MinarFic
19 Davien, o Intrometido
Resmungando de cansaço, Nick, Thugles e Arroiz pararam satisfeitos ao ver Sheddeer erguendo a mão para pararem, e desabaram no chão onde estavam. De costas para eles, o arqueiro analisou o terreno à frente deles. Eles haviam andado mais de três horas na densa e infindável floresta. Enquanto Manon era um dragão que não precisava ir para muito longe, Griffey era uma imensa criatura alada que poderia estar em qualquer lugar naquela região do centro da floresta. Por isso, Nuck apenas o mandou para o início da área de risco onde ele poderia estar, mas eles teriam que procurá-lo sozinhos. Como era quem mais conhecia a região, Sheddeer foi na frente, guiando-os. Não havia trilhas naquela parte da floresta, e ele precisava abrí-las com um facão, dando voltas pelas árvores e lutando contra subidas e declives que pareciam surgir do nada entre as folhagens.
Apesar de os outros três estarem caminhando atrás e estando apenas seguindo uma trilha já aberta, Sheddeer era o menos desgastado do grupo. Estava mais do que acostumado com florestas daquele tipo, e mesmo estando com a parte mais difícil que era abrir a trilha, ele nem sequer suava. O arqueiro tinha um excelente preparo físico e era extremamente resistente, mais até que Davien ou o próprio Arroiz, que estava mais acostumado à paisagem dura e árida de Perion, e tinha pouca experiência com florestas. Mas ele estava determinado a não reclamar, e aquela era uma boa maneira de se adaptar ao novo clima. Sendo tutor de um fórum que ficava ao lado da maior floresta conhecida no mundo, era bom que soubesse lidar com aquele tipo de terreno. -Estamos quase chegando — disse o arqueiro depois de vários quilômetros de caminhada lenta e difícil, e imediatamente os outros três se animaram. Sheddeer não era do tipo que dizia "estamos chegando" duas horas antes de faltar três horas pra isso realmente começar a acontecer. Realmente, cerca de quinze minutos depois eles chegaram em um ponto onde as árvores começavam a ficar mais espaçadas, em um lugar onde chão se elevava em um suave morro não muito íngreme e completamente destituído de árvores. Virando-se para eles, Sheddeer acenou para que parassem na borda do morro, e eles não precisaram de um segundo convite. Enquanto descansavam, ele subiu na árvore mais alta que encontrou para explorar o morro diante dele. A elevação subia suavemente como uma rampa, até chegar a uns quinze metros de altura. O topo do morro era incrivelmente plano e com área maior que quatro quarteirões, criando um enorme espaço plano com grama curta. Sheddeer sabia que, visto de cima, aquilo se pareceria com um gigantesco espaço liso e sem árvores no meio na floresta. Entretanto, apensar de silencioso, o morro não estava vazio. No centro dele, uma "almofada" de pelo menos meia tonelada formada com galhos e folhas estava cuidadosamente arranjada e organizada em um círculo. Alguns metros mais adiante, ele viu duas outras estruturas como aquela, apesar de menores. Tendo certeza de que estava no lugar certo, ele voltou para o pequeno acampamento onde uma fogueira acesa já começava a ferver água para cozinhar parte das provisões que tinham. -E aí, o que você descobriu de bom? — Thugles perguntou, cuidando de uma panela onde algumas coxas de galinha assavam lentamente. O arqueiro sentou-se com as costas num tronco de árvore e suspirou. -É realmente o ninho do Griffey. Três "camas" de palha, pro caso de algum delas ser destruída pelo vento ou chuva, ou ficar desconfortável. E isso também dá a impressão de que existem mais animais morando ali, portanto, afasta os curiosos e deixa-o livre para caçar. -Só que