Mind Readers

22 Capítulo XXI


Notas iniciais
A conversinha com a Madame Wonder... E então, estão preparados? UAHUAHUA :)

Capítulo XXI

Quinn Fabray

Aquilo só poderia ser uma brincadeira de muito mau gosto.

–– Sentem-se, meus queridos. Sinto que teremos uma longa conversa.

Mas eu não me sentei. Na verdade, eu sequer me movi. Fiquei apenas parada, a boca meio entreaberta, observando aquela mulher sentada numa cadeira não muito longe de mim. Seus olhos ainda não haviam se desviado dos meus, e eu pude sentir uma onda de arrepios percorrer meu corpo.

Quinn Fabray. Fico feliz em conhecer outra Reader.

Soltei um gritinho agudo e dei um salto para trás. Então eu podia ler a mente dela? Mas... Mas não fazia o menor sentido! Porque eu não a escutara antes? Ela é uma charlatã, Quinn. Ela está brincando com você. O único motivo de ela saber seu nome é porque você marcou uma maldita consulta, e essa invenção de Reader... Que diabos é isso, afinal? Essa maluca provavelmente só está inventando coisas para te deixar assustada, e você está caindo feito uma idiota. Ajeitei minha postura, fechei a boca firmemente e encarei a mulher, mostrando que de forma alguma ela iria me intimidar. Madame Wonder deu um pequeno risinho.

–– Sam, querido, será que você pode convencer sua amiga a se sentar? Creio que ela nem ao menos saiba o que ela é.

–– Eu sei muito bem o que eu sou, obrigada. Na verdade, sei o que todos nós somos: seres humanos. Ou vai me dizer que você veio de outro mundo? – perguntei sarcasticamente.

–– Ah... Não, não, eu sou da Terra mesmo. Mas não seja tão arrogante, Quinn Fabray. Depois de tudo o que aconteceu com você, é de se esperar que você tenha uma mente um pouco mais aberta e humildade, não acha?

–– Você não sabe de nada – retruquei, cruzando os braços com força sobre o peito. – Você não sabe quem eu sou, pelo que passei, e tudo o que você fala não passa de uma baboseira ridícula para enganar os tolos.

–– Quinn...

Foi a primeira vez que Sam se pronunciou. Sua testa estava ligeiramente franzida e ele parecia... Impressionado? Revirei os olhos. Ele não ia cair naquela conversa fiada, ia? Sempre julguei Sam muito mais inteligente que isso.

–– Eu disse que era perda de tempo, Evans.

–– Ela sabe nossos nomes – retrucou ele.

–– Porque marcamos uma consulta.

–– Ela sabe tudo o que você passou.

–– Não, não sabe. Ela disse que eu passei por alguma coisa, o que é extremamente vago. Não seja tolo, Sam, todo mundo passa por alguma coisa!

Madame Wonder se levantou, interrompendo nossa discussão.

–– Muito bem, Quinn Fabray, acho que teremos que fazer o teste.

–– Você só pode estar brincando – disse sarcasticamente. – Isso é patético.

–– Mas foi assim que você convenceu seu amigo de que estava falando a verdade.

–– E você disse coisas vagas e Sam já acha que você é a Rainha da Cocada Preta. Acorda, querida, ele acredita em qualquer coisa.

–– Ei! – disse Sam, parecendo ofendido.

–– É verdade – disse, dando de ombros.

–– Pense em alguma coisa sobre você que ninguém, nem mesmo este jovem formidável, saiba responder – disse Madame Wonder, ignorando meus comentários. – Vamos, Quinn Fabray. Abra sua mente.

Encarei a mulher. Ela não parecia ser tão mais velha do que eu. Quantos anos? Trinta, no máximo! E ela até que era bonita. Sua pele era morena e seus olhos eram castanhos. Seus lábios eram cheios, e ela era quase da minha altura, sendo talvez uns dois centímetros mais baixa do que eu.

