Mil Flores de Cerejeira

10 Capítulo 10 - A verdade sempre surge


Eu estava com tanto medo de contar, eu não conseguia. Mas Patrick percebeu isso e quando eu entalei na fala, ele chegou atrás de mim colocando suas mãos nos meus ombros e disse sorrindo:
–O que a Naomi quer dizer é que vamos ter um filho!
Como imaginei, meus pais ficaram horrorizados.
–Naomi, você... — meu pai nem terminou de dizer a frase e Patrick disse:
–Não, não, calma Nowaki-san, não é ela quem está grávida. — sim, o nome do meu pai é Nowaki.
–Mas como assim? — questionou minha mãe. Eu já estava chorando de desespero enquanto Patrick me abraçava e eu repousava minha cabeça em seu peito.
–Sou eu... — disse Patrick.
Só faltava meus pais desmaiarem.
–Meu Deus...como isso aconteceu? — perguntou minha mãe, quase desmaiando.
Patrick explicou a eles o que aconteceu, eu já havia secado minhas lágrimas e meus pais ouviam com atenção.
–Wow... -Disseram Yukari e Akihiko que estava em pé na escada boquiabertos.
–Ei! Eu falei pra vocês dois ficarem lá em cima! — disse minha mãe olhando para os dois.
–A gente não resiste a uma treta. — respondeu Yukari.
–Mas isso...É lindo, Natsuki, vamos ser avós! — exclamou meu pai, sorrindo. E sim, e o nome da minha mãe é Natsuki.
Fiquei espantada com a reação alegre de meu pai. Minha mãe logo se deu conta e também ficou feliz. Nos abraçaram e minha mãe perguntou:
–Mas já tem quantos meses isso?
–3. -respondeu Patrick.
–3 meses? Por que não nos contaram antes?
–Só descobrimos quando Patrick estava com dois meses. E ficamos com medo de contar. — eu respondi.
–Espera aí... -disse minha mãe, saindo do abraço — e o que isso tem a ver com você ter chegado em casa tarde ontem?
–Foi o ultrassom.
–Sério? Onde estão as fotos? — perguntou meu pai.
Patrick pegou um envelope branco de dentro de sua mochila e deu para o meu pai. Ele abriu o envelope e começou a chorar. Nunca vi meu pai chorar tanto daquele jeito, mas era de felicidade. Minha mãe o abraçava emitindo um sorriso em seu rosto. Confesso que fiquei assustada com a reação de meu pai.
–Já sabem quantos são ou o sexo? A imagem tá bem borrada. -indagou minha mãe.
–Ainda não, só na próxima consulta. — eu respondi.
Patrick se despediu de meus pais e eu o levei em casa.