quem está caçando agora somos nós — Nick devolveu, embora um pouco distraído. Estava mais concentrado na pequena panela cheia de comida que ele achava que fervia muito devagar. E ele ficou ainda mais certo disso quando Thugles escolheu aquele momento para tirar a tampa por alguns segundos e jogar um pouco de algum tempero picante na panela. -Agora eu sei por que o Davien não está aqui. Ele iria encher o saco perguntando "já estamos chegando? Já estamos chegando?", isso se ele se animasse a fazer o percurso todo. Nuck quis dar um fardo a menos pra gente carregar. -Ele teria sido muito útil aqui — Nick retrucou, desistindo de olhar a panela — Poderia abrir a trilha com aquela polearm em poucos segundos. Thugles balançou a cabeça. -É mais provável que ele se recusasse a fazer isso. Diria que a polearm dele é nobre demais pra ser usada como facão de cortar mato ou coisa assim. Arroiz continuava calado, recuperando-se do longo trajeto. Ele ainda não estava completamente enturmado e não achava muito certo ver o pirata falar do guerreiro daquela maneira. O rapaz sabia que, quando a verdadeira invasão chegasse, seu antecessor seria o Warrior que mais causaria baixas nos inimigos. Mas ele ainda não conseguia distinguir quando eles falavam sério de quando estavam brincando. Ele ficou satisfeito quando Sheddeer balançou a cabeça negativamente e interveio. -Ele não poderia usar a polearm pra abrir a trilha, mesmo se quisesse. As árvores aqui são grandes e próximas demais pra ele poder manejá-la com precisão. Se ele tentasse, ela iria ficar presa nos galhos e nas folhas, e mesmo se ele não fizesse nada, seria duas vezes mais trabalhoso transportá-la.
-Como eu disse, um fardo a menos — Thugles disse, dando de ombros — Por isso ele foi sozinho, enfrentar o Manon, pra chatear só a si mesmo. Por falar nisso, como será que ele está agora? Arroiz, vendo que a conversa estava passando por um rumo mais agradável, decidiu se manifestar. -Ah, ele deve estar bem. Eu o vi derrotando dois Balrogs Jr. seguidos sem levar nenhum arranhão. Vai ser uma luta bem sangrenta, mas ele dá conta. -Eu estava me referindo ao Manon — Thugles o olhou com uma leve pontada de tristeza — O Dave eu sei que está bem e feliz da vida. Só espero que ele não seja muito cruel com o bichinho, coitado. -Bichinho? -Perto do Davien, qualquer dragão cuspidor de fogo é um bichinho — Nick disse lutando para se manter sério diante da cara espantada de Arroiz. "Ele ainda tem muito que aprender sobre a gente", pensou, segurando o riso. Sheddeer deixou a situação se descontrair por mais alguns minutos antes de se aprumar melhor no tronco. -Bichinho ou não, enfrentar o Griffey não vai ser assim tão simples. Manon pode ser muito forte, mas Davien tem a vantagem de a coisa ser apenas uma luta corpo a corpo, algo com que ele sabe lidar muito bem. Para nós, vai ser uma coisa completamente diferente. -Como assim? — Thugles quis saber, sentando-se ao lado dos amigos. Todos prestavam atenção no arqueiro. -Bem, pra começar, quem aqui já viu um Griffey? Nick e Thugles levantaram as mãos. -Sem ser nos quadros da seção Fanart — ele acrescentou calmamente. Os outros dois abaixaram os braços. -É exatamente essa a questão — ele disse sem sorrir — Os quadros sempre mostram ele como um belo cavalo de seis metros de comprimento com penas brancas e bico de pássaro, não é? -Mas são apenas lendas — Thugles respondeu enquanto os outros assentiam — Sabemos que as pessoas muitas vezes exageram em criaturas assim. -É verdade — Sheddeer concordou — O que vocês vêem nos quadros é uma mentira. Podem até ter sido assim antigamente, mas é impossível que Griffey tenha