Miguel
8 O Grande Soldado e o Herói
Após perder a consciência pela falta de sangue, Bela dorme e sonha, não como Miguel sonha, que sempre se entretém com anjas cantando metal e travesseiros de pena de ganso. A jovem sonha com Miguel, surgindo na sua frente, com sua armadura branca e suas asas brilhantes, perguntando se ela gostaria de passear com ele. Tudo isso em e meio a diversas plantas carnívoras gigantes comendo legumes.
Após se perguntar se elas continuavam sendo plantas carnívoras se comiam grãos de soja, Bela acorda, tonta, e vê três magos vestidos de branco ao seu redor, curando a sua perna.
Bela balança a cabeça e, já se sentindo melhor, pergunta:
— Onde eu estou?
Uma voz grave, imediatamente, responde:
— Você está na minha casa.
Bela olha para a direção da voz e reconhece o rosto do rei do País dos Espadachins, Artras, O Espadachim das Dez Mil Lâminas. A jovem pensa em algo para dizer, mas é interrompida por um dos magos brancos que a curavam dizendo:
— Nós terminamos. Infelizmente, vai ficar uma cicatriz.
Bela olha para a sua perna e vê uma marca de cinco centímetros, na perna que o Grande Soldado que a capturou cortou, e alisa a marca, verificando se ainda sentia alguma dor. Logo após isso ela olha para os lados e vê que está no salão principal do castelo real, onde um tapete vermelho se estendia da porta até o trono, cercado por estátuas gigantes com a imagem de grandes espadachins, que aumentavam gradativamente de tamanho até chegar no primeiro Soldado Divino do País dos Espadachins, seu ancestral, o criador do Estilo Retalhador de Almas.
Artras se levanta de seu imenso trono dourado, olha para a estátua logo atrás dele e pergunta, sério:
— Não basta fugir, você tem que se esconder debaixo do meu nariz?
Bela se levanta, suspira e, calmamente, diz:
— Eu não fugi, eu apenas fui embora, Artras.
Um homem que estava fora do imenso salão em que se encontravam, anda rapidamente para dentro do salão, dizendo:
— Quem você acha que é para chamar nosso rei pelo nome?
Artras encara o homem que entrou e, demonstrando uma leve irritação, diz:
— Ela, assim como você e eu, é uma das sete sucessoras, dos sete grande estilos do País dos Espadachins. Ela tem todo o direito de me chamar pelo nome e, caso um dia alcance o nível de força necessária, será candidata a minha sucessão, Mir.
Mir, da Espada Fugaz, para de andar e abaixa a cabeça, envergonhado. Ele se orgulhava de ser o mais dedicado dos cinco Grandes Soldados de Artras e fazia de tudo para não trazê-lo problemas.
Bela, triste, diz:
— Não, Artras, eu não sou a sucessora do estilo Retalhador de Almas. Estaria envergonhando meu ancestral, cuja estátua repousa atrás do seu trono se dissesse que sou a sucessora do seu estilo. Eu nunca aprendi o Ougi, sem isso, o estilo jamais será a sombra do que foi na era dos titãs. A única pessoa que poderia suceder é o homem que treinou com meu pai anos antes da sua morte. Ele se chama Hell e você não parece disposto a trazer ele de volta, ou mesmo enfrentá-lo pelo que fez com o meu pai.
Artras anda um pouco e diz:
— Ele é um Soldado Divino e, como tal, não precisa responder as nossas leis. Você, entretanto, precisa e não existe nada que diga que o estilo não pode ser sucedido por alguém que desconhece o Ougi, apenas que o seu sucessor não deve deixar o país, a menos que ele seja um Grande Soldado que, como ajudante do seu Soldado Divino, deve ser livre para andar pelo mundo.
Bela encara Artras e, séria, diz:
— Se o estilo Retalhador de Almas é só mais um estilo, não mais uma arte lendária, nada disso faz sentido. É bem melhor viajar pelo mundo, servindo a mulher que me salvou e trabalhar para me tornar uma guerreira melhor, independente da técnica usada. Sua preocupação está muito mais ligada a uma lei antiga que ao bom senso.
Artras anda em direção a saída do salão, enquanto diz:
— Nossa lei é clara. Você deveria ter ficado nesse país e, por não ter o feito, deverá sofrer a punição estabelecida.
Bela, surpresa, pergunta:
— Existe uma punição específica?
Artras para de andar, vira o rosto para trás e diz:
— Você deve receber o selo do país. Uma vez que você o receba, será impossível para você se afastar dessa terra e deverá cumprir sua missão como sucessora do estilo.
Bela balança a cabeça e fala:
— Eu conheço esse selo. Ele é irremovível, mesmo se eu me tornar uma Grande Soldada algum dia, eu jamais poderei sair daqui.
