Mil Flores de Cerejeira

2 Capítulo 2 - Uma Caçadora Sentimental


Enquanto eu o observava durante a aula, percebi que ele não perecia muito feliz, sei que sou muito insistente, mas não acho que foi por eu apenas tê-lo perguntado sobre o assunto. Mas Patrick é o tipo de pessoa que fica envergonhada ao falar sobre certos assuntos, ele tem medo de parecer um bobão, talvez seja por isso. Tentarei conversar melhor com ele amanhã, isto é, se ele quiser conversar.

Enquanto voava no meio da aula, Mitsuki dormia e babava em cima do livro, até tirei uma foto (Em breve colocarei um desenho da foto)

A aula acabou e voltei para casa.

—Tadaima

—Okaeri–Respondeu minha mãe que estava sentada no sofá da sala lendo um livro, com seu cabelo estilo channel, vestindo um moletom amarelo claro e calça legging preta.

—Mãe, você não vai trabalhar hoje? –Eu perguntei, curiosa.

—Não, estou de folga essa semana. –Respondeu ela. Minha mãe trabalha como dentista e às vezes fica algumas semanas de folga.

—E o papai? – Provavelmente a resposta seria "sim". Meu pai trabalha como coveiro. Ele sempre chega em casa com aquela carga de energia negativa, que sempre tem em todos o cemitérios, aquela tristeza profunda dos parentes pela perda dos que partiram para o plano espiritual. Por isso, eu e Yukari acendemos um incenso de Cânfora ou Arruda, alguns minutos antes de ele chegar em casa.

—Seu pai foi trabalhar. –como suspeitei. –Akihiko foi atrás de um ciclope nanico, nada de perigoso e Yukari está na escola.

—Tá, vou para o meu quarto.

—Ok – respondeu ela, voltando sua atenção de volta ao livro.

Achei melhor não contar a ela sobre o que houve com Patrick, pelo menos não agora, ela vai ficar me perguntando demais sobre ele e eu vou ficar toda corada, então para evitar que a minha cara exploda de tanta ansiedade emocional é melhor esperar um pouco. Minha relação com meus pais é um pouco distante, não sou muitos aberta com eles, talvez por medo que eles não entendam.

Provavelmente algum monstro ou titã vai aparecer hoje, e eu vou ter que ir atrás dele para exterminá-lo. Por isso, já fui fazendo minhas tarefas. Como terminei mais cedo aproveitei para afiar as katanas. As katanas que uso nos confrontos são do tipo que externamente só aparece o cabo, mas quando abaixa-se uma pequena alavanca lateral, surge a lâmina.

Eu não sou a única que presta esse tipo de serviço à humanidade, muitas pessoas ao redor do mundo se disponibilizam para exercer tal profissão, inclusive meus amigos, Mitsuki e Takashi, e até meu irmão mais novo, Akihiko, de 13 anos. Minha irmã mais nova do meio, Yukari, não é uma ECM, porém ela nos ajuda a localizar os alvos.

Como já devem ter percebido, minha família e Patrick estão cientes de que sou uma ECM. Ser um ECM é dependente de poderes governamentais, pois precisa de licença para exercer a profissão, e apenas pessoas acima de 12 anos podem fazer o teste para conseguir a licença. Esse teste avalia o raciocínio rápido, inteligência, velocidade, agilidade, força e habilidade do candidato. Patrick até chegou a se alistar, porém não passou em 100% da avaliação.

Enquanto eu afiava as espadas, a ponto de que é possível cortar um fio de cabelo ao meio, — é, eu exagerei um pouco (muito) – as horas passavam rapidamente, quando vi já eram 17 horas. Nesse momento meu celular tocou, eu atendi e disse:

—Alô?

—Ah, Naomi? — Era Patrick, com uma voz trêmula e soluçando.

—Patrick? O que houve? — Eu perguntei, preocupada.

—Pois é, então... — Quando ele começa dizendo isso é porque algo não vai bem.

—O que houve? — Eu perguntei, já ansiosa.

—Estou sentindo dores insuportáveis. Minha mãe disse que é normal durante a gravidez.

—Ah, pelo menos você contou para os seus pais. E hoje no intervalo você não quis me contar como tudo isso aconteceu!

—Se der, vem aqui em casa que eu te explico tudinho. — Disse ele com uma voz tão suave.

—Estou indo pra aí. –concluí e desliguei o celular.

Duvido muito que ele me explique "tudo".

Isso vai dar um lindo e adorável PROBLEMA pra mim, mas eu só quero ajudá-lo, mas não sei o porquê de ele querer me meter nisso, além do mais, o que eu tenho a ver? Para Patrick me escolher pra contar isso e pra pedir minha ajuda, só porque com certeza eu devo ter alguma ligação com tudo isso, qual é essa ligação eu ainda não sei.

Só espero que valha a pena eu ter que usar minhas pernas pra ir a casa dele ao invés de estar dormindo. O pior é que Patrick fica com esses mistérios irritantes, eu quero saber de tudo logo, não em pedaços! É tipo quando você vai comer um bolo muito bom, o aniversariante pão-duro só te dá um pedaço miséria e você fica lá com cara de idiota de "Que isso cara? Eu tenho a fome de um mendigo que não come há 12 dias".

Arrumei minhas coisas, guardei as katanas, e aproveitei para organizar meus materiais para o dia seguinte. Fiz um lanchinho na cozinha, comi uma torrada e bebi suco. Só para não sair de casa de estômago vazio.

Notas finais
Patrick irá finalmente esclarecer tudo para Naomi, mas será que isso vai mudar alguma coisa? Capítulo 3, em breve.