Miguel

9 O Vermelho Fervente e o Heroi


Bela vê Artras, do lado de fora da prisão, e corre em sua direção, dizendo:

— Rei, desculpe, o meu amigo, Miguel, ele perdeu a memória, não sabe quem ele é e vem viajando comigo. Ele estava lá quando Mir me capturou e, sem saber o que estava acontecendo, veio me salvar. Ele não tem nada a ver com isso. É inocente por ignorância da situação. Eu aceitarei o selo sobre mim como minha devida punição sem resistência, mas por favor, deixe ele ir.

Miguel olha para Bela, para Artras e, irado, pergunta:

— Ele é o rei? Digo, ele é o responsável por toda essa loucura?!

Todos que ouviram aquilo paralisam, incluindo Júnior, Isabela, Jack e os espadachins contra quem lutavam. Artras não havia sido tão afrontado em décadas e não era preciso conhecê-lo para saber disso. Ele era um Soldado Divino, um dos catorze homens mais fortes do mundo. Poucas pessoas teriam cacife para dizer algo assim e elas raramente se encontravam.

Enquanto todos compartilham aquele silêncio de incredulidade, Miguel se aproxima de Artras e grita:

— O que deu em você pra mandar alguém raptar ela?

Artras, completamente desnorteado, responde:

— Ela não foi raptada, ela descumpriu uma de nossas leis e foi capturada de volta para sofrer sua punição!

Miguel, possesso, grita:

— Que lei, a de sair do país?

Artras balança a cabeça e diz:

— Sim, ela é uma das sucessoras ela não pode sair!

Miguel, com a sobrancelha tremendo de ódio, diz:

— Por que ela não pode sair?

Artras respira fundo e responde:

— Porque essa é a nossa lei!

Miguel se aproxima mais de Artras e, de frente para ele, diz:

— Qual é o propósito de uma lei que só serve para tornar a vida das pessoas pior?

Artras, já recuperado do susto e irritado, diz:

— Não importa o propósito! Você não quer que eu mude uma lei de oitocentos anos apenas por causa dela, quer?

Miguel, furioso como não se lembra de ter estado, diz:

— Não, eu quero quebrar a sua cara, levar a Bela embora e depois você pode fazer o que quiser!

Miguel cutuca o peito de Artras, que arregala os olhos quase além das suas órbitas. Um garoto completamente desconhecido havia acabado de dizer que ia quebrar a cara dele. Não haviam protocolos para isso. Isso nunca havia acontecido antes. Após pensar no que poderia ser dito nessa situação, o Espadachim das Dez Mil Lâminas diz:

— Nem se você viesse com a Bela e esses outros que vieram com você, juntos, vocês teriam qualquer chance de sequer me ferir.

Miguel, determinado, diz:

— Não precisa de todos nós, eu e Júnior somos mais que o suficiente.

Júnior, após ouvir a última fala do Miguel, muda sua expressão de paralisada para revoltada. De maneira nenhuma ela pretendia lutar com um Soldado Divino e Miguel havia acabado de colocar ela, logo ela no desafio.

Júnior, incrédula, diz:

— Espadachim das Dez Mil Lâminas, eu juro que eu não tenho nada a ver com isso e não quero lutar com você. Eu quero lutar com ele, aliás. Como ele tem coragem de afrontar um rei tão maravilhoso, bom e seguidor das tradições como você?

Artras, irritado, ordena:

—Junte-se a ele agora, bem aqui! Vocês dois, saiam da prisão e fechem o portão, antes que algum preso escape!

Bela e o Miguel saem da prisão, fechando o portão e Júnior anda vagarosamente na direção deles, pensando em todas as coisas que queria fazer antes de morrer, das quais metade eram matar o herói de diversas maneiras. Ela sabia que ele não tinha memória, mas isso não justificava fazer o que ele fez. "Se alguém não entende o lugar em que está, o melhor é ficar quieto e ouvir os outros", pensava a jovem maga.

Júnior, ao chegar ao lado de Miguel, soca a barriga dele com toda a sua força, fazendo com que o rapaz caia no chão, enquanto ela diz:

— Miguel! Por que você fez isso comigo?! Será que você não consegue ficar um instante calado?

