_ O dever desta semana é fácil. A formatura é daqui quatro dias e não precisamos nos preparar para mais nada. Nosso trabalho aqui acabou, então só resta uma coisa: dizer adeus. Calouros, escolham músicas para dizer adeus aos formandos. Formandos, encontrem canções nos dizer adeus. – Puck levanta a mão e o professor lhe dá a vez.

­_ O senhor esqueceu de nós três... Quero dizer, os retardatários. – a piadinha provoca risos inofensivos entre o grupo.

_ Yeah... Já alcançamos aquela etapa em que podemos fazer brincadeiras com essa estúpida reprovação, sabe? – confirma Daniel abraçado a namorada.

_ Parte de mim quer trancar essas portas e ficar aqui dentro com vocês para sempre. – confessa Mercedes.

_ Há três anos, éramos apenas cinco pessoas totalmente descoordenadas e que mal sonhávamos em acertar o tom de Don’t Stop Believing. – relembra Rachel.

_ Eu fico feliz que vocês tenham seguido em frente e continuado com o Glee Club. Honestamente, não consigo imaginar a minha vida sem os ensaios e a amizade de vocês. – relata Harmony levemente emocionada.

O primeiro encontro após o título nacional de corais resulta em um recordar interminável das confusões protagonizadas pelos adolescentes. O maestro se demora observando a interação entre seus estudantes e ao ouvir a narração de cada história sente que parte de si se despediria no fim da semana com a primeira debandada de alunos seus. Ele já tinha se despedido de excelentes jovens, contudo, jamais se conectara tão profundamente com outra turma. A tirada sarcástica de Santana gera uma onda de risadas, que aumenta com o comentário avoado de Brittany. Adam rebate com uma frase de Bob Marley e é bombardeado por citações de musicais encabeçadas por Kurt e Rachel. Sam e Puck imitam cenas de filmes de ação e Mike exige novamente a parceira com Daniel para ilustrar algumas acrobacias e Tina trata de acalmar o adorado dançarino que estava explodindo de orgulho após a oferta de bolsa de estudos para o curso de dança contemporânea na Julliard. Artie apanha o celular e relembra o comercial de “colchões” que quase culminou na eliminação prematura do grupo na primeira Seletiva. Sugar ressalta que a loja fora recentemente comprada pelo pai e propõe que a propaganda seja refeita. Entre gargalhadas, todos rejeitam a possibilidade e o brasileiro narra comicamente a “intimação” de Rachel para que se juntasse ao clube naquela ocasião e Mercedes confessa que explorou o seu homem na redecoração de seu quarto no mesmo dia em que abrigou a irmã branca. Por sua vez, Kurt relembra em detalhes o flagrante do primeiro beijo de Quinnel.

Finn ri ao compreender tamanha a bobagem que engoliu na época da gravidez da ex-namorada e Puck zomba do quarterback. O episódio que quase eclodiu o clube agora servia como piada pretérita e o hippie ainda contribui ao citar o maior sermão que o primo tomou na vida ao reconhecer que seria pai. Quinn revira os olhos pelas lembraças dos nove meses mais turbulentos de sua existência e repara que o estrangeiro mantinha o semblante descontraído e sente vontade de sorrir de volta. Então, Blaine solta a pergunta que estava esperando para finalmente compartilhar com os melhores amigos, a trajetória do quase casal. A origem dos casais é explorada pelo restante da tarde e segue com o início tumultuado de Finchel, Britanna, Tike, Rormony, Puckberry e tantas outras combinações malucas que só existiam na bagunça do New Directions.

