Mind Readers

24 Capítulo XXIII


Notas iniciais
Então pessoal, eu sinto muito pela demora. Eu realmente não estava conseguindo terminar de escrever, mas finalmente consegui.
Eu acho que nunca mostrei para vocês quem é a Blair, então aqui vai uma foto dela:
http://www.thewallpapers.org/photo/34360/Emma-Robert-010.jpg
Para quem não reconheceu, é a Emma Roberts.

Capítulo XXIII

Madame Wonder

–– Nós precisamos conversar.

–– O que foi? Alguma coisa errada com a Fabray?

–– Não, S., não há nada errado com ela. Há algo errado com nós três. Eu acabei de descobrir que salvei a vida da garota. Acredita nisso?

–– Você salvou a vida dela? Como assim?

–– Quando ela era pequena... Eu a salvei. Ela estava se afogando e eu mergulhei no mar e salvei sua vida. Mas tem outra coisa.

–– O que é?

–– Eu sabia que ela estava se afogando porque eu a tinha escutado. Eu a tinha escutado, S.! Eu lera a mente dela antes de tudo isso começar!

–– Não faz sentido. Você tem certeza?

–– Absoluta – disse, soltando um pequeno suspiro. – Acho que esse mistério é muito maior do que imaginávamos.

S. ficou calada do outro lado da linha, provavelmente tentando entender a situação melhor do que eu. Era tão confuso! Nós pensávamos estar próximas de solucionar todo o mistério, e agora tudo o que tínhamos cogitado não passava de teorias ultrapassadas, embora talvez elas não estivessem tão longe da verdade.

–– E sobre a Berry?

–– Não conversamos muito sobre isso. Quinn estava na defensiva.

–– Se não estivesse, ela não seria a Ice Queen.

–– É um apelido idiota – comentei. – Ela é uma boa pessoa.

–– Eu sei – concordou S. – Mas isso não a torna menos teimosa ou irritante.

–– Pensei que a namorada dela que fosse irritante – disse rindo.

–– As duas são, mas a Berry é mais – retrucou S., rindo também. – Eu gosto delas. As duas não têm uma mente ruim. São só duas garotas perdidas, que não conseguem encontrar o seu caminho.

–– A Quinn eu entendo. Não somos muito diferentes dela.

–– Mas ela passou por coisas que nenhuma de nós duas passou.

–– Você quase foi assassinada, S. Como poderia ser pior do que isso?

–– E foi um acidente. O ladrão estava apenas fugindo. A bala nem deveria ter me atingido, de qualquer jeito.

–– Você salvou a vida daquela garota.

–– É curioso, você não acha?

–– Que eu salvei a vida da Fabray, que ela salvou a sua, e que você salvou a da namorada dela? – perguntei, soltando uma pequena risada. – É muito curioso. Não que isso me surpreenda, levando em consideração o que somos.

–– Eu só queria entender um pouco mais a Berry – disse S. Eu quase podia vê-la balançando a cabeça do outro lado da linha. Abri um pequeno sorriso.

–– Querendo entender a namorada da sua amiguinha?

–– Não enche, Wonder. Você sabe o que eu quis dizer. Você contou?

–– Contar o que? Quinn Fabray já sabe que a namorada é um grande mistério. Eu só resolvi não preocupá-la ainda mais.

–– Nós precisamos ficar de olho na baixinha. Eu sei que Rachel tem alguma coisa, e ela está muito entrelaçada nessa história.

–– Principalmente levando em consideração nosso alto índice de mortalidade – brinquei. – Sim, você tem razão. É melhor ficarmos de olho na garota Berry, e garantir que nada de ruim aconteça com ela.

–– Sim. Vocês conversaram sobre mais alguma coisa?

–– Eu não contei quem você é – disse. – Mas ela está curiosa. Se você quer mesmo se esconder, seja mais cuidadosa com seus bloqueios. E talvez você devesse voltar a colocar recadinhos no armário dela.

–– Aquilo era patético. Não sei porque você me obrigava a escrever aquilo. Uma mensagem anônima pelo Facebook ou pelo Twitter ia ser mais interessante.

–– Os jovens de hoje – resmunguei, revirando os olhos. – Só querem saber de Internet. Os recadinhos não foram patéticos, e volte a mandá-los. A Fabray precisa se distração, e não vai ser nada mal se ela começar a explorar o próprio potencial.

–– Você é quem manda, chefe.

–– Vai se ferrar – retruquei.

