Mil Flores de Cerejeira
13 Capítulo 13 - Aceita-me
—Seu pai?! — retruquei — Mas ele não estava no jantar com sua mãe?
—Estava mas eles voltaram mais cedo — respondeu Patrick num tom ansioso.
—E onde estão agora?
Percebi que estava enchendo Patrick com perguntas. Mas ele logo empurrou meus ombros para baixo, fazendo-me sentar no sofá ao seu lado.
—Calma, deixe-me explicar o que aconteceu.
—--------------------------1 HORA ATRÁS
"-Patrick, cheguei, só vim ver como estavam — disse Christian, abrindo a porta -Onde está a Naomi?
—Ela foi fazer uma entrevista de emprego — respondeu Patrick, enquanto limpava o balcão da cozinha.
—Emprego? Pra quê? Ela ainda é nova.
—Cadê a mãe? — perguntou Patrick, ignorando a dúvida do pai.
—Ainda está no hotel. Mas me responda, por que a Naomi quer arranjar emprego tão cedo?
—Para sustentar nosso filho.
Christian deu um suspiro de reprovação.
—Não entendo por quê o senhor não gosta da minha gravidez. — continuou Patrick.
—Por que? Porque isso foi uma enorme imprudência sua! — acusou Christian, apontando para seu filho.
—Já disse que não foi culpa minha, nem de ninguém! Foi um acidente! — exclamou Patrick, cerrando os punhos.
—Como que foi um acidente?! O que estava fazendo na floresta?
Patrick assustou-se com a pergunta e, com vergonha de responder, desviou:
—I-Isso não é da sua conta!
Indignado com a resposta do filho, Christian aproximou-se de Patrick, agarrou forte seu braço com sua mão grande e disse, em tom de autoridade:
—Quando essa criança bastarda nascer, não conte comigo para ajudá-lo.
O pai virou as costas para Patrick, dirigiu-se rapidamente para a porta e saiu, batendo-a. Patrick, abalado com a atitude de seu pai, pôs-se a chorar, jogando seu corpo sobre o sofá da sala."
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Levei a mão à boca, arregalando os olhos, não podendo acreditar no que ouvia. Nunca esperaria que Christian houvesse tido essa atitude tão repugnante contra seu próprio filho. Mas não devo cultivar ódio por seu pai, ele provavelmente deve estar abalado e no fundo, preocupado com Patrick.
—Eu...não sei o que fazer. — murmurou Patrick, escondendo o rosto com suas mãos.
Fiquei em silêncio. E novamente eu não sabia como reagir diante de tal situação entre pai e filho, não tinha ideia de como consolá-lo naquele momento. Sentia-me totalmente impotente, aliás, me sinto impotente na maior parte do tempo. Me sinto... inativa. Sem graça. Fria. Só o que consegui dizer, que foi algo muito insignificante:
—Algum dia ele irá entender...
Ao tirar as mãos de sua face, Patrick direcionou seu brilhantes olhos castanhos a mim e pude ver as lágrimas expostas em seu rosto, percorrendo-o e pingando em suas coxas. Rapidamente, ele me abraçou forte e cochichou em meu ouvido:
—Promete... que não irá me abandonar ?
Contudo, ao ouvir essas palavras, corei instantaneamente, meu coração acelerou, meu rosto queimava.
—Prometo. — respondi, abraçando Patrick mais forte.
Foi quando Patrick descolou nossos corpos, olhando profundamente em meus olhos. E me beijou. Um toque tão quente de seus lábios selados aos meus, sua língua tão perfeitamente entrelaçada à minha.
(***)
Antes dos pais de Patrick voltarem novamente, resolvi ir embora para não trazer problemas a eles. Chegando em casa, como ainda em 13:00 horas, resolvi sair e passear um pouco pela rua para pensar. Enquanto caminhava lentamente com as mãos nos bolsos de meu casaco azul marinho; eu observava as pessoas passando por mim apressadas, quanto ao meu pensamento na mesma velocidade.
Foi quando notei que algo ainda estava sem explicação: o que Patrick estava fazendo no meio da floresta do parque?
Em meio a dúvida que me veio à cabeça de repente, percebi que havia parado subitamente no meio da calçada, as pessoas esbarravam em mim, murmurando reclamações.
Fiquei pensando por um tempo se deveria ou não voltar à casa de Patrick para obter a resposta que queria. Não controlando minha curiosidade, decidi que iria. Dei meia volta e entrei em uma rua, pegando um atalho. Chegando lá, bati na porta, apreensiva, rezando para que os pais de Patrick ainda não haverem retornado. Por sorte, foi o próprio de atendeu.
—Naomi?
—Preciso que me responda uma coisa — afirmei, convicta de minha exigente pergunta.
—E o que seria? — perguntou ele, dando um pequeno riso.
—Por que foi à floresta mais distante do parque?
Patrick logo tirou o sorriso do rosto e deu um suspiro irritado.
—Responda — prossegui
—Você não precisa saber.
—Preciso sim! Eu sou a mãe dessa criança também! — disse, apontando para sua barriga.
—E o que diabos isso tem a ver?
—Tem a ver que, sendo responsável por esse filho, eu também preciso saber. — respirei fundo e continuei — Olha Patrick, eu não quero brigar com você, só quero saber isso, apenas.
—Naomi, você tem que respeitar que eu não quero falar sobre isso, apenas. — retrucou ele, irritado — Passar bem.
E ele simplesmente fechou a porta na minha cara. Insatisfeita, abri a porta novamente e agarrei seu braço, puxei-o até mim e o abracei dizendo:
—Eu disse que não quero brigar com você.
—Quer mesmo saber?
—Quero.
Ainda abraçado a mim, ele me contou o real motivo pelo qual ele foi à floresta do parque naquele dia:
—Eu fui me encontrar com a Kyoko.
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