Miguel se levanta, com dificuldade de respirar e, com um expressão alegre, diz:

— Desculpe, Júnior, mas é que eu só confio em você pra cuidar das minhas costas. Digo, Eu gosto da Bela, da Isabela e tento gostar do Jack, mas você, apesar de irritante, consegue me divertir com o que fala e é extremamente inteligente e razoável. Eu não sei explicar, mas acho que você é... Alguém com quem eu posso contar. Eu sei que só nos conhecemos há três dias, mas acho que você é a melhor amiga que eu vou encontrar por aqui.

Júnior sorri, mas tenta disfarçar batendo no braço do heroi, enquanto diz:

— Para, Miguel. Você está me colocando numa batalha suicida e eu não estou de boa com você!

Bela se aproxima do Miguel e, tremendo, diz:

— Talvez ainda dê tempo de voltar atrás e resolver do jeito que eu disse...

Artras interrompe Bela, dizendo:

— Não, não é possível. Todos, afastem-se!

Bela se afasta de Miguel, cheia de medo. Miguel era forte, não havia dúvida quanto a isso, mas mesmo se ele pudesse usar magia, derrotar três gigantes não estava nem perto do feito que seria derrotar Artras.

Miguel olha para Júnior e vê que sua expressão já mudou completamente, para aquela séria e solene, o que o deixou aliviado. Ela levaria aquela luta a sério. Artras, irritado e sem mais nenhuma paciência para conversar, se move na direção do herói, com uma velocidade superior a de Mir e ataca, dizendo:

— Estilo das Dez Mil Lâminas: As Cinco Lâminas que Saem da Terra!

Miguel tenta se desviar, mas é incapaz de pular a última das cinco e, sem ser capaz de ver uma solução, é salvo por Júnior, que o puxa com uma corrente, pelo braço, salvando-o.

Artras, que falhou no seu primeiro ataque, avança novamente na direção de Miguel, sendo bloqueado por Júnior, que usa mais uma vez a "Combustão" e faz com que ele perca o alvo de vista.

Já livre da imensa explosão de Júnior, Artras corre na direção da jovem, que é salva dessa vez por Miguel, que copia a habilidade dela e a puxa com as correntes para o lado dele.

Pronto para contra atacar, Miguel corre para longe de Júnior e copia a habilidade de Ren, fazendo com que Artras erre o alvo e ele possa se distanciar o suficiente para que Júnior prenda a perna de do Espadachim das Dez Mil Lâminas e o puxe para trás, derrubando-o.

Artras, que não esperava que isso fosse acontecer, se levanta, disposto a terminar com aquilo depressa, corta a corrente que prende o seu pé e pula para longe dos dois, ficando a uma distância segura do ataque que ele mesmo iria lançar, e diz:

— Estilo das Dez Mil Lâminas: As Quatro Espadas que Matam de Longe!

Artras desembainha a sua espada e faz surgir um vórtice com quatro lâminas gigantes se movendo na direção de Júnior, que cobre o seu corpo de correntes e desvia para fora. O espadachim continua lançando esses ataques, hora em Júnior, hora em Miguel, que vê que vê uma abertura na técnica do inimigo e grita:

— Júnior, no centro das espadas não existem lâminas, tente pular no centro.

Júnior, completamente focada no combate, entende a ideia do Miguel e começa a segui-la. Os dois vão desviando e se aproximando, até chegarem a uma distância de onde podem atacar e Artras, percebendo isso, diz:

— Estilo das Dez Mil Lâminas: As Duas Espadas que Acertam de Lado.

Artras lança um ataque de curta distância, do qual Miguel e Júnior não poderiam fugir, já que seria atacados pelos dois lados, sendo parado antes de completar a técnica por um homem moreno, com cabelo trançado, de terno, usando uma espada para bloquea-lo.

Artras, possesso, pergunta:

— Lucas, o que você está fazendo aqui?

Lucas, o Vermelho sorrindo, encara Artras e diz:

— Salvando a sua vida. Andressa acabou de nomear Bela a sua sexta Grande Soldado, ela está acima das suas leis e o coloca em confronto direto com o grande conselho, caso deseje retê-la.

Artras, tremendo de raiva, diz:

— Eu só quero lutar com ele!

Lucas sorrindo, olha para trás e diz:

— Se você lutar contra aquele, você estará em confronto direto comigo, o que resulta na mesma coisa.