Artras vira o seu rosto novamente para a saída e volta a andar, dizendo:
— Farei as preparações para o selo. Mir, conduza-a à prisão.
Artras atravessa a entrada e Mir aponta a direção para qual Bela deve ir. A jovem, chocada, segue sem questionar. Ela estava sem suas espadas, mas mesmo se estivesse com elas, não haveria nenhuma reação que pudesse esboçar. Talvez tivesse alguma chance contra o espadachim a Espada Fugaz, mas não havia como vencer o Espadachim das Dez Mil Lâminas.
Enquanto andava para fora da imensa casa de Artras, o atual Rei dos Espadachins, Bela olhava para as paredes com desenhos até o teto e ouvia seu pai dizendo que, enquanto ela não estava lutando, ela devia estar decorando. Todas as pessoas do país dos espadachins devem trabalhar para aprimorar os desenhos, o jardim e toda forma de decoração do lugar onde vivem. Ela tinha orgulho de ser do País dos Espadachins, mas ela odiava trabalhar com decoração e viver por lá seria um verdadeiro martírio.
Bela, acompanhada por Mir chega ao portão da imensa prisão, onde deveria permanecer até que Artras voltasse. A jovem andava cabisbaixa, pensando em como sentiria falta do Miguel. Ele havia dito aquilo para ela, mas ela não conseguia evitar de pensar bem dele e isso a deixava revoltada. Por fim, ela levanta a cabeça e entra na prisão com mais raiva cada vez que pensa nos olhos de cores de diferentes do herói olhando para ela.
Uma vez que o portão atrás dela é fechado, Bela olha ao redor e vê dezenas de homens e mulheres confinados em um espaço aberto gigante, cercado por muros, mais grossos que a cabeça do Miguel conseguiria quebrar, com desenhos por todos os lados. Percebendo a entrada da jovem espadachim, um homem imenso grita, debochado:
— Olhem a gostosa que chegou!
Bela estava furiosa com o que estava acontecendo, com o que aconteceu no dia anterior e com as paredes da prisão, na qual, se ela permanecesse muito tempo, ela também teria que decorar. Ouvir aquela palavra novamente foi muito além do que podia aturar. A jovem, cega de raiva, se aproxima rapidamente do homem que havia feito o comentário, sobe sobre seus ombros, e acerta o seu pescoço com força, deixando-o inconsciente.
Os cinco amigos daquele homem começam a se afastar vagarosamente, até que um jovem, que estranha a reação deles, pergunta:
— Vocês não vão vingar ele? Ele é amigo de vocês.
Bela que, por alguma razão, fica com a audição mais apurada quando está com raiva, corre até os amigos do homem que havia acabado de derrubar, e os golpeia, deixando cada um deles inconsciente com um golpe, até chegar no último, que consegue desferir um soco em seu rosto e, logo depois, tem a sua mão puxada e é arremessado nas grades da cela.
Imediatamente vários homens e mulheres, que haviam ido parar na prisão porque estavam acostumados a tomar partido no que não era problema deles, se jogam sobre Bela, que continuou se desviando e atacando. Após alguns minutos, todos que haviam ido parar na prisão por aquele motivo já estavam inconscientes e a jovem, bem mais calma, e já arrependida, pensa em como havia ficado muito mais irritada com o comentário do Miguel que com a atitude de Artras, ou com as paredes que ela teria que decorar pelo resto da vida e pergunta a si mesma:
— Por que o que o Miguel fala me afeta tanto?
Após uma longa noite, que ficava maior cada vez que Júnior fazia uma piada sobre a altura no Miguel, Jack para em frente a uma cada incrivelmente enfeitada e bate na porta, enquanto Isabela comenta:
— É realmente muito bom da parte desse país usar casas de bons cidadão para aplicar medidas sócio-educativas em vez de prisão.
Uma mulher loira, de quarenta anos e dois metros e vinte centímetros de altura, abre a porta e abraça Jack dizendo:
— Jack, você voltou.
Júnior para por um momento de fazer comentários sobre a altura de Miguel e, após pensar sobre o que estava acontecendo, diz:
— Tome cuidado, Miguel. Com a sua altura, ela pode pensar que você é um bebê dela.
Miguel balança a cabeça e, após se recuperar do fato de ter se surpreendido com Júnior fazendo uma piada em vez de questionar o que obviamente estava errado e arriscando a vida da Bela, e grita:
— Júnior, chega! Eu sou só dois centímetros menor que você. Agora você, Jack!
Jack, que já estava se alinhando na parede, para que sua mãe marcasse sua nova, altura, para comparar com a de quando saiu, pergunta:
— Vocês querem passar a noite aqui em casa?
