Os dedos percorrem as cordas e o som arrancado não é exatamente o esperado. O rapaz para, bufa levemente irritado, olha novamente para as cifras e tenta pela quinta vez executar a música Fogo, do Capital Inicial. As batidas suaves na porta lhe afastam da concentração no violão e a figura da simpática madrinha adentra ao quarto.

_ Então, queria saber se você precisava de alguma ajuda para arrumar a sua mala para as Nacionais. – Emma esclarece o motivo da “intromissão”, o menino ri e aponta para a mochila ao lado da cama – Ótimo! Vou terminar o jantar...Você vai ficar em casa?

_ Vou... Emma, você precisa de ajuda na cozinha?

A mulher sorri e aceita a colaboração espontânea. Ela adorava a companhia do afilhado, especialmente, nas situações mais simples como as tarefas da casa. Longe de ser um impasse, a presença do adolescente na casa do noivo só fortaleceu o desejo de tentarem a vida em casal, ou melhor, em família. Emma se sentia inteiramente responsável pelo bem estar do adolescente e, adorava essa sensação.

_ Conversei com a professora de geografia e você está aprovado. Muito bom, não é? – o rapaz concorda com um gesto de cabeça – Ela compreendeu a falta do Puck por causa da internação da mãe. A segunda chamada está marcada para depois das Nacionais.

_ Ótimo! Eu aviso o Puck... E sabe que a geografia não é tão difícil? Acho que era só começar a prestar a atenção na aula. – ele brinca e a ruiva revira os olhos.

_ Pelo menos, vocês conseguiram salvar algumas disciplinas. Brittany perdeu praticamente todo o ano. – a notícia surpreende.

_ Sério? É uma merda ter que assistir as mesmas aulas, mas, não é exatamente uma surpresa... Minhas médias sempre foram péssimas. – ele reconhece a dificuldade.

_ Tudo tem um lado positivo. Talvez, vocês não tenham perdido, mas, ganhado mais seis meses. Noah pode acompanhar a recuperar da sua mãe, repensar a própria atitude, buscar por algo a mais e você nunca pareceu muito certo sobre o seu futuro, Daniel.

_ É, prometo que vou pensar nisso. – ele sorri agradecido e a mulher volta a prestar atenção nas panelas no fogo.

_ Emma? Daniel? Acabei de chegar... – o grito do afilhado guia o maestro para a cozinha – O cheiro está excelente! – a ruiva abraça o noivo – Acertei os detalhes e Shannon e Sue vão viajar conosco. E como saímos bem cedo, pensei em um programa tranqüilo e bem família... O que acham de vermos um filme brasileiro? Aluguei “O Palhaço”, o atendente disse que era lançamento e poderia ser indicado ao Oscar.

_ Podemos assistir sem as legendas? Quero testar o meu português e em caso de dúvida, temos o melhor tradutor de Ohio, não é? – a mulher sorri amplamente para o garoto.

O grau de compreensão em português da ruiva é impressionante. Daniel riu horrores das tiradas engraçadas do filme e gargalhou ainda mais ao tentar explicar o sentido das piadas ao casal. É, talvez Emma tivesse razão. Talvez, a reprovação tivesse mesmo um ponto positivo. Ele teria mais seis meses de convívio em família, como diria o padrinho.

A manhã chega de forma desordenada. Emma perde a hora, Will berra na porta do quarto para acordar o afilhado, que demora a compreender o que se passava. A chegada no aeroporto remonta ao ano anterior. A expressão confusa, o corpo parcialmente adormecido e os reflexos ainda lentos. Aos poucos, os amigos se apresentam e a balburdia impera no local de embarque. É nesse momento que se propagam as diferenças. Se doze meses atrás, o panorama apontava um quase casal, a situação atual não poderia ser mais inversa. Daniel aproveitava o atraso do vôo para cochilar no colo da namorada, que conversava animadamente com Mercedes, Tina e Sugar. A paz é quebrada com a presença dos Primos Metralhas e o bom humor de Sam Evans. Os três não sossegam até conseguirem despertar o carioca com um tremendo susto. O rapaz se levanta comicamente irritado. Os xingamentos em português são entendidos por poucos que não se atrevem a traduzir as atrocidades. A loira abraça o namorado, que releva e logo acaba rindo da estúpida pegadinha.