Artras, ainda tremendo de raiva, mas consciente de que não poderia derrotar Lucas, guarda a sua espada e diz:

— Como quiser, atlante.

Artras vira de costas e diz:

— Mas não aproveitem demais a minha hospitalidade, por favor, saiam!

Bela, sorrindo, pergunta:

— Lucas?

Lucas anda até a espadachim e a abraça, dizendo:

— Você cresceu bastante, lindinha.

Miguel olha Lucas, curioso, aquele rosto era, de alguma maneira, familiar, mas não havia como dizer de onde e, querendo entender melhor o que estava acontecendo, pergunta:

— Ele é Lucas, o que andava com Hell, que treinou com o seu pai?

Bela olha para o rosto do Lucas, dizendo:

— É, ele mesmo.

Júnior cai sentada no chão, aliviada, e diz, da maneira debochada de sempre:

— Ele é o senhor salvador da pátria pra você, Miguel. Se ele não tivesse aparecido, nós dois estaríamos mortos e você nem pagou o chocolate com sementes de girassol que você me devia.

Lucas olha para os lados e vê Isabela, para quem diz:

— Isabela, que coisa. Logo você por aqui. Como está o seu pai?

Isabela sorri envergonhada e diz:

— Eu não sei. Eu fugi de casa, mas por favor, entenda, meu pai não queria me deixar sair e eu precisava...

Lucas ri e, debochado, diz:

—Estou só brincando, eu sei que você fugiu de casa, seu pai pediu para o irmão dele, que é membro do grande conselho, para pedir para que os Soldados Divino tragam-na de volta. Claro, nenhum deles se importou.

Miguel, mais curioso que antes, pergunta:

— Grande Conselho?

Bela explica:

— Sim, existem dois povos nesse mundo que entraram em guerra a oitocentos anos. Para manter a paz, foi criada uma organização mista, chamada de Grande Conselho, para a qual servem os Soldados Divinos, sete do lado dos humanos, sete do lado dos atlantes, cuja função é manter o equilíbrio.

Miguel, ainda curioso, pergunta:

— Mas e os Grandes Soldados?

Bela continua explicando:

— Cada Soldado Divino pode escolher seis pessoas que estarão acima da lei, assim como eles, para ajudá-los em suas missões.

Júnior, agora de pé, pergunta:

— Então, você vai andar direto com a Andressa agora, senhorita Grande Soldado?

Bela coça o queixo e diz:

— Acredito que cuidar do Miguel já é uma missão bem importante, considerando a atenção que ele chama. Até que ela diga algo, continuaremos aqui.

Jack, que havia se lembrado de escrever para a sua mãe e o estava fazendo naquele momento, se aproxima do Miguel perguntando:

— Como se soletra "Fugaz"?

Artras, mais irritado que estava antes, berra:

—Eu disse para não aproveitarem demais a hospitalidade!

Júnior, se espreguiçando, pergunta:

—Para onde vamos agora?

Bela tem uma ideia e, alegre, diz:

— Já que estamos aqui, por que não vamos para a minha casa?

Jack, concentrado, pergunta:

— É longe? Eu preciso terminar essa carta logo.

Bela nega, com a cabeça e diz:

—Fica há algumas horas daqui, mas vale a pena.

Lucas se aproxima do Miguel, dizendo:

— Então... Eu preciso do Miguel, mas vou devolver ele inteiro em algumas horas.

Todos estranham aquilo. O herói, que é o que é o mais intrigado de todos, pergunta:

— Por que?

Lucas, sério, explica:

—O selo que a Andressa colocou em você, eu quero removê-lo.

Todos ficam em silêncio por alguns segundos e Lucas, que começa a ficar sem graça, explica:

— A Andressa, ao ver ele, suspeitou de algo e, por precaução, o selou. Entretanto, ele parece ser um cara legal e, seja lá o que for fazer, fará melhor com todo o seu poder liberado.

Bela olha para Miguel, e sem saber bem o que dizer, pergunta:

— Você quer ir?

Miguel olha nos olhos castanho avermelhados de Lucas, quase iguais aos de Júnior, e, finalmente entendendo o que estava sentindo, diz:

— Existe algo de familiar em você... Eu vou!

Lucas, satisfeito, diz:

— Vamos para uma montanha aqui perto, um lugar mais calmo. Vocês podem seguir, eu ensino o caminho para ele depois.

