Mil Flores de Cerejeira

9 Capítulo 9 - Uma vida após a outra


Eu apenas observava ansiosa enquanto o Dr. Ryuki passava aquele gel transparente na barriga de Patrick. Quando ele ligou o aparelho podíamos ver a imagem, ainda borrada porém em cores, (Nessa época mais avançada era possível ver claramente as imagens da ultrassonografia) de nosso filho ou filha. Eu podia ver o olhos de Patrick brilhando fortemente e sorrindo enquanto segurava minha mão.

–Bem Patrick, a saúde de vocês dois está perfeita. E já fiz o teste de DNA. E a criança realmente é sua Naomi.

Meu coração acelerou naquele momento, Patrick esboçava um sorriso lindo para mim e eu devolvia-lhe o gesto. A cada palavra do Dr. Ryuki eu ficava mais ansiosa, me sentia desconfortável naquela sala branca, sentados nas cadeiras pretas.

Quando saímos de lá, fomos a um café a duas ruas dali.

–Você ouviu o Ryuki, evite gordura.

–Fica fria. Eu peço algo leve. Porém em dobro. — disse ele segurando minha mão e me puxando em direção à porta do estabelecimento. Após comermos, levei Patrick pra casa e ele me disse :

–Muito obrigado por estar fazendo tudo isso por mim...

–Patrick... eu farei tudo que for preciso por você, porque eu te amo... — eu disse, acariciando seus cabelos enquanto o abraçava.

–Sei disso... — ele respondeu, sorrindo.

Despedi-me dele e fui para a minha casa. Chegando lá, minha mãe já estava preparando o jantar, pois quando vi já eram 08:06 PM. Dei um beijo em sua bochecha e em meu pai, que estava descendo as escadas indo em direção a cozinha. Foi quando minha mãe perguntou algo que me deixou nervosa:

–Filha, se o festival acabou às quatro da tarde, por quê você chegou em casa às oito? — perguntou minha mãe pondo as mãos na cintura. Não tinha coragem de mentir para minha mãe. Eu nunca menti para ela e essa não será a primeira vez.

–Mãe, sobre isso eu preciso te contar uma coisa, mas o Patrick tem que estar aqui.

–O Patrick? Por que?

–Porque ele é o maior envolvido.

–Está bem... convide-o pra vir aqui na segunda. Quando eu e seu pai voltarmos do trabalho você nos conta.

–Contar o que? Qual a treta? — perguntou Akihiko.

–É, o que tá acontecendo? — perguntou Yukari. E ainda não mencionei a aparência de Yukari. Yukari é 5 cm mais baixa que eu, tem cabelos longos e castanhos como o meu, a diferença é que a minha franja é curvada de lado, já a de Yukari é reta e cobre toda a sua testa.

–...depois eu conto... — eu cochichei enquanto passava por eles subindo a escada.

Fui para o banheiro tomar banho e pensava em como iria contar isso para os meus pais, qual seria a reação deles? Espero que não briguem comigo. Afinal, a culpa não foi de ninguém, nem de Patrick, foi um acidente com fadas malditas.

Desci para jantar e começamos a conversar sobre nosso dia. Minha família tem esse costume de em todo jantar nós contarmos sobre como foi nosso dia. Todos falaram, menos eu, não estava com cabeça pra isso. Estava com os pensamentos muito conturbados, não estava bem pra socializar.

Fiquei vendo TV com meu pai e depois fui dormir.

Na segunda, fui ver Patrick na escola. Ele estava com os cabelos presos em um coque que se deixavam escapar alguns fios para fora, sentado em baixo da mesma cerejeira em que ele me anunciou sua gravidez, desenhando. Fui lá falar com ele, e quando estava perto dele, uma pétala de cerejeira caiu no meu cabelo. Quando o abracei, ele olhou em meus olhos sorrindo e disse :

–Tem uma pétala da árvore na sua cabeça, deixa que eu tiro... -disse ele, tirando a pétala dos meus cabelos delicadamente.

–Ah, valeu — eu agradeci, sorrindo. -Patrick eu...tô pensando em contar pros meus pais sobre a sua gravidez.

–Ué, você ainda não contou?

–Nao senti que era a hora certa mas ontem ela me perguntou o porquê de eu ter chegado tarde em casa.