Apesar de Brittany rir da ceninha patética, Santana revira os olhos enjoadapela terna preocupação do brasileiro com a loira, que havia abandonado definitivatmente as muletas a poucos dias. Ela tinha paciência e estomago para suportar a mania melosa do rapaz em ter sempre os braços em torno da cintura da antiga cheerio, porém, o cuidado estava beirando o intragável. Ao chegarem no hotel, o brasileiro impediu que Quinn desse mais do que quatro passos e a carregou nas costas até o corredor de seus quartos. Era demais, era patético demais...Tão patético que ela se viu nos ombros de Puck apostando uma corrida patética com Quinnel, Finchel e Tike pela gigantesca entrada do hotel em Chicago. Era patético, só que ela nunca disse que não era divertido.

Honestamente, ele era o tipo de cara que cairia bem com uma garota como ela. Comprovadamente, ele cairia muito bem, senão fosse a paixão avassaladora pela antiga capitão das lideres de torcida. Daniel não tinha um tanquinho como Mike, o estilo de bad boy de Puck, o charme descolado de Sam, a irreverência de Adam ou a liderança inapta de Finn. Entretanto, o maior trunfo de Daniel era a distração. A irritante mania de não ligar a mínima para os deboches da latina. Normalmente, o rapaz ouvia o ataque, compreendia a acidez e soltava aquele sorriso idiota. Quinn Fabray revirava os olhos, continha o gênio explosivo por causa do simples abraço daquele estrangeiro e alguém seguia com a conversa. Ele e Puck eram os únicos caras que compreendiam as provocações e os palavrões em espanhol. Por isso, Santana Lopez adorava o brasileiro. E não, não espere que a garota mais durona de Lima revele isso em voz alto. Entretanto, ela gostava dele e das semelhações de Quinnel e Brittana.

Era engraçado assistir a independência e autosuficiencia de Quinn Fabray descer pelo ralo ao ser abraçada pelo garoto. Como a altivez era substituída pela leveza ao escutar qualquer bobagem dele ou apenas por achar bizarro a combinação da camisa de futebol com uma bermuda extravagante. Justo Quinn Fabray, justamente a antiga rainha da popularidade gargalhava com a total falta de noção do namorado para roupas ou para o ridículo. E não, a latina nem poderia tirar sarro daquilo, afinal, fazia a mesmice coisa na presença de Brittany S. Pierce. Por isso, Santana entendia perfeitamente o receio que Quinn sentia com a incerteza de seu relacionamento após a formatura. Brittany e Daniel permaneceriam mais alguns meses na Willian Mckinley e as duas rumariam para a Universidade. O futuro era uma incógnita. A conversa exclusivamente feminina no quarto encerrava a segunda noite na cidade com uma estranha cumplicidade. O soar irritante não cessa e ela é obrigada a abrir os olhos. Celular tocando no meio da madrugada? A palavra “Daniel” piscando no visor lhe faz bufar e soltar um muxoxo.

_ Ta acordada? – o tom brincalhão dele lhe deixa ainda mais furiosa.

_ Atendi a sua ligação, não atendi? – a loira rebate impaciente.

_ É verdade! Desce para a piscina? É importante. – ela suspira e do outro lado da linha, a tradicional risada após a confirmação do encontro.

Quinn quase desiste do compromisso e ameaça retornar para debaixo das cobertas, entretanto, a curiosidade é maior. A ausência de Tina também lhe estimula a quebrar o toque de recolher. Santana acorda com o bater da porta e fita as camas vazias. O que estariam aprontando? A latina se levanta e dá de ombros para a recomendação do maestro, afinal, ela tinha perdido a porcaria do sono. A loira alcança a área de diversão do hotel e não acredita ao visualizar o quarteto rebelde a poucos metros da piscina. Estirados nas cadeiras, Puck e Daniel riam da estranha música em mandarim que embalava os passos do casal asiático. Logo, a sua preseça é notada e o namorado se coloca de pé para recepcioná-la com o sorriso mais sacana do mundo.

