Midnight
4 4. Unexpected
Acordei com o Sol a bater na minha cara e fui abrindo os olhos lentamente. Olhei em volta mas não vi o Damon. As recordações de ontem á noite começaram a invadir a minha mente e por uns segundos, senti-me envergonhada. Comecei a reparar no quarto. Era grande e claro, do meu lado esquerdo tinha um guarda-vestidos e do meu lado direito tinha uma secretária e estantes cheias de livros. Em frente havia duas portas, a porta que dava para o corredor e a porta da casa de banho. Sentei-me na cama e tapei-me com o lençol branco. Nisto, o Damon entrou no quarto, com algo na mão e com aquele seu sorriso maravilhoso.
- Bom dia amor. – Sorriu-me.
- Bom dia. – Disse envergonhada.
Pousou umas calças, uma camisola e um casaco ao meu lado na cama. Conheci aquela roupa imediatamente.
- Foste buscar a minha roupa a casa? – Perguntei admirada.
- Fui, entrei pela janela do teu quarto para o teu irmão não me ver. Tirei uma roupa ao acaso mas é só para não andares com o vestido de ontem. – E sorriu-me.
- Obrigada Damon.
Levantei-me lentamente para me começar a vestir, e cada movimento que fazia era observado por ele. Trouxera-me uns jeans, por acaso os meus preferidos, uma camisola azul e o meu casaco de pele, preto. Vesti-me e calcei os Christian Louboutin pretos que usei na noite anterior.
- És linda Elena. – Disse-me com ternura.
Dirigi-me a ele e beijei-o levemente. Vi o sorriso dele a aparecer, acho que nunca o tinha visto tão feliz. Descemos as escadas, de mão dadas, e dirigimo-nos á cozinha para beber um copo de sangue. Reparei agora na maravilhosa casa que ele possuía. As escadas eram verdadeiramente largas, e o corredor, que dava para a sala, também dava para a cozinha. A cozinha era enorme, com armários rústicos mas claros, davam um ambiente de conforto e felicidade. Ao contrário da casa dos Salvatore, que era em tons escuros e algo obscura.
- Tenho de ir para as aulas Damon. – Disse enquanto ele tirava dois copos do armário e os enchia de sangue.
- Eu sei, se não quiseres que eu te leve, eu compreendo Elena. Acabaste com o Stefan e ainda é um bocado complicado. – Disse-me enquanto bebia.
- Não Damon! Estou farta de esconder, passei tempo de mais a ignorar o que sentia por ti e não o vou fazer mais. Quero assumir o que nós temos. – O tom da minha voz era decidido.
- Isso quer dizer que estamos juntos? – Perguntou-me.
- Depois de ontem á noite? – Sorri perversamente. – Acho que é de afirmar que estamos juntos. A não ser que não queiras assumir. – A minha voz na última frase era entristecida.
Vi a felicidade inundar-lhe a cara com as minhas palavras.
- Eu amo-te Elena, eu esperei por este momento durante tanto tempo.
- Eu também te amo Damon.
Acabamos de beber e dirigimo-nos, de mãos dadas, para o carro que estava estacionado mesmo em frente á entrada. Ele deve tê-lo estacionado ali quando foi buscar a minha roupa. O carro dele era diferente daquele que costumava conduzir. Era mais moderno e mais confortável, não sei como não reparei ontem. Reconheci a marca, Audi.
O caminho até á escola, foi calmo, a ouvir músicas e a tentar cantá-las entre risadas e pequenas frase de amor que ambos dizíamos um ao outro. Só reparei que tínhamos chegado quando o carro parou.
- Queres que te venha buscar amor? – Perguntou-me.
- Quero amor.
Ao sorrir-me, inclinou a cabeça para me beijar, os seus lábios tinham uma doçura refrescante.
- Até logo Elena.
- Até logo Damon.
Sai do carro e dirigi-me para a entrada da escola. Á minha espera estava a Bonnie e a Caroline e pelas caras delas, eu sabia que tinha um grande questionário pela frente.
