Michael

5 Velho Lobo do Mar


O cheiro de sal e peixe enchia o ar, todas as articulações de Michael doíam. Um zumbido o rodeava, abanou a sua frente, o zumbido se multiplicou em vários. Ele ouviu passos pesados.

– Tá vivo?

Logo outras vozes masculinas se juntaram a aquela, pareciam felizes. Devo estar no inferno...E estes devem ser demônios que vão me dilacerar...

– Levanta daí cara, vem comer uma sopa!

– Erik? Agora sei que estou no inferno, mesmo!

Gargalhadas guturais encheram o ar fedorento. Tudo ficou escuro e silencioso novamente.

Um raio de sol o incomodava, ergueu sua cabeça para o lado, de onde pôde dar uma boa olhada onde ele estava. Do teto pendiam vários ganchos, alguns virgens, outros estavam cobertos com sangue seco; de um lado tinha uma janela aberta; no oposto vários cartazes velhos de mulheres nuas.

Se sentindo melhor, Michael se levantou, percebeu que estava nu e seu corpo estava cheio de hematomas.

Caí do céu e ainda sobrevivi? Parece que tenho sorte afinal...

Não tinha roupas ali, o jeito foi se cobrir com o lençol da cama improvisada. Então se lembrou de Juan, ficou preocupado. Eu me lembro de ter ouvido o sueco, mas não lembro de Juan!

Do lado de fora, o mar azul se estendia, o vento forte quase levou embora o lençol. Opa!

– Que delícia! — gritou uma voz grave do alto.

– É... Oi, senhor! — falou Michael — O senhor estava se referindo ao espetinho de carne que está comendo?

O homem, que era todo, barba e roupas azuis mofadas, respondeu: — Não, estava falando de você mesmo...

O garoto tremeu.

–... tirando a sua testona... Mas seus cabelos e sua bela bundinha! Hummm... Não quer fazer um velhinho feliz não?

Michael pensou seriamente se deveria saltar no mar.

– Vejo que já conheceu o velho Jon! — exclamou um garoto com pele parda, curtos cabelos negros e olhos cor de âmbar.

– Juan?! — a expressão de alívio no rosto de Michael era claramente evidente.

– Eu estava perguntando ao passarinho aí, se não queria brincar um pouquinho comigo! — exclamou Jon, rindo.

– Eu... Eu — o loiro tentou uma desculpa — Sou uma criança...

– Hah! – ralhou o velho — Sei muito bem que você dois são adultos metidos a Peter Fan! — rugiu o marinheiro.

– É Peter Pan – corrigiu Juan gargalhando — Pelo jeito vai ter que dormir de porta trancada hoje! — ele se dirigiu a Michael, rindo.