–– Muito bem – concordei. – Uma coisa que só eu saiba. Uma coisa que eu nunca, nunca, contei a ninguém.

–– Sim – concordou Wonder, incentivando-me. – Pense.

Respirei fundo. Se ela lesse mesmo mentes, ela saberia meu segredo. Se não lesse, eu estaria segura. Aquilo era algo que eu guardara para mim, e nunca tivera a mínima coragem de compartilhar com ninguém. E eu estava tão certa de que Madame Wonder era uma farsa, que nem ao menos considerei a possibilidade de ela estar falando a verdade.

Eu vi um anjo –– pensei.

Madame Wonder sorriu.

–– Eu também, querida. Eu também vi um anjo. Faz parte do mistério, acredito eu.

Minha boca foi ao chão novamente. Não... Não, não, não, não, não! Ela tinha adivinhado aquilo! Nunca, nem em um milhão de anos, ela poderia acertar. De forma alguma... A não ser... Isso é absurdo, Quinn. Ela não pode ler mentes. Ela está te enganando. Ela não pode ler mentes, ela está...

–– Você pode pensar que eu estou te enganando quantas vezes quiser, mas ao menos me escute.

Sam puxou meu braço e me empurrou na direção da cadeira. Doeu. Aparentemente, eu realmente o ofendera. Lancei um olhar culpado em sua direção. Não era minha intenção magoá-lo, mas às vezes eu falo demais, principalmente o que não devo.

–– O que é um Reader? – perguntou Sam, ignorando meus olhares.

–– É o que eu sou. É o que sua amiga é. Nós podemos ler a mente das pessoas.

–– De todas elas? – perguntou Sam. – Qualquer uma?

Eu nem sequer estava zangada que ele estivesse fazendo as minhas perguntas por mim. A verdade é que eu ainda estava assustada. Durante tudo o que tinha acontecido, eu ainda não ouvira uma palavra sequer na mente da Madame Wonder.

–– Aparentemente sim – concordou Wonder. – Nunca vi nenhuma exceção.

–– Pois eu já – retruquei.

Só então reparei que meus braços ainda estavam cruzados. Apertei-os com mais força contra o peito, como se aquilo fosse me proteger de qualquer coisa que aquela mulher fosse me falar.

–– Sim, eu a vejo em sua mente. Rachel Berry, não é? Sua namorada.

–– Algum problema com isso? – perguntei em tom de desafio.

Madame Wonder suspirou.

–– Você precisa parar com esse péssimo hábito de desafiar as pessoas, Quinn Fabray. Nem todos vão começar a te atacar por causa de sua sexualidade. Como eu disse: nós, mais do que qualquer outro, precisamos ter a mente aberta.

–– Você disse que era bom conhecer outra – disse Sam, franzindo o cenho. – Então você já conheceu alguma além da Quinn?

–– Ah sim, eu conheci. Uma pessoa muito interessante, devo dizer. Mas acho que você, senhorita Fabray, deve saber disso.

–– Não sei do que você está falando – disse.

–– Acho que sabe sim, Quinn. Ou será que você não lembra?

Senti meu queixo cair novamente enquanto as lembranças surgiam em minha mente.


Flashback On


Meu primeiro dia no McKinley fora péssimo. Dois filhos de uma mãe jogaram raspadinhas em mim. Dá para acreditar numa coisa dessas? Raspadinhas! E aquele loiro, querendo se fazer de simpático, mas compactuando com os dois idiotas. Balancei a cabeça. Eu me vingaria deles. Dos três. Caminhei até meu armário, atraindo o olhar de várias pessoas. Era uma boa coisa eu ter pintado meus cabelos de rosa e estar vestida como punk, porque ninguém me reconhecia como sendo aquela garota da qual eles riram no dia anterior. Cheguei ao meu armário e abri a porta. Um pequeno bilhete caiu.

Não ligue para eles. São apenas um bando de idiotas.