_ O que ta acontecendo? – ela questiona ao desabar no ombro do rapaz.

_ Estávamos pensando em curtir a noite. Sabe aquele fenômeno da “Lua Cheia Azul”? Olha como a noite tá incrivel! – explica o tranqüilo carioca.

_ Finn é meu amigo, mas, eu acabaria partindo para cima se escutasse mais sobre coreografia. Já decorei os passos, ele que tropeça nos próprios pés! – reconhece o bad boy.

_ Eu não entendo como alguém tão atrapalhado consegue ser quarterback. Eu poderia jogar melhor... É sério, eu quase fiz um tochdown no ano passado! – a asiática resgata a participação feminina no Campeonato do Condado.

_ Não sei o que deu na minha cabeça para preferir as cheerios naquele dia! – dispara a loira se aninhando ainda mais nos braços do estrangeiro.

_ Não sei o que deu na cabeça do Finn para se achar o herói da noite. Aquela história da Barraca do Beijo do Quarterback foi a maior idiotice! – dispara o judeu.

_ Idiotice? – berra a latina aparecendo no pátio – Vocês esquecerem das caras de Fuinn ao correrem para a enfermaria naquele dia? A melhor vingança da história!

_ Yeah! Eu lembro, o caso da doença do Beijo, não é? Tornou-se uma epidemia por causa da barraca e o diretor chegou a proibir essas coisas no colégio! – relembra Mike.

_ Uau! Eu beijei a Rachel na mesma noite... – a loira lhe olha contrariada – O que? Eu tava solteiro, tinha cantado Eu sei que vou te amare você tava namorando... E isso não vai me ajudar muito, não é? – a garota acerta uma cotovelada de leve nele.

_ Escutem, o plano era ficar de bobeira o resto da madrugada? – a conhecida acidez da latina estava de volta. Os garotos dão de ombro – Ótimo! Perdi o sono para nada! – ela cruza os braços emburrada e cai na cadeira mais próxima.

_ Já que estamos a toa... Vocês poderiam me ajudar nos passos de Edge Of Glory! Eu estou totalmente descoordenada com a seqüência do rodopio! O que acham?

_ Arriscado, para não mencionar exagero. Quinn, você deixou as muletas há menos de uma semana, não pode se desgastar tanto. – o carioca não oculta o tom de preocupação.

_ Eu estou bem, acredito. Prometo só esses movimentos, ta?

O imigrante se dá por vencido e concorda com os termos. Tina e Santana repassam os passos da seqüência mais complicada e Mike sugere formas mais simples para conseguir o mesmo efeito. Após repetir incessantemente os movimentos, o encrenqueiro planeja algo com o melhor amigo e os dois se jogam na piscina perigosamente perto do local onde estava o restante do grupo. Os saltos jorram água para todos os lados e imediatamente, Mike puxa Tina para dentro da piscina. A dupla de baderneiros se encara e a ideia é prontamente compreendida pelas garotas. Puck emenda a perseguição atrás da latina em meio ao jardim e o brasileiro tem que evitar as mesas e cadeiras derrubadas pela namorada. A cômica corrida é observada pelo casal asiático, que se acaba de tanto rir. O resultado não poderia ser outro. A latina esperneia ao ser encurralada pelo antigo companheiro e relutante, aceita cair na água desde que seja por conta própria. O judeu oferece a mão para a jovem e os dois se jogam simultaneamente.

_ Você realmente achou que conseguiria escapar do cara mais rápido de Ohio? Você ainda me deve um banho de piscina, Fabray!