–– Logo depois de você. Preciso ir. Não estou sozinha no corredor. A gente se fala mais tarde.

E então, S. desligou. Revirei os olhos. No começo, eu achei muito ridículo da parte dela não querer se envolver com Quinn Fabray. Mas depois de conhecer a loira, eu meio que comecei a entender o motivo. Quinn era inteligente, bonita, mas extremamente teimosa. Se S. tivesse se apresentado logo de cara, Quinn provavelmente não confiaria nela. A garota realmente passara por muita mais merda na vida que eu e S., e podia ser bem intimidadora quando queria. Passei a mão pelo rosto. E aquele garoto loiro? Tão fofo! Atencioso, educado, bonito... Mas novo demais para você, Wonder. Encontre alguém da sua própria idade.

–– Stella? – chamei.

A minha secretária entrou na minha sala, seu rosto completamente branco. Ela estava assim desde a saída de Quinn Fabray. Franzi o cenho. Eu tinha pleno controle sobre os meus poderes, e aprendi a ignorar as várias vozes que invadiam minha mente diariamente. Eu costumava focar em apenas uma de cada vez, ignorando assim todas as outras. Portanto, eu realmente não prestara atenção nos pensamentos de Stella, mas agora que eu a ouvia, eles me pareciam muito cômicos.

Aquela loira é tão assustadora. Será que ela lê mentes? Meu Deus! Eu pensei coisas horríveis sobre ela! Se ela for como a Wonder, ela provavelmente vai me cortar em pedacinhos. Será que ela vai me perseguir? Seguir-me até minha casa e me esquartejar no silêncio da noite? Vender meus pertences no e-bay ou no Mercado Livre? Ela provavelmente deve ter uma conta em um desses sites de compra, porque só assim ela ia arranjar tanta tintura pra cabelo.

–– Stella, depois que a senhora Gillbert sair, você pode, por favor, cancelar todas as outras consultas?

–– Cancelar as outras consultas? – perguntou Stella, franzindo o cenho.

–– Sim. Surgiram alguns imprevistos e eu preciso resolvê-los. Você faz isso por mim, por favor?

–– Claro, Wonder. Pode deixar.

Dispensei-a com um aceno de mão. Stella tinha vinte e três anos, e aos dezessete fora expulsa de casa pelos pais por conta de uma gravidez indesejada. Ela me procurou para uma consulta, e eu acabei por lhe oferecer o emprego de secretária, que ela aceitou na hora. Infelizmente, Stella perdeu seu bebê. Foi depois disso que resolvi lhe contar o meu segredo, e de certa forma, nós ajudamos uma a outra a superar nossos problemas. Ela tem guardado meu segredo às sete chaves, e embora seja um tanto quanto arrogante, bem lá no fundo, ela é uma excelente pessoa.

A senhora Gillbert entrou na sala e sorriu em minha direção. Suspirei. Estava na hora de mais uma sessão de charlatanismo. Mas, ei!, ninguém é perfeito. Só porque eu leio mentes não significa que eu tenha contato com alguém do mundo espiritual, se isso sequer existe. Mas o que os olhos não veêm, o coração não sente.

Santana Lopez


Ela estava sentada no capô do carro. Seus braços estavam cruzados sobre o peito e ela me lançava um olhar penetrante, como se ela soubesse tudo o que estava passando pela minha mente. Estranho, porque nem mesmo eu sabia o que se passava comigo. Tudo bem, a minha desculpa para Brittany que eu estava procurando Quinn Fabray era uma furada. A verdade, e a única verdade é que eu estava ali por causa dela. Brittany fazia eu me sentir tão bem! Com ela, eu era uma pessoa completamente diferente. E se havia alguém naquele maldito colégio que podia me ajudar, esse alguém era, infelizmente, Quinn Fabray. Além disso, ela ainda me devia uma aposta, e eu estava seriamente considerndo a possibilidade de adiantar o prazo para que ela fosse cumprida. Agradar Brittany nunca era demais.

Parei na frente de Quinn e ela abriu um sorrisinho presunçoso, como se soubesse porquê de eu estava ali. Amaldiçoei-a mentalmente. Aquela vadia! Se não fosse por causa dela e sua maldita coragem de assumir sua homossexualidade, eu nunca estaria passando por aqueles problemas.

–– Caraminholas na cabeça, Lopez?

E então a idiota começou a rir. Fiz uma careta de nojo. "Essa garota tem problemas. Francamente! O que a mãe dela colocava no cereal? Merda?"