tamanho. -Uma preocupação a menos — Thugles falou, mas tanto Nick quanto Arroiz discordaram. -Nem sempre o tamanho faz muita diferença. O que importa é a força e a determinação do lutador na batalha. Ser grande até ajuda, mas se você não souber usar isso como uma vantagem, é o inimigo quem acaba fazendo isso — disse o guerreiro, sabiamente. Sheddeer o encarou. -Fico feliz que pense assim — ele fez uma pausa e todos olharam para ele — Porque, como eu disse, Griffey não mede seis metros. O mínimo que ele deve medir é dez... não, doze metros. Minúsculo, se comparado à envergadura das próprias asas. Fez-se um pequeno silêncio perturbado apenas pelas borbolhas do caldo na panela. Arroiz apenas encarava o arqueiro, e Nick assentia com cara de "
-Não tem como ele saber que a gente colocou a armadilha ali — ele disse, numa tentativa de aumentar a confiança dos demais. Eles ficaram em cima de uma árvore, onde poderiam ver o local sem serem vistos. Passaram-se vários minutos, e eles já começavam a reclamar e sentir o desconforto que era ficar parado no mesmo lugar por várias horas seguidas. Sheddeer, acostumado a ficar parado muito mais do que isso em situação muito mais desconfortável, não emitia um pio sequer. Duas horas se passaram. Depois outra... -What in Oblivion is that? Eles esperavam ouvir o animal antes de ele chegar. Imaginavam que teria algum grito triunfal anunciando uma entrada onde ele apareceria no horizonte com as asas abertas, em uma posição em relação às nuvens que tornaria o cenário perfeito pra uma foto. Mas ele meramente surgiu de repente por cima das árvores, e começou a rodar em círculos ao redor da planície. As cabeças dos tutores também, enquanto acompanhavam fascinados o movimento da criatura. Sheddeer estava certo: ele media, pelo menos, uns dez metros, embora não fosse tão grande quanto imaginavam. O corpo parecia uma mistura engraçada de pássaro e centauro: tinha quatro cascos de cavalo e cauda com ponta peluda, mas seu corpo era coberto de penas marrom-escuras, mas ele não tinha nada do "imponente pássaro galante" que era ouvido nas lendas. Quando ele passou particularmente perto da árvore onde estavam(Arroiz ergueu o machado, alerta — "Seu retardado, guarda essa merda, não adianta nada"), eles puderam ver que as penas eram amassadas e amarrotadas, várias delas torcidas em ângulos estranhos e cobertas de sujeira e folhas da floresta. A cabeça seria uma parte muito bonita: grande, redonda e coberta de penas brancas... Ou pelo menos, haviam sido. Agora elas estavam cinzentas por causa da sujeira, e o bico amarelo era torto, grande e com a ponta quebrada. Os olhos eram muito pequenos, e não era possível vê-los claramente. A única coisa "limpa" no animal parecia ser o chifre que se projetava da testa, começando com a largura de uma perna, afinando-se até chegar a uma ponta afiada. Ele tinha o comprimento de uma espada longa, e era de um branco brilhante que emitia um leve brilho quando tocado pela luz do Sol que se punha. Ele deu mais umas duas voltas, parecendo certificar-se de que não havia ninguém por ali. Agora ele olhava para o chão, parecendo estar escolhendo qual das camas usar. Finalmente, como Thugles previra de brincadeira, ele escolheu a cama com a armadilha. Assim que as patas de cavalo tocaram o solo, estacas quase do tamanho do pássaro surgiram do ninho, prendendo-o ao chão. Surpreso, ele bateu as asas freneticamente, o vento espalhando a palha movendo a grama como as pás de um helicóptero. Mas as estacas de gelo prendiam o corpo no solo com firmeza. -Cara, não acredito — Nick comentou, animado. Thugles olhou para ele. -E você fez tudo aquilo esperando