Be courageous and be brave

And in my heart you'll always stay

Forever young, forever young, forever young

Na terça-feira, os veteranos se apresentam e a coreografia improvisada por Mike Chang entrosa facilmente todos os integrantes. Vinte e quatro horas depois, os novatos executam uma performance mais emotiva e abraços, promessas de manter a amizade sempre são renovados. No decorrer da semana, o destino dos seis graduados se torna mais concreto. Finn assina a documentação e confirma sua transferência para a capital de Ohio já planejando a sua ida muito em breve para Nova Iorque, que estaria abrigando Kurt e Rachel – aprovados oficialmente na NYADA – e Mike Chang. A mãe de Puck responde bem as primeiras sessões do tratamento contra o tumor, Adam assume alguns horários do primo na Empresa de Vigilância de propriedade de Michael Chang, que considera promover Sam e Daniel. Pela primeira vez, o pai do melhor dançarino do coral sugere que os dois repetentes pensem na hipótese de permanecer na cidade e freqüentar a Faculdade Comunitária do Condado.

A proposta profissional chega aos ouvidos de Quinn, que ainda relutava em definir seu futuro. Após tantos dramas, a opção pelo palco não parecia mais tão apropriada. Ela devorava mais um livro emprestrado pela fisioterapeuta e mãe de Harmony Geller, quando escutou o barulho de uma cadeira sendo puxada ao seu lado.Imediatamente, a sensação de vigília recai sobre a garota, que considera mais apropriado abandonar a leitura e se concentrar no imigrante, que lhe sorria largamente.

_ Estudando na última semana de aula? Isso não é normal para você ou para qualquer pessoa com vida social. – brinca o rapaz em referencia a conversa de um ano atrás.

_ Só queria terminar esse livro com tranqüilidade. Os últimos dias de aula costumam ser bem barulhentos — fala alcançando a mão dele – É estranho eu achar que vou sentir saudade desta biblioteca? Muitas coisas aconteceram aqui, especialmente, entre nós.

_ Quinnel aconteceu nesta biblioteca. – ele brinca com o apelido do casal – Eu vou sentir falta de ter você nos meus braços... — ela é envolvida pelo abraço estrangeiro.

_ É a minha vez de prometer voltar, não é? – o rapaz ri pela coincidência em estar na mesma situação de 365 dias atrás. No verão anterior, Daniel estava de partida para o Rio de Janeiro. Logo, Quinn deixaria Lima.

_ Você não precisa falar sobre isso.

_ Sim, eu preciso... Preciso, porque eu ainda to analisando as minhas opções... Caso, Yale não me pareça a escolha certa.

_ O que você ta pensando?

_ Lembra que eu também me inscrevi na Ohio State? Então, eu e Finn fomos aprovados e posso tentar outro curso... Acho que vou deixar o teatro para a Rachel e o Kurt.

_ Isso explica porque você se escondeu na biblioteca para ler o quarto livro da Rebecca neste mês. Me diz, você se enxerga fazendo esse tipo de coisa no futuro? – a garota sinaliza que sim e ele dá de ombros – Deve ser a primeira vez que alguém rejeita Yale.

_ Sempre existe uma primeira vez para tudo, cara. Mas, do que diabos vocês tão falando? – Sam se acomoda a frente dos amigos.

_ To seriamente considerando a possibilidade de me matricular em Fisioterapia, na Ohio State. Acham que é muita loucura desistir de Yale e me mudar para Columbus?

_ É sua vida, sister. Ninguém duvida do seu potencial, Quinn. E eu acreditaria que você seria bem sucedida mesmo se quisesse ser astronauta. – confessa a irmã negra.

_ Eu realmente me impressionei com o trabalho e a perspectiva de ajudar os outros a superar os próprios limtes, sabem? E bem, a Rebecca me apresentou um projeto de hidroterapiapara o verão...E achei incrivel... Poderia conciliar as minhas sessões de fisioterapia e descobrir se essa poderia ser mesmo a minha profissão.

_ Sinceramente, eu acho que você leva jeito...Lembro que tava me recuperando da lesão no ombro, quando começamos a namorar e você decorou os horários e os exercícios... E neste ano, orientava o Dan quase tão bem quanto a Rebecca nos treinos de natação. – revela o loiro para alegria da ex-namorada.

_ Eu confio na sua decisão, branquinha. – o apelido arranca risinhos dos amigos e ele revira os olhos – Agora, preciso ir. Eu e o Puck combinamos de passar na casa da Brittany para inventar algo para o próximo ensaio. As apresentações deixaram o nível muito alto para a gente! – brinca o rapaz antes de beijar a namorada e se retirar do local.