No dia seguinte, a caminho da escola, uma mulher salta na minha frente do nada, me assustei e pelo que vi quando ela levantou, ela usava roupas parecidas com as das guerreiras dos jogos de RPG, pouca roupa e assustadoramente estravagante. Tinha cabelos bem longos e roxos amarrados em um rabo de cavalo que chegava até seus joelhos, sua franja era posta de lado. Usava uma armadura de metal cobrindo apenas seus gigantes peitos e sua região genital. Usava botas de metal pretas com salto de 15 cm. Seus lábios eram negros e seus olhos eram vermelho escarlate. Lutava com uma cajado de feitiços que tinha o mesmo comprimento de seu corpo, e tinha uma pedra negra na ponta. Não sei como ela consegue carregar um trambolho enorme e ainda por cima de aço.
–Ora, ora... — disse a mulher, com um sorriso irônico em seu rosto.
–O que... quem é você? — perguntei, assustada.
–Quem eu sou...? Haha... não se lembra...Naomi?
–...?
–Eu sou Keiko Shiguya, ex-líder do clã das fadas sombrias. Você destruiu meu exército há 3 meses atrás quando dominávamos o parque.
–Nossa...quanta dominação... -eu sussurrei, em tom irônico.
– Ei eu ouvi isso! Olha aqui o parque era pequeno mas tínhamos poder ouviu?
–Então tá né. Mas como você sabe meu nome?
–Como fui demitida do melhor cargo do clã por sua causa, eu venho te investigando desde então.
–E o que pretende fazer? — eu perguntei, enquanto agarrava o cabo de minhas katanas discretamente.
–Eu vou te destruir sua...! Oh droga... — a mulher nem teminou de me ofender e sua pedra começou a brilhar. -O mestre me chama, eu vou te encontrar, Naomi e vou te destruir! — terminou Keiko, apontando seus dedos com unhas enormes para mim enquanto levantava vôo.
–"Que mulher tosca..." — pensei.
Retomei meu caminho para a escola. Me atrasei um pouco por causa daquela doida mas cheguei apenas 5 minutos atrasada. Entrei na sala e a sensei Takashima perguntou o porquê de eu me atrasar já que isso nunca aconteceu. Mas quando entrei na sala, vi Asuka, uma garota de cabelos curtos e castanhos com a franja reta cobrindo a testa, conversando com Patrick toda sorridente. Não sei mas nunca fui com a cara dela, eu sinto falsidade em cada "sorriso" que ela dá. Patrick estava com os cabelos amarrados em um rabo de cavalo e sorria para ela. Não diria que senti ciúme, senti ódio. Mas manti a pose, ajeitei meus óculos e sentei ao lado de Patrick. Ela logo se afastou e sentou em sua carteira.
–Por que estava conversando com ela? -eu perguntei, sussurrando.
–Bom dia pra você também. -respondeu ele, dessa vez estava sério. Estranhei sua reação.
Não respondi e pelo visto ele está de mal humor. A aula acabou Patrick não disse uma só palavra. Descemos para o intervalo e ele continuou emburrado. Não queria ficar brigada com ele, magoá-lo me dói muito e não quero que esse estresse afete o bebê.
Ele ficou conversando com Kyoko e Takashi e me ignorava. Saí dali e fui para a biblioteca. Quando estava vendo os livros de uma estante num canto escondido da biblioteca, Patrick surge atrás de mim e coloca sua mão em cima da minha, sussurrando em meu ouvido:
–Você ficou com ciúme quando a Asuka estava falando comigo naquela hora?
–Claro que fiquei...
Nesse momento ele me virou, puxou meu rosto e me beijou. SIM ELE ME BEIJOU! MEU DEUS QUE DOIDEIRA! Fiquei envergonhada, confusa e feliz ao mesmo tempo.
–Por que você fez isso? Não disse que não sentia o mesmo por mim? -eu perguntei, empurrando seu corpo.
–Eu menti. — ele disse, sorrindo.
–Como é que é?!
–Sabe a Kyoko?
–Você gostava dela, e daí?
–Na verdade, ela gostava de mim.
–O que? — perguntei, assustada.
–Eu também gostava dela, só que quando ela se declarou e eu disse que também gostava dela, depois de 3 dias que namoramos ela disse que era só paixão e que já não gostava mais de mim. Mas eu ainda gostava dela, e acabei saindo magoado.
–Vo-vocês namoravam? Por que não me contou?
–Sentimos que ainda não era a hora. -Patrick respondeu.
–Mas o que isso tem a ver?
–Eu fiquei com medo de me corresponder pra você naquele dia na enfermaria com medo de acontecer a mesma coisa, você perder o interesse em mim, foi quando eu percebi que você cuidava de mim, mesmo antes de gravidez. Você se importava comigo como nenhuma outra garota fez. Você realmente me ama.
–Eu...não sei o que dizer. — eu disse, pondo as mãos no rosto estando toda corada.
–Não precisa dizer nada. — Ele disse, sorrindo enquanto tirava minhas mãos do meu rosto. Foi quando ele andou pelo corredor e viu que a bibliotecária iria para o refeitório e trancou a biblioteca.
–Essa não... ela trancou a porta e não nos viu aqui.
–Como representante de classe, eu tenho uma cópia da chave mestra. — disse ele, mostrando a chave. — Mas não vamos sair daqui tão cedo.
Ele me levantou, sentou nuna cadeira e me colocou sentada em seu colo. Estávamos um de frente para o outro e começamos a nos beijar enquanto nos abraçávamos. Só ficamos lá nos beijando quando ele tirou a camisa.
–Calma. Não vamos fazer nada demais.
Ele me levantou novamente e me deitou na mesa, por cima de mim. Eu me deixava levar apesar daquilo ser muito perigoso. Nos beijamos por 10 minutos trocando abraços e sorrisos. 10 minutos antes da bibliotecária voltar, Patrick pôs a camisa, abriu a porta e saímos sem ninguém perceber e como se nada tivesse acontecido. Na aula ele me manda um papelzinho escrito :

"Agora que você sabe que eu te amo, se gostou de hoje, vem na minha casa às 19:00 se quiser repetir a dose ^.~"

Escrevi atrás do papelzinho e dei pra ele:

"Estarei lá"

A aula terminou e o acompanhei até sua casa como de costume. Ao se despedir de mim, ele me deu um selinho, retribui o feito e fui para casa tão feliz.