–E você não mente pra sua mãe...

–Exatamente. E se a gente contasse pra Kyoko, pro Takashi e pra Mitsuki?

–Não acho uma boa ideia... Eles podem acabar ficando assustados e isso pode mudar a nossa amizade...

–Mas uma hora eles vão desconfiar do tamanho da sua barriga.

–Eu sei mas é melhor nós dois contarmos isso a eles.

–Ok...

O sinal tocou e fomos para a sala, era aula de biologia. Kyoko e Takashi entraram na sala e foram falar com a gente. Olhei para Patrick com uma expressão indecisa, querendo contar a eles. Mas Patrick me olhou como se dissesse "Agora não". A tinta azul das pontas do cabelo de Kyoko já havia saido, e seu cabelos voltaram a ser totalmente negros.

A aula começou e eu estava ao lado de Patrick quando ele apoiou sua cabeça sobre meu ombro direito e fechou seus olhos. É tão bom sentir seu cabelo, sua cabeça, seu corpo... queria poder beijá-lo... dar-lhe todo meu amor.

A aula acabou e fomos para o pátio pois o sensei takashima faltou a aula hoje. O pátio estava só a minha classe e Kyoko, Takashi e Mitsuki sentaram numa mesa de concreto perto do refeitório. Eu e Patrick sentamos em baixo da cerejeira, eu encostada na árvore e ele de frente para mim. Foi quando perguntei a ele algo que o deixou um tanto constrangido:

–Como foi quando você contou para os seus pais?

–Bem...-ele disse, meio vergonhoso -Minha mãe ficou muito feliz mas meu pai...

–Como ele reagiu?

–Ele ficou sério e não disse completamente nada. Minha mãe estava tão feliz, sorridente e acariciando minha barriga, enquanto ele ficava lá, parado como se não se importasse. -Disse ele, com uma expressão triste em seu rosto.

–Ele não ficou bravo?

–Não sei, depois disso ele mal falou comigo.

–Tô com medo de contar aos meus pais...

–Uma hora eles tem que saber.

–Sim... contaremos isso juntos, minha casa, 4 e 45 da tarde?

–Estarei lá -respondeu Patrick, sorrindo.

Quando acabou a aula, acompanhei Patrick até sua casa e depois fui para a minha. Ninguém estava em casa, nem Akihiko. Achei muito estranho. Ele deve ter ido matar alguma criatura por aí.

Eu estava desenhando na sala quando Akihiko chegou todo ensanguentado, perguntei:

–Akihiko o que houve com você?!- levantei desesperada, deixando cair meu lápis no chão.

–Fica calma, não tô machucado. É só sujeira de peixe voador.

–Você foi até a floresta sozinho e sem me avisar?! Tenha mais juízo, cara! — eu exclamei, franzindo a testa.

–Você luta sozinha o tempo todo!

–Você está sob minha supervisão! Se você sair por aí sem me avisar eu fico preocupada!

Akihiko se desculpou e me abraçou, pedindo para que eu me acalmasse. Respirei fundo e retribui o abraço. Por volta de 4 e meia da tarde minha mãe chegou do trabalho, 15 minutos depois, Yukari chegou trazendo algumas compras da loja de conveniência. Enquanto tirávamos as compras, meu pai chegou e atrás dele estava Patrick.

–Encontrei Patrick enquanto voltava para a casa.

–Boa tarde. -disse patrick, que estava com os cabelos soltos, usando calça jeans, blusa de manga vermelha e casaco xadrez amarrado na cintura.

–Boa tarde Patrick — disse minha mãe

–Boa tarde — Disse Yukari e Akihiko.

–Então, o que você e Naomi queriam conversar conosco? -perguntou meu pai, ajeitando os óculos.

–Isso vai dar uma treta maligna...-Cochichou Akihiko para Yukari.

–Crianças, subam por favor, depois nós conversamos. — disse me minha mãe.

"Ai caramba e agora?" — pensei, enquanto suava excessivamente.

Meus pais se sentaram no sofá nos aguardando. Patrick chegou perto de mim e disse:

–Pronta?

–Não sei...

–Mesmo se eles não aprovarem, estamos nessa juntos.

–Está bem...

Ficamos em pé de frente para eles.

–Então, o queremos contar a vocês é que...o Patrick...