–– Eu juro que se você vier com essas porcarias de Harry Potter para cima de mim, eu quebro o seu pescoço – ameacei.

–– Como você sabe que é Harry Potter? – perguntou Quinn, arqueando a sobrancelha.

–– Brittany gosta – retruquei. – Ela me forçou a assistir. Mas é meio difícil prestar atenção em tudo quando se está ocupado demais vomitando. Honestamente, Fabray, a Britt eu até entendo. Ela é inocente, e até acredita em Papai Noel, mas você?

–– Harry Potter é legal! – retrucou Quinn.

–– Você está de sacanagem? Aquilo é ridículo! "Oh, eu sou o Harry Potter! Meus pais morreram e eu sou o cara mais gay e patético desse mundo todo. Eu tenho um amiguinho mais idiota que eu, e uma amiga mais macho que toda Hogwarts junta. Meu inimigo é um loirinho lindo, mas covarde. Eu tentei comer ele, mas ele arregou na hora H, e eu sou totalmente frustrado por causa disso. Oh, eu tenho tanto medinho do Lorde Das trevas! Ele é muito mais purpurinado do que eu. E aqueles olhos azuis? Oh! São tão mais azuis que o meu! Eu já mencionei que meu professor favorito morreu porque ele foi traído pelo amante? Ah, que absurdo! Snape, seu puto!"

E assim que terminei meu discurso numa voz muito fina, comecei a rir. Eu não podia evitar. Eu era muito hilária!

–– Cala essa boca! – disse Quinn irritada, fazendo uma cara emburrada.

–– "Cala essa boca"? Pelo amor de Deus, quantos anos você tem? Doze? Eu juro que se você começar a cantar Justin Bieber, eu passo meu carro acidentalmente por cima de você – disse, tentando impedir as lágrimas de riso de caírem do meu rosto.

–– Não há nada errado com Justin Bieber – retrucou Quinn.

Balancei a cabeça e me controlei. Finalmente eu consegui entender porque Quinn Fabray e Rachel Berry davam tão certo como um casal. Porque Rachel aparentava ter doze anos, e Quinn tinha essa idade. Patético! Só faltava ela me dizer que gostava do Disney Channel, que seu filme favorito era High School Musical e que sua ídola era a Hannah Montana.

–– Muito bem, Fabray, cresça alguns anos para podermos ter uma conversa entre adultas.

Fabray continuou com a carranca no rosto, mas eu sabia que agora iríamos parar de falar de coisas sem importância. Respirei fundo algumas vezes.

–– Você precisa cumprir a aposta, você sabe.

–– E que eu me lembre, o prazo é até a próxima sexta-feira.

–– Próxima sexta-feira? – perguntei, fazendo-me de desentendida. – Você está surda, Fabray? Eu disse esta sexta-feira.–– Nós duas sabemos que isso é mentira. Então "cresça alguns anos para podermos ter uma conversa entre adultas", Lopez.

Encarei-a irritada. Quem aquela vaca pensava que era para usar minhas próprias palavras contra mim? Suspirei. "Apenas vá direto ao assunto, Lopez. Se ela rir, você baixa o Lima Heights em cima da Polly Pocket. Simples assim".

–– Como você descobriu? – perguntei, cruzando os braços sobre o peito.

Quinn arqueou a sobrancelha.

–– Desculpe, eu não leio mentes – disse Quinn, abafando o riso. Lancei-lhe um olhar irritado, que ela fez questão de ignorar. – Como eu descobri o que? Que você é uma vadia? Porque isso é bem óbvio, Lopez. Acho que até a Brittany com toda sua inocência já percebeu isso.

–– Não. Como você descobriu que... Que estava... Que...

–– Que? – incentivou a Fabray.

–– Que estava apaixonada? – perguntei de uma vez e fechei os olhos, esperando pelas risadas. Mas elas não vieram.

–– Você sabe, Lopez. Eu sei que sabe.

–– Se eu soubesse, não estaria perguntando – retruquei.

–– Ou talvez você saiba, mas esteja procurando alguma coisa que a faça mudar de ideia. Você acha que conversar comigo eu vou dizer coisas impossíveis e você vai ficar tranquila porque não sente o mesmo, mas admita de uma vez, Santana. É muito mais fácil.

–– O que você falou não fez o menor sentido, Polly Pocket.

–– Pelo amor de Deus! Pode me chamar de Barbie, se quiser, mas Polly Pocket?