que falhasse? -Não, mas... Cara, deu certo! Tipo... FUNCIONOU! Eles desceram da árvore, satisfeitos com o resultado. Chegaram até a ter pena do pobre pássaro — chegando em casa depois de um longo dia, caindo em uma armadilha daquelas sem chance de se defender. O sangue, tão precisoso para Duh, escorria por toda a parte. E os gritos de Griffey, de dor e sofrimento, eram agudos e chegavam a doer os ouvidos. Finalmente, ele ergueu a cabeça e deu o grito mais alto de todos, que foi gradativamente baixando de volume até silenciar e ele morrer, finalmente derrotado. -Então é isso — disse Thugles, olhando a cena — Como a gente vai fazer, então? A gente coloca o potinho em um buraco, e espera ele... Ele quase pulou de susto quando ouviu outro grito de Griffey. E dessa vez, aconteceu a entrada triunfal que todos esperavam. Um segundo Griffey, menor e mais furioso que o primeiro, apareceu com as asas abertas e berrando furioso, como que protestando pela morte do companheiro. Sem perder tempo, ele voou em direção aos quatro tutores, três deles ainda encarando o pássaro sem acreditar... Ele virou a cabeça para o lado repentinamente, voando para longe deles quando a primeira flecha de Sheddeer atingiu-o na cara. Não era mais do que um pequeno espinho para ele, mas sua pele não chegava nem perto da dureza e impenetrabilidade das escamas de Manon. A flecha perfurou a carne quase até a outra ponta — e o veneno na ponta dela aumentou ainda mais a dor. Griffey voou, ficando novamente acima deles. Desmascararam outra mentira: o vento provocado por suas asas era forte, mas não o suficiente para jogá-los no chão ou impedí-los de se mover. Ele rodou mais um pouco em círculos antes de partir novamente para um segundo ataque. Dessa vez, Nick também entrou em ação. Conjurou uma lança de gelo e atirou-a na direção do pássaro. Errou feio, mas Arroiz partiu pra cima dele com o machado. O guerreiro não teve muito trabalho pra desviar do chifre, e conseguiu dar uma machadada na cabeça do pássado. Ele conseguiu sentir o crânio se partindo sob sua arma, depois usou o escudo para absorver o impacto da cabeça em si. O animal gritou de dor, e Sheddeer aproveitou para colocar outra flecha no ferimento aberto pelo guerreiro. Ele caiu no chão, recebendo mais uma chuva de golpes de Arroiz, flechas de Sheddeer e ataques mágicos de Nick. E Thugles também ajudava com alguns tiros, embora não pudesse fazer muita coisa. A luta parecia estar decidida — quando Griffey resolveu usar seu lado cavalino. Empinou exatamente como um cavalo, e enquanto os quatro se perguntavam em que diabos aquilo iria ajudá-lo, ele jogou-se para a frente, tentando pisá-los com o casco. Arroiz e Sheddeer, naturalmente, rolaram para um lado e evitaram a imvestida. Nick foi mais lento e foi atingido, e Thugles fez o que era típico dele: escolheru aquele momento para atacar com a espada. Explicando com outras palavras, ele atacou um casco de cavalo que era quase duas vezes maior que ele com uma espada que teve o efeito de um chute na canela — em resposta, levou um chute que o jogou longe. O pássaro gritou mais uma vez, mas estava acabado. O dano na sua cabeça era grande demais, e Arroiz, assim que rolou para o lado, voltou a desferir golpes, e Sheddeer continuava atirando flechas. Nick se recuperou rapidamente e lançava lanças que eram o que mais causava danos, até o pássaro desistir e voar novamente. -E agora? — Thugles quis saber, fazendo uma careta de dor ao se levantar. Sheddeer olhava para cima. -Talvez ele vá embora. Mas nossa missão já acabou, precisamos coletar o sangue daquele Griffey. Vamos... -Meu Deus... Foi quanto eles entenderam por que