Mind Readers
23 Capítulo XXII
Notas iniciais
Eu vou tentar postar o próximo o mais rápido possível, mas sabem como é, final de período de Faculdade se aproximando, tudo vira uma loucura ):
Enfim, espero que gostem! *-*
Capítulo XXII
Quinn Fabray
–– As surpresas nunca acabam – resmungou Sam, balançando a cabeça e passando a mão pelo rosto.
E ele estava certo, é claro. Quando eu pensava que já tinha escutado absolutamente tudo, uma bomba daquelas estourava sobre a minha cabeça. De onde diabos eu desenterrara aquela lembrança? Eu nunca tinha parado para pensar nisso, e na verdade eu nem lembrava que isso tinha acontecido. Eu raramente costumava pensar no meu passado, principalmente depois de tudo o que já me acontecera. Mas aparenemente o passado gostava de me perseguir. Primeiro Blair, e agora isso. Será que podia ficar pior? Sentei-me novamente na cadeira, rezando para que minhas mãos parassem de tremer e fechei minha boca, que tinha se escancarado com a revelação. Mas quando levantei a cabeça, percebi que Wonder ainda estava parada em pé, seus olhos esbugalhados, sua boca entreaberta e suas mãos tremendo violentamente. Encarei Sam, arqueando uma de minhas sobrancelhas. Será que ela estava tendo um tique, ou algo assim? Porque se estivesse, eu não conseguiria me levantar para ajudá-la.
–– Você está bem? – perguntou Sam, encarando Wonder.
Ela não lhe respondeu. Sam se levantou, pegou um copo em cima da escrivaninha e uma garrafa de água dentro de um frigobar que estava do outro lado da sala. Se todas as conversas com os clientes fossem como as minhas, eu podia entender muito bem o porquê de ela ter um. Sam voltou e empurrou Wonder gentilmente para que ela se sentasse na cadeira, e quando ela sentou, ele colocou o copo em suas mãos.
–– Beba – disse ele, incentivando-a. – Você vai se sentir melhor.
Isso pareceu despertá-la. Wonder tomou um gole de água, mas suas mãos ainda tremiam tanto que metade da água havia sido derramada em sua blusa. Ela não pareceu se importar, ou ainda estava nervosa demais para perceber o que diabos estava fazendo. Eu apostava na segunda opção.
–– Muito bem, chega – disse.
E então eu me levantei e dei um tapa bem forte na cara dela. Wonder se levantou da cadeira num pulo, lançando um olhar raivoso em minha direção. Dei de ombros. O que eu podia dizer? Sutileza não era bem o meu forte. Quem precisava de respostas ali era eu, e ela era a única que poderia dá-las. O que ela esperava? Que eu fosse aguardar pacientemente até ela deixar de frescura e se recompor? Até parece!
–– Você não entende – sussurrou Wonder, soltando um pequeno suspiro e se sentando de novo.
–– Bem, é claro que eu não entendo – disse, revirando os olhos. – Se eu entendesse alguma coisa dessa merda que está acontecendo comigo, eu nem teria vindo aqui, não é?
–– Não é isso – disse Wonder, balançando a cabeça.
Eu estava prestes a rebater, mas Sam me lançou um olhar que me fez calar a boca rapidinho. Ele com certeza lidaria com uma mulher em choque muito melhor do que eu, então não custava nada deixar que ele cuidasse daquela situação sozinho. E daí se Wonder podia ler a mente dele e sabia exatamente onde ele queria chegar? Desde que eu pudesse ficar um pouco quieta e tivesse mais tempo para processar a informação, eu estava ok.
–– Muito bem, tome mais um gole de água – instruiu Sam. Wonder o obedeceu. – Agora respirei fundo algumas vezes, e nos conte o que te assustou tanto.
Wonder respirou fundo e me encarou.
–– Você sabe porque eu te salvei?
–– Porque eu estava me afogando? – perguntei, arqueando a sobrancelha.
–– Não. O que eu quis dizer foi: você sabe como eu sabia que você estava se afogando?
–– Eu devo ter gritado por ajuda – disse, dando de ombros.
–– Como você poderia gritar por ajuda se estava sendo empurrada para o fundo do mar?