É o que Quinn escuta ao ser apanhada pelo abraço do brasileiro. Ela precisa conter o riso e exige ser levada nas costas até a piscina. A água aquecida é uma grata surpresa e a farra duraria muito mais senão fosse a mensagem de Artie alertando para a ronda de Sue Silvester. Totalmente encharcado, o sexteto se separa e corre para os respectivos aposentos. A proeza é exaltada no dia seguinte e Mercedes critica o seu homem por não ter sido incluída. A irmã branca relata que a agitação ocorreu sem qualquer organização e que pretendiam repetir a dose naquela noite. De forma inexplicável, todos os componentes do coral são informados a respeito da travessura e quebram o toque de recolher. A diversão se transfere para o quarto masculino e o banho de piscina é substituído por uma guerra de travesseiros. Resultado: flagrante do caos total na manhã da quarta-feira. Emma aconselha que Will releve a violação do toque de recolhere perceba que os alunos agiam puramente como jovens. O professor segue a filosofia mais liberal, atrasa o ensaio concedendo mais algum descanso e concentra sua energia nos cuidados médicos com Mercedes, que ardia em febre.

Para complicar ainda mais, a folga matutina não acalmou os nervos como o esperado. Daniel e Finn discutiam por alguma bobagem, Mike repassava a coreografia para Adam e Rory, Brittany não conseguia ensinar os passos mais complicados para Tina e Quinn, Rachel ensaiava pela enésima vez seu solo, Sugar desafinava mesmo nas notas mais simples e acabava com a paciência de Artie e Sam não parava de lamentar pela ausência de Mercedes. O bad boy dá de ombros e apanha a partitura para revisar o seu trecho na apresentação. A atitude despreocupada irrita Santana, que explode com ameaças para todos os lados. Blaine e Kurt tentam separar as discussões e a loucura só é interrompida com a entrada do professor de espanhol.

_ Escutem o que estão dizendo. Há muita paixão neste lugar, mesmo quando estão brigando...É para se superarem, melhorarem seus pontos fracos. Vocês querem isso mesmo. Então, vamos descansar por meia hora, certo? – propõe o maestro.

_ Será que poderíamos continuar? Eu e Quinn ainda não conseguimos completar a coreografia do número inicial. – sugere Tina.

_ Yeah, os passos de Edge Of Glory são bem exigentes...E ainda estou readquirindo o controle sobre as minhas pernas. – a loira solta com certo bom humor.

_ Vocês tem certeza? – as meninas confirmam – Está bem... Mike e Dan ajudem os mais novos com a dança, Artie e Sam repassem a letra com o Puck e Blaine e Kurt ajudem Rachel a ensaiar os solos, combinados? Vamos lá!

Quinn erra seguidamente a coreografia e o brasileiro não tira os olhos de cima dela. Santana se apóia nos ombros de Daniel e ri da preocupação excessiva. Em sigilo, a latina afirma que Fabray daria conta do recado. Dito e feito. Na repetição, a loira acerta o movimento e vibra pelo progresso. Ao longe, o imigrante sorri e faz um sinal positivo, enquanto repete os passos para o irlandês. O professor retorna duas horas depois com diversas pizzas e litros de refrigerante para encerrar os ensaios definitivamente. Já passava das nove da noite e a única coisa que poderiam fazer antes das Nacionais era repousar. Entretanto ao abrir a porta, o maestro é surpreendido pela bagunça coordenada pelo afilhado, que tentava explicar aos colegas as diferenças gritantes entre o sertanejo e o country. A levada do empolgante sertanejo universitário era reproduzida com qualidade por Sam e Puck nos violões e a bela contribuição de Blaine na gaita de boca. Simultaneamente, o brasileiro cantarolava um dos sucessos do jovem expoente Gustavo Lima e conduzia Quinn com incrivel cuidado e sutileza. A parte que fez o maestro ser descoberto pela risada hilariante fora o refrão entoado pelo grupo inteiro.

Gata me liga mais tarde tem balada

Quero curtir com você na madrugada, dançar, pular

Que hoje vai rolar o tche Tche Rere

Tche Tche Rere, Tche Tche Tche Tche!