havia três ninhos naquela planície: o Griffey dos pensamentos de Sheddeer havia chegado. Aquele, sim, era um Griffey das lendas. Era sujo, mais ainda assim menos que os outros dois e mais lustroso. Era bem uns dois metros maior, também. E ele tinha algo incomum para um pássaro: uma corrente em volta do pescoço, com um medalhão vermelho que certamente indicava algum tipo de cargo superior dos pássaros ou coisa assim. E enquanto eles olhavam, o medalhão de rei dos Griffeys do Rei dos Griffeys começou a brilhar, lançando uma luz vermelha em direção ao companheiro ferido. Era, obviamente, uma magia de cura, pois o pássaro voltou-se paraa eles ainda mais furioso do que antes. Ele olhou por um segundo para o terceiro Griffey, mas aquele já estava morto e não tinha como fazer nada. Então, grasnando como um verdadeiro pássaro, ele investiu na direção dos companheiros. Dessa vez, não haveria como desviar usando as manobras de antes. Sheddeer disparou algumas flechas avidamente, mas isso não os impedia. E, antes de tocar os companheiros, o Griffey maior ergueu-se repentinamente no ar, usando um casco para chutar Nick bem na cara. O rapaz cambaleou um pouco, atordoado e sangrando. -Estou bem — ele se apressou a dizer ao sentir um par de mãos segurá-lo apressado, mas ficou agradecido por isso. Estava tonto e ligeiramente desconcertado, e os inimigos preparavam-se para outro ataque — Espera, tive uma idéia. Me dêem cobertura! "Me dêem cobertura" significava "Torçam para que eles ataquem vocês e não eu", mas ele acabou conseguindo fazer uma Torre de Gelo Temporária. Era um círculo no chão que conferia poderes extras de gelo, e quando o Griffey menor tentou investir novamente, Nick disparou todo o poder em volta dele. Ao redor do círculo, pedras de gelo quebradas e pontudas rodeavam, impedindo que ele avançasse. O frio que saía delas também era, de certa forma, mágico. Eles poderiam quebrar aquilo facilmente com uma boa cabeçada, mas não era tão inteligentes e seus instintos lhes diziam para tomar cuidado — não sabiam se havia algum truque escondido ali. Uma coisa que o Griffey menor aprendera naquele dia — e devia ter contado ao maior por meio de grasnados — era a esperar manobras inesperadas por parte daquelas quatro pessoas. Como não poderiam atacar mais com investidas, o Griffey maior abriu o bico, e um raio surgiu do céu e atingiu o chão perto deles. Surpresos, eles recuaram. A Torre de Gelo os protegeu, mas não teria como se defenderem por muito mais tempo. -Pelo amor de Deus, ninguém aí sabe Dragonrend? — Thugles gritou para os companheiros. Agora os Griffeys simplesmente ficaram no ar, enquanto o primeiro disparava raios esperando que os atingisse. -Continuem atacando — Nick ofegou. Ergueu os braços para cima e apontou a varinha para o céu, conjurando uma tempestade de raios. Alguns atingiam os Griffeys, entretanto, eles não pareceram muito machucados. -Eles resistem a eletricidade — Sheddeer lembrou — Arroiz, você não consegue pegar o sangue daquele Griffey enquanto nós distraímos ele? É só disso que precisamos. Não tem necessidade de ficar aqui e derrotar os outros. O guerreiro assentiu, e correu para o corpo do pássaro. Assim que saiu da relativa segurança da Torre, o Griffey menor correu para impedí-lo. Tentou outra chifrada, mas Arroiz rolou para o lado e, assim que se levantou, deu uma machadada que veio de cima pra baixo no chifre. Esperava partí-lo em dois, mas tudo o que aconteceu foi uma ressonância de metal batendo em uma coisa igualmente dura, sem qualquer dano no pássaro. Ele ergueu um casco e chutou o guerreiro, que ergueu o escudo para se proteger. Depois levou outro chute, e