Bela, um pouco decepcionada, se aproxima do Miguel, dizendo:

— Sobre aquilo que você disse mais cedo...

Miguel interrompe Bela, dizendo:

— Engraçado, a pressão no meu peito está me fazendo bem de novo.

Havia algo para conversarem, estava claro, mas essa não era a hora. Bela se afasta, dizendo:

— Vamos, eu mostro o caminho pra vocês. Foi bom te ver hoje, Lucas.

Lucas acena com a cabeça e diz:

—É sempre um prazer.

Júnior anda na direção de Bela, dizendo:

— Eu quero até ver você usando magia...

Isabela também segue Bela, dizendo:

— Até mais, Miguel e Lucas. Venha Jack, eu te ajudo a te escrever essa carta.

Jack, empolgado, diz:

—Obrigado. Tchau, pessoal.

Por fim, restam apenas Miguel e Lucas, que pergunta:

— Vamos?

Miguel sorri e diz:

— Já estamos demorando.

Lucas começa a correr na direção de uma montanha a oeste, seguido por Miguel que o acompanha na velocidade mais alta que pode.

Após algumas horas de caminhada, Bela, Júnior, Jack e Isabela chegam a casa de da jovem espadachim, pela qual todos que a acompanhavam tiveram paixão a primeira vista.

A casa era imensa, tinha mais de vinte quartos e uma fonte termal na parte de trás, o local parecia uma pousada, exceto pelo fato de parecer abandonada e ter espadas prontas para serem usadas por todos os lados.

Sem pensar muito sobre o resto da casa, Júnior rapidamente pulou dentro da fonte termal, vestida. Bela, que estranhou aquilo, perguntou:

— Por que você pulou com o manto?

Júnior, já relaxada, responde:

— Eu posso secar ele sozinha quando eu sair.

Bela procura nas gavetas até achar as roupas de banho e grita:

— Aqui tem roupas para vocês...

Jack, de cueca, entra em sai da fonte em dois pulos, dizendo:

— Isso é muito quente!

Júnior, rindo, diz:

— Por isso que magos de fogo são mais fortes que os de gelo.

Isabela pega as roupas do Jack e diz, sorrindo:

— Eu vou lavar essas roupas e arrumar a casa. Divirtam-se.

Bela, intrigada, pergunta:

— Você não vai entrar?

Isabela com a cabeça, enquanto sorri e diz:

— Acho melhor eu arrumar as coisas, mas pode entrar, divirta-se, a casa é literalmente sua!

Bela, preocupada, comenta:

— Isabela, eu ouvi dizer que você tem o poder do dragão de resistência altíssimo e a única forma de obter isso é forçando o seu corpo a resistir...

Isabela, agora com um sorrindo sem graça, pergunta:

— Você está insinuando que eu não quero tirar minha roupa e entrar na fonte porque tenho vergonha do meu corpo, coberto de cicatrizes?

Bela fica em silêncio, ela estava dizendo isso, mas pretendia fazê-la se sentir bem, não atacá-la, que foi o que acabou soando, da forma como ela falou. Isabela, com o mesmo sorrindo sem graça, diz:

— Não é isso, eu não tenho vergonha dele. Eu estou lhes poupando. É provavelmente bem mais feio do que você imagina.

Bela, mais sem graça do que já estava, tenta se explicar, dizendo:

— Eu só queria dizer que ninguém aqui se importa com isso. Eu mesmo, tenho várias cicatrizes pelo corpo. Só venha com a gente e aproveite.

Isabela, com medo, tenta sorrir enquanto pega a roupa de banho com Bela e se troca no banheiro. Ao voltar, todos podem ver o seu corpo e ele era, de fato, bem mais ferido do que eles podiam imaginar.

Haviam cicatrizes cortes por todas as partes, dentro deles, dois se destacavam. Um começava no ombro e terminava no quadril, atravessando todo o seu corpo e outro atravessava a sua barrida, de um lado a outro. Além dos cortes, havia uma corte em espiral e várias marcas feitas por objetos contundentes. Sua pele era tão marcada quanto a de Miguel, mas de alguma maneira mais preocupante, pois eles sabiam que aquilo havia sido feito pelo pai dela.