–– Sinto muito, Fabray, mas já tem uma Barbie nesse colégio, e ela é muito melhor do que você.

Quinn abriu um largo sorriso e descruzou os braços.

–– E você ainda me pergunta como eu descobri que estava apaixonada? Olhe para você, Lopez. Você literalmente baba quando fala da Brittany.

–– Eu nunca disse que era por ela! – retruquei.

–– E nem precisa. Está escrito na sua cara. Vocês não seriam as únicas, você sabe. Rach e eu também somos um casal, e ninguém mexe conosco por causa disso.

–– Porque você intimida as pessoas.

–– Como se você não fizesse o mesmo – disse Quinn, revirando os olhos. – Eu sei que perdi a aposta, mas eu realmente gostaria de dar um empurrãozinho em Brittana.

–– Brittana? – perguntei. – Que porra é essa, Fabray?

–– Você não apelidou Rach e eu de Faberry? Pois bem, Britt e você são Brittana.

–– Brittana – repeti. – Eu gostei.

–– Cante uma música para ela – aconselhou Quinn.

–– Não me diga que você cantou "One Time" para a Rachel – zombei.

–– Não cantei – disse a Fabray. – Mas se você quiser...

–– Vá se foder, Fabray – disse. – E cumpra sua parte da aposta.

–– Pode deixar, Lopez.

Abri um pequeno sorriso. Até que Ice Queen não era tão ruim assim.


Sam Evans

Eu perdi metade das aulas daquele dia, e não estava com a mínima vontade de ir para o treino de futebol. Por sorte eu pedira pro Hudson me acobertar. Eu tinha certeza que a treinadora Beiste ia ficar uma fera comigo, mas o que ela ia fazer? Tirar-me do time? Se ela fizesse isso, não haveria nenhum outro substituto para quaterback, e se Finn se machucasse não haveria ninguém para ficar em seu lugar.

–– Sam? – chamou alguém, batendo de leve no meu ombro.

Virei-me e vi Rachel parada logo atrás de mim com uma expressão confusa no rosto.

–– Oi Rach – disse sorrindo.

–– Eu pensei que você estivesse com a Quinn. Onde ela está?

–– Lá fora – disse, dando de ombros. – Eu tinha umas coisas para resolver, e como ela está suspensa, ela resolveu ir comigo e me ajudar.

Eu me sentia péssimo por mentir para a Rachel, mas que opção eu tinha? Quinn não contara a ela sobre seu "dom", e se ela não tinha feito isso, não era eu quem iria fazer. E se eu contasse que tinha ajudado Quinn a resolver algum problema, ela provavelmente surtaria, ou algo assim. Uma coisa sobre Rachel Berry: ela é muito ciumenta.

–– Nós precisamos conversar, Sam – disse Rachel.

–– Pensei que você quisesse falar com a Quinn – comentei, franzindo o cenho.

–– Eu quero falar com ela – disse Rachel. – Mas Quinn é minha namorada e não vai a lugar nenhum. E eu sei que você não faria o mesmo.

–– Eu não estou entendendo. Onde você quer chegar?

–– Eu quero conversar com você sobre a Blair.

–– A Blair? – perguntei, cruzando os braços e fazendo uma careta. – Por que você quer falar sobre essa vadia?

–– Porque você está apaixonado por ela.

–– O que? – perguntei, soltando uma risada. – Enlouqueceu, Rachel? Eu não estou apaixonado pela irmã da sua namorada!

–– Não está, Sam? – perguntou Rachel, arqueando uma sobrancelha. – Então você pode me explicar essa foto?


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Senti meu coração parar de bater no peito, e tinha absoluta certeza de que provavelmente estava corando.

–– Eu não reconheci logo de cara, com essa loira desse jeito. E você também está usando esse boné e esses óculos cobrindo metade do seu rosto...

–– Onde você achou essa foto?

–– No Facebook. Ainda está em um dos álbuns dela. E então eu me lembrei que você não é de Lima. Que você veio de Chicago. Chicado, onde Quinn e Blair moraram. Chicago, onde Blair foi para a Universidade. E então, Sam, você tem alguma explicação para dar?

Suspirei. "Bem, o que você esperava? Uma hora elas iam descobrir".

–– Rachel, Blair é minha ex-namorada.

Notas finais
As surpresas nunca acabam, não é? UHAUAHUHA. Espero que tenham gostando do capítulo! :D
E então, mereço reviews? *-*