outro, até que percebeu que estava embaixo de Griffey, que apenas tentava pisoteá-lo enquanto ele se desviava. Pensando rápido, ele jogou o machado para cima de tal forma que a lâmina raspou o pescoço do pássaro e voltou para ele. O animal ergueu a cabeça violentamente, e Arroiz aproveitou para jogar o machado de novo. Foi outor golpe bem-sucedido, mas o pássaro levantou vôo e juntou-se novamente ao seu superior, que parou os raios para lançar a magia curativa novamente. Aproveitando a deixa, Arroiz correu para o objetivo — mas o processo de cura de aves não demorava muito tempo. E dessa vez, quem veio foi o próprio Griffey com o medalhão. Ele aterrissou com estrondo na frente de Arroiz, e gritou para ele em desafio. E para surpresa do guerreiro, o plano do pássaro era usar o próprio chifre como espada. E um pássaro tentando agir que nem guerreiro, contra o próprio Tutor Warrior(escolhido na frente do Davien, não se esqueça) foi um desafio que ele encarou quase como uma ofensa u_u. Ele golpeava com o chifre para todos os lados, mas aparentemente, esperava já ter perfurado o guerreiro há muito tempo. Inimigos sempre pensam assim. Seja como for, ele não esperava ter que aguentar os golpes daquele rapaz, nem que ele conseguisse sobreviver por mais de um minuto. Seja como for, Griffeys nunca foram conhecidos por sua paciência e habilidades em usar o chifre como espada. Impaciente, ele recuou um pouco, e abriu o bico o máximo que conseguiu. Dessa vez, entretanto, o grito saiu junto com um raio — azul-metálico, estrondoso, milhares de volts apontados diretamente para o guerreiro. Ironicamente, foi a mesma coisa que aconteceu com Manon e seu sopro de fogo em Davien. Ele esperava ver uma belo exemplar de Torradinha Gostosa, mas em vez disso, ganhou uma machadada bem dada na corrente. O medalhão caiu e Arroiz, rápido como o raio que o atingira, o pegou. Mas, pelo que parecia, a habilidade de cuspir raios não era por causa do medalhão, porque o pássaro atacou novamente. Arroiz ergueu o machado e o dano foi nulo novamente. Talvez Griffey tivesse pensado "Não, porra, não é possível, eu descarreguei meu raio nele e não aconteceu nada? Eu devo ter pensado que disparei o raio, é isso. Acho que não disparei, vou tentar de novo...", porque mesmo vendo que não surtiu efeito algum, ele tentou a mesma coisa. E pagou o preço pela teimosia.
Um pedaço do bico de Griffey caiu no chão, e a dor pareceu ter sido imensa. Ele se levantou e voou para o céu, dessa vez, sem o medalhão(que tinha o tamanho de uma cabeça humana) que o curaria. -Cara... Como você faz isso? — Thugles comentou, impressionado, quando o guerreiro voltou para a Torre carregando alguns frascos de sangue. Até Sheddeer olhava diferente para ele agora. Mas ele simplesmente deu de ombros. -Precisamos sair daqui — ele disse, desencorajando mais perguntas — Nick, você não consegue nada que possa desviar esses raios, pra vocês poderem passar? Porque não sei se vamos... Ele não teve tempo de terminar a frase — um Griffey raivoso cabeceou contra eles, ignorando a torre de Nick. A torre absorveu grande parte do impacto, mas se desfez em pedaços de gelo quando o pássaro maior simplesmente a atravessou. A raiva agora era evidente nos olhinhos dos dois Griffeys. Agindo como bestas irracionais, pareciam ter decidido simplesmente atacar sem se importar com a dor. Quando matassem os invasores, poderiam recuperar o medalhão e voltar tudo ao normal. Arroiz já estava em posição de defesa, Iria golpear o Griffey na cabeça assim que ele viesse — e o pássaro também sabia disso — embora soubesse que, cedo ou tarde, seriam vencidos se continuassem a lutar. Teriam