Senti meus olhos se arregalarem novamente. Ela estava certa, é claro. Eu estava sendo puxada para cada vez mais fundo. Eu estava prestes a morrer. Como eu poderia gritar, se a água fazia toda a minha garganta arder? Se me deixava completamente apavorada? Se eu nem sequer conseguia respirar? Estremeci. Mas se Wonder não me escutara pedir ajuda, então ela... Não, não é possível. Meu queixo caiu novamente.
–– Bem, agora você entende meu dilema – disse Wonder, soltando um pequeno suspiro. – Eu não te vi, Quinn. Em momento nenhum eu vi você ser puxada pelas ondas. Em momento nenhum eu te ouvi gritar por socorro. Eu momento nenhum eu vi você emergir pra buscar ar.
–– Então como você sabia? – perguntou Sam.
–– Porque eu a ouvi. Ouvi uma garotinha falando sobre a Ariel. Ouvi uma garotinha dizendo que ia morrer porque as ondas estavam a puxando para o fundo do mar... Claro que eu achei isso estranho, porque não havia absolutamente ninguém perto de mim, e mesmo que houvesse, a música estava alta demais. O som vinha da minha mente, mas não era a minha voz.
Foi a vez do queixo de Sam cair.
–– Então você leu a mente dela, e por isso sabia que ela estava lá? – perguntou ele chocado.
–– Estou tão surpresa quanto você – disse Wonder, balançando a cabeça. – Veja bem, depois do que aconteceu eu realmente nunca parei para pensar sobre isso. Quando eu comecei a ler mentes, eu nem sequer lembrava que...
–– Que você já tinha lido antes mesmo de ser uma Reader – pronunciei-me pela primeira vez. – Isso não faz o menor sentido.
–– Não – concordou Wonder. – Não faz. Bate de frente com todas as teorias que já passaram pela minha mente.
–– Então a nossa morte talvez não tenha nada a ver com isso – comentei. – Talvez só sejamos muito sortudas.
–– Talvez... – disse Wonder, balançando a cabeça. – Eu preciso conversar com a S.
–– Quem é S.? – perguntou Sam, arqueando a sobrancelha.
–– É a outra Reader, não é? – adivinhei.
–– É como eu a chamo – concordou Wonder, passando as mãos pelo rosto. – Eu preciso conversar com ela. Talvez ela me ajude a solucionar isso.
–– E eu? – perguntei, sentindo-me um pouco ofendida. – Eu não posso ajudar?
–– Não me entenda mal, Quinn. Não é que você não possa nos ajudar, mas acho que é melhor você ter um tempo só para você. Eu sei como tudo isso é confuso. Mas vá aproveitar um pouco a sua vida. Vá ficar com a sua namorada. Preocupe-se com as provas da sua escola. Tenha uma vida normal, pelo menos por alguns dias. Se eu fizer algum progresso, prometo que entrarei em contato. Mas até lá, não há realmente nada que você possa fazer.
Soltei um pequeno suspiro e senti Sam apertar meu ombro.
–– Isso é uma merda – disse, balançando a cabeça. – Por que logo eu?
–– Não sei – disse Wonder. – No começo, eu também me fazia essas perguntas. No começo, eu via isso como sendo uma maldição. Mas então eu aprendi a controlar meu dom, e acabou se tornando algo bem útil.
–– Não me diga que você traz a pessoa amada em três dias – zombei, dando um risinho sarcástico.
Mas Wonder soltou uma grande gargalhada e balançou a cabeça.
–– A pessoa amada, eu não posso garantir. Mas você não sabe o quanto é divertido ouvir os problemas das pessoas que me procuram. E ajuda a me distrair dos meus.
–– Talvez eu tente isso algum dia – brinquei, levantando-me da cadeira.
–– Talvez – disse Wonder, sorrindo gentilmente em minha direção.
–– Qualquer coisa, você me liga, certo?
–– Ligo sim, Quinn Fabray.
–– Certo, Wondy – disse, fazendo-a rir ao escutar o apelido idiota. – Nós nos vemos por aí.
–– Até mais – disse Sam, sorrindo para ela e me acompanhando até a porta.
Finalmente esses dois saíram. A próxima cliente está esperando, e eles demoraram uma eternidade. É uma pena que o loirinho tenha que ir embora. Ele é tão lindo. E essa loira... Nem mesmo uma conversinha com a Wonder tirou esse sorrisinho arrogante do rosto dela. Que garota mais metida.
Aproximei-me da secretária, dando o meu melhor sorriso falso.