Puck mira o relógio e bufa indignado. Estava perigosamente atrasado para apanhar a mãe na sessão de quimioterapia e sequer tinham decidido a canção para a tarefa da última semana de aula. A ideia de se reunir na casa de Brittany para ensaiarem tinha sido idiota e a loira despertava sua fúria cantarolando para o bicho de estimação.

_ Chega! Brittany, dá para largar esse gato idiota? – berra o bad boy.

_ Lord Tubbington está sofrendo pela abstinência de crack e só essa música lhe acalma – ela continua a embalar o bichicho com Smelly Cateternizada por Phoebe Buffay na série Friends.

Smelly cat, smelly cat

What are they feeding you?

Smelly cat, smelly cat

It's not your fault

_ Pelo menos, você pode parar de incentivar essa babaquice? – o judeu critica o brasileiro que acompanhava a canção com o violão.

_ O que diabos ta acontecendo? Só estamos nos divertindo e...Uau! Como eu não pensei nisso antes... Podemos usar essa música! – cogita o garoto para espanto do cara do moicano – Não, Smelly Cat... Mas, I'll Be There For You, a música de abertura, lembram? Não existe nada que fale mais de amizade do que o tema musical de Friends!

Então, ninguém te contou que sua vida seria assim

Seu emprego é uma piada, você está falido,

sua vida amorosa vai de mal a pior

É como se você estivesse sempre preso na segunda marcha

Quando não é pra ser seu dia, sua semana, seu mês ou até seu ano mas,

Brittany aplaude a sugestão e o encrenqueiro dá o braço a torcer. Era uma ótima escolha! E quando, o ritmo da melodia começa a ser tocado pela guitarra de Puck e o violão de Daniel, a maioria dos adolescentes reconhece a famosa composição. A loirinha puxa a primeira estrofe e ganha instantaneamente o reforço de todo o New Directions. Will leva a mão aos cabelos pela escolha bastante peculiar e gargalha pela afeição do afilhado ao seriado. Honestamente, fazia todo o sentido. O refrão era a tradução mais exata dos laços de amizade criados em três anos de convivencia no coral.

Eu estarei lá pra você

Quando a chuva começar a cair

Eu estarei lá pra você

Como eu já estive antes

Eu estarei lá pra você

Porque você tambem esteve lá por mim

Entretanto, deveria haver mais. Kurt se despede com uma apresentação individual, Rory escolheu um hino tipicamente irlandês para exaltar a sua pátria e era impossível negar o pedido do padrinho. Daniel deveria dizer adeus ao invés de goodbye. É, isso mesmo. O maestro solicitou que apresentasse uma canção em português para o último encontro do ano e toda a comoção da época só lhe colocava uma frase na cabeça. “O para sempre, sempre acaba”. Desta forma, “Por Enquanto” se encaixou tão perfeitamente ao seu desejo de se fazer compreendido. Ele era péssimo com as palavras, pior ainda para guardar datas e um completo desastre para encontros românticos. Mas, de alguma forma, o rapaz queria dizer que estaria ali, que mesmo se o universo lhes obrigasse a separar seus caminhos, o mundo giraria denovo e tornaria a colocá-los frente a frente. Tudo teria seu tempo e logo, seria o tempo de Quinn tomar as rédeas da própria jornada. Na verdade, a verdade era bem maior. Maior que seu dilema amoroso, maior que sua frustração declarada em ficar para trás. A verdade era que o estrangeiro se sentia amplamente acolhido no meio daqueles estranhos e adotara Lima como seu lar. Ele amava o Rio de Janeiro, contudo, jamais se esqueceria da família que construiu em Ohio. O Menino do Rio seria eternamente grato pelo homem que a troco de nada lhe ofereceu uma casa, pela garota maravilhosa que lhe abriu o coração e pela ruiva mais atrapalhada do mundo que sorriu ao ser chamada de madrinha. Ele estava feliz por ter que ser obrigado a passar mais seis meses no local que aprendeu a denominar casa.