que fugir, mas o Griffey cuspidor de raios jamais deixaria seus colegas saírem vivos dali... O Griffey menor vinha em direção a Arroiz. Ele esperava receber um golpe de machado na cabeça, esperava o machucado, um golpe de uma lâmina tão pequena(em comparação ao tamanho dele) que ele quase zombaria do ataque. -AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRRRRRHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ele ouviu o rugido, e recuou vários metros quando recebeu o golpe. Mas não era nem de longe o que esperava. A lâmina havia partido seu crânio, dessa vez, um dano muito maior e irreparável naquelas condições. Com a cabeça inteira explodindo em dor, sua última visão foi uma lâmina imensa, maior que sua própria cabeça descendo em direção ao seu corpo. Ele não chegou a sentir o impacto do seu peito ao atingir o chão. Ignorando os companheiros, Davien voltou-se para o Griffey maior, que ainda investia. Ao ver o novo oponente, ele parou, olhando para ele com o olhar um tanto confuso. Aquele rapaz não era muito diferente dos outros quatro que estavam ali, mas a arma que ele segurava era tão alta quanto ele. Achando que finalmente encontrara um oponente digno, ele empinou e se preparou para o ataque. Mas Davien não estava com saco pra isso. Já havia derrotado Manon em um combate, e agora tudo o que queria era deitar em uma cama e ficar por lá até o dia seguinte. E ele simplesmente não se achava digno de combater passarinhos. A parte de baixo de Griffey era mais dura, por isso, ele conseguiu resistir ao primeiro ataque da polearm, mas a dor, dessa vez, fora imensa. Davien recuou a polearm para preparar mais um ataque, e a criatura percebeu que estava diante de um adversário que não poderia vencer. -CARA, SAI DAÍ! — Thugles berrou, mas era tarde demais. Griffey abriu a boca e disparou seus raios mais uma vez. Felizmente, Davien estava sem sua armadura de gelo — não achou que fosse precisar dela, e estava cansado desde a luta com Manon -, porque ela poderia representar uma desvatagem fatal contra a eletricidade. Mas ele não sabia dos raios, e Griffey aproveitou a oportunidade. Instintivamente, ele recuou. Todo o seu corpo pareceu gritar de dor quando a descarga o atingiu em cheio — mas, curiosamente, ele não morreu. Então ele sentiu um braço em seu ombro e viu Nick ajoelhado ao lado dele, erguendo a varinha para cima. Ela brilhava e disparava um raio na direção do céu. -Rápido, cara — grunhiu, e foi aí que o guerreiro se deu conta do que estava acontecendo. Sendo um mago especializado em magias de gelo e eletricidade, Nick estava usando sua própria magia e varinha como pára-raios. Griffey cessou a descarga e se deparou com a segunda pessoa a não virar torrada diante de seus raios. O leve momento de incredulidade foi tudo o que Davien precisava para atingir a cara dele com a polearm e, depois, dar à cabeça dele o mesmo destino que a de Manon. Só que dessa vez, não havia nada da honra e da poesia que havia sido no combate anterior. -Não basta eu ter que enfrentar o mais forte — ele ralhou, colocando a polearm no ombro com displicência — Ainda tenho que vir aqui fazer o trabalho de vocês? -Também estamos felizes em te ver — Nick retrucou, sorrindo — Sério, de verdade. -A gente teria morrido se não fosse por você — Arroiz completou. -Ah, isso não foi nada. São minhas obrigações como tutor Warrior, elas ainda não saíram de mim... Sabe... Arroiz sorriu. -É, sei. Bem, não vamos mais perder tempo. O Duh pode estar morrendo agora mesmo, precisamos... Mas Davien ja erguia a mão, revirando os olhos para cima. -Ah, ele que se foda. Eu quero voltar pra casa e dormir. Falem pro Nuck