Olhei ao redor para ver quem tinha escrito aquilo, mas não encontrei ninguém. E então, eu simplesmente deixei para lá.

*-*


Eu já estava no McKinley há uma semana, e outros bilhetinhos misteriosos haviam aparecido em meu armário. Eu tentava vasculhar as mentes das pessoas, mas eu simplesmente não conseguia encontrar quem havia me mandado aqueles recados. Será que havia alguém como eu? Será que eu não era a única? Reli os pequenos papéis mais uma vez.

Não ligue para eles. São apenas um bando de idiotas.

Eu achava mais bonito quando você era loira.

Você é tão rebelde. Isso vai te meter em problemas.

Eu sei que você precisa de ajuda, e eu posso te oferecer a minha. Mas para isso, você precisa me encontrar.

Descubra quem eu sou, Quinn Fabray.

Depois de um tempo eu desisti e simplesmente ignorei os bilhetes. E, um dia, eles pararam de chegar. Devia ser só alguém brincando comigo, afinal. Claro que não existia outra pessoa tão anormal quanto eu. Aquele era um fardo que eu deveria enfrentar sozinha.

Flashback Off

–– Espere aí! – exclamei surpresa. – Você está dizendo que eu... Que eu...

–– Que você não é a única que pode ler mentes no McKinley High? Sim, Quinn Fabray, é exatamente o que eu estou dizendo. Eu instruí essa pessoa a se aproximar de você, mas você simplesmente não parecia interessada. Então eu achei melhor esperar até quando você estivesse pronta. E aqui está você.

–– Quem é? – perguntei.

–– Na hora certa você saberá. Primeiro, acho que você precisa de algumas explicações.

–– Isso é insano – disse Sam, balançando a cabeça. – Eu disse que você não era a única.

–– Você estava certo. Desculpe, Sam.

E eu estava me desculpando por muito mais do que não ter acreditado nele. Sam balançou a cabeça.

Tudo bem, Fabray.

É um ótimo garoto. Você tem sorte de tê-lo como amigo.

E mais uma vez eu pude escutar os pensamentos da Madame Wonder. Mas dessa vez eu não me assustei.

–– Como você faz isso?

–– Prática – disse ela, dando de ombros. – Eu posso te ensinar.

–– Então a pessoa que lê mentes no McKinley... Ela também pode me bloquear?

Madame Wonder suspirou.

–– Sim, pode. Mas devo dizer, Quinn, que essa pessoa não é Rachel Berry.

–– Você não sabe disso – retruquei.

–– Sim, eu sei, porque você é a única que não pode lê-la.

–– Não faz sentido... O que você está querendo dizer?

–– Eu quero dizer que o outro Reader do seu colégio pode ler a mente de Rachel. A garota é fechada apenas para você.

–– Isso... Isso é normal? – perguntei baixinho.

–– Nunca aconteceu comigo – disse Wonder, soltando um pequeno suspiro. – Eu não sei dizer porque isso acontece, Quinn, e eu realmente quero entender. Mas não farei isso sozinha, assim como você não conseguirá desvendá-la sozinha.

–– Você acha que algum dia, talvez...

–– Talvez – disse Wonder, dando de ombros. – Como eu disse, não tenho conhecimento sobre o assunto.

–– Como isso aconteceu?

–– É complicado. Para cada pessoa é diferente. Mas todos nós temos algo em comum.

–– Todos vimos um anjo – disse, ligando os pontos.

–– Sim e não. Na verdade, nós morremos.

–– O que? – perguntei surpresa. – Eu nunca morri!

–– Não? – perguntou Wonder, arqueando a sobrancelha. – Nem mesmo quando você sofreu seu acidente de carro?

O choque quase me paralisou. Eu esquecera completamente daquilo! Sim, eu realmente morrera. Os médicos disseram por três minutos inteiros eu tinha morrido. E então, eles conseguiram me trazer de volta à vida.

–– Você teve um acidente de carro que fez seu coração parar de bater. Eu quase morri afogada. Os paramédicos me reanimaram, e disseram alarmados que por três longos minutos meu coração parara de bater.