Isabela olha a parede e diz, batendo palmas:
— Uau, parece que o Jack ainda está em fase de crescimento.
Miguel, com a pálpebra tremendo de raiva, grita:
— Você não ia levar a gente pra prisão?
Jack olha para Miguel e diz:
— É verdade, eu tinha esquecido. Tchau mãe, eu venho te visitar!
Jack corre pela rua velozmente, até ser interrompido por sua mãe, gritando:
— A prisão é pro outro lado!
Jack para de correr e diz:
— É mesmo!
Jack começa a correr para o outro lado e sua mãe, rindo, diz:
— Eu adoro isso. Vocês são amigos dele?
Miguel esfrega a mão no rosto e diz:
— Sim, somos.
A mãe de Jack, sorrindo gentilmente, pede:
— Tem como vocês me mandarem cartas uma vez por mês falando como ele está? Eu me preocupo bastante e ele não costuma se lembrar desse tipo de coisa.
Júnior sussurra:
— Desse tipo?
Isabela, sorrindo, diz:
— Eu mandarei sempre que possível, senhora.
Miguel suspira e diz:
— Obrigado por nos ajudar. Agora vamos. Tchau, senhora!
Júnior e Isabela acenam e a mãe do Jack responde, acenando e dizendo:
— Divirtam-se crianças!
Após alguns minutos correndo velozmente pela cidade, Júnior vê a prisão, para de correr e grita:
— Pessoal, chegamos. Olhe o espadachim da Espada Fugaz ali! Vamos nos juntar aqui e fazer o nosso plano para entrar correndo o menor risco possível e...
Isabela para ao lado de Júnior, que se prepara para falar, quando vê Miguel e Jack correndo velozmente na direção de Mir. A maga de fogo balança a cabeça e pergunta, descrente:
— Por que guerreiros não conseguem entender que está liberado pensar antes de brigar?!
Isabela, preocupada, diz:
— Relaxa. Eles devem estar indo conversar. Não faria brigar diretamente com um Grande Soldado cercado de espadachins.
Mir, ao ver Miguel se aproximar, calmamente diz:
— Eu lembro de você. Escute, eu sei que você está preocupado com a sua amiga, mas ela está bem, eu a trouxe aqui por causa de um crime que ela cometeu, mas ela já foi julgada e em breve...
Mir é interrompido por cinco mini-socos em seu rosto. O espadachim da Espada Fugaz estava em choque. Ele jamais imaginaria que um jovem desconhecido teria coragem de lhe atacar.
Os espadachins que estava próximos imediatamente atacam Miguel, que é defendido por Jack, que os bloqueia com a sua espada gigante e começa a jogá-los para trás cada vez que ataca.
Isabela, tremendo, pergunta:
— O que eu faço pra ajudar?
Júnior suspira, com raiva, corre na direção de um grupo de espadachins se aproximando do Miguel e do Jack e salta, dizendo:
— Combustão!
Júnior, cospe uma imensa labareda que se expande rapidamente e coloca todos próximos a ela fora de combate. Quando ela toca o chão, estranhamente, ela não se sente cansada e Isabela, ao seu lado, diz:
— Já sei o que vou fazer, vou ficar te dando magia pra gastar e no final eu recupero vocês.
Júnior se prepara para fazer um comentário debochado, quando vê um espadachim estocando Isabela com uma espada. Desesperada, a maga de fogo atira uma corrente no espadachim que atacou a maga branca, o coloca fora de combate e ouve a outra maga, sorrindo, dizer:
— Não se preocupe. Meu pai estava preocupado que eu me machucasse em combate, então ele me treinou para desenvolver o poder do dragão na parte de resistência. É necessário um pouco de força para me ferir.
Júnior olha para Isabela, de cima a baixo e estranha a ausência calos e cicatrizes nas mãos. Não é possível desenvolver o poder do dragão sem forçar a característica que você quer desenvolver. Aquilo era estranho e, embora valesse a sua atenção, provavelmente levaria mais tempo para lidar que o que ela tinha disponível para salvar Jack, que havia se prendido em um esquife de gelo, mas dessa vez, por acidente.
Mir, percebendo que teria que lutar sozinho com Miguel, o ataca velozmente com uma movimentação lateral de sua espada, dizendo:
— Estilo Espada Fugaz: Milésimo Lateral.
Miguel usa a habilidade de Júnior, cobre o seu braço esquerdo com correntes e defende o ataque. O herói estava irado com aquele homem, que capturou Bela e fugiu, mas sabia que tinha que manter a mente fria para pensar em estratégias que pudessem combater um inimigo tão rápido.