–– Cuidado com o veneno, queridinha. Um dia você pode acabar se picando, e seria realmente irônico ver uma cobra morrer envenenada – comentei.
Ela arregalou os olhos para mim e eu abafei o riso. Sam lançou um olhar de interrogação, mas eu apenas balancei a cabeça. Talvez Wonder estivesse certa. Talvez eu devesse apenas aproveitar a vida, e começar a me divertir um pouco com o meu "dom". Abri um grande sorriso.
–– Você está bem? – perguntou Sam, franzindo o cenho.
–– Sim – disse, dando de ombros.
–– Você não parece muito surpresa.
–– Honestamente, Sam, depois de tudo o que já me aconteceu, e de tudo o que eu ouvi hoje, eu realmente me sinto preparada para tudo.
Ele riu e abriu a porta do carona para mim.
Você é completamente estranha, Quinn Fabray.
–– Eu também te amo, seu panaca.
E eu percebi que enquanto fechava a porta e dava a volta pela frente do carro para entrar no lado do motorista, Sam não havia tirado aquele sorrisinho idiota do rosto.
Finn Hudson
–– Ei Rach, podemos conversar? – perguntei, aproximando-me dela enquanto ela pegava alguns livros em seu armário. O sinal do almoço tocara há pouco tempo e a maioria dos estudantes ia direto para o refeitório almoçar, mas não Rachel. Eu a conhecia há tempo o suficiente para saber que ela ia direto para o seu armário para não andar com peso na bolsa.
–– Ah, oi Finn – disse ela, corando ligeiramente. – Hum, sobre o que?
Senti-me mal por deixar Rachel sem graça. Será que a nossa relação seria assim, agora? Ela viraria o rosto para o seu olhar não encontrar o meu, e coraria todas as vezes que me visse passando pelo corredor? Bem, o que eu esperava? Eu me declarara para ela. Eu chorara na frente dela. E eu não me sentia mal. A conversa com o Puckermann realmente melhorou o meu humor, e embora ver Rachel ainda doesse um pouco, eu estava feliz por ela estar feliz, e para mim, era isso o que importava.
–– Sobre o dueto. Acho que devemos mudar a música. Tenho certeza que Quinn não gostaria que eu cantasse No Air com você, não importa o quanto a música seja bonita.
–– Concordo com você – disse Rachel, soltando uma pequena risada. – Você pensou em alguma coisa?
–– Na verdade, eu pensei sim. Você já escutou Together, da Demi Lovato?
–– Finn, essa música é perfeita! – disse Rachel animada. Dei de ombros.
–– Eu escutei na rádio um dia desses, e pensei "Bem, é isso que falta no clube do coral". Sabe, nós somos tão divididos. Mas no final, todos nós estamos no glee pelo mesmo motivo. Então porque não podemos nos entender?
–– Concordo plenamente – disse Rachel. – Somos diferentes, mas funcionamos bem juntos.
–– Uma equipe – concordei, abrindo um grande sorriso. – Meio esquisita, mas ainda assim, uma equipe.
Rachel sorriu e me abraçou. Abracei-a de volta.
–– Amigos? – perguntei.
–– Com certeza – disse ela sorrindo.
Não pude deixar de sorrir também. Eu tinha certeza que juntos, nós conseguiríamos tornar o clube do coral mais unido. Mas então o sorriso desapareceu do rosto de Rachel, e eu franzi o cenho.
–– Você está bem?
–– Sim – disse ela, dando de ombros. – É só que eu estou preocupada.
–– Com a Quinn? – perguntei. – Foi só alguns dias de suspensão. Não é nada demais.
–– Não é isso... É só que ela ainda não deu notícias hoje, e eu nunca fiquei tanto tempo sem saber dela.
–– Você já mandou mensagem?
–– Já, mas ela ainda não respondeu.
–– E você tentou o Sam?
–– O Sam? – perguntou Rachel, parecendo confusa.
–– É – disse, dando de ombros. – Ele disse que tinha uma coisa para resolver com a Quinn hoje, e pediu para eu cobrir ele no treino de futebol, caso não chegasse a tempo.
–– Ele disse que tinha uma coisa para resolver com a Quinn? Com a minha namorada? – perguntou Rachel, sua voz saindo um pouco esganiçada. Arregalei os olhos.
–– Meu Deus, Rach, eles são só amigos! – exclamei. – Acho que o Sam está afim de outra. Uma tal de Blair, você conhece? O cara não para de falar dela.