Em uma montanha coberta de grama, ao lado do país dos espadachins, chega Miguel, seguido por Lucas, que aponta para uma posição na grama e diz para ele:

— Tire a sua camisa e apoie um joelho no chão.

Miguel faz o que Lucas pediu e, olhando para trás, diz:

— Eu quase morri perdendo magia antes do selo. Isso não vai acontecer agora, de novo?

Lucas, sério, explica:

— Eu acredito que isso aconteceu porque você esqueceu como usar magia, assim como você esqueceu de outras coisas, quando eu remover o selo, você deve se lembrar como fazê-lo.

Miguel, curioso, pergunta:

— Como?

Lucas, calmo, explica:

— Sua magia e a memória dela estão ligadas. O que eu farei para quebrar o selo vai permitir que você veja a sua magia na forma como ela existe dentro de você. Quando você vê-la, você recuperará ela e a sua memória de como usá-la.

Miguel, confiante, diz:

— Nesse caso, pode começar.

Lucas olha para as costas de Miguel, onde estão os vários círculos colocados por Andressa. Ele, concentrado, põe sua mão direita sobre o selo, enquanto diz:

— Vamos começar.

Uma quantidade imensa de magia de fogo começa a fluir, queimando as plantas ao redor. Miguel perde a consciência.

O herói agora se vê em um lugar branco, vazio, onde ele pode flutuar, subir, descer e se mover pelas laterais, enquanto procura algo que pode ser a sua verdadeira magia.

Por fim, ele encontra um pássaro. Ele tinha aproximadamente o dobro do seu tamanho e asas gigantes, que não permitiam seu corpo fosse visto. Seria aquele um ganso canadense, dos quais as penas ele tanto gosta?

Miguel, curioso, se aproxima do pássaro, imaginando o porquê da sua magia ter aquela forma e toca as suas asas, que abrem imediatamente e permitem que Miguel veja que ele mesmo era o dono daquelas asas.

No mundo real, uma quantidade imensa de faíscas anda para fora do corpo de Miguel, ferindo a mão de Lucas, que estava sobre as suas costas e destruindo a terra em volta. O herói acorda e homem de terno, satisfeito, diz:

— Parece que deu certo.

Miguel se levanta e olha para as suas mãos enquanto tenta canalizar magia, gerando várias faíscas pelo corpo e, confuso, diz:

— Eu não consigo criar a armadura que eu tinha quando cai aqui.

Lucas coça o queixo e diz:

— Era pra você ter recuperado toda a sua magia. Talvez você deva seguir para a Montanha de Cristal. Existe um Soldado Divino, mestre Funnen, ele entende muito mais desses assuntos que eu e acho que ele pode te ajudar nisso. Não é longe daqui.

Miguel, satisfeito com a resposta e com a possibilidade de usar magia agora, diz:

— Tudo bem. Onde é a casa da Bela?

Lucas olha na direção da capital do país dos espadachins e aponta, dizendo:

— Na capital você vai encontrar um rio, na saída da cidade. Atravesse na ponte e siga reto, você vai chegar em outra cidade e a primeira casa que vir é a da Bela. Para evitar confusões, a casa dela parece uma pousada.

Miguel balança a cabeça, afirmativo, e começa a andar na direção apontada, quando pensa em algo que o estava incomodando e diz:

— Um homem que controla corvos me disse que eu estou causando um grande alvoroço no Grande Conselho. Isso é por causa dos gigantes?

Lucas, sério, diz:

— Você está causando um alvoroço, mas não por causa dos gigantes. Você é capaz de copiar habilidades, algo que apenas descendentes dos titãs podem fazer, e ainda assim, poucos deles e eles tem um registro confiável de todos que estão na família.

Miguel, acreditando ter entendido, pergunta:

—Então é porque eu não fui registrado?

Lucas ri e diz:

— Na verdade, é o contrário. É porque você foi registrado duas vezes.

Em um enorme castelo abandonado, próximo a cidade de Bela, um homem de cabelo preto e grande, oculto nas sombras, diz para uma armadura de corpo inteiro parada, em pé, com o buraco do rosto totalmente aberto, dizendo:

— Recebemos nossas ordens. Vamos começar.

A armadura se move e olha para o homem de cabelos grandes, com o buraco de seu elmo, vazio e diz:

— Sim, vamos começar.

A armadura pega um violino e começa a toca-lo usando uma finíssima espada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.