ao lado de Dino no dia combinado.
A viagem foi feita no avião particular do italiano, e ambos passaram boa parte do tempo conversando e dormindo. O moreno foi deixado na entrada do Templo, mas embora estivesse extremamente feliz por estar de volta a sua amada Namimori, foi impossível para ele não sentir-se só quando se deu conta de que estava sozinho em seu escritório.
Kusakabe o havia feito companhia da tarde até o começo da noite, mas quando a noite realmente chegou e a realização de que a vida continuaria como antes fez com que o moreno abaixasse os olhos e encarasse as paredes de madeira com certa tristeza. Não havia passos desastrados ou risadas sinceras e cativantes. Não havia ninguém que ouvisse suas poucas palavras ou que tentasse agarrá-lo em todos os momentos...
Ali, naquela casa, não havia ninguém além dele mesmo.
Sua velha amiga Solidão o espreitava de todos os cantos, esperando um único momento de deslize para retornar ao seu lugar na vida do Guardião da Nuvem. Ele tinha reuniões, trabalho no dia seguinte, assim como Dino. Os dois possuíam caminhos diferentes, metas diferentes e os encontros eram sempre feitos em forma de atalhos.
Porque por mais que quisessem, não havia maneira de se desviarem por completo daquela vida. As semanas que o moreno passou na Itália se tornariam uma das lembranças mais queridas que ele teria. Os dias que pareciam não ter fim, o amor e a felicidade que recebeu o haviam transformado em um homem menos sozinho e muito mais feliz.
Ele não poderia ser ganancioso. O louro o visitaria quando estivesse no Japão, e ele sempre teria uma chave para o quarto de Hotel que seu amante estivesse hospedado. Então por quê? Por que aquilo não parecia suficiente? Por que agora aquelas poucas horas pareciam não ser o bastante?
Hibari caminhou lentamente na direção da porta de madeira do escritório. Ele sabia que já era mais de onze da noite, mas seu corpo implorava uma caminhada. A viagem havia sido longa, e ele sentia-se cansado. Porém, retornar ao seu quarto e encarar o frio futon vazio não parecia mais agradável do que um passeio noturno pelo Templo.
Uma de suas mãos segurou o apoio da porta, arrastando-a com um puxão. Seus olhos negros se ergueram e então ele não estava mais sozinho.
Dino arregalou os olhos, entreabrindo os lábios com surpresa. Uma de suas mãos estava levantada, mostrando claramente que ele tinha a intenção de bater na porta naquele mesmo instante.
Os dois homens permaneceram parados, apenas se encarando, cada um com seus próprios pensamentos. O moreno fez menção de começar a falar, apenas para sentir um dos dedos do italiano tocar delicadamente seus lábios, pedindo para que ele se cala-se.
- Eu começo... por favor, escute-me primeiro. — O Chefe dos Cavallone tinha uma expressão séria, retirando rapidamente um envelope pardo de dentro do terno. — Eu sei que não é assunto meu, mas quero que aceite minha ajuda. Desde que soube do seu trabalho com a Guardiã da Névoa eu decidi fazer uma investigação pessoal e paralela sobre o assunto. Ela está procurando os pais verdadeiros, não é? Descobri algumas coisas que podem ser úteis ao assunto, então peço que fique com elas. Quero ajudá-lo no que estiver ao meu alcance.
O italiano sorriu tímido quando Hibari segurou o envelope, não parecendo ter ficado bravo com a oferta.
- Você veio até aqui a essa hora da noite somente para entregar isso? — O Guardião da Nuvem moveu os lábios devagar. Sua voz não saiu séria ou irritada. Ele queria que Dino ficasse.
- Não totalmente... — O Chefe dos Cavallone engoliu seco, passando uma das mãos nos cabelos. — Eu sei que nos vimos ainda de manhã e que antes disso ficamos por quase um mês vivendo sob o mesmo teto, mas a verdade é que eu senti sua falta e não conseguiria esperar até amanhã para vê-lo. — O italiano tinha o rosto vermelho. Sua voz saiu baixa, receosa, algo novo para alguém tão direto como ele. — Eu não quero mais me hospedar em Hotéis quando ficar em Namimori. O tempo que eu gasto ficando do outro lado da cidade eu poderia estar passando ao seu lado, mesmo que isso signifique vê-lo pouco por causa do trabalho. — O louro deu um passo para trás, colocando as mãos ao lado do corpo e abaixando levemente a cabeça em uma reverência tipicamente japonesa — P-Por favor, Kyouya, deixe-me ficar no Templo enquanto estiver no Japão. Eu prometo que ficarei o menos possível no seu caminho, e posso dormir em um dos quartos de hóspede se você quiser, mas, por favor, eu quero ficar ao seu lado o máximo possível antes de retornar a Itália.