- O Damon trouxe-te á escola? – Perguntou a Bonnie.
- O Stefan ligou-me ontem Elena, onde andas com a cabeça? Acabaste com o Stefan porquê? E agora o Damon traz-te á escola? Elena?! – Perguntou a Caroline sem me dar hipótese de responder á Bonnie.
- Sim, o Damon trouxe-me á escola. E sim eu acabei com o Stefan e se o fiz foi pela minha felicidade. Quando foi a ultima vez que eu fiz algo por mim? Eu e o Stefan já não dávamos mais, desde que me tornei vampira ele vê-me com algo estragado e não como a mesma Elena de sempre, até vocês, me veem diferente. O Damon é a única pessoa que me trata como antes, e faz-me sentir bem. – Agora sim, estava furiosa.
- Isso quer dizer que tu estás com o Damon? – Perguntou a Bonnie.
- Sim, pode-se dizer que sim. – respondi.
- Mas o Damon, é o Damon!
- Sim Bonnie, mas o Damon que vocês conhecem é diferente do Damon que eu conheço. Eu sei como ele pode ser, mas eu conheço o profundo dele. E para ser sincera, ele sempre me cativou de qualquer maneira.
- Desculpa Elena. – disse a Caroline. – Tens razão. Eu não tenho direito de julgar. Mas também sabes que o quanto eu sou amiga do Stefan e parece que estava só a ver o lado dele. Desculpa.
- Não faz mal Caroline, deem só uma hipótese ao Damon.
Encaminhamo-nos as 3 para a aula de Geografia, e fomos o caminho a falar sobre coisas triviais. As aulas passaram rápidas mas penso que isso foi devido aos meus pensamentos. A minha cabeça não se conseguia abstrair da noite com o Damon, nem um minuto.
As semanas que se sucederam foram assim. Casa escola, escola Damon, Damon casa… A minha relação com o Damon mantinha-se, umas vezes dormia ele em minha casa e outras vezes era eu que dormia na dele. A Caroline e a Bonnie já se habituaram ao Damon, e apesar de não admitirem, estão se a dar relativamente bem com ele. O Stefan foi para New Orleans e não se sabe se volta. A minha vida por momentos estava normal, sem confusões nem preocupações e quase comecei a acreditar que ter uma vida normal era possível, quase.
Hoje acordei, e preparei-me para mais uma segunda-feira de aulas, vesti-me e desci as escadas para tomar o pequeno-almoço, o Damon já estava na cozinha a falar com o Jeremy.
- Bom dia amor. — Disse o Damon.
- Bom dia mana. – Jeremy, repetiu sorrindo.
- Bom dia rapazes. – Respondi a ambos.
Abri o frigorífico, tirei uma bolsa de sangue e meti num copo. Assim que terminei de beber soube que algo não estava bem. O meu estomago revoltava-se perante o sangue. Corri para a casa de banho para vomitar. Dobrei-me na sanita e vomitei cada gota de sangue que tinha engolido. Assim que achei o meu estomago calmo, levantei-me e lavei os dentes. Vi o Damon á porta da casa de banho com um ar de preocupado.
- Estás bem Elena?
- Sim, mas foi esquisito. Foi como se o sangue me enjoasse.
- Nunca vi tal coisa acontecer. Enjoar sangue?
- Deve ser alguma coisa ao acaso, há sempre algo de errado comigo, lembraste? – Sorri.
- Deve ser isso. – Disse com uma voz pouco convincente.
Olhei para o relógio e vi que iria chegar atrasada ás aulas se não sai-se agora de casa.
- Vamos Damon? Vou chegar atrasada!
Ele levou-me á escola e despediu-se de mim com um beijo caloroso. Á entrada da escola estava a Caroline á minha espera pelo que me apresei a ir ter com ela.
- Tenho uma coisa para te contar Elena. – Disse.
- Conta Caroline.
- Ontem fui jantar com o Klaus… e beijámo-nos.
- A sério Caroline? Tu e o Klaus? Espera! Gostas dele?