Tina e Mike demonstravam boa coordenação motora e dominaram rapidamente a música mais colada e relembram a experiência com o forró na inesquecível festa na casa de Rachel. Ao se auto denunciar, Will parabeniza os alunos pelo excelente improviso e elogia, especialmente, a desenvoltura da namorada do afilhado. A loira agradece o incentivo levemente constragida e revela que ser conduzida pelo estrangeiro reduzia bastante o seu esforço físico. Por sua vez, o rapaz não oculta o animo e conclui sua explanação em relação ao ritmo do país de origem e informa que a música Balada Boa prometia ser o maior hit do verão. O professor oferece pizzas de diversos sabores e recomenda que todos aproveitassem para descansar. Willian Schuester se sentiu inacreditavelmente realizado ao se retirar do cômodo ocupado por seus pupilos. A vontade de ganhar, de retornar para Lima com o título de campeão nacional era gigantesca, porém, não ficaria devastado em caso de derrota. A maior motivação provinha da evolução daqueles adolescentes e, principalmente, do garoto que tinha a honra de chamar de afilhado.

_ Sinto que estamos um nível acima do ano passado, quero dizer, nós realmente nos preparamos e não há nada que impeça o nosso título... – Finn puxa o assunto, enquanto os adolescentes se acomodam no chão ou por cima das camas.

_ Talvez, os seus hormônios... Eu chuto esse seu traseiro branquelo até Lima se der outro amasso com a Berry no palco, Hudson. – ameaça Santana causando risadas.

_ Esse ano foi ainda mais complicado do que o anterior, mas, concordo com o Finn. Todos nós nos encontramos e conseguimos superar alguns fantasmas. – Mike ressalta.

_ É ótimo ter essa segunda chance, sabem? Em Nova Iorque, as coisas estavam tão ruins, tão insuportáveis...Achei que perderia meus melhores amigos, que perderia isso...Então, é fantástico ter novamente essa oportunidade nas Nacionais. – revela Sam.

_ Yeah... Eu era um cara que gostava de passar despercebido, ser invisível... E quando tentei algo diferente... Bem, acabei em Charleston me culpando por ter me aproximado demais... Segundas chances são incríveis... Eu não tenho nenhum plano para o futuro... – gargalhadas retumbam pelo cômodo – Mas, estou feliz por estar aqui. – Quinn acaba com a distância milimétrica e deixa um beijo casto nos lábios dele.

_ Amém, Ligeirinho. E sinceramente, eu agradeço que esteja aqui... Porque eu e Brittany pudemos namorar sem ter que escutar a Quinn choramingando pela falta de um grande amor. – a confissão da latina faz a loira corar furiosamente.

_ Isso explica aquele corte de cabelo de última hora... – relembra Tina.

_ Não conte muitas vantagens, Santana. Você transformou a minha vida em um inferno durante meu namoro com a Brittany. – relata Artie, ao passo que a latina revira os olhos.

A garota repousa a cabeça no ombro dele e leva as mãos a cabeça em sinal de desconforto ao ouvir Brittany contando a trama de espionagem comandada por Sue Silvester, que colocou as três cheerios dentro do Novas Direções. Mike e Puck tomam a palavra e narram entre gargalhadas a época em que o time de futebol americano considerou produtiva a ideia de dançar Single Ladies durante uma partida. Kurt exalta a sua participação vitoriosa na equipe esportiva e Blaine se confessa pasmo diante da novidade. Dezenas de memórias são resgatadas naquela noite de maneira que mesmo os novatos como Sugar, Adam, Rory e Harmony se consideram mais integrados ao coral.

A manhã começa muito cedo para os integrantes do New Directions. Mercedes acorda mais disposta e se encaminha para o auditório com o restante dos colegas. O apresentador é anunciado e as garotas, excluindo Rachel, tomam as posições no centro do palco para o número de abertura com The Edge of Glory. Quinn nota a vigília constante do namorado e acena rapidamente antes da música iniciar. O timbre espetacular de Santana ecoa pelo recinto e a vitória começa a ser modelada ali mesmo. Depois do trecho cantado incrivelmente por Mercedes, Quinn toma a frente e se mostra bem mais confiante do que nos ensaios. O revezar de solos com Tina é encaixado com facilidade e, apesar da ótima apresentação, o brasileiro não consegue relaxar.

It's hot to feel the rush

To brush the dangerous

I'm gonna run right to

To the edge with you

Where we can both fall far in love

I'm on the edge of glory

And I'm hangin' on a moment with you

_ Por favor, me diga que essa cara de idiota é pela Quinn estar arrasando no palco e não porque você está morrendo de medo. – Rachel comenta em tom descontraído.