que eu mandei lembranças... Eu vou pro fórum mesmo, mas mesmo assim. -Ei, o fórum é pra lá — Thugles lembrou com um sorriso torto, vendo que o amigo ia para o outro lado. Davien nem sequer olhou para trás. -Vou lá pegar o sangue do Manon. Quando esses passarinhos berraram que nem loucos e eu vim atrás de vocês, tive que deixar o sangue dele no caminho. Vão indo na minha frente. -Foi realmente muita sorte — Arroiz comentou, enquanto coletavam o máximo que podiam de sangue — Se ele não tivesse vindo... -O que importa, é que ele veio — Sheddeer disse sabiamente — E nos salvou. Agora só precisamos encher esses sacos de sangue. Eles estavam com vários sacos de plástico para fazer a coleta, e já se preparavam para ir embora quando ouviram outro grasnado. -Ah meu Deus, tem mais? — Thugles perguntou desesperado, procurando avidamente pelo céu. Nick e Arroiz também olhavam ao redor, alertas. -Deve ter sido só um pássaro — disse Arroiz, por fim — Se fosse um Griffey, já teria vindo. O que você... hã... Ele parou de falar ao ver a expressão de Sheddeer. -Sheddeer? — Thugles chamou, e o arqueiro ergueu um braço pedindo silêncio. Seus olhos estavam arregalados, e ele achou que o corpo dele chegava a tremer. Algo assustador para Thugles e Nick, que nunca o tinham visto tão assustado. -Eu acho... eu... O grasnado se repetiu, e dessa vez, pegando todos de surpresa, Sheddeer correu como eles nunca haviam visto antes — para o meio da floresta. -Sheddeer, seu maluco, aonde cê tá indo? — Nick berrava, sem fôlego, seguido pelos companheiros. Nunca tinham visto o amigo daquela maneira. O arqueiro, sempre tão tranquilo, agora corria loucamente em direção à floresta. Abruptamente, ele parou. E os amigos pararam também, olhando ao redor confusos. -O que houve? — Arroiz perguntou, calmo. Sheddeer o olhou. -Eu... Acho que ouvi... Um pássaro — ele disse a voz mais tranquila — Vocês ouviram também? -Sim, eu também ouvi — Thugles concordou — Mas o que é? Não me parecia um Griffey. -Ah, não era um Griffey — o arqueiro disse, os olhos brilhando de ansiedade — Era uma coisa que... Bem, não importa — ele sacudiu a cabeça, sorrindo — Sabe, essa parte da floresta que estamos... Pensei que nunca mais fosse voltar aqui. -Bem, pra mim, é uma parte como qualquer outra — Nick opinou. E não estava errado. Estavam em uma parte densa da floresta Minar, úmida e com árvores por toda a parte, mas quase toda a floresta era assim. -Vão indo na frente — o arqueiro disse de repente, já sem sorrir — Preciso investigar uma coisa. -Não precisa de ajuda? Sheddeer balançou a cabeça negativamente. -Não, é... Uma coisa que quero verificar — disse, misterioso — Mas vão na frente, eu alcanço vocês depois. -Tudo bem, se você diz. Boa sorte procurando o que quer que seja, Arqueiro — Thugles desejou, e ele e os amigos voltaram pelo caminho que haviam seguido. Não foi muito difícil, e logo eles estavam de volta à planície dos Griffeys. -O que será que ele estava procurando? — Nick perguntou, curioso — Me pareceu muito importante. -Acho que já sei o que é — Thugles disse, pensativo — Lembra daquele gavião que ele estava procurando aqui na floresta? Uma espécie muito rara, segundo ele. Foi atrás de filhotes e tudo... Acho que aquele grasnado era isso. Arroiz olhou para ele. -Pra quê ele iria querer gaviões? -Pra treinar. Ele sempre lamentou não ter uma boa esquadrilha de falcões e gaviões do fórum. Se for isso, é bem a cara dele ficar aqui — disse o menino, mais tranquilo — Não temos nada que nos preocupar com ele agora. Arroiz, você que é mais forte, leva um pouco da minha carga pra mim, sim?
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