- Acho que sim Elena, ele faz-me sentir tão bem. Hoje vamos estar juntos outra vez.
- Então parabéns Caroline. – Sentia-me tão feliz por ela, pelo menos ela já não andava triste pelo Tyler a ter abandonado.
- E tu? Que se passa? Estás com uma cara. – Perguntou-me preocupada.
- Preciso que venhas comigo a um sítio, agora.
Ela deve ter visto pela minha cara que era algo sério pelo que não fez mais perguntas. Dirigi-me com ela á farmácia mais próxima que por acaso ficava na mesma rua que a da minha escola. Entramos e esperamos pela nossa vez.
- O que estamos aqui a fazer Elena? – Perguntou-me baixinho.
- Tenho que comprar uma coisa. – Respondi.
A cliente que estava á nossa frente saiu e dirigimo-nos ao balcão.
- Bom dia, em que posso ser útil? – Perguntou a farmacêutica.
- Bom dia, queria um teste de gravidez. – Respondi.
A cara da Caroline tornou-se séria e cheia de perguntas mas esperou até sairmos para me fazer um questionário.
- Elena? O que é isto? – Perguntou-me assim que saímos da farmácia. – Isto é impossível. Tu és vampira, e o Damon também e não é possível, não é. O que se passa? Porquê que compraste isso?
- É uma suspeita Caroline, eu sei que não é possível, mas eu não consigo beber sangue, enjoa-me, se o bebo, vomito logo a seguir. Isto é a única explicação que encontro.
- O Damon sabe?
- Não, mas também não há-de ser nada, estou só a reduzir opções.
Dirigimo-nos para a escola, já estávamos atrasadas pelo que decidimos não ir á primeira aula e fazer logo o teste. Entramos na casa de banho e trancamos a porta. Entrei para dentro dos pequenos compartimentos com o teste de gravidez na mão. Li as instruções e esperei 5 minutos pelo resultado. Foram os 5 minutos mais logos da minha vida e pelo nervosismo da Caroline, também foram os dela. Olhei para o relógio, já tinham passados os 5 minutos.
- Vê o teste Elena. – Disse impacientemente.
- E se der positivo?
- Não vai dar Elena, vai correr tudo bem.
Aproximei-me da bancada onde estava o teste, e peguei nele. O choque percorreu cada ser de mim. Eu estava grávida. Uma vampira estava grávida, eu. Eu estava. Não conseguia acreditar. Não era possível. A Caroline aproximou-se de mim impaciente pelo resultado, e o choque dela foi tão grande como o meu.
- Oh merda… — murmurou ela.
- Não é possível Caroline, não é… — murmurei.
- Tens que ligar ao Damon, tens que lhe contar, têm de falar e tentar descobrir o que se passa Elena. – Agora a voz dela parecia preocupada.
- Tens razão – Disse tirando o telemóvel da minha mala.
Digitei o número do Damon, e esperei que ele atendesse.
- Sim Elena? Está tudo bem?
- Er, Damon, podes vir-me buscar agora? É urgente, vem o mais rápido que conseguires por favor.
- Estarei aí em 2 minutos.
Desliguei o telemóvel ainda em choque e comecei a arrumar o teste dentro da mala, dirigi-me para a entrada na companhia da Caroline em absoluto silencio. Nem ela nem eu sabíamos o que dizer. A espera pelo Damon não foi muito longa.
- Boa sorte Elena, depois liga-me. – Murmurou a Caroline enquanto me dirigia para o carro. A minha resposta foi apenas um sorriso forçado.
A minha cabeça estava á roda, não conseguia pensar coerentemente. Entrei no carro com uma cara sem expressão. Estava em choque.
- Que se passa Elena? Estás-me a assustar, estás magoada?
- Nós temos um problema Damon, um grave problema. – A minha voz era quase inaudível.
A cara confusa dele tentava perceber o que eu havia dito mas sem sucesso, e então, abri a minha mala e dei-lhe o teste de gravidez.
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