_ Definitivamente, isso é efeito Quinn Fabray. Mas, eu só estou preocupado, sabe? A coreografia é bem complicada e não tenho certeza se ela já ta bem o suficiente...

_ Você é adorável, sabia? – o rapaz coça a cabeça desconcertado – Mas, fique calmo...Quinn repassou esse número diversas vezes e vai dar conta. Ela é durona!

_ Acredite, eu sei disso... – a voz de Quinn é ouvida e os olhares se desviam para a apresentação – Eu...Só...Acho...Eu acho...Não...Eu amo essa garota... – a declaração sai mais alta do que o esperado e o restante do coral se foca na conversa alheia.

O rapaz só tem tempo de sorrir como resposta e sente o peso de Noah Puckerman em suas costas. Simplesmente, o bad boy tinha se jogado em cima dele e, agora, Sam Evans estava lhe importunando por soltar em voz alta que amava Quinn Fabray. Os dois eram ridículos. A canção cessa e as meninas correm para os bastidores, Rachel se apressa para tomar o lugar como solista na próxima música. Ele para abobalhado diante da namorada e enlaça a cintura sem desviar a sua atenção.

_ O que foi? Eu estou bem...Não se preocupe! – ela garante e leva as mãos ao rosto dele.

_ Eu sei...Só não consigo tirar os olhos de você, Quinn... Não consigo porque é você, é você que eu quero ao meu lado nos dias de glória...E nos dias não tão gloriosos assim... – a confissão deixa a garota sem palavras.

_ Você é meio maluco, não é? – ela gargalha alto – E eu acho que te amo por isso... – ele intensifica o sorriso antes de beijá-la.

_ Podem deixar esse agarramento para depois? Eu mesma arrumo um quarto para o casalzinho se tratarem de voltar a realidade e correrem para a marcação antes que a Berry comece o solo! – Santana berra com o casal que segue a risca as instruções.

Harmony e Tina sorriem derretidas pela declaração fofa e indicam o local a ser ocupado pelo brasileiro ao lado de Rory e Mike na outra ponta do palco. Metros a frente, Rachel faz um gesto de positivo e os holofotes focalizam a judia. A música mais sentimental é encerrada e, finalmente, o grupo inteiro surge diante do público... A levada mais agitada liderada por Finn e a coreografia mais exuberante empolgam a platéia. A correria coordenada, a música extremamente divertida, as vozes sensacionais, os pares se movimentam sem se perder em um entrosamento construído por anos de cumplicidade. Definitivamente, Will Schuester estava certo de que se não saíssem campeões daquele teatro algo de muito errado estaria acontecendo no planeta. Nos bastidores, os jovens explodem certos do bom trabalho realizado e correm para acompanhar a apresentação do atual campeão Adrenalina Vocal.

A estrela de Unique brilha e coloca um pequeno temor no rosto dos concorrentes. Nada que pudesse desfazer o excelente desempenho coletivo coral de Ohio. Vencer a competição nacional não traria de volta a bolsa de estudos perdida por causa da lesão, não evitaria a necessidade de repetir o semestre, não diminuiria as seqüelas que ainda atormentavam a namorada e não ajudaria em praticamente nada no dilema a respeito do futuro de seu relacionamento após a formatura. Faturar aquele título não modificaria em nada a jornada de Daniel Aragão Stuart, porém, não foi essa a sensação que experimentou ao escutar o nome do coral sendo anunciado como campeão nacional de 2012. Nada poderia mudar de fato, entretanto, as transformações que os meses em Lima lhe proporcionaram já valia todo o esforço. Uma chuva de papel picado cobre os vencedores e os gritos engasgados de campeão são calados pelos aplausos retumbantes da torcida. O troféu é recebido por Will Schuester e passa de mão em mão e mais tarde acabaria sendo erguido também pela maior inimiga da história do New Directions, Sue Silvester. Posteriormente, pois naquele instante tudo que o estrangeiro gostaria de fazer era abraçar e beijar a garota que lhe tirou do eixo e cumprimentar os melhores amigos que alguém poderia ter.