Mudaram as estações, nada mudou

Mas eu sei que alguma coisa aconteceu

Tá tudo assim, tão diferente

Finn Hudson, Mike Chang, Kurt Hummel, Quinn Fabray, Rachel Berry e Santana Lopez. Os seis nomes são chamados por Emma Pillsbury para o centro do palco para receberem os diplomas em meio à salva de palmas dos familiares. Willian Schuester vibra pelos formandos, entretanto, não deixa de notar os semblantes pesarosos de Daniel e Puck sentados no auditório. A dupla tentava ocultar a frustração e parabenizar os amigos pela conquista que também deveria ser deles. A colação de grau é encerrada e o festejo é transferido prontamente para o Breadstix. A maioria dos estudantes do colégio lota o restaurante, Artie assume a mesa de som e a música eletrônica levanta a multidão. Extasiada pela realização, Quinn arrasta o brasileiro para a pista de dança sem reparar no esforço dele para não estragar a festa alheia. Com o avançar do horário, o estabelecimento fecha as portas, os jovens se dispersam e os componentes do Glee Club acatam a sugestão de estender a diversão na casa de Burt Hummel. Afinal, a data deveria ser para celebrar os triunfos individuais e coletivos do New Directions.

Se lembra quando a gente

chegou um dia a acreditar

Que tudo era pra sempre sem saber

que o pra sempre sempre acaba

E se? Noah Puckerman tinha dezenas de perguntas que poderiam ter revolucionado a sua trajetória. Atualmente, ele virava o copo de cerveja sentado no muro em frente a casa de Finn Hudson e a única possibilidade que passava pela sua cabeça era “e se nao tivesse reprovado?”. Provalmente, estaria se embebedando juntamente com os amigos e dando em cima de todas as garotas em um raio de cinco quilômetros. Em compensação, estava de saco cheio da comemoração dos integrantes do coral e sem empolgação nenhuma para corresponder aos incessantes olhares da nova líder de torcida, Kitty. Por isso, ele nem se queixou em acompanhar a debandada dos formandos para a residência Hudson-Hummel. A noite, ou melhor, o semestre estava perdido mesmo. Seu nome é repetido. Ele se vira, reconhece o comparsa e responde com um palavrão. O copo de plástico passa a centimentros de seu ombro e o outro repetente se escora a edificação com ar e expressão entediados.

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou

Quando penso em alguém, só penso em você

E aí, então, estamos bem

_ A noite ainda ta uma porcaria? – dispara o judeu bebericando a sua cerveja.

_ Yeah, acho que eu ia quebrar a cara do Finn se ouvisse mais alguma coisa sobre a Ohio State. – reclama o brasileiro pela péssima lembrança.

_ Finn ainda não se tocou que é a universidade que tirou a sua bolsa? É um babaca mesmo. O que acha que faríamos se tivéssemos nos graduado?

_ Não sei... E sinceramente, pode ter sido melhor assim, cara. Já pensou nisso?

_ É, você pode ter razão. Então, qual a parte boa da Quinn trocar New Haven por Columbus?

_ Você deveria perguntar para ela, não tive nada haver com isso. Nós não estamos novamente juntos... Quero dizer, estamos... Só não sei até quando... – revela o carioca.

_ Se nós tivéssemos nos formado, vocês estariam juntos definitivamente? – dispara o bad boy e o amigo dá de ombros.

_ Não sei, Puck. É uma possibilidade...

_ E se nós formarmos e formos perder a cabeça no Rio de Janeiro no ano que vem?

_ Definitivamente, é uma possibilidade. Temos um trato? – o brasileiro sela o combinado.

_ Yeah, nós temos um trato. – Puck bebe o último gole antes de arremessar a cerveja ao longe e retornar com o melhor amigo para o interior da casa. Em seis meses, seria a sua vez de comemorar e prometia a si mesmo não deixar pedra sobre pedra.

Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está

Nem desistir, nem tentar, agora tanto faz...

Estamos indo de volta pra casa...