–– E o outro Reader?

–– Ah, esse é o que tem a pior história. É uma pena... Mas essa pessoa quase foi assassinada.

–– Assassinato?! – exclamamos Sam e eu ao mesmo tempo.

–– Você só pode estar brincando – disse Sam incrédulo.

–– Nem pensar! – concordei com ele, balançando a cabeça.

–– É verdade. Não posso dar muitos detalhes, afinal não é a minha história. Essa pessoa vai contar tudo quando chegar a hora.

–– E o anjo? – perguntou Sam.

–– As pessoas chamam de experiência de quase morte.

–– Quase morte?

–– Acho que eles realmente não nos contam como mortos, já que nós "voltamos" à vida – disse Wonder, soltando um pequeno suspiro. – Geralmente as pessoas têm histórias diferentes, veêm coisas diferentes.

–– Mas não é o nosso caso.

–– Não.

–– Mas... Mas por quê?

–– Eu tenho uma teoria. Veja bem, todos nós morremos tentando salvar alguém.

–– E então, vimos esse anjo misterioso.

–– Você lembra da sua conversa? – perguntou Wonder, parecendo interessada.

–– Que conversa? – perguntou Sam.

–– A que eu tive com o anjo – disse, em voz baixa. – Sim, eu lembro. Ele disse...

–– Que às vezes algumas pessoas merecem uma segunda chance.

–– E essas pessoas recebem um dom.

–– E cabe a elas decidir como usá-lo. Pode ser para o bem...

–– Ou para o mau – complementei.

Madame Wonder e eu trocamos olhares. Suspirei.

–– Ainda não faz sentido.

–– Não muito – concordou Wonder. – Mas nós demos nossas vidas paras salvar outra pessoa.

–– Quem você salvou? – perguntei interessada.

–– Eu realmente não sei – disse ela, soltando um pequeno suspiro. – Eu gostaria de saber se aquela garotinha ainda está viva... Mas acho que nunca saberei.

E então, outra lembrança me veio a mente.

Flashback On

Era dia, e a praia estava lotada. Mamãe e papai levaram Blair e eu para alguma festa chata de um de seus amigos. Eu estava chateada porque Blair não queria brincar comigo, e porque mamãe não me deixava ir para o mar. Ele era tão bonito! Eu só queria chegar um pouquinho perto.

Soltei da mão de minha mãe, e ela nem ao menos pareceu perceber. Olhei para ela, mas ela estava ocupada demais discutindo com o papai... De novo. Era comum eles brigarem, e isso sempre me deixava assustada. Corri para o mais longe deles possível. Corri para o mar. Fiquei de joelhos na areia e sorri ao sentir a água do Oceano em minhas mãos. Levei-a à boca, mas era tão salgada! Comecei a tossir. E então, veio uma onda. Parecia tão bonita! Mas ela me derrubou. Eu tentei me levantar, mas outra onda veio e me puxou mais para o fundo. E meus pés não tocavam mais a areia. E eu tossia cada vez mais porque eu estava engolindo aquela água salgada, aquela água ruim. Minha garganta queimava. As ondas me empurravam para o fundo do mar, e eu me imaginei indo viver com a Ariel. Mas a pequena sereia não apareceu. Senti alguém me puxar e comecei a me debater. E então, eu perdi a consciência.


Flashback Off

Madame Wonder e eu pulamos da cadeira ao mesmo tempo.

–– Foi você! – gritamos ao mesmo tempo.

E eu senti que estava prestes a perder a consciência na presença daquela mulher mais uma vez.

Notas finais
UAHUAHUAHUAH, e então, o que acharam? Surpresos que a Wonder salvou a Quinnie? E esse Reader do McKinley... Quem será? E ainda tem a Rachel... Hum, muitos mistérios UHAUHA :B
E então, mereço reviews? Críticas? Sugestões? Reclamações? :D