Notas iniciais
Este é o primeiro capitulo, ou seja, não é tão animado ou interessante, ele serve mais para ser o pontapé inicial do meu conto, os próximos capítulos devem trazer mais interesse. E digo que pode ter um começo bem clichê, mas deixarei julgamentos a cargo do bom leitor. obrigado ;)

Escrevo estas páginas para relatar o que me assombra há mais de quinze anos, para muitos que lerem isso entenderão o motivo pelo qual me mantenho sempre recluso em casa, afogado em meus medos. Muitos amigos eu tive no fim do ensino médio aqui na cidade de Marinado, mas nenhum deles me marcou tanto quanto Lucas Matos, se lembrarão desse nome das gritantes manchetes de quinze anos atrás na qual nada fora encontrado nas cinzas de sua casa, nem ele, nem... Aquilo!

Para começar digo que o Lucas era um dono de um temperamento muito bom na verdade. Mas desde seu sumiço tenho dúvidas crescentes sobre o que ele guardava por detrás de seus cativantes olhos castanhos. Ele era conhecido por ser um ávido leitor, um rapaz que conseguia se dar bem em muitas matérias, tinha uma estatura média, cabelos curtos e castanhos. Ele era bem conhecido de nossos colegas, e apesar da timidez, falava como ninguém nas aulas de biologia, e eu mantinha relações amigáveis com ele, a ponto de ser chamado de seu confessor.

Mas foi no mês de junho que tudo começa, não era como nos épicos, no qual até o tempo poderia predizer o que iria ocorrer, pelo contrário, era uma ensolarada manhã de quinta-feira. E mais uma vez estávamos ouvindo a professora de inglês lecionar sobre gramática em seu método totalmente defasado de ensino. Lucas encarava a professora que estava a duas carteiras de distância, no quadro, seu olhar era inflamado, irado, completamente irracional, foi incômodo vê-lo daquela forma, ao virar para a professora, eu via ela desviar o olhar para sua direção, senti o nojo no olhar daquela mulher. E até o fim da aula fiquei perplexo, sem escrever uma linha que fosse no meu caderno.

Ele se manteve quieto o resto das três aulas que se seguiram, sempre esboçando um sorriso, como se estivesse tudo bem. Na hora em que eu ia pegar o caminho para a minha casa, Lucas me intercepta, não sei ao certo como dizer, pela primeira vez senti medo de sua presença. Ele queria falar comigo, desabafar, do jeito que iniciou a conversa já sabia que as perguntas que pensei logo de manhã seriam respondidas


"O que acha de Arlete? Nossa professora de inglês o agrada?"


Senti o tom incisivo de sua voz, e como havia dito, estava desacostumado com essa parte do meu amigo, então dei-lhe uma resposta neutra, meio tremida:


" Não tenho nada contra ela, ela é só a minha professora, nunca lhe falei mais do que um 'bom dia' e 'presente'"


Ele ficou calado me observando, como se estivesse formulando alguma pergunta difícil de se fazer, aproveitei-me disso e perguntei-lhe com preocupação


“Lucas, fale pra mim qual é o problema que você está tendo com a professora de inglês? Eu só quero ajudar”


Ele se mantém calado, senta no meio-fio, e respira fundo, agora com a tez mais serena, me conta com olhar fixo na rua, como se esperasse algo


"Ela sabe o que fez, há duas semanas ela me mandou para a coordenação por não ter participado de suas atividades, digo, ela não só me mandou para lá, como começou a falar mal de mim e das minhas atitudes, como se eu fosse um qualquer, um mero utensílio descartável Mesmo em meu âmago, senti que isso não era algo para se sofrer calado e com forte brado admoestei-a que isso não ficaria assim, ela riu. Desde semana passada essa mulher tem me perseguido, me prejudicado como pôde, tentando me fazer ceder, tentando me fazer ficar louco. Entende o que eu digo?"


Clara como água, o que Lucas me disse deu-me forte ojeriza pois nada lembrava de duas semanas atrás, e pior do que isso, não entendia ao certo isso, aonde a professora de inglês queria chegar prejudicando um aluno do ensino médio? Olhei para ele uma última vez e quando eu ia perguntar-lhe o por que dessa situação, sou interrompido por uma pergunta simples, porém que me deixou perplexo por dias a fio


"E se Arlete Ruas morresse?"


Quando ouvi isso, dei-lhe um olhar de espanto, ele sorriu, se levantou e disse intentando me confortar de minha surpresa


“Até parece que poderia cometer algo de assaz atrocidade assim, não sem planejar isso de forma minuciosa, parece que não me reconhece”


Depois do que ele falou, olhou para o outro lado da rua, e com um rápido movimento escafedeu-se e gritou-me uma despedida.

Confesso que não achei agradável aquela conversa, mesmo que tenha sido curta, vi meu interior pedindo de toda forma para que aquilo acabasse, minha curiosidade, se opondo a isso, me mandava tiranicamente interrogar meu amigo até que se visse satisfeita com suas respostas. No fim andava até minha casa perdido em pensamentos tentando entender o que se passava na mente de Lucas, afinal as peças não se encaixavam, o que havia por trás de tudo isso, o que ele planejava? Da forma em que me encontrava esperei que fosse coisa de minha mente, havia no fundo de meu espírito uma fagulha de esperança de que tudo o que fora dito naquela conversa não passara de um mal entendido, mas eu era muito realista, para me entregar a tal sentimento.