Mir ao perceber que falhou no ataque, recua e prepara sua próxima investida, dessa vez ele se aproxima rapidamente, até chegar a uma distância de um metro e desembainha a espada, dizendo:
— Estilo Espada Fugaz: Inicio Mortal!
Miguel usa novamente as correntes para proteger o seu corpo, mas dessa vez tem que usar suas duas mãos, que quase tem seus ossos quebrados com a pressão do ataque.
Mir tenta recuar novamente mas Miguel, já esperando isso, avança em sua direção, enquanto imobiliza a espada e soca o rosto do seu oponente, que tem o seu nariz quebrado.
Mir surpreso com aquele ataque, escapa e tenta ignorar a dor imensa em seu rosto para preparar seu próximo golpe, mas tem dificuldade para iniciar, visto que tem que desviar de todos os mini-socos desferidos por Miguel, que tenta acertá-lo de longe.
Finalmente, Mir escapa do alcance do Miguel e, lança seu ataque de maior distância, no qual corre velozmente até o inimigo com a espada em posição de estocada, enquanto diz:
— Estilo Espada Fugaz: Investida!
Miguel usa novamente as correntes para se defender, mas dessa vez é ferido no ombro e tem que recuar, o que ele faz enquanto puxa a espada, que estava presa entre as correntes, atraindo Mir para seu alcance de ataque, onde pode chutar lateralmente e quebrar as suas costelas.
Mir recua, em pânico. Com suas costelas quebradas ele teria muita dificuldade para lutar. Miguel também tinha um ferimento grave, mas não estava preocupado, já sabia o que fazer quando seu oponente avançasse.
Mir levanta o rosto e, com um tom de ódio, diz:
— Você está copiando as habilidades de outras pessoas. Você é um atlante, não é?!
Miguel, sério, diz:
— Eu não sei e eu não me importo. Venha logo para que eu possa me vingar de uma vez por todas por sequestrar a Bela.
Mir, encara Miguel e, confiante, diz:
— Ougi...
Mir segura a sua espada com as duas mãos, com a ponta em direção ao chão e diz:
— Estilo Espada Fugaz: A Lâmina que Parte a Terra!
Miguel imediatamente copia a habilidade de Ren e cria ilusões dele. Mir, que já havia iniciado o ataque, parte o chão, dez metros antes e vinte depois de uma das ilusões do herói, que acerta a cabeça do espadachim assim que o ataque dele completa e ele está fora de posição para recuar. Um Ougi não é útil quando erra o alvo.
Seu inimigo foi derrotado, mas Miguel dessa vez não cai inconsciente. Ele estranha isso, mas não há tempo para se importar. Ele segue para o portão da prisão, que abre usando uma das chaves que estavam presas ao cinto de Mir.
Jack, Júnior e Isabela continuam combatendo os espadachins enquanto Miguel abre o imenso portão e grita:
— Bela! Você está aí?!
Bela escuta a voz de Miguel, vira a cabeça na direção dele, surpresa, e vira para o lado oposto logo depois, gritando:
— Vai embora!
Bela vê vários prisioneiros se aproximando do portão e grita:
— Ele, vocês ficam aí mesmo!
Os prisioneiros, que já haviam adquirido respeito pelo medo dela, voltam para o lugar onde estavam. Miguel balança a cabeça, exausto, e diz:
— Eu vim aqui pra te levar de volta. Desculpe pelo que eu disse!
Bela, virada de costas para Miguel, pergunta:
— Por que você não leva a Júnior de volta, ou a Isabela?
Miguel se aproxima de Bela, dizendo:
— Você é muito bonita, não tão bonita quanto a Júnior, mas muitos mais séria, forte, corajosa e determinada. Eu preciso de você, Bela.
Bela vira o rosto na direção de Miguel novamente e diz:
— Mas Júnior é muito mais é uma maga bonita, engraçada e sábia que eu. Por que você quer que eu volte?
Miguel põe a mão no peito e pensa, até que consiga expressar o que sente:
— Bela, eu estou sentindo uma pressão no peito há vários dias e por mais que isso seja estranho, ela faz com que eu me sinta bem, mas desde que você foi embora essa pressão tem me tirado o fôlego e cada vez que eu penso que você pode estar em perigo eu sinto uma pontada bem aqui. Eu gosto da Júnior, mas acho que essa sensação maravilhosa e terrível está ligada a você. Eu preciso que você venha comigo.
Bela se vira completamente para Miguel e, chocada com a declaração do herói, pergunta:
— Você está dizendo que está apaixonado por mim?
Miguel pensa no que Bela diz, pensa em várias coisas que quer dizer, mas é interrompido pela voz grave de Artras, perguntando:
— O que está acontecendo aqui?!
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