–– O que?! – exclamou Rachel, seu queixo praticamente batendo no chão.
–– Ele vive dizendo como ela é metida, e mimada, e chama muito ela de vadia.
–– Então ele a detesta – disse Rachel, parecendo confusa.
–– Não – balancei a cabeça. – Está na cara que ele gosta dela.
–– Não faz sentido.
–– Só as mulheres podem não fazer sentido? – perguntei divertido. – Acredite, Rachel, um cara sabe quando outro está afim de alguém.
–– Você precisa estar enganado. Sam não pode gostar da Blair!
–– Por que não? – perguntei. – Ela é muito feia? Acho que ele não se importa com a aparência.
–– Não é isso, Finn – disse Rachel, franzindo o cenho. – Essa garota é uma vadia. Eu não quero que o Sam se magoe.
–– Você a conhece? – perguntei surpreso.
–– Ela é irmã da Quinn – disse Rach, fazendo uma careta.
Não pude deixar de soltar uma grande risada. Afinal, qual era a do Sam com as garotas Fabray? Primeiro a estranha amizade dele com a Quinn, e agora ele estava de quatro pela irmã dela? Que coisa mais louca.
–– Não se preocupe com o Sam, Rach. Se ele sabe que essa garota é roubada, ele vai ficar longe.
–– Mas...
–– E se ele não ficar longe, não há realmente nada que você possa fazer. Sam é teimoso. Eu o conheço bem o suficiente para saber que ele simplesmente não vai te ouvir. Deixe ele por conta própria.
– Eu só espero que ele saiba o que está fazendo – disse Rachel, soltando um pequeno suspiro.
–– Provavelmente não sabe – disse, dando uma pequena risada. – Mas isso não importa realmente, ou importa? Ele e o Puck são muito parecidos nesse aspecto. Dois teimosos! Quando botam algo na cabeça, ninguém tira. O melhor é deixar o Sam se virar sozinho, e se tudo der errado, você vai estar ao lado dele para ajudá-lo. É exatamente isso que o Puck faz comigo.
–– O Puck não parece ser tão ruim quanto eu pensava – comentou Rach.
–– Por que você pensava que ele era ruim?
–– Bem, ele beijou minha namorada. Achei bem feito o empurrão que Quinn deu nele.
–– Espere aí – disse, estreitando os olhos na direção de Rachel. – Como você sabe que ela empurrou ele?
Rachel ficou pálida, e eu entendi.
–– Era você no vestiário! – exclamei, soltando uma gargalhada logo em seguida. – Bem que o Puck disse que aquela garota era baixinha demais para não ser alguém além de você.
–– Espere aí, como você sabe que eu estava lá? – perguntou Rachel, recuperando sua voz.
–– Quando a treinadora Sylvester nos expulsou, nós ficamos mais alguns minutos no ginásio. E vimos você e Quinn sair. Não vimos seu rosto direito, no entanto. Mas o Puck sempre me disse que era você. Pena que eu nunca acreditei.
–– Meu Deus – disse Rachel, corando furiosamente.
Balancei a cabeça ainda rindo. Aquela situação toda parecia hilária para mim, e eu não tinha ideia do motivo. Talvez eu só estivesse perdendo a cabeça, ou talvez eu só estivesse feliz, o que não fazia o menor sentido. Por que eu estaria feliz? Eu não deveria estar. Rachel me deu o fora, então eu deveria estar com raiva dela ou então deveria estar chorando e cantando músicas do Simple Plan, ou coisa assim. Mas no lugar disso eu estava ali, parado, conversando normalmente com ela como se ela nunca tivesse me dado o fora, rindo de mim mesmo e da minha estupidez. Eu realmente tinha perdido a cabeça.
–– Eu estou indo almoçar com o Puck – disse, ainda sorrindo. – Você não quer vir conosco? Talvez assim vocês possam se conhecer melhor.
–– Não acho que ele goste de mim – disse Rachel, fazendo uma careta.
–– Não seja boba – disse, revirando os olhos. – Por que não gostaria? E nós não queremos um grupo mais unido? Vamos, Rach, não custa nada!
–– Tudo bem – disse ela, fechando a porta do armário e fechando sua bolsa. – Mas se ele me ameaçar, eu juro que saio correndo.
Não pude deixar de rir.
–– Não se preocupe, baixinha. Se ele te ameaçar, eu te defendo. Ninguém toca na minha irmãzinha.