O Chefe dos Cavallone fechou os olhos. Seu rosto estava absurdamente quente, e ele sentia como se acabasse de pedir o moreno em casamento. Se uma surra fosse a resposta de Hibari, então ele já estaria com os olhos fechados para recebê-la.
O Guardião da Nuvem permaneceu no mesmo lugar por alguns segundos, até dar um passo à frente. Uma de suas mãos ergueu-se devagar, trêmula e incerta, assim como seu próprio coração. A confissão que acabara de ouvir levara um tom rubro ao seu rosto, sem acreditar que novamente ele e Dino estavam em perfeita sintonia. Seus dedos tocaram a pele do italiano, erguendo levemente o rosto do homem que amava enquanto aproximava seu corpo ao dele. O louro o olhou surpreso, sentindo os lábios do moreno em um de seus ouvidos.
- É melhor trazer suas malas. Minhas roupas não vão servir em você.
Dino sorriu, trazendo Hibari para um forte abraço, afundando o rosto no pescoço do Guardião da Nuvem. Seus lábios sussurram um baixo e sincero "Muito obrigado", acompanhado do usual "Eu te amo".
O moreno aproveitou que o Chefe dos Cavallone não o encarava, e sorriu ao ouvir aquela declaração. A Solidão esgueirou-se pela porta aberta e sumiu dentro da noite, perdendo-se entre o jardim florido.
Hibari fechou os olhos, imaginando o quão diferente sua vida seria dali em diante. Após o primeiro beijo entre eles, nada mais foi igual e aos poucos as coisas foram mudando gradativamente. O "um" futon se transformaria em "um grande futon". O guarda-roupa teria de ser ampliado, as compras da despensa teriam de ser feitas em maior quantidade e com mais regularidade. Os dias pacíficos e sossegados do Guardião da Nuvem se transformariam em dias movimentados, barulhentos e porque não desastrados?
Ele havia dito anteriormente, não? Dino não entrou em sua vida, ele a invadiu. Aquele pedido não havia sido apenas um pedido, pois o moreno não possuía meios de negar tal coisa.
Quando a felicidade bate literalmente em sua porta pedindo para entrar, como ignorar e não convidá-la a permanecer o tempo que desejar? E nesse caso, Hibari sabia melhor do que ninguém que Dino nunca o deixaria ir, da mesma forma como o Guardião da Nuvem não tinha planos de cometer o mesmo erro.
Ele protegeria tudo o que era seu: aquela felicidade, aquele sorriso e aquele amor.
- FIM.
Notas da autora:
Yay, terminei mais uma longfic D18. :)
Esse foi o meu maior projeto centrado nesses dois e fiquei realmente satisfeita com o resultado. Sempre quis escrever algo mais adulto com eles. Reconheço que fiz o Hibari sofrer um pouco mais do que o necessário, mas achei que era hora de dar aos fãs de D18 um Guardião da Nuvem enciumado. Não sei quanto a vocês, mas achei adorável ♥
A idéia para essa fanfic surgiu primeiro do que a paralela 8059, mas os acontecimentos existentes me fizeram postá-la depois. O título “Mine” é para mostrar a forma possessiva como os dois se sentiam com relação ao outro. A fanfic era para ter acabado no capítulo 10, mas achei que os leitores mereciam um epílogo, além de explicar um pouco sobre o motivo que levou a Chrome a procurar o Hibari. O final era para ser um pouco diferente, o que me fez sentir vontade de escrever uma oneshot 9669, mas nada oficial.
Enfim, antes de agradecer aos leitores, queria dizer que ficarei um tempo em hiatus, pelo menos no que diz respeito a longfics. Percebi que passei um semestre inteiro trabalhando nas duas histórias e preciso de férias. Tenho algumas oneshots já escritas então devo postá-las, mas ainda não sei exatamente quando.
De qualquer forma, devo retornar com uma longfic Primo Cavallone x Alaudi que já estava nos meus planos desde o ano passado.
Finalmente, obrigada aos leitores que me acompanharam em mais uma história. Obrigada pelos incentivos, ideias, criticas e sugestões. E muito obrigada pelos amigos que acabei conquistando graças as fanfics.
Vejo vocês em breve!
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