–– Irmãzinha? – perguntou Rachel rindo.
–– De hoje em diante, você é minha irmã – disse, passando o braço pelos seus ombros e rindo também. – Mas se algum dia você brigar com a Quinn, por favor, não me chame. Eu posso ser grande e forte, mas ela é muito mais intimidadora do que eu.
Nós dois rimos ainda mais e Rachel balançou a cabeça.
–– Ok, irmãzão – disse Rachel rindo.
E então eu soube que ali era o começo de uma grande amizade.
Santana Lopez
Hudson e Berry juntos andando pelo corredor com um arco-íris saindo de suas bocas? Estava muito claro que havia algo muito errado em tudo aquilo. A população gay do McKinley parecia crescer cada vez mais a cada dia... Primeiro o Hummel, depois a Berry, e então a Ice Queen... Mas o que a Fabray disse no clube do coral me deixou intrigada. Puckermann de coleira? Eu tinha absoluta certeza de que Puck não estava pegando ninguém, porque se estivesse não teria recorrido à Brittany e a mim. E ele só fazia isso quando 1) Queria um menáge (o que nunca mais iria acontecer e ele sabia muito bem disso) ou 2) Quando ele estava realmente desesperado. O que me levava a acreditar que ele só podia estar extremamente desesperado. Então talvez Ice Queen estivesse certa, e Puckermann estivesse mesmo de quatro por alguém. Mas quem seria?
Recapitulei a conversa do Hudson com a Ru Paul na minha mente e estreitei os olhos. Afinal de contas, por que o Finnútil estava tão feliz? Ele era muito burro para bolar qualquer plano para se aproximar da Rachel, o que significava que ele realmente queria ser amigo dela. E isso não fazia o menor sentido. Ele não deveria estar com o coração partido, ou algo assim? Quero dizer, eu realmente não sei o tamanho do coração de uma orca, mas deve ser realmente muito grande –– então ele não deveria passar semanas chorando, cantando canções super gay de como ele era inútil, burro e gordo?
Foi aí que a possibilidade me passou pela cabeça, mas era tão absurda que eu nem sequer a considerei. Finn Hudson e Noah Puckermann? Não. Aquilo era bizarro demais até mesmo para o McKinley. Respirei fundo. Na verdade, eu realmente não me importava com o relacionamento Faberry, e não ligava a mínima para os dois perdedores do time de futebol –– eu tinha meus próprios problemas em mente.
–– Oi Santy – disse Brittany, tirando-me de meus devaneios.
–– Ah, oi Britt-Britt – disse, abrindo um pequeno sorriso. – Como você está?
–– Bem – disse ela, dando de ombros. – E você? Tudo bem? Algum problema, Santy? Você parece um pouco preocupada.
–– Não é nada – disse, balançando a cabeça. – Só não quero ser pega.
–– Você não deveria estar aqui – disse Britt, franzindo o cenho.
–– Não – concordei. – Mas eu precisava ficar de olho em alguém.
–– Em quem? – perguntou Britt, arqueando a sobrancelha.
–– Na Fabray – deixei escapar, arrependendo-me logo em seguida.
–– Por que você precisa ficar de olho nela, Santy? – perguntou Britt, franzindo o cenho.
E agora essa, Lopez! Como você vai sair dessa sem contar à Brittany o que está acontecendo? Rápido! Invente rápido uma boa desculpa! Ela não pode desconfiar que tenha alguma coisa errada. Não... Brittany é inocente demais para lidar com isso. Se ela souber, ela vai surtar.
–– Hum... Não é nada demais, Britt-Britt – disse, dando um sorriso forçado. – É só que se ela estiver por perto, provavelmente vai querer partir para cima de mim ou algo assim. Você sabe, porque eu dei uns tabefes na Gaychel.
–– Você não deveria ter feito isso – disse Brittany, balançando a cabeça e me lançando um olhar reprovador. – Foi muito feio da sua parte, S.
–– Você tem razão – disse, sem nem ao menos ter prestado atenção no que Britt dissera. Porque Sam Evans acabara de entrar no McKinley, e se ele estava mesmo com a Fabray como o Hudson dissera, isso significava que a cosplay da Polly Pocket estava por perto. – Nós nos vemos depois, Britt.
Caminhei a passos largos em direção ao estacionamento. Eu precisava ter uma conversinha muito séria com Quinn Fabray.
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